Meu Milagre
14 Capítulo XIII
Notas iniciais
Beatriz anda em passos rápidos pelos corredores do colégio. Os alunos formaram uma fila e cada passo que a jovem dava uma bolinha de papel era jogada na mesma. Ela não tinha coragem de erguer a cabeça para encarar seus agressores e nem força para rebater.
Richard acabara de entrar no corredor e ao ver todos rindo se perguntou o motivo, mas logo avistou o motivo de todos estarem tão alegres e aquilo fez seu sangue ferver de raiva, sabia que aquilo era sua culpa e precisava fazer alguma coisa.
—JÁ CHEGA. – Gritou chamando a atenção de todos presentes. – QUAL É O PROBLEMA DE VOCÊS? – Beatriz olha para Richard assustada. – DEIXEM ELA EM PAZ.
—Calma aí, cara. – Sebastian surge atrás de Richard. – Por que ainda se importa com essa garota? Você fez pior que qualquer um aqui.
—Sebastian não me irrita. – Richard sai andando indo em direção a Beatriz. – Vem comigo. – Segura na mão da colega e sai puxando ela pelo corredor.
Beatriz apenas deixou ser puxada por Richard, não tinha forças para discutir ou resistir. Ele a arrastava por todo o colégio e o silêncio já incomodava a jovem, desde que voltará para o colégio – semana passada – ele todos os dias e até mesmo fora do colégio tentava conversar, mas ela se recusava a ouvir. A magoa ainda era presente em seu coração.
Richard para no jardim – onde se encontravam antes – os dois se olham e ele se permiti sorrir. Como ele adorava aqueles olhos verdes, mas o brilho que sempre teve ali não estava mais presente e isso partia ainda mais o coração, pois sabia que era culpado por aquilo.
Ele adoraria voltar no passado e mudar tudo o que havia feito, pois sentia falta da companhia dela, sentia falta dos carinhos inocentes que ela lhe dava, sentia falta do perfume dela e sentia falta de como ela lhe trazia uma paz que nunca teve – Beatriz havia se tornado muito mais que uma amiga – mas agora queria o perdão e a amizade dela de volta e lutaria por isso.
—Po...pode so...soltar mi...minha mão. – A presença dele a deixava nervosa.
—Só se você prometer me ouvir. – Se aproxima ainda mais dela. – Pequena, deixa eu explicar e lhe provar que quero realmente estar ao seu lado.
—Não sabe como dói. – Seus olhos se enchem de lágrimas. – Qual é a aposta dessa vez?
—Não tem aposta. – Põe a mão na face da jovem. – Você fez eu ver as coisas de outra forma. – Com o polegar acaricia a bochecha rosada da jovem. – Não gosto de te ver assim.
—Não estou assim por sua causa. – Ela luta contra o desejo de se entregar ao carinho. – E você não precisa saber o motivo.
—Me dê uma nova chance por favor. – A segura pelos ombros. – Não gosta mais de mim?
—Gosto muito mais do que você possa imaginar. – Coloca as mãos no peito do jovem. – Eu quero acreditar em você, mas não posso.
—Se você der uma nova chance eu provo que mudei. – Se aproxima ainda mais da colega, fitando os olhos verdes. – Uma última chance, por favor.
Richard se aproxima ainda mais de Beatriz, colando sua testa na da colega, a jovem fecha os olhos e ele entende como permissão para seguir. Richard fecha os olhos e aos poucos se aproxima dos lábios da jovem, de repente uma mão para em seu ombro o jogando para trás. Ao abrir os olhos Richard vê Arthur ao lado da colega.
—Por que fez isso? – Diz se levantando e limpando o uniforme. – Ficou louco?
—Fique longe da minha irmã. – Passo o braço pelos ombros da irmã. – Se chegar perto dela de novo, eu acabo com você.
—Eu não vou ficar longe dela. – Richard para diante deles. – Só quem pode decidir isso é ela.
—Você acha que merece uma segunda chance? – Inclina a cabeça para olhar nos olhos de Richard. – Você teve a chance de ser uma boa pessoa para com ela, mas preferiu seguir os passos dos outros. – Segura Richard pelo colarinho. – Se afasta dela, nunca mais olhe ou se aproxime. – Joga Richard no chão.
—Eu não vou me afastar dela. – Fita o mais velho com raiva. – Você não é ninguém para falar de mim ou mandar nela.
—Eu sou o irmão dela. – Segura na mão da caçula. – Agora ela tem alguém para cuidar dela. – Dito isso Arthur sai andando puxando Beatriz.
Beatriz dá uma última olhada para Richard que ainda estava jogado no chão, um pequeno sorriso surge nos lábios da jovem, ao ver aquele sorriso Richard se sente mais determinado.
Richard sabia o que havia feito e Beatriz sabia que a dor em eu coração era culpa dele, mas ambos queriam a mesma coisa – estarem juntos novamente – Richard sabia que ela o perdoaria e lhe daria uma nova chance, mas teria que merecer e ele iria lutar por esse merecimento.
Arthur para assim que se afastam o suficiente do jardim, ele solta a mão da irmã e vira para a mesma a olhando com ternura e repreensão. A jovem dá um passo para trás, o medo para com os membros de sua família ainda é presente em seu corpo.
—Não quero que fale com ele. – O tom sério em sua voz faz a menor se afastar mais ainda dele. – Ele já te machucou uma vez e não quero que isso ocorra de novo.
—Agradeço a preocupação. – Diz ao se aproximar do mais velho. – Mas temos que aprender a perdoar e dar uma segunda chance aos outros. – Sorri abertamente para o mais velho.
—Não quero que se machuque de novo. – Toca a face da menor, fazendo uma caricia. – Hoje você tem mais uma consulta.
—Você vai me acompanhar? – A jovem sente seu coração bater freneticamente dentro do seu peito.
—Não, só vim te buscar. – Segura a mão da menor e juntos volta a andar. – A Sabrina vai estar lá se você precisar.
Beatriz sorri para o irmão – sabia que ele estava tentando mudar e agradecia por isso – os dois seguem em silêncio pelos corredores do colégio.
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Arthur e Beatriz adentram o hospital e juntos caminham até a recepção. Os dois param, esperando a recepcionista terminar o telefonema.
Arthur encosta no balcão e encara a jovem a su frente, lançando alguns sorrisos, desliza a mão pelo balcão alcançando a mão da jovem. Beatriz observa a cena um pouco envergonhada.
—Boa tarde. – Diz log após encerrar a ligação e pôr o telefone no lugar. – Srtª Rutkowisk o Dr. Dawson já está a sua espera, disse que assim que chegasse fosse direto para a sala dele.
—Obrigada. – Envergonhada a jovem aproxima do irmão. – Obrigada por me trazer.
—Disponha sempre. – Se afasta do balcão soltando a mão da jovem. – Qualquer coisa me ligue ou chame a Sabrina, ok? – Põe as mãos nos ombros da irmã.
—Está bem. – Ela fica nas pontas dos pés, alcançando a face do irmão e deposita um beijo na bochecha do mesmo. – Vou indo, nos vemos em casa. – Ela tira as mãos dele de seu ombro e sai andando, mas para ao sentir a mão dele segurando a sua.
—Cuidado com a mamãe. – Diz baixo apenas para a irmã ouvir. – Até mais tarde. – Solta a mão da irmã. – Vai logo. – Sorri ao ver ela correr pelo corredor.
Beatriz ainda carregava dentro de si uma criança, que sai quando menos as pessoas esperavam. A energia que emanava da jovem trazia calma para todos aqueles que a cercavam.
Sabia que não devia correr, mas ela nã estava correndo apenas andando em passos rápidos pelos corredores, o motivo não era sua consulta com o médico e sim sua mãe que podia aparecer a qualquer momento. Ela ainda não entendia o porquê de estar voltando se não tinha como ser curada.
Para diante a porta do médico e dá algumas batidas, encosta as costas na parede tentando controlar a respiração, fecha os olhos para se concentrar nessa missão. Não havia corrido, mas parecia que havia corrido uma maratona.
—Beatriz? – O Dr. a chama e a jovem leva um pequeno susto. – Desculpa, não quis assustar você.
—Tudo bem. – Põe a mão no peito numa tentativa de controlar o coração. – Boa tarde. – Por fim lembra de cumprimentá-lo.
—Boa tarde. – Abre a porta dando passagem para a jovem. – Entre, por favor.
Beatriz adentra a sala sendo seguida pelo médico, que encosta a porta. Ele puxa a cadeira para Beatriz, a mesma senta e o médico emburra em seguida dá a volta na mesa sentando em sua própria cadeira.
—Achei que o Arthur estaria aqui. – Roda a cadeira ficando de costas para a jovem. – Sabrina me contou que ele mudou e está cuidando de você. – Dizia enquanto mexia em alguns papeis. – Já contou para ele?
—Sim. – Sua voz saiu firme, apesar de estar completamente nervosa por mentir. – Mas porque me chamou de novo?
—Os resultados do seu exame de sangue chegou. – Volta sua atenção para a jovem depois de encontrar o que procurava. – E todos os seus exames estão prontos. – Fita a jovem à sua frente com um olhar sério. – Deu negativo para câncer.
—Como assim? – Diz surpresa e aliviada. – Eu não vou morrer?
—Parece que foi um erro aqui no hospital. – Tomou uma boa lufada de ar para continuar em seguida. – Mas infelizmente você ainda tem poucos dias de vida.
—Como assim? – Olha para o médico com um misto de confusão e surpresa nos olhos. – O motivo da minha morte não era os cânceres? Por isso não tinha como eu me salvar.
—Achei que sim, mas nos últimos exames detectei algo novo. – Estende um raio x para a jovem que pega de imediato. – Há manchas em seus pulmões e não sei de onde surgiram até semanas atrás não estavam. – Estende outro raio x para ela. – Há uma mancha em seu cérebro.
—Parece uma cruz? – Pergunta visivelmente surpresa e confusa.
—Sim. – Ri desgostoso. – Há uma dessas em seu coração. – Bufa irritado. – Como médico não devia dizer isso a paciente nenhum, mas vou ser sincero com você eu não sei o que de fato você tem.
—Sei que o Sr. fez de tudo para descobrir. – Põe a mão sobre a mão do médico. – Obrigada por tentar. – Um sorriso tristonho brota em seus lábios.
—Não vou desistir, iremos descobrir o que você tem e vamos achar a cura. – Segura a mão da jovem. – Você nunca desistiu e vai desistir logo agora?
—Não. – Aperta a mão do médico. – Mas é o que Deus quer e não podemos ir contra a vontade do Senhor.
—Não estou indo contra Deus. – Sorri tentando animar a jovem. – Temos que ter fé e nunca perdermos a esperança.
O silêncio toma conta do ambiente, não precisava de palavras já haviam dito tudo o que precisava. Beatriz se dar por vencida e deixa as lágrimas caírem, sem pensar o médico levanta dando a volta na mesa e indo até a jovem, lhe acolhendo em um abraço.
Os exames haviam mentindo, mas Beatriz ainda tinha pouco tempo de vida e precisam lutar contra o tempo para descobri a doença e a cura. Será que sua doença tem cura?
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