Meu Melhor Amigo

3 Você só precisa aceitá-lo


Notas iniciais
Bom, mais um capítulo, já que uma pessoa me "obrigou" a postar... Espero que mais pessoas me "obriguem" assim.. kk Boa leitura.

Minha cabeça dói um pouco. A discussão com a minha mãe não foi nada boa. Cheguei em casa às 1:00h da manhã e ela sabia que eu tinha saído. Eu não estava com muita paciência para discutir, então só concordava com tudo o que ela dizia, mas ela achou que estou debochando da cara dela e só piorou a situação. Agora, estou confinado por um mês.

Não sei se isso é ruim. Eu estava precisando de um tempo para pensar. Meu rosto deveria estar horrível, depois de uma noite sem dormir. Eu simplesmente não consegui dormir, nem um pouco. Toda vez que fechava os olhos, uma imagem vinha em minha mente, a imagem de um Eduardo falando: “E se eu gostasse de você?”

Tudo ainda parecia um emaranhado de sentimentos amontoados e confusos. Eu não consegui definir o que era aquilo que se passava dentro de mim. Medo. Desconfiança. Nervosismo. Dúvida. Só confusão. Tudo era culpa dele! Que tipo de pessoa é seu amigo por praticamente quatro anos pra depois dizer que gosta de você? Ninguém.

Mas eu ainda não tinha pensando realmente no que faria ao encontrá-lo de novo... Que droga! Eu não sabia o que fazer. Nesses momentos eu deveria pedir ajuda... Mas o único que me entende é o Eduardo, não há ninguém que me entenda melhor. Porque ele me causa essa sensação tão estranha? Como se a ideia de tê-lo longe fosse ruim o suficiente para me fazer tremer.

Eu não podia gostar dele. Se eu gostasse, já teria percebido. Claro que eu nunca namorei ninguém, nem me senti atraído por nenhum dos dois sexos. Acho que não me importaria em ser... Não! Eu não posso ser gay... Parece errado.

Porém meu coração bateu mais forte quando Eduardo falou aquilo e eu sinto como se parte de mim sempre quis que ele falasse aquilo. Toda vez que ele pulava em cima de mim e me olhava com aquela cara meio safada e eu queria que ele me beijasse... Para! O que eu estou falando? Devo estar louco.

Será mesmo que tudo isso estava acontecendo? Não podia ser verdade. Eduardo era só meu melhor amigo, meu protetor, meu arranjador de encrencas... Ele era tudo para mim. Tudo, menos meu amor. Ele não podia ser meu amor. Não. Isso não está certo. Um homem com outro homem... Não deveria existir.

–Você está bem? –alguém pergunta e levanto um pouco a cabeça só para ver Lizzie entrar no quarto e sentar na cama.

–Eu aguento ficar um mês trancado. –eu respondo e tento sorri, mas sei que não parece convincente.

–Eu sei muito bem que aguenta. Embora saiba que você sempre vai dar um jeito de fugir. –ela fala e sorri, mas ao me olhar volta a ficar séria. –Você está horrível.

–Obrigado por lembrar. –falo e levanto para sentar ao lado dela.

–O que foi? Você bebeu? –ela pergunta e eu abaixo a cabeça para não olhar diretamente para ela.

–É claro que não. –respondo e ela faz algo bem estranho, ela me abraça.

–Que bom. Mas quando estiver pronto para me falar... Vou ser sempre sua melhor irmã mais nova. –ela fala e eu sorrio. Ao ver seus olhos castanho-claros uma culpa assume minha cabeça, como se fosse minha obrigação contar para ela. Mas não posso.

–Claro. Você é a única irmã que eu tenho mesmo. –falo sorrindo e ela levanta.

–Não pense que por isso esqueci a vingança. Ela está sendo preparada. –ela diz e vai embora. Não estou com muita disposição para descobrir o que ela está armando.

Eu levanto da cama e quase me assusto com a imagem que vejo. Como eu estou acabado! Ao me ver no espelho, percebo a gravidade da minha situação. Meu cabelo castanho escuro parece ter servido de abrigo para alguns animais pela noite, meus olhos azuis pareciam mais escuros que o normal e os meus lábios pareciam uma pedra rachada de tão ressecados.

–Eu preciso de um banho. –digo e me dirijo ao banheiro.

Debaixo do chuveiro, continuo pensando no que fazer. Eu precisava esfriar um pouco a cabeça, mas parecia que ali era o melhor lugar para pensar. Mas a indecisão continua me abalando, eu não sei o que sinto pelo Eduardo. Eu realmente não sei.

Depois de já estar pronto e com uma aparência um pouco melhor vou até o meu canto preferido em toda a casa, a varanda que fica de frente para a rua da entrada. Lá o vento batia mais forte e nesse horário, pela manhã, o sol ainda não chegava.

Sento no chão da varanda, que fica no segundo andar, e encosto na parede. Eu precisava encarar os fatos. Primeiro, Eduardo era gay. Não importa o tempo que ele passou com a Victoria, ele era. Segundo, ele gostava de mim. Certo, éramos amigos há muito tempo e muito próximos. Mas o terceiro fato não chegava. Esse fato deveria ser o que eu sentia por ele, e eu não tinha a mínima ideia.

–Você com certeza tem algum problema. –fala Lizzie e senta do meu lado. Parecia que estava decidida a descobrir o que queria.

–Tudo bem, eu tenho um problema. Mas não posso falar... –digo e ela faz uma cara aborrecida. –É muito estranho e constrangedor.

–Eu sou sua irmã. –ela diz e era verdade. Mesmo com todas as discussões, Lizzie era a pessoa mais próxima a mim, depois do Eduardo.

–Você já namorou, Lizzie?-pergunto para começar o assunto.

–Eu achava que o problema era com você. –ela responde e eu viro para ela com raiva, ela queria ou não saber? –Sim, já namorei.

–Eu não sabia disso. Mas isso não vem ao caso. –falo e tento achar as palavras para a pergunta. –Ele era seu amigo antes de começar?

–Não por muito tempo, nós nos conhecemos em uma festa da escola. Ficamos conversando por algumas semanas e depois começamos a namorar. –ela responde. Eu olho para o horizonte, sem fixar o olhar em nenhum ponto específico, eu só não queria encará-la nesse momento.

–Ok. Mas se você tivesse um amigo que está com você por anos. Você não acharia estranha a ideia de que esse amigo de repente gostasse de você?-eu pergunto. Posso ter deixado claro demais, porém não me importo mais com que ela saiba ou não, do que se trata. Ela só tem que me responder.

–Nem um pouco. –ela responde.

–Mas ele é seu melhor amigo. Conquistou sua confiança por tanto tempo e passaram muito tempo juntos como amigos. Admitir que gosta da pessoa não é um modo de acabar com toda essa amizade e começar tudo de novo? –pergunto e ela sorri.

–Nunca. –ela responde eu vejo uma Lizzie que nunca vi antes, uma Lizzie amiga. –Se ele é seu amigo. Se vocês confiam cegamente um no outro e já se conhecem tão bem. O que impede vocês de se amarem?

–Eu não falei em amor. –eu digo rapidamente e vejo na rua o carro do meu pai estacionando.

–Você entendeu. –ela fala e segura na minha mão. –Luke, ele não é só seu amigo. É seu melhor amigo, você sabe o que isso significa? Que você o ama. O amor entre amigos sempre existe, resta a vocês descobrirem o quão grande ele é.

–Como você sabe que é meu melhor amigo?-eu pergunto e já tenho certeza que ela sabe de quem eu estou falando.

–Eu também tenho um melhor amigo. Só que ao contrário do seu, é do sexo oposto. –ela diz e meu coração aperta. Ela não precisava dizer tão alto que eu poderia estar gostando de um garoto.

–E você trocaria essa amizade por um amor? Acha que vale a pena?-pergunto.

–É claro que vale. Eu o amo muito para falar a verdade, mas eu acho que ele nunca percebeu isso. –ela responde e é como se o sol resolvesse aparecer nesse momento só para me avisar que ele também podia brilhar em tempos escuros.

–Qual o nome dele?-pergunto.

–William. –ela responde. –Eu confiaria a minha vida a ele se precisasse. E quem melhor para amar do que aquela pessoa que sabe que se você errar, não vai te julgar. Se você acertar, vai estar do seu lado comemorando. Se você cair, vai dar a mão para te levantar. É um sentimento muito forte, Luke. O amor já existe, basta os dois quererem que ele apareça.

–Mas ele é um garoto. –eu falo e abaixo a cabeça.

–E isso muda alguma coisa?-ela pergunta.

–Você só pode estar brincando. –eu digo e ela ri um pouco.

–O amor não tem barreiras. –ela diz e sinto como se eu fosse o mais novo nesse momento. Uma criança aprendendo a amar. -Se ele existe, não são as diferenças de sexo, raça ou etnia que irão destruí-lo. Você só precisa aceitá-lo.

–Para você é mais fácil falar. –eu digo. –Não é você quem está nessa situação.

–Eu já disse tudo que podia. Só falta você decidir. –ela diz e levanta. –E você sempre vai ser meu irmão. Gay ou não.

As palavras dela tocam dentro de mim e fazem com que eu me lembre da mesma coisa que disse na noite passada. “Você é meu amigo. Gay ou não”, eu mesmo disse que não importava para ele, porque para mim importaria? Não deveria importar. Eu preciso ir falar como Eduardo, quem sabe com ele na minha frente eu possa finalmente entender o que eu realmente sentia por ele.

Eu levanto do chão e desço as escadas em direção à cozinha. Quando estou na metade da escada, vejo que tem alguém na porta. Eu quase caio quando vejo que quem está lá é o Sr. Collins, pai de Eduardo. Meu pai está falando com ele.

–...Você entendeu?-pergunta ele ao meu pai.

–Claro. –meu pai responde e ele olha diretamente para mim.

–Eu não quero mais ver o meu filho andando com garotos como ele. –ele diz severamente e se retira.

Meu pai fecha a porta e também não tem uma expressão muito boa ao virar. Eu nunca o vi com tanto... Desgosto, essa era a palavra para o que ele estava sentindo.

–Vá para o quarto. –meu pai fala para mim. –Agora!

Eu subo correndo e entro no meu quarto. Não sei o que o pai dele falou para o meu, mas não parece ser muito bom. Nunca vi meu pai falar daquele jeito comigo. Será que ele... Não. Ele não poderia ter dito isso ao meu pai. Eu nunca falei que era gay. Nunca! Ele não poderia ter dito isso... Lizzie entra no quarto correndo.

–Luke! Corre! Corre! –ela grita e eu não me mexo. –Papai descobriu e eu não sei o que ele é capaz de fazer.

–Mas... Eu não fiz nada. –eu digo desesperado.

–O pai do Eduardo falou para ele que você era gay. E que foi você quem fez o Eduardo ser também. –ela me fala e o chão já não parece mais tão estável.

Ouço passos fortes subindo a escada. Eu não penso no que o meu pai pode fazer, eu só corro e saio pela janela. Tento descer o mais rápido possível, mas caio de uma altura um pouco grande ainda. Caio de costas no chão, mas a adrenalina faz com que a dor não chegue tão rápido. Levanto e corro. Não sei para onde, só sei que preciso sair daqui.

Notas finais
Preciso de encorajamentos para postar o próximo, espero que me ajudem... Mas antes... O que acharam? Posso adiantar que não vai acontecer o que vocês acham que vai... '-' kk