Meu Milagre

13 Capítulo XII


Notas iniciais
Boa noite. Desculpem-me pela demora, mas eu só parei para respirar agora e estou aqui para postar mais um novo capítulo. Esse está bem light. Apreciem o capítulo, fiz com muito carinho. Boa leitura.

Se olha mais uma vez no espelho – seus cabelos como sempre presos em um rabo de cavalo, deixando à mostra sua face cansada, com olheiras profundas. O uniforme perfeitamente alinhado — um mínimo sorriso surge em seus lábios.

A semana que passou longe do colégio lhe fez bem, assim pode refletir sobre os últimos acontecimentos de sua vida. Sabia do que acontecia, pois Bianca lhe atormentava contando sobre tudo e principalmente sobre Richard.

Só de ouvir esse nome seu coração voltava a doer – uma dor forte e aguda – ouvir que ele estava feliz a machucava muito.

—Beatriz? – Batidas ecoam pelo quarto. – Já está pronta?

—Sim. – Ela pega a mochila e abre a porta dando de cara com Arthur. – Bom dia.

—Bom dia. – Ele deposita um beijo na bochecha da irmã. – Já tomou café?

—Não estou com fome. – Dá as costas para o mais velho e fecha a porta. – Mas o que quer comigo? — Tranca a porta e volta a olhar para o mais velho.

—Vou te levar para o colégio. – Põe a mão sobre o ombro da irmã e a conduz pelo corredor. – Mas primeiro você tem que comer.

—Não posso. – Olha assustada para o mais velho. – Mamãe não vai gostar de me ver a mesa.

—Você faz parte da família. – Param na entrada da cozinha. – Bom dia família. – Seu tom sarcástico ao dizer a última palavra chama atenção dos pais.

—O que significa isso? – Robertha sente o sangue ferver. – Qual é o seu problema, Arthur?

—Posso fazer uma lista. – Dá um sorriso cínico para a matriarca. – Mas depois lhe envio por e-mail, agora quero tomar café. – Puxa uma das cadeiras. – Beatriz sente-se por favor.

—Não me provoque Arthur. – Sua voz denunciava a raiva que estava sentindo. – Essa coisa não vai se juntar a nós.

—Não fale assim. – Arthur diz alterado. – Ela é sua filha e não um objeto. A culpa do que houve foi sua e não dela.

—Já chega Arthur. – Miguel bate furioso na mesa. – Respeite sua mãe.

—Mãe? Essa mulher é tudo, menos uma mãe. – Se afasta deles. – Eu tenho vergonha de ser filho de dois desalmado.

—É tudo sua culpa. – Robertha olha para Beatriz que até o momento só observava. – Sua maldita. Você vai me pagar.

—Nem pense em pôr a mão nela. – Arthur se põe entre a matriarca e a caçula da família. – Se ousar pôr a mão nela eu esqueço que é minha mãe e mulher.

—Não Arthur. – Beatriz se pronúncia chamando a atenção de todos. – Honrar pai e mãe. Você está quebrando um dos dez mandamentos.

—Eles não merecem nenhum pouco de respeito. – A fúria já dominava Arthur. – Não vou deixar que coloquem a mão em você.

—Para de hipocrisia. – Bianca levanta e com a maior calma do mundo vira para todos. – Você é igual ou pior que nós. Não banque o herói.

—Não sou hipócrita como vocês, apenas estou tentando mudar e enxergar por mim mesmo. – Ele encara a matriarca. – Não vou deixar o seu ódio me cegar. — Volta seu olhar para a caçula da família. – Vamos, tomamos café em uma lanchonete.

—Está bem. – Beatriz aperta as alças da mochila com força.

Arthur segura a mão da irmã e a puxa para fora da cozinha, deixando seus pais perplexos e sua irmã furiosa. A briga era uma rotina na família Rutkowisk, mas essa foi a primeira vez que a briga foi para defender a caçula.

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—Chegamos. – Disse ao parar o carro em frente ao colégio. – Está entregue.

—Obrigada. – Ela se inclina e beija a bochecha do mais velho. – Posso lhe pedir uma coisa?

—O que você quiser. – Segura as mãos dela. – Se eu puder fazer, é claro.

—É algo fácil. – Olha com carinho para o mais velho. – Não brigue mais com nossos pais. Isso é errado e pecado.

—Achava que esse seu jeito era fingimento, mas agora percebi que não é. – Acaricia a bochecha rosada da irmã. – Você realmente é ingênua e inocente.

—Isso é ruim, não é? — Abaixa a cabeça, escondendo os olhos marejados.

—Às vezes, mas agora eu estou aqui para te proteger. – Ele ergue o rosto da irmã e seu olhar encontra o da caçula. – Quero te dar uma coisa. – Ele abre o porta-luvas e retira do mesmo um embrulho. – A Sabrina mandou para você.

—O que é? – Ela pega o embrulho e o abre, revelando uma caixa de celular. – Um celular? Por que?

—Para você manter contato comigo e com ela. – Ele pega o celular e o liga. – Ela já arrumou e nossos números estão salvos. Qualquer coisa me ligue.

—Obrigada. – Ela beija a bochecha do mais velho. – Eu já vou indo, o sinal já bateu. – Ela guarda o embrulho e o celular na mochila. – Tchau, até mais tarde.

—Tchau. – Ele deposita um beijo na testa da caçula. – Vai logo se não você se atrasa.

Beatriz desce do carro e antes de fechar a porta, dá um último sorriso para o mais velho. Ela adentra o colégio correndo, os corredores facilitam a caminhada dela.

Sobe as escadas correndo, e corre pelo corredor do primeiro andar, para em frente a uma porta semiaberta. Ela dá leves batidas na porta.

—Pois não? – A professora abre a porta, ficando surpresa ao ver a aluna. – Atrasada.

—Desculpe-me professora. – Diz envergonhada. – Estava conversando com meu irmão.

—O Arthur lhe trouxe? – Ela arregala os olhos, ficando mais supressa que antes. — Depois conversamos, entre. – Ela dá passagem para Beatriz.

Beatriz adentra a sala e todos param de conversar assim que a veem a jovem. Todos os olhares caem sobre si, mas um em específico chama sua atenção – Richard a olha com pesar – os olhares se encontram, ambos lutavam para quebrar aquela conexão, mas os corações batem um pelo o outro e os chamam. O mundo para e para o casal só há eles no local, apenas suas respirações e seus olhos repletos de dores, magoas, angustias e solidões.

—Beatriz? – A jovem sai do transe ao sentir uma cutucada nas costas. – Sente-se, querida. – Aponta para a carteira vazia.

—Obrigada, com licença. – Ela anda até a carteira e senta na mesma.

—Já que todos estão presentes, vamos começar. – Diz ao fechar a porta e se encaminha para a sua mesa. – Na aula da semana passada paramos na página 77... – Ela para ao ver que não encontra o livro. – Eu deixei o livro na sala dos professores, eu vou buscar e já volto. – Abre a porta e sai, mas para e volta a olhar para os alunos. – Se comportem. – Encosta a porta, deixando os alunos sozinhos.

Bárbara anda até a porta e abre a mesma e percebe que a professora já não está mais no corredor, encosta novamente a porta e anda até Beatriz parando na frente da mesma – todos olham para as duas – um sorriso maldoso surge nos lábios de Bárbara.

—Achei que não ia voltar. – Apoia as mãos na carteira da colega e inclina um pouco ficando cara a cara com a outra. – Você tá pálida e com olheiras fundas. Tem chorado muito? – Olha por cima do ombro da colega, encontrado o olhar de Richard. – Tá assim por causa do Richard? Sério que acreditou que alguém como você teria um amigo como o Richard?

—Deixa ela em paz, Bárbara. – Richard rosna furioso. – Não chegue perto dela.

—Não preciso que você me defenda. – Beatriz se pronuncia deixando todos surpresos. – Não preciso de você.

—Ui, parece que alguém achou a coragem. – Diz com um sorriso debochado nos lábios. – Será que agora tira essa máscara?

—Por favor me deixa em paz. – Volta seu olhar para a colega a su frente. – Eu não quero mais briga.

—Mas eu quero. – Segura com força o queixo da colega. – Quero ver você em lágrimas, já cansei de você. – Aproxima do ouvido da colega. – Sua vida será ainda pior. – Sussurra no ouvido da colega.

Richard não se controla ao ver Bárbara tão próxima de Beatriz e parte para cima, mas antes de chegar perto de ambas é impedido por Sebastian que o segura com força – os outros apenas observam – Richard tenta se soltar de Sebastian, ma o mesmo o prende com força.

—Não se meta R. – Olha para Bárbara e sorri. – Ela não é como a gente, cara.

—Me solta. – Richard dá uma cabeçada na boca de Sebastian, fazendo o colega o soltar e cambalear para trás. – Se afaste dela Bárbara.

—Não. – Em um rápido movimento Bárbara agarra o rabo de cavalo de Beatriz e puxa para fora da cadeira. – Se importa mesmo com essa coisa? – Bate a cabeça da colega em uma das carteiras.

—Eu vou matar você. – Richard parte para cima de Bárbara, mas caí ao receber um chute nas costas. – Filho da puta. – Tenta se levantar, mas é impedido por Sebastian que coloca o pé nas suas cotas.

—Olha o que você fez garota? – Bárbara joga Beatriz no chão fazendo a colega bater o roto no chão. – Que coisas você falou para ele, em?

—Fica longe dela, Bárbara. – Richard tenta levantar, mas Sebastian prende os braços do colega nas costas. – Vou acabar com vocês dois, seus merdas do caralho.

Richard olha para Beatriz que está jogada diante de si e a olha com ternura e carinho, a jovem o olha com os olhos marejados e aquilo parte ainda mais o coração do jovem.

—Perdão? – Richard diz apenas para Beatriz ouvir.

Sem ninguém perceber a professora adentra a sala e fica horrorizada ao ver dois alunos ao chão e os outros dois em pé em cima deles. Os outros alunos se calam ao ver a professora.

—O que está havendo aqui? – Sua voz sai um pouco elevada, chamando a atenção de todos. – O que pensam que estão fazendo?

—Eles que começaram. – Bárbara diz ao se afastar de Beatriz. – Só me defendi.

—Verdade. – Sebastian se afasta de Richard. – Acha mesmo que eu ia arrumar uma briga?

—Os quatro para a diretoria agora. – Ela abre a porta indicando a saída para eles. – Andem logo.

Richard tenta ajudar Beatriz, mas a mesma nega a ajuda e se levanta sozinha. Ela é a primeira a sair da sala, logo após sendo seguida por Richard e os outros dois – o silêncio se instala entre os quatro – caminham afastados um do outro.

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Richard e Beatriz permanecem sentados do lado de fora da diretoria, esperando serem chamados. Richard encara a colega sem e importar – desde que sentaram ali não trocaram nenhuma palavra – mas o que ele mais queria era ouvir a voz da ex amiga.

—Beatriz? – Disse já se aproximando da colega. – Podemos conversar? Preciso te explicar muitas coisas.

—Richard? – Ela levanta a cabeça e o olha. – Eu sei o motivo de tudo o que você fez. – Se afasta do colega. – Achei que realmente gostava de mim e se tivesse dito a verdade antes de fazer o que fez eu teria continuado a nossa amizade. – Levanta e ele faz o mesmo. – Mas nunca gostou de mim de verdade, foi tudo fingimento.

—Deixa eu explicar. – Tenta segurar as mãos da colega, mas a mesma se afasta ainda mais dele. – Por favor, me escuta.

—Não chegue perto de mim e nem me defenda, prefiro apanhar deles do que ter sua ajuda. – As lágrimas já caiam sem cessar pela sua face. – A humilhação não doeu. Doeu você ter mentindo, sendo que sempre fui sincera com você.

—Campbell e Rutkowisk? – O diretor diz chamando a atenção de ambos. – Campbell entre. – Ele dá passagem para Richard. – Rutkowisk vá para enfermaria.

Richard tenta novamente segurar a mão de Beatriz, mas novamente ela se afasta, porém dessa vez sai correndo e por fim Richard aceita e entra na diretoria, sendo seguido pelo diretor.

A semana já havia começado de forma conturbada para Beatriz. A jovem sentia uma dor no peito horrível toda vez que seu olhar encontrava o de Richard e ela sabia que o motivo era apenas um – paixão – mas infelizmente estava fadada a ter uma vida cheia de dor.

Será que Beatriz irá mudar de ideia e contar para todos sobre sua partida? Que irá perdoar Richard por tudo? O coração da jovem continuava o mesmo ou havia mudado algo?

Notas finais
Olha vocês aqui de novo, parecem que gostaram do capítulo. Se gostaram do capítulo, comentem. Se não gostaram do capítulo, comentem. Agradeço pela preferencia tenham uma boa noite e nos vemos em breve. Beijinhos.