Meu Melhor Amigo
2 Episódio 2
O MEU MELHOR AMIGO – Episódio 2
Entrei então naquela casa. Eu devo admitir. Ela era gigante. No entanto, eu me senti mais sozinho do que já estava quando comecei a subir as escadas rumo ao meu quarto. Era um local frio. Eu estava me sentindo vazio. Um garoto de dezesseis anos se sentindo tão frágil daquela maneira? Era isso o que os meus amigos iriam dizer. No entanto, eu não me importava de me sentir daquela maneira. Eu não me importava de me sentir frágil daquela maneira.
A minha cama ficava ao lado da janela que tinha vista para toda Danger Hill. Devo dizer que aquela cidade não era uma das mais feias. Vi ao longe muitas montanhas e colinas. Diferente de Saint Flower onde o lugar era todo coberto por lagos frios e florestas e mais florestas. Eu me senti solitário naquele momento. Uma solidão que vinha de dentro.
Eu não havia falado com meus amigos desde quando eu saí do hospital. Eu não me despedi deles como o meu pai havia dito. Digamos que eu não era muito bom com despedidas. Eu sofreria mais. Acredite em mim.
Naquele momento, minha irmã entrou em meu quarto. Na verdade, apenas ficou na porta, me olhando.
— Ei.
Olhei para ela. Eu estava debruçado sobre a janela.
— Está sendo difícil pra mim também.
Não consegui me segurar e sorri com um deboche.
— Nossa. Que difícil. Você está na faculdade, Jessica! Não importa a cidade.
— Sim mas... eu tinha amigos em Saint Flower, Daniel. Eles eram legais. Acredite em mim. E também, eu nem sei se eu vou continuar frequentando a faculdade de lá.
— Como assim não vai? Ficou maluca?
— O papai e a mamãe disseram que é melhor largarmos de vez as nossas raízes. Eles querem que eu vá para Kill Dust City terminar meus estudos.
— Eles perderam a cabeça, Jessica! Nossos pais ficaram paranoicos.
— Eu não acho que eles estejam totalmente paranoicos, Daniel. Na verdade... eu até concordo com eles de alguma forma.
— Concorda? Como assim?
— Vamos cair na real, Daniel? Aquelas pessoas daquela cidade... todas elas eram... abutres. Não eramos felizes lá. Nunca fomos. Eu nunca fui.
— Eu era. Eu tinha amigos lá.
Jessica riu debochadamente.
— Amigos? jura? Aqueles que fizeram você quase ser morto?
— Não vamos falar disso.
— Sim, eu vou falar. Porquê você é meu irmão e eu me preocupo com você. – Ela fez um silêncio arrebatador. – Daniel, o que aconteceu com Jason... foi idiotice. Ele procurou a morte com as próprias mãos. Vamos ser realistas. Aquelas pessoas nunca foram santas. O que elas fizeram com você... você se lembra? No oitavo ano do Ensino Fundamental?
— Não vamos falar sobre isso, Ok? eu acho que tá na hora de você sair, Jessica. Eu quero só ficar sozinho, tá? E não se preocupe. Eu não vou pular a janela ou nem fugir e voltar pra minha cidade. Eu me perderia aqui de qualquer maneira.
Ela saiu silenciosamente. Eu sabia que ela estava certa de alguma maneira. No entanto, eu queria guardar aquela afirmação para mim mesmo. Muita coisa tinha acontecido. Jessica estava certa. Meus amigos eram má influência. No entanto, eu gostava deles. Havia boas pessoas em Saint Flower. Mesmo aquela cidade estando cheio de pessoas de merda.
{...}
O dia havia começado. O grande dia. Sabe aquele primeira vez de aula onde temos borboletas no estômago? Sim, eu estava me sentindo daquela maneira. Só que pela primeira vez. Na verdade, seria a primeira vez que eu estava em um lugar diferente, conhecendo pessoas diferentes. Tudo mudou para mim. Minha rotina que era intacta a muito tempo, minha paz, já que Danger Hill era silenciosa demais e isso meio que me perturbava. Não, você não entendeu errado. Danger Hill era silenciosa. Eu não estava acostumado aquilo. Eu estava acostumando a ouvir o som e festas de meus vizinhos naquelas noites. Tudo o que eu podia ouvir em Danger Hill era o barulho de grilos e pombas voando pelas pontas das casas e nos telhados. É... pode me chamar de louco. Pode ser que eu tenha mesmo algum problema afinal de contas.
{...}
Eu entrei no portal daquele colégio. Eu me deparei com uma pequena rampa de descida, que dava para a diretoria e um corredor em frente a grandes árvores e grandes plantas. Olhei para o meu lado esquerdo, e vi mais plantas e mais árvores. Dessa vez, no entanto, havia um pátio pequeno onde havia quatro bancos. Realmente, aquele lugar não era ruim afinal de contas. Bem vindos a Danger Hill High.
O sinal havia tocado. Todos os alunos estavam entrado em suas salas. Eu estava perdido naquele imenso colégio. Me senti em um labirinto. Até que por fim, eu havia encontrado a minha sala. A primeira sala a esquerda do Segundo Ano. Estávamos no mês de Maio de 2012. Eu, e todas aquelas pessoas que eu conheceria a seguir.
{...}
Eu não queria. Eu não queria entrar naquele lugar. Não queria olhar para o rosto daquelas pessoas. Eu estava com medo. Estava com medo do que elas iriam pensar de mim. Sim, eu era um idiota. Eu não agia de acordo com os meus sentimentos. Eu agia de acordo com o sentimento das outras pessoas. Eu precisava mudar isso em mim. Rapidamente.
Eu então tomei coragem. Suspirei profundamente e entrei.
— Olá. – Olhei para o professor. – Eu sou o novo aluno do segundo ano.
— Ah, sim. Qual o seu nome? – Perguntou ele.
Eu olhei para todos eles. Olhei para todas aquelas pessoas que estavam na sala de aula. Alguns estavam rindo, alguns estavam surpresos em me ver, alguns estavam cochichando. Eu estava... literalmente envergonhado com tudo aquilo. Eu queria sair dali e voltar. Seria possível? Seria possível voltar para a vida que era antes?
— Qual é o seu nome? – Ele perguntou mais uma vez. Eu estava distraído olhando para dentro de mim mesmo e de meus pensamentos.
— Ah... sim. Desculpe. Meu nome é Daniel Feneghan.
— Pode se assentar.
Então, eu andei lentamente em direção a primeira carteira da primeira fileira. Merda. Eu não queria ficar la na frente, com todas aquelas pessoas me olhando. Sentar atrás seria melhor. Acredite em mim. As pessoas não iriam te observar ou nem te julgar. Era isso o que eles estavam fazendo. Me julgando.
{...}
Eu lentamente abri o meu caderno e foquei na aula. Aquela sensação estava sendo horrível. Eu podia pular aquela parte logo? Naquele momento, eu queria que o tempo avançasse uns cinco meses. Eu precisava disso. No entanto, não avançou. O tempo continuou ali, parado. Me dando um castigo. Ele queria que eu vivenciasse aquele momento. Eu podia ouvir as suas palavras sussurrando em meu ouvido dizendo:
— Se vira, filhote. A vida é assim. Aceita.
E eu aceitei. No entanto, naquele dia, quando deu o intervalo entre os períodos e eu saí, eu fui surpreendido na porta da sala por todos aqueles garotos. A maioria deles que haviam dado risadinhas insignificantes sobre mim. O que aquele pessoal queria?
— Olá. Tudo bem?
— É... sim.
— Então, permita nos apresentarmos. – Disse uma garota com cabelos loiros. – Meu nome é Sarah. E esses aqui são meus amigos.
Eu então fui apresentado a cada um daqueles alunos. Eu fiquei de certa forma espantado com a gentileza de todos eles. Será que eu estava enganado afinal de contas? Será que eu estava vivendo na minha própria paranoia? Eles se demonstraram legais. Se demonstraram divertidos. Eles me levaram para aquele pátio rodeado por plantas. Estava vazio, para o meu espanto. Eles... conversaram comigo. Eles contaram praticamente todas as suas vidas.
Estava lindo demais para ser verdade. Ninguém era assim tão amigável. Parte de mim queria continuar sorrindo para eles e conversando. Parte de mim queria continuar me divertindo. No entanto, algo em minha cabeça havia me dito bem profundamente:
— Acorda, garoto. Isso não é real. Se afaste dessas pessoas. Elas irão te fazer sofrer. Acredite em mim.
E elas fizeram. Cada um deles. Mas isso foi acontecendo devagar.
{...}
A sala era inteiramente legal. No primeiro dia, eu havia voltado para casa totalmente animado. Adicionei todas aquelas pessoas em minhas redes sociais. No segundo dia, foi mais divertido ainda. No entanto, a medida que os dias iam passando e a medida que eu já estava totalmente enturmado naquela sala, vivendo uma nova vida e fingindo que aquela vida antiga nunca tinha acontecido, eles iam mostrando as suas verdadeiras faces. Danger Hill mostrava aos poucos a sua verdadeira face.
As confusões entre cada um daqueles alunos havia começados. Pessoas inimigas uma das outras, indiretas insignificantes e brigas. Muitas brigas e muitas confusões. Patadas e mais patadas. Os professores não eram assim tão amigáveis também. Eles fingiam que nem olhavam uma confusão. A sala era totalmente divida em uma espécie de zona de guerra. Eles não aceitavam uma as outras pelo que elas eram. Eles tinham uma resposta para tudo. Eles criticavam cada coisa que você fizesse. Não demorou muito até... eu me tornar o mais odiado da sala inteira. Eu não era para eles agora o mais divertido, o mais legal. Eu era... o esquisito. O que gostava de desenhar no canto em vez de dançar, cantar ou praticar aqueles esportes sem graça. É... tudo estava horrível. E não iria melhorar.
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