Meu Milagre
2 Capítulo I
Notas iniciais
14 anos depois
— Já estou terminando. — Beatriz coloca o café na garrafa e a coloca sobre a mesa, que já está posta. Olha para o mais velho que está com um olhar sério e frio sobre si. — Posso ir para o meu quarto, pai?
Miguel é um homem bonito, tem aproximadamente 45 anos — alto, porte atlético, pele bronzeada, cabelos negros e olhos castanho esverdeado, sempre foi um homem bonito e o tempo o deixou ainda mais — ainda se encontra com seu pijama, uma camisa preta de magas longas e calça também preta.
— Pode, mas não demore. — Diz enquanto coloca um pouco de café na xícara, para leva-la a boca em seguida.
Beatriz retira-se da cozinha e corre para o seu quarto se trancando no mesmo — o quarto contém uma cama de casal, dois criados mudo branco um em cada lado da cama, com abajures um em cada lado e um porta retrato, uma bíblia e um terço,com uma comoda de frente para cama e uma outra porta que da acesso para o banheiro, o quarto é totalmente branco — esse é o único lugar da casa em que ela pode se sentir bem.
Ela pega o uniforme — uma saia azul royal, uma camisa social branca, uma gravata amarela, meias amarelas e os sapatos azul royal,os põe sobre a cama — ela caminha para o banheiro e entra dentro do mesmo — o banheiro é pequeno, contém apenas a pia com um armário embaixo, um espelho, o vaso e o chuveiro.
Beatriz se despe pondo as roupas em cima da pia e adentra o box, fechando o mesmo — ela liga o chuveiro e deixa a água fria cair pelo seu corpo — já está acostumada com água, já que é privada de ter água quente para banhar-se.
Depois de alguns minutos, Beatriz sai do banheiro, se troca pondo o uniforme, arruma o seu cabelo em um rabo de cavalo e pega seu material, os coloca dentro da mochila, sai do seu quarto, mas antes tranca a porta e guarda a chave na mochila, ela vai em direção ao seu pai.
— Pai? —Seu olhar para o mais velho é de puro medo.
— O que você quer? — Limpa a boca com um guardanapo.
— A Bianca não vai para o colégio de novo? —Sua voz sai baixa, mas não o suficiente para o mais velho não ouvir.
— Não é da sua conta. — Levanta-se já irritado com a presença da caçula. — Cuide de sua vida. — Seu olhar exala raiva. — Bom dia, querida. — Um sorriso surge em seus lábios ao ver a filha mais velha.
— Bom dia, pai. — Aproxima-se do pai e deposita um beijo na bochecha do mesmo. — O que temos para o café?
— O de sempre. — Acaricia os fios ruivos da filha e deposita um beijo na cabeça da mesma. — Tchau, querida.
— Tchau pai. — Senta-se a mesa. — A mãe quer falar com o Sr.
— Está bem. — Retira-se da cozinha em seguida.
— O que foi Beatriz? Pergunta retoricamente. — Você não precisa nem falar, eu já sei o porquê você está com essa cara. — Pega uma fatia de pão e passa geleia de morango. — É porque o pai não te deu um beijo.
— Vou para o colégio. — Ignora a provocação da irmã. —Tchau. —Pega uma maçã antes de sair.
— Espera um pouco. — Levanta rapidamente e aproxima-se da caçula. — O pai e a mãe te odeiam. Você não significa nada para eles. — Segura no braço da menor com força. — Por que você não vai logo embora daqui?
— Me solta você está me machucando. — A jovem morde o lábio tentando segurar as lágrimas. — Por favor me solta.
— Beatriz, você não passa de uma bastarda. — Solta o braço da irmã. —Vai embora daqui.
— Você vai para o colégio? — Pergunta tentando mudar de assunto.
— Garota você me irrita. — Diz ao pegar a jarra, com um sorriso diabólico nos lábios. — Tenha um bom dia. — Por fim joga a jarra no chão, fazendo a mesma quebrar em vários pedacinhos. — O QUE VOCÊ FEZ, BEATRIZ? VOCÊ FICOU LOUCO? — Grita para chamar a atenção dos pais.
— Eu não fiz nada. — Olha assustada para a irmã. — Eu não fiz isso.
De repente Miguel e Robertha chegam na cozinha — Robertha é uma mulher linda. Uma ruiva de fazer o trânsito parar, olhos verdes, nariz fino, lábios carnudos e bem desenhados, um corpo bem desenhado e com curvas, mesmo após três gravidez, ainda tem seios firmes e medianos, cintura fina, uma quadril largo e uma bunda mediana e bem firme, o tempo só a fez bem — ambos ficam surpresos em ver aquela bagunça no chão. Robertha se aproxima das duas e olha pra Beatriz com um olhar sério.
— Quem fez isso? — A voz da matriarca sai alterada. — Quem foi?
— A Beatriz, mãe. —Bianca diz com todo cinismo que tem.
— Mãe, não fiz isso. — Beatriz recua alguns passos. — Não foi eu.
— Mãe, ela disse que estava cansada de tudo e jogou a jarra no chão. — Dá o seu olhar mais sério para a matriarca. Tentando passar veracidade.
— Vai agora para o colégio Beatriz. — O olhar da matriarca para a filha caçula é ódio puro. — Saía agora daqui.
— Pai eu não fiz isso. — Olha para o patriarca com os olhos marejados. — Não foi eu. — Á suplicia em seu olhar.
— Vá para o colégio agora. — Miguel desvia o olhar. — Anda logo, Beatriz.
Beatriz sai de casa correndo, sem olhar para eles. Caminha até o colégio sozinha, um caminho longo e solitário, onde vê outros adolescentes caminhando em grupos dando risadas, conversando, brincando e fazendo palhaçadas.
Em toda a sua vida, nunca teve um amigo, nunca teve alguém para poder lhe dizer que tudo ficará bem — ela não entende o porquê de não ter amigo ou porquê todos a odeiam — ela sabe que pode contar com algumas pessoas, mas ela sente falta do amor materno e paterno, sente falta de um amigo e tudo o que mais quer é que essa dor acabe logo.
Ela chega ao colégio e senta no mesmo lugar que senta todos os dias — um banco que tem na entrada do colégio, embaixo de uma árvore — esperando o sinal tocar, ela vê os outros em grupo e tem vontade de ir até eles, mas sabe que não será bem recebida. Ao longe ela vê um garoto alto, branco, de cabelos preto, de olhos preto com o uniforme do colégio — blazer azul royal, calça também azul royal, camisa branca e gravata amarela, sapatos pretos — o olhar dela para sobre ele e um lindo sorriso se abre em seus lábios, ele passa por ela e dá um pequeno sorriso a fazendo ficar corada.
Segundos depois o sinal toca e todos vão para as suas salas, ela entra por último e todos olham para ela com sorrisos sarcásticos. Ela senta na primeira carteira da quarta fileira.
— Bom dia Beatriz. — Uma moça morena, de cabelos preto cacheados, olhos verdes, com a camisa branca, gravata amarela, saia azul royal que é bem menor que o padrão do colégio permite e de saltos pretos, se aproxima de Beatriz. — Você dormiu comigo?
— Não. — Beatriz solta um sussurro.
— O que você disse? — Fica diante da colega.
— Você poderia me deixar quieta? — Diz ao abaixar a cabeça. — Por favor.
— Pessoal a Beatriz quer ficar quieta. — Sorri sarcástica. — Sebastian vem aqui. —Chama o amigo que apenas observava.
— O que você quer? — Aproxima-se das duas colegas. — Fala logo.
— Olha para ele Beatriz. — Segura no queixo da colega e levanta seu rosto. — Ele é lindo, não é?
— Não sei. — Tira a mão da colega de seu queixo. — Me deixem em paz, por favor. — Abaixa a cabeça em seguida.
A professora entra na sala salvando a pele de Beatriz — uma jovem mulher em torno de seu trinta anos, alta, morena de olhos castanho-claro, cabelos também castanho-claro, com o tipico uniforme dos professores do colégio — segura alguns livros e a bolsa, coloca o material em cima da mesa e olha para os alunos.
— Bárbara e Sebastian para seus lugares, agora. — Aproxima-se deles.
Os dois vão para seus devidos lugares e a professora volta para sua mesa, pegando o livro e abre o mesmo, seu olhar passa por toda a sala.
— Abram seus cadernos e copiem o texto que vou passar na lousa. — Diz já de costas para eles, pega a caneta piloto e começa a escrever na lousa. — Não irei esperar quem estiver atrasado na lição.
Todos pegam o caderno, abrem e começam a copiar o texto — eles já estão acostumados com o ensino da professora, então não reclamam do jeito que ela começa as suas aulas — de repente alguém joga uma bolinha de papel em Beatriz, mas ela não liga e continua a copiar o texto – já sabia quem era o dono dessas brincadeiras — porém novamente alguém joga bolinha de papel nela, ela respira fundo e continua a copiar o texto.
Alguns minutos depois a professora termina de passar o texto e quase todos já copiaram, ela senta à mesa para esperar os alunos terminarem de copiarem o texto — olha cada aluno minunciosamente, conhece todos a muito tempo — ela respira fundo.
— Silêncio. — Abre a pasta de chamada. — Alice Thompson?
— Presente, professora. — Responde no automático.
— Anderson Rodrigues? — Ela olha para ele.
— Presente. Diz ao virar para trás para conversar com um colega.
— Anderson nada de conversar. — Ralha o aluno. — Bárbara Brown?
— Estou bem aqui. — Sorri abertamente para a professora.
— Nada muda mesmo. — Dá um pequeno sorriso. — Beatriz Rutkowisk? — Olha para aluna a sua frente.
— Presente. — Responde baixo, mas a professora ouve.
— Tudo bem, Beatriz? — Levanta e se aproxima da aluna.
— Sim, professora. — Dá um sorriso triste. — Posso ir beber água?
— Pode, mas não demore. — Dá espaço para a aluna levantar.
— Com licença, professora. — Levanta e sai em seguida da sala.
— Essa garota é tão sonsa. — Bárbara revira os olhos. — Ela se faz de inocente e de ingênua, mas na verdade não é nada disso que aparenta ser.
— A Beatriz não vale nada, fica se fazendo de coitadinha, mas na verdade deve ser uma garota pior que a Baby. — Sebastian entra na "brincadeira."
— Não admito que digam isso dá colega de vocês. Nenhum tem o direito de falar da vida dela ou dela. — Senta-se novamente. — Beatriz não é como nenhum de vocês.
— Isso é verdade, ela deve ser bem pior que a gente. — Diz para provocar a professora. —Ela é tão sonsa.
— Chega. — Encerra o assunto e volta para a fazer a chamada. — Breno Martin?
— Não veio. — Bárbara olha para a professora e sorri. — Ele está doente.
— Obrigada, Bárbara. — Retribui o sorriso. — Bruno Vasconcelos?
— Presente. — O rapaz levanta a mão.
— Caroline Sullivan? — Olha para aluna que está a copiar o texto.
— Presente. — Responde sem desviar os olhos do caderno.
A professora continua a chamada — nenhum aluno naquela sala gosta da Beatriz, a garota nunca fez nada contra eles e ninguém sabe da onde vem a raiva deles para com a Beatriz — ela termina a chamada e fica aguardando os alunos terminarem de copiar o texto e alguns minutos depois Beatriz entra na sala novamente e todos olham para ela.
— Demorou por quê? — Bárbara pergunta curiosa.
— Bárbara, eu sou a professora. — Ralha a aluna, mas seu olhar cai sobre Beatriz. — Por que a demora Beatriz?
— O diretor me chamou para conversar. — Senta em seu lugar. — Desculpe-me a demora professora.
— Está tudo bem? — Aproxima-se da carteira de Beatriz.
— Sim professora. — Ela dá um meio sorriso.
— Já terminou de copiar? — Volta para sua mesa.
— Sim professora, terminei antes de sair. — Abre o caderno.
— Posso começar a explicar? –Pega o livro de cima da mesa.
— Não. — A maioria responde.
— Andem logo. — Abre o livro na página desejada. — Conversem menos e trabalhem mais.
— Está bom prof. — Bárbara responde por todos ou quase todos.
— Enquanto terminam eu vou falar com o diretor. — Coloca o livro em cima da mesa. — Quando eu voltar irei explicar o texto. Vocês querendo ou não.
— Iremos terminar. — Bárbara troca olhar com Sebastian. — Falo por todos.
— Nada de bagunça, com licença. — Retira-se da sala em seguida.
— Sebastian hoje você vai na pista de skate? — Bárbara e Sebastian trocam olhares e um sorriso perverso surge nos lábios de ambos.
— Vou sim. — Ele amassa uma folha fazendo uma bolinha de papel. — Baby olha só. — Joga a bolinha na cabeça de Beatriz.
— Mira excelente. — Diz entre risos. — Minha vez. — Arranca uma folha do caderno, amassa e joga na cabeça de Beatriz. —Acertei também.
— Parem com isso. — Richard olha bem sério para os dois. — A professora pode chegar a qualquer momento.
Richard é um dos poucos alunos que não implica com Beatriz e acha isso uma atitude desnecessária — possuidor de lindos olhos azuis como o céu, cabelos negros como a noite, pele alva, alto, ele está começando a ganhar músculos — prefere ficar longe de encrenca e ele sabe que Beatriz é uma grande encrenca.
— Virou defensor dela? — Bárbara levanta e se aproxima de Richard.
— Não, mas ela não fez nada para vocês. — Volta a escrever no caderno.
— Baby, acho que a Beatriz conseguiu uma paquera. — Sebastian dá um sorriso sarcástico para Richard.
— Pode parar. — Olha mortalmente para o amigo.
— A Beatriz até que é bonita. — Sebastian levanta e vai até Beatriz. — Você não diz nada, Beatriz?
— Me deixa em paz, por favor. — Continua de cabeça baixa.
A professora chega — nenhum deles percebe a chegada da mesma — olha sério para Sebastian e Bárbara, os dois percebem o silêncio estranho da sala e olham para a porta encontrando uma professora séria. Dão um sorriso sem graça e retornam para seus lugares.
Ela olha para Beatriz e percebe que a mesma encontra-se quieta — caminha até a mesa e pega o livro — respira fundo para manter a calma.
— Irei explicar. — Caminha até a mesa de Bárbara. — Vejo que nem todo mundo terminou de copiar o texto. — — ai até a mesa de Sebastian e olha o caderno do mesmo. — Eu me pergunto uma coisa todos os dias. — Retorna para sua mesa. — Por que vocês vêm para o colégio todos os dias? Para estudar eu sei que não é.
— É que aqui tem diversão. – — Bárbara olha para Beatriz com um sorriso perverso. — É uma diversão que não enjoa.
— Bárbara, quantas vezes vou ter que repetir que a Beatriz não é diversão para vocês e o que vocês fazem é bullying. — Põe o livro em cima da mesa. — Chega, se não irei chamar os seus pais de novo, entendeu?
— Sim prof. —Engole a raiva e sorri.
— Vamos voltar a aula. — Pega o livro novamente. — Silêncio.
Ela começa a explicar a matéria e todos participam da aula, fazem perguntas e se interessam pelo assunto. A aula passa rápido demais, eles tiveram outras aulas, algumas aulas foram legais e outras não, tiveram provas surpresas e alguns trabalhos para fazerem em grupo. Quando perceberam já estava na hora do almoço e todos estavam na lanchonete do colégio.
Beatriz pega a bandeja na lanchonete, contendo um suco de laranja, saladas de frutas e um bolinho. Como de costume ela se senta em uma mesa afastada de todos — já havia se acostumado com aqueles olhares de desprezo — ela faz as preces e começa a almoçar.
Bárbara olha para Beatriz e depois para Sebastian — ela sorri diabólica — de repente ela se levanta e se aproxima de Beatriz, a olha de cima a baixo com um olhar de pena, mas ao mesmo tempo de ódio. Beatriz olha para Bárbara com medo nos olhos e com preocupação.
— Eu posso te ajudar Bárbara? — Ela solta a respiração sem se lembrar que tinha prendido e o motivo porque prendeu.
— Não quer companhia? — Bárbara puxa a cadeira e senta.
— Eu estou bem sozinha. — Beatriz fala num tom baixo, quase como um sussurro. — Mas se você quiser fica, tudo bem.
— Eu falei com o Sebastian e ele disse que está gostando de você. — Bárbara sorri maldosa e olha para Sebastian mandando uma piscadela para o mesmo. — Por que você não vai até ele e fala que gosta dele?
— Ele gosta de mim? — Os olhos de Beatriz brilham e um lindo sorriso em seus lábios.
— Tenta, o Sebastian é lindo, inteligente, muito sexy, simpático, ele é o namorado perfeito para você. — Sorri falsamente para a colega. — Vai lá falar com ele.
— Eu vou. — Uma coragem repentina domina a jovem.
— Sorte. — Fingi entusiasmo.
Beatriz caminha em direção a Sebastian, mas de repente sente uma mão segurando seu braço e à impede de continuar o caminho — uma mulher de uns 30 anos, ruiva, dos olhos verdes, branca, usando uma blusa branca, com uma gravata marela fina no pescoço e usando uma saia azul royal de cintura alta e um saltos amarelo — ela olha para Beatriz com um olhar sério e ao mesmo tempo preocupado.
— Onde a Srtª. pensa que vai? — Solta o braço de Beatriz.
— Vou falar com uma pessoa. — Beatriz olha para baixo.
— Me acompanhe Srtª. — Aponta para a saída do refeitório.
A inspetora leva Beatriz para fora do refeitório — Beatriz caminha ao lado dela olhando para baixo — a inspetora olha várias vezes para Beatriz com um olhar preocupado, ela sabe o quanto a menina sofre com as brincadeiras dos colegas.
Ambas param, Beatriz olha para a inspetora com uma expressão séria e ao mesmo tempo preocupada — a inspetora abre a porta da sala e olha para Beatriz e em seguida para dentro da sala, Beatriz entra e em seguida a inspetora entra.
— Sente-se Beatriz. — Diz ao puxar a cadeira.
— Obrigada. — Beatriz senta e olha para baixo.
— Precisamos ter uma conversa muito séria. — Dá a volta na mesa e puxa a cadeira. — Você é a melhor aluna do colégio. — Ela senta e abre a gaveta, pegando uma pasta. — Te admiro muito, acho que você terá um grande futuro. — Ela fecha a gaveta e abre a pasta. — Só tem um problema.
— Qual Sra. Drummond? — Seu olhar é sério.
— Você é boa demais, não que isso seja um problema pelo contrário isso é bom, mas as pessoas se aproveitam disso. — Ela pega um papel de dentro da pasta. — Essa é a ficha escolar da Bárbara, veja. — Ela coloca a ficha na mesa em frente de Beatriz.
— A Sra. não pode julgar as pessoas, todo mundo merece uma segunda chance todos tem um lado bom. Sra. Drummond as pessoas só querem alguém para acreditar nelas. — Ela empurra a ficha para lá.
— Conheço mais da vida do que você e sei que quando as pessoas nascem más, nada e ninguém pode muda-las. — Pega a ficha de Bárbara. — A Bárbara só nesses últimos dias te xingou de coisas absurdas, te derrubou na frente de todos, derrubou suco em você, mas o mais grave de todos foi falar no microfone do colégio que você é virgem e que vai se entregar a Deus. — Ela guarda a ficha de Bárbara. — Você entendeu o que ela quis dizer, não é?
— Não quero falar sobre essas coisas. — Levanta dando a conversa por encerrada. — Posso ir?
— Não fuja das pessoas, não abaixe a cabeça para ninguém. — Levanta e aproxima-se de Beatriz. — Você merece mais, é dolorido para mim te ver sozinha, triste, mas principalmente cheia de hematomas. — Segura na mão de Beatriz. — e— Enfrente-os, não leve a culpa dos outros.
— Não posso e nem devo. — Os olhos da jovem se enchem de lágrimas. — É pecado e errado, a Sra. sabe que não devo enfrenta-los.
— Eu sei, minha querida. — Ela abraça Beatriz. — Sempre terá meu apoio, tenho você como uma filha.
— Obrigada. — Abraça a inspetora com força e cai em prantos.
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