Meu Milagre

11 Capítulo X


Notas iniciais
Bom dia! Olha eu aqui de novo. Eu não ia postar hoje, porque ainda estou mau, mas como já havia começado o capítulo, então virei a madrugada terminado de escrever. A partir daqui as coisas para Beatriz iram mudar um pouco e espero que gostem do capítulo de hoje. Minha irmã recomendou que lessem o capítulo com a música Pior que sinto falta - Lexa. Não sei o porque, quem quiser ler ouvindo uma música. Boa leitura!

Os dois caminhavam lado a lado entre as barracas que formavam um labirinto.

A praça central estava repleta de barracas – a feira de artesanatos – todos da cidade estavam presentes, era um evento bem movimentado.

Alguns fios com luzes coloridas enfeitavam a praça, deixando o ambiente iluminado e alegre, com algumas flores feita de matérias recicláveis e um grupo de músicos que tocava música antiga – Legião Urbana, Raul Seixas – um ambiente animado e calmo.

Depois de uma semana repleta de provas e trabalhos escolares, os dois se divertiam com algo que para o rapaz era simples e sem nenhuma graça, mas parecia que ao lado da amiga tudo ficava melhor.

Os dois pararam assim que o jovem avistou a barraca com algumas pulseiras, colares e tiaras. Ela não entendeu o motivo, mas mesmo assim parou ao lado dele.

Uma moça em torno de vinte anos – morena, de cabelos negros cacheados e olhos verdes. Trajando um vestido longo com – ela olha para os dois com um sorriso receptivo nos lábios.

—Olá, como estão? – A voz soa calma e com um leve tom de animação. – Estão gostando?

—Olá, estamos bem e a Srtª? – Beatriz sorri. – Estou amando, é tudo tão colorido e divertido.

—Estou bem também. – Seu olhar vai para Richard, que olhava para os itens em sua barraca. – E o que vão querer?

—Do que é feito essa tiara de flores? – Ele pega uma das muitas ali presente. – Acho que combina com ela.

—São todas feitas com matérias recicláveis. – Ela olha para Beatriz e depois para Richard. – Essa irá combinar perfeitamente com sua namorada.

—Não, ela é só minha amiga. – Olha Beatriz por cima dos ombros e dá um sorriso cúmplice. – Vem aqui pequena. – Ele estende a mão para ela. – Quero ver como fica em você. – Ela segura na mão dele e a puxa para mais perto, colando o corpo da amiga no seu. – Gostou dessa ou de outra?

—Dessa. – Ela empurra ele com cuidado e se afasta do amigo. – Ela é muito bonita. – Ela pega a tiara, analisando cada detalhe da mesma. – Parecem de verdade.

—Vocês formam um casal perfeito, dá para ver que se gostam muito. – Ambos olham para a moça com os olhos arregalados. – Vocês parecem que nasceram um para o outro. – Ela sorri com sinceridade. – Acho que vocês deveriam para de negar esse sentimento e assumir que se gostam mais que amigos.

—De novo, minha filha? – A voz surge de trás dá jovem, um homem alto, moreno de cabelos cacheados preto e olhos castanhos. Trajando uma camisa rosa com aspirais em verdes, bermuda jeans e chinelos preto. – Devia parar com essas coisas, nem todos acreditam nisso. – Ele sorri sem graça para o casal de amigos. – Desculpa, Margarida as vezes fala mais do que deve.

—Tudo bem Sr. – Beatriz sorri sem graça. – É o jeito dela.

—Nós vamos levar essa. – Ele pega a tiara das mãos de Beatriz. – Combina com você. – Ele põe a tiara na cabeça da amiga.

Os dois se olham e lindos sorrisos se formam nos lábios de ambos – sorrisos sinceros – para todos presentes ali percebiam que a atmosfera entre eles não era só de uma amizade, que tinha um sentimento a mais. Para os mais velhos e experiente ali tinha uma paixão escondida entre eles, mas para os jovens era apenas uma atração física e nada mais.

—Vocês são lindos juntos. – Margarida pega uma câmera antiga debaixo do balcão e tira uma foto dos dois que não prestava a atenção em mais nada. – Dessa vez eu estou certa, papai. – Dizia enquanto sacudia a foto. – Mas algo negro ronda eles dois.

—Margarida? – Seu olhar para filha é sério, mas um sorriso mínimo brota em seus lábios. – Mas pare de assustar os fregueses.

—Parei, mas acredite em mim. – Ela tira outra foto, bem no momento em que ele beija a testa da jovem e nesse momento eles saem do transe que se encontravam. – Vocês deviam ir para um lugar mais reservado.

—Não fale bobagem garota. – Richard se afasta de Beatriz. – Quanto que eu devo? – Pega a carteira do bolso da calça.

—A tira é sessenta e nove. – Ela estende a mão, segurando as duas fotos deles. – Mas nós que deveríamos pagar por essa demonstração de amor.

—Você é bem engraçadinha. – Pega o dinheiro da carteira. – Obrigado. – Pega as fotos e entrega o dinheiro para a moça.

—De nada. – Ela sorri e guarda o dinheiro na caixa. – Volte sempre.

Richard revira os olhos, segura na mão de Beatriz e sai arrastando a amiga. Ele detestava quando alguém dizia algo relacionado a Beatriz e ele.

Por que eles não viam que não era só amizade? Eles tiveram educações diferentes, ele sabe diferenciar os sentimentos, mas ela não. Ele sabe o que é ter uma família e ela não.

Ele parou assim que viu um banco, afastado de todas aquelas pessoas. Colocou a amiga sentada e sentou ao seu lado.

—Menina estranha. – Olha as duas fotos. – Mas tirou ótimas fotos nossa.

—Deixa eu ver. – Ela se aproxima ainda mais dele. – Posso ficar com uma? – Os dois erguem a cabeça e se olham.

—Claro. – Seus olhos descem para os lábios rosados da amiga. – Parecem tão macios.

—O que? – Olha confusa para o amigo. – Está falando do quê?

Richard põe a mão na face rosada de Beatriz, a mesma fecha os olhos ao sentir o toque quente dele. Ele admira cada traço físico dela, a expressão serena a deixava ainda mais encantadora.

Um beijo mudaria tudo – apenas um beijo – tiraria todas as dúvidas que rodavam seus pensamentos nesses últimos dias.

Sem pensar em mais nada, aproxima da amiga, sentindo a respiração irregular dela batendo contra seu rosto e o perfume dela estava ainda mais intenso. Seus narizes se tocaram e seus lábios estavam quase tocando, porém, o celular vibrou e tocou bem alto fazendo Richard se afastar da amiga.

—Droga! — Praguejou irritado. – Quem é o filho da puta que está atrapalhando? – Pega o celular do bolso da jaqueta e atende sem ver quem é. – QUEM FALA? — Sua expressão suaviza. – Desculpa mãe. Eu não quis gritar. – Volta seu olhar para a amiga, que o encarava preocupada. – Estou com a Beatriz, estávamos dando uma volta na feira de artesanatos. – Recolhe as fotos que caíram no chão em algum momento que não se recorda. – Estou indo, mãe. Eu não esqueci. Tchau. – Desliga o celular sem esperar a resposta da mãe. – Tenho que ir, esqueci que meu pai tem um compromisso importante.

—Tudo bem. – Um bico se forma nos lábios da jovem. – Nos vemos amanhã?

—Sim. — Ele entrega uma das fotos para a amiga. – Amanhã na lanchonete perto do colégio. – Seu olhar fica sério.

—Está bem. – Um sorriso triste surge em seus lábios. – Vai com Deus e até amanhã.

—Até. – Ele inclina e dá beijo estralado na bochecha da amiga. – Esteja lá ao meio dia. – Ele pisca e sai andando deixando ela com um olhar bobo.

Beatriz olhou para foto em sua mão e sorriu – ficou com a foto do beijo – ela sentia seu coração bater freneticamente, suas mãos levemente molhadas e sua respiração irregular. Ela não sabia, mas adorava sentir aquelas sensações.

Levantou e caminhou de volta para a feira, andava em passos rápidos. – A jovem não tinha medo de andar sozinha de noite na cidade, os medos que tinham eram por outras coisas. – Parou em frente a uma barraca com acessórios masculinos.

—Boa noite. – A voz soou detrás da jovem. – O que procura?

—Boa noite. – Olhou para todos os objetos em cima do balcão. — Quero um presente para meu amigo. – Uma pulseira de couro com uma caveira chama sua atenção. – Já achei. – Ela pega a pulseira e vira para o rapaz.

—Acho que ele vai gostar. – Ele dá a volta no balcão. – Trinta reais. – Abaixa e pega uma caixa pequena. – Algo mais?

—Não, somente isso. – Entrega a pulseira para o rapaz, abre a bolsa e pega o dinheiro. – Quando vocês voltam? — Paga e pega a caixinha, guardando a mesma na bolsa.

—No final do próximo mês. – Ele guarda o dinheiro no bolso. – Obrigado.

—Tchau. – Ela acena e sai andando indo para casa que é um pouco longe dali.

A amizade entre Richard e Beatriz estava selada, ambos se gostavam e queriam sempre estar perto um do outro. Agora era só revelar a verdade por trás dessa aproximação e esperar o perdão.

✟ ✟ ✟ ✟ ✟ ✟ ✟

Hoje completaria um mês de amizade, mas parecia que se conheciam a anos. Beatriz ansiava ver o amigo, havia acordado cedo e já estava pronta, apenas esperando a hora para poder sair – sentada em sua cama escrevia um bilhete para o amigo – hoje todos estariam em casa e a jovem preferia ficar fora de casa.

Terminou o bilhete e guardou o mesmo dentro da caixinha da pulseira, levantou o olhar vendo o relógio em cima da escrivaninha – 11:17 – já podia sair de casa e ao encontro do amigo. Recolheu a caixinha e a bolsa e correu para fora do quarto – trancando o mesmo – em passos rápidos saiu de casa, sem ser notada pelos pais e irmãos.

O dia como sempre estava lindo – céu limpo e ar quente – não poderia ser diferente, a cidade sempre aparentava estar no verão, eram poucas vezes que fazia muito frio ou chovia forte.

Por onde passava cumprimentava as pessoas – muitos deles idosos ou crianças pequenas – a cidade inteira a conhecia, mas não por ser alguém importante, e sim por ser alguém que sofria com o desprezo da família e dos colegas do colégio. Todos sabiam que Beatriz havia sido dada como morta minutos depois de nascer e os médicos consideram um milagre vê-la acordada após dado o óbito. Alguns acreditavam que houve erro médico, mas outros não – Deus – essa era a explicação para tudo aquilo.

A cidade não era tão grande, mas também não tão pequena. Cidade tranquila e com criminalidade pouca, quase todos se conheciam, a maioria da população frequentava a mesma igreja e quase sempre se viam. Beatriz estava entre essas pessoas – menina religiosa – mas não como todos achavam, ela apenas encontrou uma válvula de escape, escolheu fugir para a casa de Deus do que fugir para um caminho que a levaria a escuridão.

Parou assim que avistou Richard, mas o amigo não estava sozinho. Acompanhado de todos – ou quase todos – os alunos do colégio, ela reconhecia alguns, mas não tinha certeza se eram todos de seu colégio.

Analisou o ambiente e resolveu esperar o amigo em outro lugar, em sua cabeça passava a ideia de que o amigo havia se esquecido de avisar que tinham um encontro marcado. Deu meia volta e começou a deixar local, antes que alguém a visse, mas infelizmente alguém tinha a visto.

—Chegou quem faltava. – Disse Bárbara em voz alta. – Venha aqui. O Richard estava esperando por você.

Ao ouvir aquilo um sorriso surge nos lábios da jovem, ela dá meia volta e caminha até Richard que ainda estava encarando mortalmente Bárbara.

—Oi Richard. – A doce voz chamou a atenção dele. – Se quiser posso voltar depois ou nos vemos amanhã.

—Faça logo Richard. – Bárbara sussurrou em seu ouvido. – Está realmente afim dela? – O deboche era nítido na voz da garota.

—ACHO QUE O R ESTÁ RELAMENTE GAMADO NA PURITANA RELIGIOSA. – Sebastian gritava para todos no recinto. – SABIA QUE ERA UM COVARDE, UM IMBECIL APAIXONADO PELA ESTRANHA RELIGIOSA. – Subiu em cima de uma das mesas. – VAMOS LÁ CARA. DIGA LOGO QUE CAIU NOS ENCANTOS DESSA COISA AI.

Beatriz alternava seu olhar entre Richard e Sebastian, estava completamente perdida e confusa. A jovem não sabia o que estava havendo naquele momento, só sabia que era o alvo de todos. Cada um estava com os celulares em mãos registrando cada momento daquilo.

—SABIA QUE ERA COMO ELA. – Desceu da mesa e caminhou até Richard. – Ganhei a aposta. – Disse em voz baixa, apenas para Richard ouvir.

—Richard? – A voz já embargada demonstrava que Beatriz estava segurando as lágrimas. – O que está havendo? – Tentou tocar o rosto do amigo, mas o mesmo bateu em sua mão a afastando.

—Vai embora. – Tentava se controlar, seu coração dizia não, mas seu cérebro dizia sim. – Beatriz, vai embora. – Mas a batalha foi ganha, seu cérebro e seu ego gritou mais alto. – NÃO SUPORTO VOCÊ. NÃO SUPORTO SUA PRESENÇA. – Explodiu com a jovem. – VOCÊ ME DA NOJO, NÃO PASSA DE UMA SUICIDA RELIGIOSA. UMA GAROTA IRRITANTE.

—Richard? – Beatriz tenta se aproximar de Richard, mas o jovem a empurra fazendo a jovem cair e bater as costas em uma das mesas. – Richard? – Suas lágrimas caiam como uma cascata. – So...so...somos ami...ami...amigos.

—EU NUNCA FUI SEU AMIGO, SÓ QUERIA GANHAR UMA APOSTA. – Richard aproxima da ex amiga. — AGORA SEI PORQUE TODOS TE ODEIAM, PORQUE VOCÊ SE ACHA SUPERIOR AOS OUTROS, MAS NÃO PASSA DE UMA BASTARDA, UMA FILHA RENEGADA E ODIADA. – Agacha diante dela, a mesma o olha assustada. – Por que não se mata logo? Você é inútil, não serve nem para ser uma puta de esquina.

—Por fa...fa...favor. – Seu coração se apertava causando uma dor insuportável.

—SABEM O QUE ELA FAZ? – Disse já se levantando e olhando para os outros. – A NOSSA ADORADA COLEGA JÁ TENTOU SE MATAR VÁRIAS VEZES. É UMA LADRA. – A voz soava fria e maldosa. – ELA É APAIXONADA PELO SEBASTIAN, TEM UM CADERNO COM FOTOS DELE. – Voltou seu olhar para a jovem que ainda estava caída no chão. – EU ODEIO VOCÊ. TODOS TE ODEIAM.

—Não chora. – Bárbara dizia entre gargalhadas. – Achou mesmo que tinha um amigo? Nós odiamos você. – Atacou o copo com refrigerante na jovem.

As risadas ficaram mais altas, os outros entraram no embalo e começaram a atacar comidas e bebidas na Beatriz, as roupas já estavam sujas e encharcadas o cabelo pingava refrigerante, mas nada daquilo doía mais que as palavras de Richard.

Recobrou sua consciência, pegou a caixinha que havia caído ao seu lado, se levantou e saiu correndo da lanchonete, deixando para trás as risadas, os xingamentos e agora um ex amigo. Seu peito doía como nunca, aquela dor era nova e sabia que nunca iria se acostumar com ela.

Corria pelas calçadas da cidade sem dar importância para aqueles que a chamavam, só queria sair daquele lugar, só queria fugir das risadas e das palavras ditas pelo ex amigo.

✟ ✟ ✟ ✟ ✟ ✟ ✟

Seu olhar estava vazio, sem brilho algum. Não sabia a quanto tempo estava ali sentada olhando para a cidade já iluminada pela lua, não sabia que em que momento suas roupas haviam secados, apenas sabia que a dor ainda estava presente em seu peito.

Levantou e pegou a caixinha que ainda estava ao seu lado, caminhou para a árvore mais próxima daquele local e encarou o tronco da árvore – a mesma estava cravada as iniciais B & R – seu peito apertou ainda mais e suas lágrimas voltaram a cair. Caiu de joelhos no chão e pós a caixinha ao lado, sem pensar no que realmente estava fazendo, começou a cavar a terra com as próprias mãos.

—Finalmente a encontrei. – Disse o padre assim que avistou a jovem de costas. – Eu soube o que houve e vim atrás de você. Como está?

—Po...po...poderia me dei...deixar sozinha? – Suplicava entre lágrimas e soluços.

—Está tarde, vamos voltar para a cidade. –Se aproximou da menor. – É perigoso para uma moça.

—Por favor. – Reuniu todas as forças para a voz não falhar. – Eu não estou sozinha, estou com Deus.

—Você tem razão. – Se deu por vencido. – Estarei na estrada com a Raquel lhe esperando, não demore. – Pós o casaco que havia trago consigo, sobre os ombros da jovem. – Eu sinto muito. – Disse antes de sair.

Terminou de tapar o buraco e se jogou com toda a força no chão, nenhuma dor se comparava aquela que estava em seu peito. Fitou o céu, se perdendo nas lembranças do dia.

—Senhor, me leve. Arranque essa dor de mim. – Suplicou e suas palavras foram levadas pelo vento. – Não aguento mais. – Disse por fim antes de ser tomada pelo cansaço e apagar ali mesmo.

Notas finais
Opa! Desviando das facas, não me matem. As coisas tinham que ser assim. Eu não gosto de ver a Beatriz sofrer (só as vezes) mas em breve ela terá a felicidade. Digam o que acharam, conversem comigo. Beijos e nos vemos por aí.