Notas iniciais
Antes que talvez alguém se sinta ofendido, a one-shot apenas se trata de uma garota que tinha suas dúvidas de sua religião, família, o futuro, e sua morte. Espero que gostem e aproveitem!

"Há uma certa tristeza existencial em cada um de nós. Você pode encontrar alguém para dividir ou amigos que entendam... Mas no fundo sempre estará sozinho."
Ruy Barbosa

Ah, a vida estava tão difícil para uma adolescente de 18 anos. Camilla Alves apenas imaginava sua vida quando ultrapassasse essa faixa etária: Seria ela mais feliz? Rica? Casada, com 7 filhos e um cachorro? Até dois se sua renda permitisse. Porém a última reflexão de sua futura vida ela desejava desesperadamente que não acontecesse.

Camilla não sabia se sua família foi feita exatamente pra ela ou se era apenas o destino. Amava-os tanto, que se pudesse escolher, continuaria na mesma família em sua próxima reencarnação (se isso realmente existisse). A garota se sentia extasiada pela harmonia que sua família tinha, as vezes eram tão felizes que a felicidade a atingia.

A morena estava em uma daquelas crises existenciais que ninguém aguentava, não conseguia dormir de tanto questionar-se: O que estou fazendo aqui? Por que olho com esses olhos? Será que eu faço minhas escolhas?

Camilla só tinha perguntas que não poderiam ser respondidas, nem quando morresse e enxergasse apenas escuridão.

Sentada no banco do metrô, com seus tão limpos fones brancos no ouvido, ela ouvia sua música preferida. E desse mesmo jeito viu uma senhora aproximar-se e falar com ela. Palavras, que na verdade, não ouvia.

Pensava se iria ser como aquela senhora futuramente, estaria ela daqui anos clamando por atenção no metrô? Falando sobre um assunto que não interessava a pessoa que a ouvia?

Camilla esperava ser alguém, e não apenas um alguém. Desejava que fizesse algo importante. Não queria ser mais uma pessoa que só aproveitou sua estadia na Terra e foi embora sem nem mesmo fazer a diferença. Mas sabia que esperando sua estação no metrô, ela não iria estar nem perto do seu tão amado sonho.

A garota se enchia de perguntas mentalmente a cada estação que se passava, tantas perguntas que até já estava se irritando. Contendo-se para gritar para a velha parar de mexer aquela boca que ainda não entendeu que ela não estava ouvindo.

Camilla voltou a questionar-se para se acalmar: Será que Deus existe? E se Ele fosse apenas uma imagem criada por pessoas desesperadas procurando ajuda em algo superior a elas? E se ele existisse, ela não poderia dizer que ele era a justiça em forma celestial. Sim, as pessoas botavam toda sua fé nele para suas crianças, amigos, e parentes saírem vivos, serem protegidos e tudo mais, mas nem sempre adiantava. Afinal, que pessoa ou ser deixava um inocente morrer e o assassino sair impune? Não que ele fosse o culpado por esse resultado, mas Camilla acreditava que ele poderia intervir um pouco.

Mas quem era ela para julga-lo, afinal? Ela não fez nem um pingo do que Ele provavelmente fez ou faria. Talvez ela tenha interpretado mal todo esse mundo e esses deuses por aí. A garota não era ateia, muito pelo contrário; era cristã. Apenas tinha suas dúvidas, as dúvidas que sempre teria. E nem poderia expressar suas humildes dúvidas, porque certamente iria ser apedrejada por mais de 365 dias.

– Estação São Leopoldo. — Falou a voz eletrônica do trem que entrou nos ouvidos de Camilla.

E assim a garota retirou-se do assento que lhe fez companhia e que a deixava aproveitar-se da palavra e a ação que ela tanto ama: questionar. Passou pela porta do metrô e agradeceu-lhe por não responder suas perguntas, agradeceu-lhe por não tira-la do seu mundo faz-de-conta de perguntas e questionamentos. Sorriu por ainda se encontrar na situação que estava desde quando nascera. A garota continuava sabendo o quanto não sabia.



Notas finais
Obrigado por ler até o final! c: Eu realmente queria muito fazer essa one-shot, tava morrendo de vontade de postar alguma coisa! HEUAHE Obrigada, e talvez eu encontre vocês em outra história. Abraços!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!