Meu Namorado Não Existe

1 Prólogo - Introdução à loucura.


Notas iniciais
Esse é o prologo hehe.Se tiver retorno, posto antes de duas semanas.Beeeeeeijos.

Meu nome é Diana, meu pai diz que é nome de princesa e minha mãe diz que é guerreira. Seja como for, não sou nenhuma das duas. Tenho 17 anos por enquanto, faço aniversário em breve e com isso quero dizer que é daqui a nove meses, uma gestação de ansiedade para ganhar presentes. Minha aparência? Bom, tenho 1,65 de altura, sou magra, cabelos loiros curtos e lisos, olhos cor de mel (uma cor mais parecida com verde), pele branca, sardas e boca rosada. Algo mais? Ah claro, sou muito bonita e com isso quero dizer que sou mesmo linda. Eu seria a garota mais bonita do meu bairro, se por uma sorte não me vissem como uma louca varrida.

Não sou louca e nem descontrolada, se quer saber, mas sofro de distúrbio pós-traumático chamado Psicose de Nível 3, imaginação. As pessoas me chamam de louca por ter uma imaginação fértil. E por que tenho essa ‘’doença’’? Simples. Quando eu tinha cinco anos meus se separaram, não uma separação normal, foi realmente uma briga de cães, fazendo com que eles brigassem mais ainda. Eu fui morar com o meu pai e meu irmão com minha mãe. Já citei que tenho irmão mais velho? Ele tem vinte anos, é parecido comigo, não é louco, filhinho perfeito que está no segundo ano de Medicina e mesmo tendo tantas coisas para eu odiá-lo, eu o amo e muito. Somos carne unha e quase almas gêmeas. Enfim, logo após, meu melhor amigo/namorado de infância Fred, morreu junto com seus pais em um terrível acidente de carro. Aí a coisa ficou séria, porque eu entrei em depressão, que basicamente se resumia em só comer batatas fritas, tomar banho a cada dois dias, nada de Coca-Cola (eu já era viciada naquela época), me trancar no quarto e não sair nem para ir para escola.

Então peguei uma gripe horrenda e fiquei internada, sendo forçada a comer e tomar Coca (o que não era ruim). Eu era uma criança com pais separados que se odiavam e um melhor amigo morto. Foi um tempo de vaca magra na minha vidinha. Eu melhorei, claro, não morri como se percebe e segui o conselho da medica do hospital, que se baseava em: ‘’Faça um novo amigo, fará bem para sua saúde e recuperação do trauma’’. Mas vejam que ironia, eu criei um novo amigo, ao pé da letra, imaginei que Fred estivesse ali e quando abri os olhos ele realmente estava. No começo foi difícil de aceitar, digo nos primeiros sete segundos e logo já estava brincando com ele. Meus pais aceitaram, pois crianças têm amigos imaginários e quando eu entrei na puberdade, os malditos 12 anos, eles não achavam mais tão normal assim. Dos poucos momentos de paz que conseguiam conviver, gastaram esse precioso tempo pensando em uma solução e acharam que o melhor era frequentar uma psicóloga.

E até os 15 anos eles gastaram dinheiro comigo e nada funcionou. Por fim, me colocaram no GAPCCP (Grupo de Apoio Para Crianças com Psicose), que frequento toda segunda.

Deixe-me explicar algo muito importante: Estou no Estágio 7 da Psicose. A Imaginação (gosto de chamar assim, pois parece menos doentio) se divide em alguns estágios:

1. Criação do OPC (objeto/pessoa/coisa) que esteja relacionado ao seu trauma;

2. Socialização (que se resume em falar, brincar e afins);

3. que o OPC na verdade não existe;

4. Negação de que seja coisa da sua mente;

5. Aceitação de que o OPC não existe;

6. Esquecimento (adeus OPC)

Mas aí que eu e meus amiguinhos da GAPCCP entramos na história. Logo após de passar pelo Estágio 6 nós não nos adaptamos ao convívio sem nosso OPC e então optamos por vê-lo novamente e ter uma vida feliz como loucos aos olhos da sociedade. Ou seja, Estágio 7. E antes que me pergunte eu vou lhe responder. Eu vejo o Fred por que eu quero e de certa ainda não superei a merda da sua morte. Não consigo imaginar um mundo sem ele e mesmo que ele seja minha imaginação, eu não ligo, eu apenas quero que ele esteja ali do meu lado, que é o lugar que nunca devia ter saído. Mas então porque você não se mata para viver uma vida pós a morte com ele? Porque eu não acredito nisso e também porque não seria nada poético acabar com a minha vida para passar um tempo vagando por aí sem meu amigo ao meu lado. E por isso fico nesse mundo, falando com um cara que não existe e o beijando também.

E o que eu faço no grupo? Nada de útil posso lhe garantir. Ficamos em um circulo no meio do salão falando de nosso contato com o OPC. E se você acha que ter um namorado que não existe é ruim, espere até conhecer os OPC’s do pessoal. Para ficar um pouco ciente do que vem por aí, tem um cara lá que tem um cubo mágico imaginário. Dá pra acreditar?! E se você se perguntou por que ele não compra um de verdade, eu lhe darei a resposta. Quando ele tinha 7 anos, ele estava montando o seu cubo mágico super caro e macio (é assim que ele descreve ao contar história) que havia ganho do recordista mundial de cubo mágico no qual nem sei quem é e ele caiu em um prato de vidro fino quebrando-o e além de quebrar inteiramente o cubo, um pequeno pedaço de vidro voou até seu olho (ele também descreve assim) e de alguma forma o deixou cego da vista direita. Triste história? Sim. Engraçada também? MUITO. E o que me deixa mais encabulada é que esse é um motivo muito ruim para ter criar um OPC e além de tudo não conseguir esquecê-lo.

Resumindo tudo: Se você achar que somos loucos, pode até ter um pouquinho de razão. Mas nada além disso, pois somos normais e falamos com coisas que não existem.

Notas finais
Enfim, espero que gostem!