Meu Mestre Parte 2

4 Capítulo 4- Visita de Theo


Notas iniciais
Adorei as sugestões... obrigada! Boa leitura

Não.

Senti o ar rasgando tudo dentro de mim até chegar a meus pulmões. Meu corpo formigava. Naquele momento me senti realmente cansada. Não pude resistir a ele, dormi.

Acordei com o bip do meu batimento cardíaco. Estava em um quarto branco, tinha uma poltrona em um dos cantos ao lado de um abajur branco que estava em cima de uma mesinha de vidro, a esquerda da poltrona tinha uma porta branca com uma placa escrita WC. Ao lado direito de meus equipamentos tinha outra porta.

Eu estava com uma mascara de oxigênio e ligada ao soro. Me senti fraca e faminta. Apertei o botão de emergência. Uma enfermeira de trança e batom rosa apareceu na porta. Ela me pareceu calma.

–Pois não? –Ela perguntou suavemente, com um sorriso.

–Ah, oi, o que aconteceu comigo? –Ela ainda sorrindo pegou uma ficha que estava dentro de um “envelope” pregado na porta.

–Jiovana Swan... –Pensou alto. – Ah, sim. Ji, então. –Ela começou – Você teve uma parada cardíaca após ter ficado sem oxigênio. Sorte sua ainda esta aqui minha querida. –Ela sorriu gentilmente –Precisa de algo?

–Comida. Estou fraca e com fome. Por favor. Traz um lanche de um fast food. –Minha boca salivou em pensar nas batas fritas, sanduiches, refrigerantes.

–Jiovana? Ji? Sai dai. Jiovana? Oh Ji. Sai da minha frente idiota. –Ouvi gritos no corredor. A enfermeira arregalou os olhos pra mim. Me assustei com um impacto que teve na porta. –Jiovana. Me deixe entrar ou vou bater em você. –Ouvi, era Theo. Ele tinha chegado no pior momento. Meus batimentos aceleraram junto com minha dificuldade para respirar. A enfermeira ajustou alguma coisa no equipamento que disponibilizava meu oxigênio, senti mais facilidade para respirar.

–Obrigada. –Agradeci. Ela sorriu. A porta foi ao chão, junto caiu um homem de branco, provavelmente um enfermeiro, e em pé estava o Theo bufando. Ele me olhou e sua expressão acalmou, agora ele estava triste.

–Ji. Ahh Ji. –Ele disse se desviando do homem caído no chão. Ele segurou em minha mão. –Gelada.

–Desoxigenada. –Corrigi. Ele beijou minha testa e me fitou por um longo momento, com olhos cheios de lagrimas.

–Dói? –perguntou.

–Muito. –Disse com lagrimas nos olhos. Ele deixou que algumas escorressem em seu rosto. Seus olhos brilhavam sem luz.

–Alguém veio te ver. –Voz da Luna. Ela entra empurrando Logan na cadeira de rodas. Eles se assustando ao encontrar a porta no chão. –Ah, perdi alguma coisa?

–Sim, o Theo bateu em um homem e derrubou a porta. –Eu ri.

–Eu não bati nele, mas derrubei a porta. Ele estava se apoiando nela por isso caiu... Sozinho. –Ele disse com uma cara de anjo. Todos rimos. Logan parecia bem.

–Oi meu amorzin. –Disse Logan pra mim com o sorriso torto.

–È melhor sairmos Theo. –Disse Luna apontando para porta.

–Acabei de chegar. –Resmungou. Ela levantou a sobrancelha. –Tabom. Tchau Ji. –Beijou minha testa e saiu com Luna. Logan ainda me olhava com seu sorriso torto. Quando Luna e Theo saíram, ele se levantou de sua cadeira de rodas e sentou ao meu lado na cama. Ajustei a cama para ficar sentada.

–Oi. –Eu disse olhando dentro de seus lindos olhos, a borda verde preenchido por castanho, que dava um efeito hipnotizador. Ele passou sua mão levemente pelo meu pescoço segurando minha nuca. Passei a mão acompanhando o comprimento de seu braço até chegar em seu ombro.

–Linda. – Ele me disse colocando a outra mão em minhas costas. Eu sorri. Ele se aproximou e eu completei o caminho. Faíscas saíram do encontro de nossos lábios. Já sentia falta de sua boca na minha, de seu cheiro, de sua mão em minha nuca, dos nossos narizes riçando um no outro durante um longo beijo gostoso. Mas aquele não foi um beijo longo, mas foi gostoso. Me afastei quando não consegui mais respirar, não por falta de ar, mas por esquecer de como se respirava. –Amor? –Perguntou preocupado.

–Estou bem. Só me esqueci de como se respirava. –Rimos juntos enquanto eu voltava minha respiração ao normal. Um barulho fino e irritante me incomodava. Era o Bip do batimento cardíaco. Estava muito acelerado. Ele olhava para o aparelho com os olhos arregalados e depois me olhou e riu. Eu corei. –Opa. –Também ri. A enfermeira entrou no quarto. Ela tinha o cabelo preso em coque, e usava um batom rosinha.

–Srta. Jiovana, esta sentindo dificuldade para respirar?

–Não. –Ela anotou alguma coisa em sua agenda.

–Esta melhor assim ou antes?

–Assim esta bem melhor. –Ela anotou novamente. Bem provável que seja minhas respostas.

–Alguma dor?

–Não. Ainda não.

–Sentindo fraqueza?

–Não. Estou ótima. –Respondi sorridente. Logan riu.

–Tudo bem. Então. Se quiser ir à lanchonete com seu amigo, esta liberada. Aqui esta um cilindro com a capacidade maior que o anterior. Quer que eu conecte seu cateter nesse móvel? –Logan riu alto, me assustei com a reação dele.

–Minha querida, deixe eu te informar. Não sou amigo dessa senhorita aqui. Eu sou o noivo dela. Noivo, o.k.? –Ele falava sério. A enfermeira o encarava assustada.

–Ah, me desculpe. Sr. noivo dela. –Ela sorriu. E se aproximou de mim para alterar o cilindro. Tirou o tubo de soro e saiu.

Eu ainda estava com calça moletom e uma blusa larga azul. Logan se levantou e estendeu a mão, como um convite, eu a segurei e fomos para a lanchonete. Sentamos um ao lado do outro, ele apoiou os braços em meus ombros. E eu deitei minha cabeça no seu.

Ficamos ali parados observando as pessoas comendo, chorando, conversando, brincando. Ali mesmo percebi que a vida não era eterna... não como a conhecemos.

Logan apoiou sua cabeça inclinada na minha.

–Como será que vai ser quando tudo isso aqui acabar? –Perguntou ele.

–Ah, não sei. Como assim?

–Como vai ser quando todos nós morrermos? Vamos para o céu. Mas como é esse céu? Um paraíso. Mas e as pessoas que convivemos e amamos aqui? O que serão delas? Ainda ficaremos juntos? Nós estaremos juntos lá em cima? – Sua voz estava pensativa, ele estava perdido em pensamentos –E se não tiver nada? E se tudo em que acreditamos for mentira? E se no céu não tiver Logan e Jiovana? E se eu não for pro céu? E se por eu ter sido bruxo, eu for condenado a viver no inferno por toda a eternidade? –Eu dei um tapa leve em seu peito para que ele parasse de falar bobagem.

–Para com isso. –ordenei. –Não tem isso. Vamos juntos pro céu sim. E vamos viver juntos lá sim. Por toda a eternidade! Vamos estar juntos. Nem a morte vai nos separar. Talvez... Por um curto tempo, entre a terra e o céu, ela pode nos separar. Mas, não. Não vai nos separar pra sempre.

–Amor? –Ele perguntou.

–Amor. –Respondi, trocamos olhares e nos beijamos. Passamos um bom momento ali, observando e conversando. Decidimos adiar o casamento por um tempo. Até nos recuperarmos. Depois mudamos de ideia, e decidimos casar em uma capela que tinha ali perto. O casamento seria bastante simples, e nossa lua de mel provavelmente seria de um dia e depois teríamos que voltar para o hospital.

Notas finais
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