Notas iniciais
Esse capítulo contém crossover com personagens e referências da série literária THE DARK GIRL, produzido pela Dreaming.

MEU MELHOR AMIGO – Episódio 3

O sol havia me acordado. Antes de abrir totalmente meus olhos, eu torci para estar em meu quarto, em Saint Flower. No entanto, eu não estava. Eu estava ali. Em Danger Hill, em meu quarto depressivo como sempre.

Eu estava pronto para ter um dia daqueles. Um dia sendo o odiado de toda a sala de aula. É... ninguém gostava de mim naquela escola. No entanto, eu não me importava. Eu tinha coisas mais importantes pra fazer. Eu precisava me concentrar em meus estudos e em minha faculdade. Era só colocar um fone nos ouvidos e aquela chatice e a infantilidade daquelas pessoas desapareciam. Eu não sei porquê eles eram daquela maneira. No entanto, eu não tentaria descobrir. Eu então resolvi deixar todos eles de lado.

Aos poucos, eu fui conseguido mudar de lugar naquela sala imensa e maldosa ao mesmo tempo. Consegui parar na última carteira, no canto da parede. É... ninguém iria me perturbar naquele lugar.

{...}

Os dias iam passando. Eu, sozinho naquele colégio na hora do intervalo, sendo o último a ser escolhido para o time de um esporte... sendo o último a ser escolhido para tudo.

— Então, pessoal. – Chegou o professor de Artes. – Como vocês sabem, o Show de Talentos está chegando. E eu pensei que poderíamos, além das apresentações solo, fazermos uma apresentação em grupo. A sala inteira. O que vocês acham?

Todos sorriram e riram. Não vou mentir. Eu também fiquei animado. Por esse motivo, eu ouvi eles conversarem de longe. Ouvi eles falarem sobre uma peça de teatro. Minha animação naquele momento ficou totalmente acima de minha preguiça daquela sala e daquela cidade.

— Quem vai participar? – Perguntou o professor.

Eles então começaram a dar seus nomes. Devo dizer que foi toda a sala. No entanto, quando eu comecei a dar meu nome para a apresentação, eu não prestei atenção. Mas, aqueles alunos me olharam de um jeito não muito agradável. Aposto que eles estavam pensando: O que esse garoto está caçando aqui? Aposto que ele não sabe nada de Arte.

Terminei de dar meu nome naquela lista e eu voltei para o meu lugar. Naquele momento, uma garota, na qual eu não lembrava o nome veio para mim e disse:

— Não sabe no que está se metendo. – Sim, seu nome era Rachel. Agora eu me lembrei.

— Como assim?

— Essas pessoas dessa sala. Eles não são pessoas que devem ser chamadas de amigas. Todos eles são idiotas. Eu falo sem medo algum.

— Pensei que você gostasse deles. Você até ri e brinca com suas piadas...

— É tudo encenação, garoto. Se enxerga. – Realmente ela falava a verdade na cara. – Essa gente... esse pessoal... abre teu olho e fica afastado deles. Aproveite que eles não ligam pra você e fica na sua. Eu não posso ter a mesma sorte.

Eu não disse nada. Fiquei apenas em silêncio. Eu acho que era melhor. Debater com Rachel não parecia ser uma tarefa muito agradável.

{...}

O fato é que Rachel estava certa. Aqueles alunos... não eram gentis, não eram agradáveis... na verdade, eles não eram nada de bom. No dia seguinte, eu entrei na sala. Fiquei surpreso ao saber que não tinha ninguém naquele lugar. Eles estavam ensaiando para a apresentação. Sem mim? sim, por que não?

Naquele momento, eu fiquei confuso. Fiquei rondando o colégio durante um bom tempo. Até que por fim, eu havia entrado na sala e havia visto eles. Os artistas maravilhosos.

— Porquê... vocês não estão me esperaram? – Perguntei.

Eles pararam. Todos olharam para mim. Inclusive aquele merda de professor de Artes. Eu vi o desconforto em seus olhos. Eles não queriam que eu estivesse ali. Eles não gostavam de mim. Eles... droga.

Eu já havia percebido que eu havia gastado demais minha cota de humilhação. Eu tentei me aproximar deles, tentei fazer amizade... mas não deu certo. E isso por que? Porquê eu era para eles um encosto. Na verdade, eu acho que eles estavam certos afinal de contas. Eu era muito esquisito. Eu... eu não estava me sentindo legal naquele dia. Pra falar a verdade, aquele sentimento ainda bate forte em mim negativamente mesmo depois de tanto tempo.

{...}

Eu entrei naquela biblioteca. Fechada, e escura. Era o único lugar que eu queria estar. No entanto, fiquei surpresa em encontrar Rachel, escolhendo um livro no fundo do local.

— É... você estava certa. – Ela olhou para mim meio com espanto. – Me desculpe.

Rachel era uma garota bastante bela. Ela tinha longos cabelos cacheados, era meio gótica mas apenas na parte da blusa e da calça, e o resto usava roupas coloridas, na maior parte do tempo. Eu não sei bem descrevê-la. Sei apenas que eu não conseguia encará-la. Ela foi a única que tentou me avisar daquele pessoal.

— Sim, eu estava. – Ela foi fria.

— Espere... só isso?

Ela se dirigiu em direção a bibliotecária para registrar o livro.

— Ué, o que você espera que eu diga mais? Você errou. Foi idiota não confiar em mim. Mas, naaaão. Preferiu escolher seus “amiguinhos”. Que bom que você caiu na real. Até mais. Tenho que organizar a minha apresentação para o Show de Talentos.

Ela se dirigiu para a porta de saída. No entanto, fiquei curioso e perguntei:

— Espere. – Ela se virou. – Eu achei que você fosse atuar com eles.

Ela riu debochadamente. Em seguida, disse:

— Não. Eu não sou masoquista igual a você. Eu estou fazendo um trabalho com meus amigos. E eles não são daquela sala. Nós vamos fazer uma apresentação musical. Agora, se me dê licença, eu preciso achar um vocalista para nosso show. Estou ficando p da vida com isso já. Te vejo na sala sofrendo bullying.

— Espere!

— Argh. O quê?

— Eu... não precisa achar um vocalista. Já encontrou um. Eu! Eu posso cantar.

Ela riu debochadamente mais uma vez. No entanto, quando ela viu que eu não estava brincando, ela disse:

— Espere, aí! Está falando sério? Você canta?

— Sim. Eu canto. Quer dizer... cantava. Fiz algumas apresentações na minha escola antiga. Eu acho que eu ainda mando bem. – Nossa. Eu estava realmente confiante. Isso não era ruim.

{...}

— Oi gente! – Rachel me levou para dentro de uma sala de música. Eu nunca havia visto tantos instrumentos juntos. – Achei nosso vocalista. Esse aqui é o Daniel. Ele é da minha sala. Vocês sabem, aquele cara bobo que eu falei.

— Ei!

— Esperem... você é o Daniel? – Perguntou uma garota de cabelos cacheados e de vestido meio que colorido demais.

— Sim. Por que? Quem é você?

— Meu nome é Carla. Eu sou da terceira sala do segundo ano. E... eu pergunto porque Rachel nos falou muito sobre você.

Olhei para Rachel meio sério.

— Falou, é?

— Sim. – Rachel não deixava de ser meio enxerida, não é? – Eu disse para elas o que aquela sala de merda estava fazendo com você. O que estão fazendo, na verdade.

— Garoto, não se preocupe. Você não é a única pessoa que sofre com isso. Eu e Amanda odiamos aquele idiota do Hilgner.

— Quem... quem é Amanda?

Elas ficaram em silêncio por algum segundo.

— O que... o que aconteceu?

— Nada. É que... Amanda é nossa amiga. – Disse Rachel agora com uma tristeza imensa em seu olhar. – Ela... está no hospital. Foi atropelada.

— Nossa. Eu... eu sinto muito.

— Ela vai ficar bem. Tem um cara muito bacana cuidando dela, lá. Vamos fazer essa apresentação por ela. – Carla não parecia ser tão ruim afinal de contas.

Depois que aquele momento, meio que triste ficou no ar, Rachel disse finalmente:

— Mas... vamos ensaiar, não é? Os outros estão vindo, Daniel.

— Ok.

— Queríamos ouvir você cantar antes de começarmos o ensaio. Não vou bancar a falsa pra você igual aquele pessoal idiota da nossa sala. Se você não cantar bem, eu te chuto daqui. Não tô nem aí para os seus problemas.

— Tudo bem, tudo bem. Eu... eu só preciso de um microfone.

Rachel então pegou um microfone sem fio que estava em cima de uma cadeira e jogou pra mim. Eu quase o deixei cair. Ainda bem que aquilo não aconteceu.

O resultado de tudo aquilo foi eu subindo em um palco pequeno e olhando para Rachel e Carla. Devo dizer que eu fiquei um pouco nervoso demais. No entanto, eu teria que começar a cantar.

{...}

O sol estava quente. No entanto, estava ventando forte. Naquele momento, ele desceu aquela rampa da entrada do colégio. Em seguida, ficou meio perdido. Primeiramente, ele andou até o bebedouro. Estava com sede depois de andar um longo caminho. Tinha chegado atrasado. Os ônibus já haviam partido. Ele teve que percorrer metade de Danger Hill apé. E o pior de tudo, ele estava perdido. Era o primeiro dia dele naquela cidade. Havia chegado ali pela manhã na casa de sua avó. Não teve tempo de ir para a escola mais cedo.

— Ah, céus. Onde será que fica o segundo ano? Eu não posso levar suspensão logo no meu primeiro dia de aula por causa do meu atraso.

Naquele momento, confuso, tentando saber o local da sua nova sala de aula, ouviu ao longe uma voz. Uma voz de um cara que estava cantando. Sim, era eu. Eu estava cantando. E bem nervosamente, para ser mais sincero. Eu fechei meus olhos e soltei minhas cordas vocais com toda a força. A música era Fight Song de Rachel Platten. Devo dizer que ele seguiu a minha voz até aquela sala. Não sei ainda o porquê.

Quando eu abri meus olhos, depois de perder um pouco o nervosismo, eu vi elas. Rachel e Carla, com os olhos arregalados. Elas estavam de... bocas abertas? Nossa. Eu eram tão bom assim? ou tão mau? Sei lá, a cara delas era difícil de identificar.

Não só a dela mas dele. Ele abriu a porta e logo, eu virei o rosto. Eu então o vi. Um cara completamente desconhecido, que havia puxado o pessoal da apresentação do meu grupo. Naquele momento, ele não conseguiu segurar seu sorriso. Ele estava surpreso com minha voz. E eu? Eu estava totalmente “o que eu estou fazendo aqui em cima?”

Notas finais
Esse episódio citou personagens e partes da história de THE DARK GIRL. Para saber mais da história, e conhecer mais sobre a personagem Carla e seu envolvimento com Amanda, peço que leia se quiser aprofundar mais na narrativa. No entanto, é apenas uma ligação das duas histórias. A história THE DARK GIRL não afeta de nenhum modo essa história.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.