Meu Milagre

9 Capítulo VIII


Notas iniciais
Boa tarde! Como estão? Mais um capítulo mega fofo com o casal que vocês amam ou não. Me mandaram mensagem perguntando se a Beatriz vai mudar e que ela devia mudar e ser uma garota má e vingativa, mas essa nunca foi a ideia inicial da estória e quero manter a ideia de uma Briden de anos atrás. Espero que gostem do capítulo e que continuem acompanhando, irão gostar do que vem por aí. Beijos. Boa leitura!

— Peguei. — O jovem a segura pela cintura. — E agora? Eu falei que ia te pegar, pequena. — O sorriso se torna maior ainda ao ver a jovem rindo. — Adoro te ver assim, alegre.

— Você me deixa assim. — Ela segura nos pulsos do amigo e tira as mãos do mesmo de sua cintura. — Nunca vinha vindo aqui.

Os olhos da jovem param sobre o rio — água cristalina — os dois sentam na toalha que trouxeram para o piquenique. Apreciam a companhia um do outro.

Após o fracasso da noite anterior Richard decidiu dar um dia alegre para Beatriz, o mesmo arrumou uma cesta com algumas comidas e a levou para o rio. O lugar é cercado por árvores de todos os tipos e espécies e com flores de várias cores — as árvores impedem que o sol ilumine diretamente o local aonde estão, mas ilumina o suficiente — o lugar não tem quem cuida, mas sempre está com os matos pequenos e bem arrumados. A mãe natureza cuida muito bem de tudo naquele lugar.

Richard não sabe explicar o que sente quando Beatriz está ao seu lado, mas adora se sentir assim. Ao lado da jovem ele não finge, age como ele mesmo e não precisa fazer muito esforço para impressionar a jovem.

— É um lugar tão lindo. — Seus olhos vão para o jovem. — Obrigada, essas últimas duas semanas tem sido as melhores.

— Digo o mesmo. Você é uma amiga maravilhosa. — Ele segura a mão da jovem. — Como foi ontem com seu pai?

— Ele me ignorou. — Seu olhar volta para o rio. — Melhor assim, prefiro que ele me ignore do que me trate como uma ladra.

— Queria poder fazer algo por você. — Ele se aproxima da jovem. — Podemos fugir. Eu te levo para onde você quiser.

— Fugir só dá certo nos livros. — A jovem encosta a cabeça no ombro do rapaz. — Mas eu gostaria de conhecer o mar.

— Você nunca viu o mar? — Ele acaricia a mão da jovem. — O que mais você nunca conheceu ou viu?

— Nunca. Quando eu tinha 10 anos, meus pais e meus irmãos foram para a praia, mas eu não fui. — A jovem desencosta a cabeça do ombro do rapaz e o olha. — Nunca fui em parques de diversões, cinema, zoológico, ou em qualquer lugar que famílias vão.

— Sinto muito. — O jovem põe a cabeça no colo da moça. — Eu vou te levar e fazer tudo o que você quiser. — Ele sorri ao ver o sorriso dela. — Combinado?

— Sim. — Seus olhos brilham de alegria. — Vamos ficar aqui o dia todo?

— Sim. — Ele pega o celular de dentro do bolso da calça. — Hoje é domingo e está tudo fechado, prefiro ficar aqui. — Ele focaliza o rosto da jovem através da câmera do celular e tira uma foto da mesma.

— O que você fez? — A jovem o olha confusa. — Que barulho foi esse?

— Tirei uma foto sua. — O jovem mostra o celular para a moça. — Ficou linda, você é fotogênica.

— Posso tirar um sua? — Suas bochechas ganham um tom avermelhado.

— Claro. — Ele levanta do colo da amiga e senta ao lado da mesma. — Você aperta nesse botão aqui. — Mostra para ela aonde a mesma deve apertar.

— Entendi. — A jovem focaliza no rosto do amigo. — Posso apertar? — O rapaz assenti e no mesmo momento a ela aperta o botão.

— Deixa eu ver. — Diz ao pegar o celular e sorri ao ver que a foto saiu bonita. — Agora uma nossa.

Ele passa o braço em volta do ombro da amiga e tira a foto, mas antes do flash ele dá um beijo na bochecha da amiga e a foto saí.

— Ficou melhor assim. — Ambos olham para foto. — Gostei, deixa eu mandar para você.

— Eu não tenho celular. — Um sorriso sem graça surge nos lábios da jovem. — Mas eu gostei da foto.

— Depois vemos isso. — Rapidamente ele levanta e estende a mão para a amiga. — Vamos tirar mais fotos.

— Está bem. — Com ajuda do amigo ela levanta. — Mas primeiro você tem que pegar. – Ela sorri e sai correndo em seguida.

— Isso não tem graça, trapaceira. — Ele sorri e corre em direção a amiga. — Quando eu te pegar, vou te jogar nesse rio.

Ela mostra a língua para o amigo e corre mais ainda, o mesmo ri e corre ainda mais.

Beatriz não teve uma infância e nem amigos para brincar, a jovem ainda tem uma criança interior que se rebela quando está com o amigo.

Não se comportam como dois adolescentes, mas como duas crianças e Richard adora isso. Adora a amiga que faz ele voltar à infância que não teve.

A amizade que estão cultivando está se fortalecendo ainda mais com o passar dos dias, uma linda amizade que surgiu de uma mentira.

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O dia está mais quente que o normal — em plena 08:30 o sol já arde — um dia perfeito para passar embaixo de uma sombra tomando um sorvete ou uma água bem gelada.

Porém a turma do primeiro ano B não pode curtir o dia desse jeito. A turma toda se prepara para a aula de educação física.

Todos com os uniformes de educação física — meninas com shorts saia azul royal, camisas polos amarela, meias também amarelas com listras azuis e tênis preto. Os meninos também com o mesmo traje, porém usam bermudas. — Todos esperam o professor, que está atrasado.

Beatriz como sempre se encontra afastada dos demais alunos — sentada embaixo da arquibancada da quadra — ela não gosta de se expor principalmente quando usa o uniforme, pois acha o mesmo curto demais e justo.

Ela lê um livro novo — Madame Bovary — para um trabalho de filosofia, mas a mesma adora ler e faz com maior prazer. Concentrada não percebe o rapaz a sua frente, o mesmo a olha com admiração.

— Não estamos em aula de filosofia. — Ele tira o livro da mão da amiga. — Como você está? A gente nem se falou direito mais cedo. — Senta ao lado dela.

— Estou bem e você? — Ela pega o livro de volta. — Isso é meu.

— 'Tô tranquilo. — Ele tira a mão de trás das costas revelando um envelope vermelho. — Abre aí, sei que você vai gostar.

— Obrigada. — Rapidamente ela abre o envelope e retira do mesmo algumas fotos. — Foi de ontem. — Seu sorriso aumenta ao ver a foto que ele lhe deu um beijo na bochecha. — Gostei mais dessa.

— Eu também. — Ele se aproxima ainda mais dela. — Sua cara de surpresa está fofa.

— Eu me diverti muito ontem. — Diz com um olhar perdido. — Richard você realmente gosta de mim?

— Sim. — Ele segura uma das mãos da amiga. — No começo estava inseguro porque não te conhecia e tal, mas você é gente boa.

— Eu só aceitei sua amizade porque você era o único que não implicava comigo. — Seus olhos vão de encontro aos olhos do amigo. — E sei que nunca me fará mau, você é bom.

O olhar da jovem mostra toda a felicidade que a mesma está sentindo. A felicidade escapa pelos poros da jovem.

Submersos em seu próprio mundo, ambos não percebem o casal que os encara. Os dois se divertem com a cena que veem — Beatriz e Richard estão tão próximos que um movimento acabaria em um beijo — a jovem saca o celular e tira uma foto deles.

— Lindo casal. — Sebastian bate palmas, chamando atenção do casal de amigos. — Isso é baixo até para você, R.

— O que querem? — Richard se afasta da amiga. — Vazem daqui.

— Calma aí, cara. — Ergue os braços em sinal de rendição. — Assim tu me ofende.

— Vaza Sebastian. — Seu olhar exala raiva e fúria. — Vão se comer por aí e nos deixe em paz.

— A puritana não está dando para você? — Um sorriso maldoso surge nos lábios de Sebastian. — Não acredito que ainda não conseguiu foder ela.

Beatriz em engole seco e olha assustada para Richard, o mesmo percebe o quanto a amiga está assustada com aquelas palavras e sente a fúria e a raiva que tenta controlar lhe dominar.

Richard parte para cima de Sebastian já lhe dando um soco certeiro no rosto, por ter sido pego desprevenido Sebastian cai para trás com tudo, Richard aproveita e sobe em cima do mesmo distribuindo vários socos na cara do colega — a raiva domina Richard — o sangue saí do rosto de Sebastian, mas Richard não se importa nenhum pouco.

— PARA COM ISSO, RICHARD. — Bárbara grita desesperada. — RICHARD PARA, POR FAVOR.

As duas garotas estão assustadas com a cena que presenciam, mas algo faz Beatriz despertar daquele choque e a mesma se aproxima de Richard, envolve seus braços na cintura do mesmo e com toda a força puxa o rapaz de cima do outro, ela cai com tudo no chão levando Richard junto.

— Me solta. — Ele tira os braços da amiga de sua cintura. — Não toque em mim. — Sai de cima dela e se afasta a olhando nos olhos. — Isso é culpa sua. — A raiva é nítida nos olhos dele.

— Sinto muito. — Beatriz senta e abraça suas pernas. — Sinto muito, Richard. — As lágrimas caem pela sua face.

— Beatriz? — Ao ver a amiga chorando sua raiva evapora. — Não chore, pequena. — Vai até a amiga e a abraça forte. — Não é sua culpa, ele que foi o culpado. — Seu olhar para sobre o professor e o inspetor que acabaram de chegar. — Eu disse que ia te defender e foi o que eu fiz.

— Senhor! — Fala ao se deparar com a cara de Sebastian cheia de sangue. — O que houve aqui? — Olha para Richard e Beatriz.

— O Richard pirou. – Bárbara limpas os resquícios de lágrimas. — Bateu no Sebastian sem motivo algum.

— NÃO MINTA, SUA VAGABUNDA. — Richard tenta levantar, mas Beatriz segura sua mão impedindo que o amigo cometa outra loucura. — Nicholas, eu estava aqui conversando com a Beatriz e essa puta mau comida e esse viado do caralho chegaram e provocaram.

— Abaixe seu tom e trate seus colegas com respeito. — Nicholas olha sério para Richard, mas seu olhar cai sobre Sebastian que ainda está desmaiado. — Brown ajude o professor Duarte levar o James para enfermaria. — Seu olhar volta para os outros dois. — Os dois me acompanhem.

— A Beatriz não tem nada a ver com isso. — Ele se afasta da amiga e levanta. — A culpa é minha, mas porque esses dois filhos de uma puta mexeram. — Ele ajuda a amiga se levantar e segura na mão da mesma.

— Não perguntei quem é o culpado, só quero que me sigam. — O tom frio assusta todos ali. — Vamos logo.

— 'Tá Nicholas. — Richard recolhe o livro e as fotos do chão. — Isso é injusto.

Ambos andam logo atrás de Nicholas. Richard olha para a amiga que se mantém calada e com um olhar triste.

Beatriz está perdida em seus pensamentos, nunca havia passado por algo assim e ir para a diretoria lhe assusta, pois sabe que seus pais serão chamados.

Richard demonstrou para qualquer um que duvidasse da amizade que tem para com a Beatriz. Poderia ter começado de forma errada, mas é real.

Os três param em frente a uma porta de madeira com uma placa escrita "Diretor Morgan" — Nicholas bate na porta — ele olha para os dois que se mantinham calados e de cabeça baixa.

— Eu já volto. — Ele entra assim que houve um "entre" do diretor.

— Vai dar tudo certo. — Ele aperta a mão da amiga. — Se preocupa não, já estou acostumado a vir aqui.

— Não devia ter batido nele. — Ela limpa a mão dele em sua camisa, a sujando de sangue. — Ele é seu amigo.

— 'Tá tranquilo, pequena. — Ele dá um beijo terno na bochecha dela. — Relaxa.

Um sorriso triste surge nos lábios da jovem, o coração do rapaz se aperta ao ver a amiga se culpando. Ele nunca havia visto o lado dela, nunca havia notado que a moça é culpada pelos erros dos outros e agora vendo o lado da mesma, percebe que a vida é injusta com alguém que só tenta viver em paz.

— Entrem. — Ambos despertam de seus pensamentos ao ouvir o inspetor. — O diretor o espera. — Ele dá passagem para os dois. — Boa sorte.

Os dois adentram a sala e Nicholas fecha a porta, deixando os amigos a sós com o diretor. Ambos ficam parados na porta.

— Sentem-se. — Ele aponta para as cadeiras a sua frente. — Eu quero saber o motivo da agressão.

— Só bati naquele imbecil porque ele mexeu com a Beatriz. — Ele puxa a amiga e a coloca sentada em uma das cadeiras. — E vou bater em todos que mexerem com ela.

— Será punido por isso. — Ele olha sério para Richard. — O que houve, Beatriz?

— O Sebastian e a Bárbara chegaram de repente e... — Ela abaixa o olhar. — O Sr. vai chamar meus pais?

— Não, você não fez nada. — Ele levanta e caminha até a janela. — Campbell, vou chamar seus pais e terá que ficar depois das aulas.

— 'Tá legal. — Ele senta ao lado da amiga e segura na mão da mesma. — Não é sua culpa.

— Vou ligar para seus pais, Campbell. — Ele vira para os alunos e vê que Richard abraça a amiga. — Com licença. — Ele se retira da sala.

— Eu já levei castigo pior. — Ele aperta ela com força. — Relaxa, o Diego é de boa.

— Obrigada. — Ela sorri ao ver o sorriso nos lábios do amigo. — Eu fico com você depois das aulas.

Em resposta ele dá um beijo demorado na testa dela, apertando ainda mais o abraço. — Eles não percebem o diretor os observando através da fresta da porta. Mesmo não admitindo está feliz em ver que aquele garoto realmente está sendo sincero em relação a moça. — O casal de amigos sem dúvida se adoram.

A briga com Sebastian tinha deixado bem claro para todos que Beatriz não está mais só, que agora tem alguém cuidando e protegendo dela.

Há males que vem para bem, aquela aposta tinha um único propósito — humilhar a moça — mas será que depois de tudo que havia vivido com a jovem, seria capaz de trocar a amizade verdadeira por uma amizade complicada?

O jovem tem apenas mais alguns dias para fazer a escolha certa — duas semanas — ele vai ter coragem de dizer a verdade para Beatriz? Ira escolher romper essa aposta ou seguir até o fim? Ele realmente está sendo sincero ou está apenas fingindo?

Notas finais
Se chegaram até aqui é porque leram tudo,sabe o que isso significa? Isso mesmo, comentários. Quero saber o que acham que o Richard vai fazer. Digam o que acham. Obrigada a todos, beijos e nos vemos nos comentários.