Meu Melhor Presente
4 Capítulo 4 - A Encrenca (Ded. MaryyHistory)
Notas iniciais
Sentia suas pálpebras pesadas e uma imensa dor no corpo, não sentia muito bem seu corpo e não se recordava do que havia acontecido a algumas horas atrás. Apenas se lembrava de se sentir livre, sem dor nenhum e que estava correndo, depois tudo parecia um borrão.
Freddie se esforçou um pouco mais para se levantar apoiando em uma árvore, olhou ao seu redor e viu os carros e pessoas passando para todos os lado e o encarando como se fosse um mendigo e era o que estava parecendo nesse momento. Sua roupas estava toda suja e um pouco rasgada, passou a mão pelo rosto e sentiu algo úmido, quando foi ver era uma pequena manchinha vermelha, deduziu que era um pouco de sangue.
Não se importando se estava com a aparência boa ou não, começou a andar em um passo lento, estava totalmente perdido e tinha que encontrar o caminho de casa. A medida que a hora foi passando, ele foi se lembrando das coisas de como ficara daquele jeito, havia entrado em uma briga por causa de dinheiro, sorriu orgulhoso de si mesmo, pois viu que havia deixado alguns machucados feios em outro garoto também, piores que o dele.
Olhou para o relógio do igreja e eram cinco horas, assustou-se com o horário, precisava correr para chegar em casa antes de sua mãe para se arrumar e ir para a festinha de seus amigos. Para ele essa noite seria até boa, afinal fazia tempo que não se divertia, percebeu que a esse ponto seus guardas preguiçosos teriam ido para a casa, nem eles gostavam de cuidar de Freddie.
Assim que chegou em sua casa, correu para o banheiro, tomou um banho e se livrou das roupas velhas. Olhou no relógio e eram seis horas, saiu de casa antes que sua mãe chegasse e começasse a fazer um discurso enorme. Foi andando lentamente pela rua, afinal ainda estava muito cedo. Chegou no pequeno beco e viu que seus amigos não estavam lá, de certo ainda estavam em casa se arrumando, porque eles sempre gostavam de se arrumar para esse tipo de coisa.
O céu escureceu e então ele já deduziu que seus amigos estavam quase chegando, olhava para todos os lados da rua para ver se encontrava algum sinal dele, até que viu uma garota loira. A reconheceu de cara, era aquela garota que estava trás dele pela escola no dia anterior. Entrou mais na parte escura, na tentativa dela não vê-lo ali, mas ela o encontrou.
_Freddie!? O que faz aqui?
_Isso não te interessa — disse ríspido.
_Por que não foi na escola hoje? Fiquei te procurando.
_Já disse que não te interessa e acho melhor continuar seu caminho.
_Não tem problema se eu me atrasar um pouco.
_Não entende que aqui é muito perigoso para uma garotinha como você.
_Não sou garotinha, mas se é perigoso, venha comigo.
_Não posso, estou esperando algumas pessoas.
_Seus amigos do beco? — soltou sem querer. Assim que viu a expressão nervosa em seu rosto percebeu que falara demais — E-eu...
_Quem te falou isso? Não pode ter tirado suas conclusões sozinha.
_Ninguém, eu juro, me perdoe.
_Vou te desculpe quando for embora.
_Venha embora comigo então.
Freddie ouviu o barulho de um carro e deu uma olhada, o reconheceu era de seus amigos que haviam estacionado um pouco mais atrás para ninguém suspeitar de nada.
_Droga Sam! Precisa ir embora agora! Corre! — sua preocupação com a garota estava evidente.
_Já disse que só vou com você.
_Vá embora!
_Já disse que não!
E assim Tyler, Jason e James entraram no pequeno beco. Percebendo a presença deles, Sam se escondeu atrás de Freddie, deixando apenas que seus olhos ficassem a mostra por cima dos ombros dele.
_Quem é a garota atrás de você? — perguntou Tyler, tentando ver o rosto da loira.
_É só uma amiga.
_E o que acha de convidar ela para a nossa festinha? Aposto que o resto de nós não ligaria em mudar de planos — sorriu de um jeito malicioso.
_Ela já estava indo embora.
_Mas não precisa, minha princesa — foi se aproximando ainda mais de Freddie para ver o rosto dela.
Agora Sam entendi o porquê de Freddie falar que lá era uma lugar perigoso, deveria ter o escutado, mas não o deixaria ali sozinho também.
_Eu preciso ir... — a loira se pronunciou pela primeira vez.
_Mas a festa vai começar daqui a pouco — ele tentou tocá-la, mas Freddie entrou na frente.
_Qual é Freddie? Ela é muito areia para o seu caminhãozinho, não acha?
_Ela é apenas uma amiga.
_Então a divida com a gente.
Ele sentiu o coração de Sam se acelerar e os dedos dela se apertarem no ombro dele, não sabia bem o porquê, mas ele tinha que protegê-la, tinha que tirá-la de lá.
_Eu vou a levar embora — tentou dar um passo, mas sentiu a mão de Tyler o parando.
_Não vai sair daqui com ela, se quiser você pode ir embora, mas ela vai ficar.
_Eu não vou deixar você chegar perto dela!
_Deixa ela escolher Freddie! — voltou seu olhar para Sam — Você quer ficar com a gente, lindinha?
_Não, eu quero ir embora — ele notou o medo na voz dela.
_Ohh, não precisa ficar com medo, não vamos fazer nada contra você.
_Não vou deixar você fazer o que está pensando.
_Nem sabe o que é.
_É o que você sempre fez com todas as outras garotas.
_Acabou de me dar uma boa ideia — novamente dirigiu seu olhar para Sam — Quer brincar, lindinha? Aposto que você é muito linda, mas só fica escondida.
Sam se encolheu ainda mais atrás de Freddie, o apertando com mais força, escondeu seu rosto nas costas dele e fechou os olhos, querendo sair de lá de alguma maneira.
_Olha, parece que alguém ficou cm vergonha — riu.
_Deixe ela! Eu vou a levar embora — tentou dar novamente um passo.
_Já disse que não vai sair daqui — se afastou um pouco para cochichar algo com seus amigos.
_Sam? — Freddie sussurrou — Vai ficar tudo bem, você vai voltar para a sua casa, mas terá que me soltar — isso fez com que ela só o apertasse ainda mais — É a única maneira, por favor, vamos ficar bem — ela foi desfazendo o abraço apertado aos pouco e o deixou livre.
Tyler voltou-se para Freddie e Sam e viu que eles agora estavam separados.
_Parece que resolveu se soltar dele.
Sam permaneceu calada.
_Não vai nos deixar sair daqui?
_Não, e não vão conseguir passar pelos meus novos amigos — apontou para os dez meninos que estavam mais afastados. Sam deu um passo para trás.
_Então vou ser obrigado a fazer isso — se aproximou um pouco mais de Tyler e o acertou um soco.
_Droga Freddie! — gemeu — Isso não vai ficar assim! Peguem ele! — ele ia meio cambaleante para outro lado, se retorcendo de dor, afinal Freddie descontara toda sua força naquele soco.
Sam viu que os garotos estavam se aproximando deles e ela se aproximou dele, novamente o abraçando, ele apenas a soltou. Os garotos fizeram uma rodinha ao redor de Freddie e começaram a socá-lo. Sam não conseguia se mover, parecia que seus pés haviam se colado no chão.
Queria tentar tirá-lo do meio daqueles garotos para poderem fugir o quanto mais rápido. Enquanto ficava parada os garotos só aumentam ainda mais a força para bater nele, Sam viu até um pouco de sangue escorrendo pelo chão, e então conseguiu olhar ele nos olhos, e parecia que ele queria que ela fugisse, era como se ela entendesse o olhar dele.
Achava que isso iria ajudá-lo, pelo menos poderia atrair a atenção do grupo, então criou forças, respirou fundo três vezes e começou a correr a caminho de sua casa e depois a única coisa que pode escutar foi o grito de Tyler alegando que a garota havia fugido.
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