Notas iniciais
Esse capitulo foi muito especial e gostoso de escrever. Eu queria mostrar mais ou menos o que a Diana sente em relação a sua família e pode parecer um pouco dramático, mas foi necessário. Os loucos também sentem não é mesmo? HAHAHA. Espero que gostem, foi escrito com amor. Beijos e boa leitura. OBS: COMENTE PORQUE EU MANDO, VLW FLW 8)

Eu sei muitas coisas que outras pessoas não sabem que eu sei.

Quando eu tinha 10 anos minha mãe começou a namorar com um cara qualquer, naquela época eu estava passando um tempo na casa dela, então ouvi um assunto que ela estava grávida e não queria ter outro filho. Dois telefonemas, uma saída demorada e quando ela voltou seu rosto estava com uma feição de culpada.

– Está tudo bem mamãe? – perguntei inocente.

De uma forma fria que ela sempre era comigo, respondeu:

– Só fui resolver um problema, agora tudo está no seu devido lugar.

Dois anos mais tarde eu descobri que ela havia abortado quando ouvi escondido enquanto ela conversava com uma amiga.

Ou logo depois que ativei o sistema de câmeras, ‘’sem querer’’ ouvi meu pai conversando com o advogado em seu escritório. Eles estavam praticamente discutindo, então meu pai disse:

– Marie (que no caso é minha mãe) disse que não aguenta mais essa crise da Diana de chamar atenção com esse amigo imaginário!

– O que podemos fazer? – o advogado perguntou

– Estava pensando em um internato no Sul da Ásia para pessoas que passam a mesma situação dela, a grade de profissionais habilitados é muito boa e creio que em um ano Diana voltará sã.

– Você diz um hospício?

– Sim, quase isso. – papai respondeu coçando a cabeça como se estivesse nervoso.

Nesse momento eu cortei as imagens e chorei de desgosto. Minha vontade era de sumir e lembro que nesse eu pedi com todas minhas forças para Fred desaparecer, sumir da minha mente, pois eu queria ser uma garota normal e também que meus pais me aceitassem. Mas lá no fundo eu sabia que eu vendo ou não o Fred eu nunca ia ganhar a atenção deles.

Também tem o grande segredo de Joseph e namorada do meu pai.

Ela se chama Louise, tem 26 anos e parece uma boneca inflável. Sim, de tanta plástica que ela fez e silicone que implantou com o dinheiro do meu pai parece que não tem expressão corporal e facial. Mas tirando esses PEQUENOS detalhes ela até que é bonita (depois das plásticas, porque antes era uma desgraça). Um tempo atrás, quando meu irmão veio passar uma semana de folga da faculdade, papai e Louise estavam aqui também, eu vi um movimento estranho nas câmeras no corredor dos quartos. A sangue suga peituda (vulgo Louise) saiu do quarto de fininho e entrou no quarto do meu irmão, ela tirou o roupão que estava vestindo e ficou pelada. SIM!!!! PELADA!!!!

Joseph que estava dormindo logo acordou e de resto ele fez o que é natural para ele.

Nunca tive coragem de dizer isso ao Josp ou até mesmo abrir os olhos do meu pai, por que eu sei que ele se viraria contra meu irmão que em parte é culpado (venhamos e convenhamos: quando um não quer, dois não fazem) e diria que a quenga é uma santa, por fim Joseph me odiaria e ter outra pessoa me ignorando não seria muito legal.

Então cheguei à conclusão de que tenho mais segredos dos outros do que meus e isso me intriga bastante, pois na verdade isso me revela que eu não vivo a minha vida e sim a dos outros. Estava nessa linha de pensamento quando meu pai me chamou.

– Oi?! – respondi voltando a terra

– Dá pra você me responder o que perguntei? – esbravejou

Papai sempre sentava na ponta da longa mesa de jantar, igual a um chefão, sempre emburrado, fazendo com que sua idade mudasse de 40 para 60.

– O que o senhor perguntou exatamente?

– Perguntei se você recebeu resposta de alguma faculdade.

Bom, agora a briga vai começar.

– Não se recebe resposta daquilo que não se pergunta.

– Como assim? – eu pude sua expressão mudando de sério para bravo

– Para bom entendedor meia palavra basta. – sorri ironicamente e pelo visto ele não gostou muito.

– Você está dizendo que você não se inscreveu para nenhuma faculdade?

– Exatamente.

Nessa hora ele olhou para todos em volta da grande mesa, parecia que buscava alguma explicação que não fosse a minha. Olhou para Joseph que negou com a cabeça como se dissesse ‘’não sei de nada’’ e depois voltou o olhar para mim, furioso.

– O que você quer da vida Diana? Ficar vivendo as minhas custas e a da sua mãe? Nunca trabalhar e ficar falando sozinha nessa casa como uma doida? Pois se é isso que você quer minha filha, você não vai ter.

Sim, eu poderia ficar calada e concordar com ele como uma boa filha faria só que não sou uma boa filha.

– O que eu quero da vida?! – eu ri e continuei a falar – Não seria mais cabível perguntar o que você quer da minha vida? Porque sinceramente você e a mamãe nunca deram uma opção pra mim que eu realmente achasse digna e prazerosa para minha vida. Sempre foi: Faça isso e faça aquilo; escolha medicina ou gastronomia; pare de ver seu amigo imaginário Diana; PARA DE SER LOUCA! – nessa hora eu estourei. Pude ver a expressão de assustado do Joseph, a cara de durão do meu pai, Malec estava olhando para o prato como quem diz ‘’nem sou da família’’ e Louise estava com a mesma plastificada de sempre. – Você nunca me perguntou: ‘’Quer viajar comigo filha?’’. Sempre foi: ‘’Eu vou viajar, em duas semanas estou de volta’’ e nem sequer olhava na minha cara. Nunca sentou do meu lado depois da morte do Fred e me deu carinho e muito menos disse que ia ficar tudo bem. Simplesmente achou que minha mágoa poderia ser comprada com presentes ou ser resolvida por psicólogos. Mas na verdade pai – eu olhei bem no fundo de seus olhos e pude sentir toda minha raiva indo embora para dar espaço para mágoa – o que eu precisava de verdade era de amor. Uma coisa que você e a mamãe nunca souberam me dar. E agora o senhor me pergunta o que eu quero da vida? A única coisa que eu quero é ser uma garota normal, com pais que me amam pelo o que sou e não pelo que devo ser, mas eu sei que isso é impossível. – me levantei da cadeira e fiquei parada em pé por alguns minutos olhando meu pai. Durante esse tempo o silêncio reinou naquele recinto e diversas vezes vi que ele queria falar alguma coisa, mas algo dentro de si o impedia.

Dei meia volta e saí de casa a caminho da praia. Meu pai não veio atrás de mim, muito menos Joseph e até pensei em Malec. Mas quem estava me esperando sentado perto do mar era Fred, o único com que eu sempre contei por muito tempo e acho que ainda vou contar por muito mais.

– Senta aqui. – ele disse. Assim fiz e coloquei a cabeça em seu ombro. – Que briga feia ein!

– Pois é... – eu disse aérea

– Quer conversar sobre?

Apenas neguei com a cabeça.

Fiquei olhando o movimento das ondas e de certa isso me acalmou, fazendo com eu desejasse ser como o mar que possui ondas que vão e voltam, pessoas entram nele a toda hora e mesmo assim não é de ninguém. Eu queria ser de ninguém, nem mesmo Fred escapa dessa. Queria nunca ter me apaixonado por aquele menino cheio de sardas no rosto ou que ele morresse. Queria que ele fosse real. Queria, queria, queria. Tantas coisas que quero e nesse exato momento não quero nada.

Fred desapareceu e por um momento entrei em desespero achando que fosse para sempre, mas olhei em direção a minha casa e vi uma pessoa caminhando até mim. Não era Joseph ou meu pai. Quando se aproximou mais, vi que era Malec que se sentou ao meu lado e ficou calado por muito tempo apenas olhando o mar.

– Se tem uma coisa que gosto nesse mundo inteiro é o mar. – disse ele quebrando o silêncio

– Por quê?

– Acho que ele é misterioso, esconde seus mais belos tesouros onde é difícil de alguém pegar, uma caixinha de surpresa. E acho que você se parece com ele. Sei que é absurdo eu falar isso por que nem te conheço direito, mas tenho certeza que você esconde belos tesouros em seu coração.

Então eu o beijei. Beijei de verdade, com gosto e nem sei que porque fiz isso. Mas Malec era real, ele estava ali e parecia que se importava comigo. Beijá-lo me fazia sentir que eu era normal e mais que isso, acendeu algo em mim que não sentia há muito tempo. Seu toque no meu rosto era suave, o nosso beijo era lento e carregado de calma, como se tudo sumisse e o que o sobrou do universo era apenas eu e ele. Cautelosamente ele se afastou de mim e pude perceber o quão sem ar nós estávamos.

– Nossa Diana, eu sabia que você ia me pedir para te beijar, mas não imaginava que fosse tão cedo. Seus pais nunca te alertaram sobre beijar estranhos? – ele riu e eu também dando um leve empurrão em seu ombro.

Percebi que naquele momento poderia dizer mil coisas e mesmo assim não diria coisa com coisa. Eu simplesmente fiquei calada, estava guardando aquele momento real e sabia que quando ele me abraçou de lado que nós dois estávamos sorrindo.

O que eu quero da minha vida?

Que o tempo se congele e o verão seja muito, mas muito longo mesmo.

Notas finais
Eai o que achou? Comenta e me diga. Até o próximo!!!! Biejinhos Obs: posso colocar seu nome na boca do sapo se não comentar, ou não, mas nunca se sabe né?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.