Meu Milagre

12 Capítulo XI


Notas iniciais
Olá, como estão? Espero que bem. Hoje não é quarta e nem sábado, mas resolvi postar por dois motivos. Primeiro: O capítulo ficou pronto. Segundo: Fui ameaçada. Agora postarei três veze por semana, por simples e espontânea vontade? Não, por uma irmã mais nova que me ameaçou de morte. E por amor a vocês. Obrigada a todos que acompanham e comentam. Hora do capítulo e não me matem. Boa Leitura!

—Bom dia. – Diz ao entrar na sala e avistar a jovem sentada de costas para a porta. – Desculpe-me a demora, estava em uma cirurgia.

—Bom dia. – Sua voz sai baixa e falhada. – Tudo bem Dr.

—Como está se sentindo? – Ele dá a volta na mesa e senta de frente para a jovem. – Fiquei sabendo do que houve entre você e aquele rapaz.

—Estou bem. – Sua voz denunciava o quanto estava fragilizada. – E como eu estou? Minha saúde está como?

—Beatriz. – Há um pesar em sua voz. – Os últimos exames mostraram que você está muito doente. – Ele abre a gaveta e retira um envelope. – Os exames deu que você tem câncer, mas não um e sim sete. – Respira fundo engolindo o bolo que se formou em sua garganta. – Não consigo entender, todos os outros exames não mostraram nada.

—E o que posso fazer? – As lágrimas já desciam pela face da garota. – Há alguma cura?

—Infelizmente não. – Ele levanta dá a volta na mesa e para diante da jovem. – Poderíamos tentar quimioterapia, mas não eliminaria. Ainda tem outras coisas. – Se agacha diante da jovem. – Há algumas manchas no seu pulmão, cérebro e coração. – Segura as mãos da menor. – Você só tem alguns meses de vida.

Beatriz encara o médico a sua frente, ainda processando tudo que havia ouvido. Vendo a menor paralisada ele a abraça, tentando consolar e acalmar a menor.

Conhecia Beatriz desde que nasceu e vinha cuidando da saúde da jovem, e nunca imaginou que isso aconteceria com ela. Agora era tarde demais para pensar aonde que errou e o que deixou passar, agora só teria que ajudar e dar apoio a jovem.

—Vai ficar tudo bem. – Dizia enquanto afagava a cabeça da jovem. – Você precisa ser forte.

—Quan...quanto tem...tempo eu te...tenho? – Disse entre soluços.

—Uns 3 meses. – Desfaz o abraço e segura nas mãos da menor. – Eu quero refazer os exames para ter certeza e alguns novos.

—Es...está bem. – Limpa as lágrimas que teimam em cair. – Po...posso pe...pedir uma co...coisa?

—Claro, se eu puder fazer. – Levanta e encosta na mesa.

—Pro...prome...meta... – Ela fecha os olhos reunindo forças para prosseguir. – Dr. Dawson. — Abre os olhos e o encara. – Preciso que prometa que não irá contar para ninguém.

—Seus pais precisam saber. – Ele senta na cadeira ao lado da menor. – Você precisa deles.

—Eu quero contar. – Uma dor se instala em seu peito. – Quero que saibam por mim.

—Está bem. — Ele dá um sorriso triste. – Vá se preparar para os exames. – Segura as mãos da menor. – Sinto muito, você não merece esse sofrimento.

—Estou indo da mesma forma que vivi. – Um sorriso sem humor aparece em seus lábios. – Mas essa dor não se compara as dores que senti nesses últimos anos.

—Está falando do Richard também? – Ela assente. – Melhor você ficar longe do colégio essa semana.

—Obrigada. – Ela o abraça. – Não só por hoje, mas por ter cuidado de mim desde que nasci. – Desfaz o abraço e levanta.

—Não vamos perder as esperanças. – Diz tentando animar a jovem. – Não perca a sua agora.

—Tem razão Dr. – Ela caminha até a porta. – Eu vou no banheiro e já volto. – Dá um sorriso e sai em seguida.

Seu fim havia chegado, sua partida estava chegando e sua vida estava chegando ao fim. O que Beatriz havia feito de ruim para merecer uma vida tão dolorida e uma morte tão cruel? Deus realmente olhava por ela? Se sim, por que era tão cruel com a jovem.

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A chuva caí sem cessar – uma chuva fora de época, mas parecia que a mãe natureza sabia que a jovem sofria. – Anda em passos lentos embaixo daquela chuva, não tinha pressa e nem ânimo.

Beatriz não tinha mais alegria e nem vitalidade, o que tinha já se fora, mas não por saber de sua morte – afinal rezava todas as noites pedindo um meio de acabar com sua dor. – Sua dor era por ter perdido a amizade de Richard.

Anda sem rumo, não queria ir para casa e nem para seu refúgio, pois aquele lugar tinha lembranças de falsas alegrias.

Para ao ver a igreja, sobe os degraus aos tropeços – suas pernas não respondem aos comandos do seu cérebro – ao adentrar a igreja, anda até um dos bancos de frente para o altar, senta no mesmo e olha ao redor. A paz daquele ambiente a faz relaxar e lhe acalma o coração, ajoelha ali mesmo uni as mãos diante de si e abaixa a cabeça.

Alguns minutos depois a jovem levanta, mas antes faz o sinal da cruz diante de si. Respira fundo e anda até o confessionário, percebendo que não a ninguém ali além do padre, ela se aproxima do mesmo e faz o sinal da cruz, em seguida se ajoelha vendo o padre através da janela do confessionário.

—Abençoe-me, senhor padre, pois eu pequei. Faz algum tempo desde minha última confissão. – Seus olhos encontram os olhos do padre.

O padre a olha com pesar, conhecia a jovem e sabia que quando a jovem vinha se confessar era por motivos graves. Em sua visão a jovem é uma santa, mesmo que não tenha autoridade para dizer isso.

—A quanto tempo não se confessa, minha filha? – Disse tomando a postura de sacerdote.

—Não tem muito tempo, mas hoje senti que devia me confessar. – Dizia entre lágrimas, a dor estava nítida em seus olhos.

—Como anda sua fé? – Sua voz soava calma. – Como se sente?

—Desde anteontem, depois do que houve com o Richard. – Pequenos soluços escapavam por seus lábios. – Me questionei se Deus realmente sabe que existo e se olha por mim, todo esse ocorrido me fez pensar que Deus não é misericordioso. – As lágrimas desciam sem cessar. – Depois do que ouvi do Dr. Dawson, duvidei ainda mais sobre a misericórdia do Senhor. – Seu olhar estava perdido. – Eu tenho apenas três meses de vida. – Disse em um fio de voz.

—E como se sente agora? – Disse calmo, tentando não deixar sua surpresa tomar conta de si.

—Refleti muito, agora sei que Deus ouviu minhas preces. – Um sorriso triste surge em seus lábios. – Eu pedi tanto a Deus para acabar com minha dor e hoje percebi que minha hora chegou. Duvidei de minha fé e insultei a Deus por achar injusto que isso aconteça comigo.

—Se arrepende, minha filha? – Sua voz denunciava o quanto tentava engolir o bolo que estava em sua garganta.

—De todo o meu coração, padre. – As poucas lágrimas ainda descem por sua face. – Sei que Deus tem um proposito para minha vida e se estou partindo é porque o meu chegou ao fim. Estou pronta para partir.

O padre já havia ouvido todo o tipo de confissão e conhecia muitas pessoas que achava que Deus era injusto, muitos abandonavam a sua fé por simples egoísmo. Beatriz se mostrava diferente de todos, por isso acreditava que a jovem é um anjo.

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Cansada do dia que teve, Beatriz relaxava em seu quarto, deitada em sua cama olhava para o teto perdida em pensamentos. Se questionava se havia feito a coisa certa, por não contar a mais ninguém sobre sua partida dessa vida.

Sua vida passava diante de seus olhos, havia tantos momentos ruins que até os felizes nem aparecia. Os momentos felizes foram mentirosos e doloridos, sabia que não tinha mais forças para lutar, apenas esperaria sua partida chegar.

Perdida em pensamentos não percebeu alguém em pé na porta lhe observando, também nem notaria, pois, ninguém de sua família entrava em seu quarto. O jovem aproximou da cama e a olhou de cima, recebendo um olhar assustado e surpreso.

—Arthur? – A voz falha denunciava o medo. – Precisa de alguma coisa?

—Podemos conversar? – Disse sem jeito. – Só quero um pouco da sua atenção.

—Claro. – Engoliu seco. – Sente-se, por favor.

—Obrigado. – Senta na ponta da cama e a encara. – Quero acima de tudo lhe pedir perdão por todo o mal que lhe causei, sei que não fui uma boa pessoa para com você e me arrependo de todo o coração.

—Por que? – Se afasta do mais velho. – Por que isso agora? Não quero mais isso, você e todos sempre me enganam e não quero mais isso.

—Beatriz eu compreendo seu medo. – Se aproxima da mais nova. – Mas eu quero mudar, quero ser alguém melhor e você foi a pessoa que mais prejudiquei com meu jeito de ser. – Suas palavras soavam sinceras. – Você mais que ninguém me conhece e sabe que não sou de jurar e prometer nada a ninguém. – Segura a mão da jovem. – Mas prometi a Deus que serei melhor e que irei cuidar de você.

—Está sendo sincero? – Devagar a jovem se aproxima do mais velho.

—Sim. – Ele abre um sorriso sincero. – Juro por Deus que irei cuidar de você até eu morrer. – Abre os braços para a menor. – Você me aceita na sua vida? E me perdoa?

Beatriz já havia confiado nas palavras de alguém e acabou se machucando, mas a diferença entre Arthur e Richard é que ela conhece o irmão e sabe como é o caráter do mais velho e já havia notado que há muito tempo o mais velho estava a tratando melhor.

Pondera alguns segundos, porém aceita o abraço do mais velho se aconchegando em seus braços quente e protetor, permitindo que a sensação de alegria invadisse seu corpo e sua alma – talvez o dia não tenha sido ruim – pensava a jovem nos braços do irmão.

—Obrigado por me dar essa chance. – Beija o topo da cabeça da menor. – A Sabrina tinha razão.

—Quem é Sabrina? – Disse ao desfazer o abraço.

—Minha namorada. – Sorri sem graça. – Ela disse que você me perdoaria se eu realmente tivesse arrependido, falou que você consegue saber quando está sendo sincero.

—Ela está errada. – Desvia o olhar focando na tiara em cima da cômoda. – Talvez eu mereça esse castigo. – Seus olhos se enchem de lágrimas.

—Não merece nada disso. – Se aproxima ainda mais da menor. – A partir de hoje eu irei cuidar de você. – Segura a face da irmã com as duas mãos. – Está assim por causa do Richard?

—Sim. – As lágrimas já caiam de forma lenta e dolorosa por sua face. – Eu ainda gosto dele, mas não como apenas um amigo.

—Está apaixonada por ele? – Assenti para o mais velho. – Sinto muito por isso, ele vai me pagar por fazer você sofrer. – Limpa as lágrimas das bochechas da irmã com os polegares.

—Não o machuque, por favor. – Tira as mãos do mais velho de sua face e as segura. – Eu já o perdoei e só quero o bem dele. – Dá um sorriso fraco. – Ele é bom, só está perdido.

—Como pode ser tão piedosa assim? – Solta uma das mãos da irmã. – Todos têm razão, você é um anjo. – Acaricia a face da irmã. – Vou deixar você dormir, amanhã você tem aula.

—Essa semana não vou ao colégio. – Abaixa a cabeça para fugir do olhar do mais velho. – O Dr. Dawson disse que preciso de repouso. – Disse o mais calmo que conseguiu. – Preciso de repouso por causa da enxaqueca.

—Então vá dormir. – Disse já se levantando. – Descanse e tome os remédios, qualquer coisa me chame e se tiver medo dos trovões pode ir para o meu quarto. – Bate na ponta do nariz da irmã.

—Não tenho medo. – Fica de joelhos sobre a cama, tentando ficar do tamanho do mais velho. – Obrigada. – E um sorriso verdade abre em seus lábios.

—Eu que agradeço. – Retribui o sorriso. – Boa noite e reze antes de dormir. – Beija a bochecha da irmã.

—Boa noite. – Seu coração batia freneticamente dentro de seu peito. – Reze também. – Disse ao irmão antes dele fechar a porta. – Obrigada Senhor. – Disse olhando para cima. – Obrigada. – Por fim se jogou na cama novamente, mas agora continha um sorriso em seus lábios.

O coração de Beatriz parecia que ia explodir de tamanha alegria, sabia que poderia se repetir o ato que Richard cometeu, mas agora ela viveria os poucos dias abraçando cada demonstração de amor que recebesse – a menor que fosse – continuaria sendo a mesma Beatriz, porém faria de tudo para fazer quem ama feliz e tentaria reconquista-los.

A vida é dolorosa e traiçoeira, tem dias felizes e semanas ruins, vivemos em um mundo onde o amor e o ódio andam de mãos dadas.

Agora Beatriz irá descobrir o seu real proposito nessa vida e como isso afetará todos ao seu redor, afinal só morremos quando Deus nos chama.

Notas finais
Se chegou até aqui é porque é uma pessoa legal. Por hoje é só, mas voltarei em breve ou não, depende do meu humor. Beijinhos e até aqui embaixo nos comentários.