Meu Milagre
10 Capítulo IX
Notas iniciais
Aquela semana havia passado tão rápido que quando perceberam na era sábado. Quando se passava o dia todo ocupado e só dormia quando chegava em casa, era normal não ver o tempo passar.
Principalmente para Beatriz e Richard – ambos haviam trabalhado duro no colégio após as aulas – a jovem escolheu ficar ao lado do amigo, lhe ajudando com as tarefas que foram lhe atribuída como castigo.
A briga repercutiu por todo o colégio e agora todos sabiam que Beatriz tinha um guardião – alguns até desconfiava que Richard não iria seguir a aposta – ninguém se quer olhava para a jovem, o medo que tinham de Richard era nítido.
Sábado – 15:07 – o dia estava fresco, o céu azul sem nenhuma nuvem e o vento fresco que balança deixa o clima mais gostoso. O dia estava agradável para uma época que sempre era quente.
Richard aguardava Beatriz terminar de se arrumar – sentado no sofá da casa da amiga, ele observava cada detalhe daquele ambiente – ele detestava aquela casa e se perguntava como ela conseguia viver naquele lugar.
Ao ouvir passos romper o silêncio da sala, o jovem olha para cima e se depara com Bianca – ele não é cego, sabe que a jovem à sua frente é linda e sexy. E ainda mais usando uma camisa branca justa no corpo, um short curto preto e sandálias também pretas. – Os olhos do rapaz caia sobre o busto dá mais velha.
—Fecha a boca. – Disse convencida, sabia o efeito que tinha nos garotos. – O que faz aqui? – Olhou ao redor a procura da irmã. – Cadê sua namorada puritana?
—Bia é só minha amiga. – Ele levanta, ficando de frente para ela. – Não seja tão má com sua irmã.
—Bia? – Ela ergue uma sobrancelha. – Ela odeia ser chamada de Bia, porque todos me chamam de Bia. – Diz com um sorriso divertido nos lábios. – Por que um gatinho como você anda com uma sonsa como ela?
—Ela é uma boa garota e uma ótima amiga. – Um sorriso malicioso se forma em seus lábios. – Agora você é outro assunto. – Aproxima do ouvido dá mais velha. – Prefiro as garotas más.
—Richard. – Ela olha por cima do ombro dele e vê a irmã em pé na entrada da cozinha. Um sorriso malicioso e maldoso surge nos lábios dá mais velha. – Já que você é só amigo da santa Beatriz. – Seu olha volta para o rapaz a sua frente. – Nós podemos nos divertir um pouco.
Richard a segura pela cintura e a puxa para mais perto, colando seus corpos, Bianca passa seus braços em volta do pescoço dele e o beija – um beijo bruto — a mesma olha para irmã.
Beatriz sente uma dor no peito – mais especificamente em seu coração, o mesmo estava doendo, uma dor desconhecida e insuportável – seu cérebro diz para correr dali, mas suas pernas não obedecem.
As lágrimas mancham a face da jovem e o brilho que a segundos atrás era de alegria, agora só havia o vazio em seus olhos e uma dor em seu peito – uma nova dor surgiu em seu peito – um soluço escapou pelos seus lábios e isso fez a jovem despertar do pequeno transe e correr para seu quarto.
Assim que entrou em seu quarto se jogou na cama, afundando sua face no travesseiro, abafando os soluços, seus ombros já tremiam e não se importava se alguém podia ouvir sua dor.
Um sentimento novo e uma dor nova, mas o que ela queria era saber como fazer essa dor passar.
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Os dois caminhavam em silêncio – que já durava desde que saíram da sorveteria – Richard não sabia o porquê da a amiga estar tão quieta e distante. A jovem não sorriu desde que saíram da casa da mesma e aquilo o incomodava.
—O que houve, pequena? – Disse chamando a atenção da jovem que fitava o chão.
—Nada. – Repetiu pela décima terceira vez.
—Você está estranha. – Pós as mãos nos bolsos da calça. – Aconteceu alguma coisa e eu quero saber.
—Eu sou estranha. – Levantou a cabeça e viu a igreja a sua frente. – Eu vou na igreja, com licença. — Disse já apressando os passos.
Ele não sabia o que fazer, apenas ficou parado vendo sua amiga correr para a igreja. Não sabia o porquê de a amiga estar tão triste. Despertou de seus devaneios e correu para alcançar a amiga.
Ao chegar em frente à porta da igreja, parou, viu a jovem ajoelhada diante ao altar. Decidiu que não incomodaria ela e que a deixaria em paz, deu meia volta e se pós a caminhar para casa.
—Não vai esperar a sua amiga? – Parou ao ouvir o padre. – A casa de Deus está aberta a todos.
—Padre? – Disse se virando e fitando o mais velho. — Deus? – Ele arqueia uma sobrancelha. – Não sei como ela consegue acreditar nisso.
—O que houve? – Ele caminha até Richard, que está em pé na escada. – Você sempre vinha a missa e acreditava em Deus.
—Eu vinha porque era obrigado e nunca acreditei em "Deus." – Faz aspas com os dedos. – Não acredito naquilo que não vejo.
—Há tantas coisas que nós não vemos, mas acreditamos. – Ele põe as mãos para trás. – Você não vê o vento, mas sente, a tantas coisas que para nós são inexplicáveis, mas para Deus não. – Seu olhar é compassivo para o jovem. – Você chama isso de ciências e ela de Deus.
—Deus não existe. – Ele cospe as palavras com rispidez. – Se esse tal Deus existisse como todos dizem, não faria o que faz com a Beatriz. – Seu olhar é sério e sua expressão é de pura raiva. – Deus não existe e se ele existe é egoísta e maldoso.
—Não diga essas coisas. – Sua expressão calma aumenta a raiva do jovem. – Deus escreve certo por linhas tortas.
—Por favor, né! – Ele revira os olhos. – Ela acredita em algo que os homens inventaram para poder manipular as pessoas e usufruir de seu dinheiro.
—Está completamente enganado. – Seu olhar se volta par a porta da igreja. – Aos 5 anos ela entrou pela aquela porta aos prantos e dormiu em um dos bancos, naquela época ela ainda não entendia muita coisa, mas sabia para onde ir quando as coisas ficassem difíceis.
—Isso é asneira. – Bufa irritado. – Ela devia parar de adorar um Deus invisível e lutar.
—Ela luta, meu filho. – Seu olhar volta para o jovem. – Só que a arma que ela usa é fé.
—Ela devia parar de ajoelhar diante de imagens e enfrentar pessoas reais. – Ele senta em um dos degraus da escada. – Deus é maldoso, egoísta, cruel e injusto.
—Espero que nunca se arrependa das suas palavras. – Ele vê Beatriz em pé na porta da igreja. – Ela é uma garota admirável e você devia falar a verdade para ela, tenho certeza que ela irá te perdoar se você for sincero. – Seu olhar caí sobre o jovem. – Não perca essa amizade.
—Como? – Ele olha perplexo e confuso para o padre. –Do que está falando?
—Eu sei que tem algo a mais por trás dessa amizade. – Ele se inclina um pouco para ficar na altura dele. – Vale a pena perder a amizade verdadeira por uma bobagem? – Levanta o olhar para Beatriz que ainda estava longe, apenas observando tudo.
—Calado. – Irritado ele se levanta, ficando frente a frente com o padre. – Não fale asneira, padre de merda. – Já não continha a raiva em seu corpo. – Não passa de um hipócrita que se acha superior aos outros.
—Richard? – A voz da jovem sai calma, mas com um pouco de surpresa. – O que está havendo? – Desce os poucos degraus que os separa e para entre o amigo e o padre. – Por que está assim?
—Não te interessa. – Dá as costas para ambos e saí dali.
—Vá atrás dele. – Se vira para onde o jovem saiu e o vê caminhando em passos pesados e rápidos. – Ele precisa de você.
—Mas o que houve? – Seu olhar é preocupado. – Parece que algo o irritou.
—Ele só precisa de um anjo. – Sorri terno para a jovem. – Vá logo. – Olha para o jovem que já se encontra longe da igreja. – Vá antes que ele suma.
—Obrigada, padre. – Ela sorri e em seguida corre atrás do jovem. – Sua bênção, padre. – Diz um pouco mais alto.
—Deus lhe abençoe. – Eleva um pouco a voz para que a jovem o ouça. – Deus seja piedoso contigo, criança. – Diz para si mesmo.
Beatriz corre o mais rápido que consegue, para alcançar o amigo que está apenas caminhando um pouco mais rápido. Ela não costumava fazer exercício físico, mas ela nunca imaginou que correria atrás de alguém.
—RICHARD? – Grita para chamar o amigo, mas acaba ganhando a atenção das pessoas ali presente. – RICHARD? POR FAVOR ME ESPERA. – Para de correr para poder tomar um pouco de fôlego.
—O que quer? – Para e olha para trás, vendo a amiga tentando respirar. – Só quero ficar sozinho. – Caminha até a jovem. – Melhor deixar para outro dia o nosso passeio.
—Tudo bem. – A voz da jovem sai falhada. – Nos vemos outro dia. – Com a cabeça baixa ela sai caminhando para o lado que acabará de vim.
Não conseguia entender o que essa garota fazia consigo, mas odiava vê-la triste e se odiava quando a tristeza era sua culpa. Uma coisa tinha certeza, já não era o mesmo Richard de algumas semanas atrás e sabia que a causadora era a amiga.
—Pequena? – Corre até a amiga e a segura pelo braço. – Desculpa, isso tudo é tão confuso. – Põe a mão livre na face dela. – Eu sou um burro.
—Não é. – Olha para o amigo com um sorriso tímido nos lábios. – A amizade é um pouco complicada, mas quando ambas partes tentam se torna mais fácil.
—Você não entende. – Se afasta dela. – Você não merece isso. – Passa as mãos nos cabelos em sinal de nervosismo. – Você é legal, uma amiga e tanto.
—Está assim por causa da Bianca? – Desvia o olhar ao ver ele a encarando. – Eu sei que gosta dela, vi vocês se beijando.
—Não é nada disso. – Coça a cabeça, um pouco confuso. – Só foi um beijo, acho ela gostosa e tal, mas nada além disso. – Segura o queixo da amiga, erguendo para olha-la nos olhos. – Não sabia que estava vendo.
—Desculpe-me. – Ela tenta abaixar a cabeça, mas é impedida por ele. – Não vou atrapalhar seu namoro com ela.
—Não somos namorados. – Acaricia a bochecha dela com o polegar. – Acho ela bonita e a beijei, só isso.
—Você me acha bonita? – Pergunta totalmente vermelha.
—Você é linda. – Ele sorri ao ver o sorriso dela aumentar. – Você é a mais linda da cidade.
—Então você vai me beijar? – Seu sorriso é tímido, mas seu olhar carrega ansiedade.
—Não. – A jovem fica séria assim que o amigo fala. – Você merece um cara legal e eu sou um babaca. – A envolve em um abraço. – Você é ingênua demais para uma adolescente e isso só machuca você.
—Mas um dia você me beija? – Ergue a cabeça para olhar nos olhos dele. — Só para saber como é.
Ele deposita um beijo terno e longo na testa dela e a mesma sorri – essa era a forma dele dizer sim – ambos apertam o abraço.
Todos assistiam aquela cena com um sorriso no rosto – quase todos, Sebastian olhava aquela cena com raiva e nojo – por um lado todos torciam para que a amizade durasse, mas por outro lado alguns torciam para que ela fosse humilhada e sofresse mais ainda.
Não se importavam aonde estavam e nem como estavam, só queriam se sentir bem e acolhido naquele abraço – uma belíssima amizade – o superficial daquele relacionamento deixa todos – que não conheciam mais afundo – felizes, pois agora juntos seriam guias um do outro.
Seria um começo de uma amizade ou o final?
Amigos são a família que escolhemos, mas nunca saberemos quem é nosso verdadeiro amigo até passar, porém momento difícil, a partir daí descobrimos quem mata e morre por você. Não confiei naquele que surge de repente e lhe diz ser seu amigo, amizade se constrói com o tempo – palavras não valem nada, são levadas pelo vento – amizade surge de atitudes.
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