Meu Melhor Amigo

19 O amor não é uma droga


Notas iniciais
Hellooo, people... Voltei para vocês com esse último capítulo deles adolescentes (vai ter alguns erros porque a revisão não foi possível, avisem se possível). O próximo capítulo iniciará a próxima fase da fic, que trará os personagens como jovens adultos. Espero que gostem do capítulo e queria avisar que minhas aulas começaram, então não postarei com tanta frequência, não me abandonem viu, eu relutei muito em não abandonar essa fic. Mais palavras nas notas finais.

O dia do meu aniversário começa assim como qualquer outro. Eu não gostava tanto de festas, já que geralmente elas envolviam a família toda em um único lugar. Porém, dessa vez seria diferente. Meus pais haviam decidido fazer algo em família. Então, lá estávamos nós indo para o maior shopping da cidade para comemorarmos.

O plano era bem elaborado. Eu, meus pais, Lilly e Dale o dia todo no shopping. Primeiro, iríamos até o pequeno parque de diversões que havia dentro do shopping e passaríamos um tempo lá; logo depois, iríamos ao cinema assistir um filme ainda não decidido. Por último, duas horas no boliche programadas para serem de sete até nove horas da noite.

Uma boa programação considerando que eu não sabia de nada até um dia antes e que eu teria Dale ao meu lado. Eu já estava totalmente me acostumando com a ideia de ter Dale ao meu lado, nossas duas semanas de namoro só fizeram provar quanto o sentimento dele por mim é forte e verdadeiro, e eu sei que ele pode me fazer feliz. Ele, o que eu nunca mais mencionara o nome nem mesmo minha mente, continuava presente, com sua cutucada de dor diária, a dor de um buraco aberto em meu peito, um buraco que poderia até ser fechado, porém nunca permanentemente curado.

–Está pronto?-Dale aparece na porta para perguntar.

–Já estou descendo, me espera lá embaixo. –eu falo e ele desce.

Eu não queria estar sofrendo. Mas parecia que esse vazio nunca sairia, eu teria que aprender a conviver com ele. E eu iria, porque eu seria feliz com Dale, já estava decidido. Eu desço e encontro com Dale e Lilly no fim da escada. Dale está bonito demais, seu cabelo formava um pequeno topete meio arrepiado, sua camisa era vermelha com um decote v sutil e marcava bem seus músculos, usava uma calça meio justa na perna.

–Vamos?-ele diz e Lilly sorri. Ela vestia um vestido azul bem bonito e usava um sapato preto que ficava lindo nela.

–Vamos. –concordo e saímos da casa.

O caminho até o shopping é bem tranquilo. Meus pais conversam entre si na frente, enquanto eu, Dale e Lilly brincamos de contar piadas atrás. Quando chegamos, eu me sinto muito bem e feliz, parecia que seria um dia muito bom mesmo.

***

–Aonde quer ir por último?-Dale pergunta analisando mais uma vez o parque como um todo. Já havíamos brincado tanto. Hóquei de mesa, carrinho bate-bate, simulador de espaço sideral, basquete, tiros e até mesmo uma piscina de bolinhas.

–Eu não sei. O que pensa da montanha-russa?- digo. Era vermelha e verde, com cinco carros onde cabiam quatro pessoas em cada. Não era tão grande, é claro, mas ia a uma velocidade bem incrível.

–Eu não sei. Tenho um pouco de medo. –ele admite e rio da cara dele.

–Vamos. Eu te protejo.

Não é tão difícil levá-lo até a montanha-russa. Mas quando nós sentamos e abaixamos a proteção, ele começa a ficar realmente nervoso. Sua respiração fica forte e rápida, suas mãos tremem ao segurar a barra na nossa frente e ele fecha os olhos. Eu meio que rio dele, mas coloco a minha mão sobre a dele para dá-lo segurança. Ele abre um pouco os olhos e sorri.

–Eu posso te proteger. –digo.

A montanha-russa dá o seu primeiro impulso e eu vou completamente para trás. Ela sobe e depois dobra quase horizontalmente só para descer em uma velocidade que me dá um frio na barriga. Dale fica de olhos fechados, mas seu sorriso continua à mostra. Quando já estamos na última volta, ele abre os olhos e a única coisa que posso ver é a felicidade em seu olhar.

–Eu te amo, Luke. Feliz aniversário!-ele grita bem alto e eu rio muito.

–Eu também te amo, Dale!-grito de volta, grito para que todos ouçam, para que todos saibam. Para que eu mesmo perceba que não passava da verdade.

Ao sairmos do parque entramos direto na sala de cinema. Minha mãe comprou dois sacos de pipoca e dois copos de refrigerantes. Eu reparto metade com Dale e a outra metade fica com os outros. Eu não sabia qual era o filme, mas era em 3D. Acabou por ser o filme Os pinguins de Madagascar, provavelmente escolhido por Lilly.

Era um ótimo filme, engraçado e leve, como uma animação deveria ser para mim. Na metade do filme, eu decido que vou ao banheiro. Mesmo não vindo muito ao cinema, eu não demoro a encontrar o banheiro. Quando entro, meu coração para por um segundo. Parado na frente de uma das pias encontra-se Wayne.

–Olá, Luke. –ele diz e eu quase xingo por ele ter me visto.

–Olá. – eu digo e me dirijo a pia mais longe da dele. Ele me olha pelo espelho enquanto eu finjo lavar as mãos.

–Lembro que hoje é seu aniversário. Meus parabéns. –ele fala e sorri. Seu sorriso é forçado, quase com malícia. Eu sorrio de volta, mas a apreensão toma conta de mim. Eu não sabia o que fazer.

Ele pega os papéis para enxugar as mãos enquanto eu continuo lavando as minhas, esperando que ele vá. Ele faz cada movimento devagar e nunca tira os olhos de mim, eu também observo cada um dos seus passos. E quando ele está passando atrás de mim para ir embora, tudo acontece muito rápido. Eu perco um pouco da minha visão do espelho com o meu reflexo, mas consigo ver sua mão aparecendo e seu corpo aproximando, e quando dou por mim de novo, ele está encostado em mim com uma faca no meu pescoço. Sua mão livre aperta minha barriga e puxa-me para ele.

–A culpa é sua, sempre foi. –ele diz, seus olhos estão quase arregalados e suor escorre do rosto dele. Ele exala ira. O pior era que apesar de ter mais de quarenta anos, Wayne era muito forte, possuía um porte musculoso. Eu não conseguia me mexer nem podia. Minhas mãos querem tremer, mas eu as impeço, tenho que ficar calmo e pensar.

–O que eu fiz?-pergunto. Minha voz sai esganada, quase um sussurro.

–Você matou meu filho e levou o outro!-ele grita. –Eu passei a minha vida toda evitando passar qualquer tipo de herança desse tipo para qualquer um deles e você chega para estragar tudo. Você arruinou tudo!

–Espera. –digo mais seguro de mim. –Evitar passar esse tipo de herança?

–Sim. Luke, já que eu vou matar você, posso lhe contar. –ele diz sorrindo, eu nunca tinha lidado com um psicopata antes, mas era o que parecia. –Eu sou bissexual.

Minha cabeça parece explodir, é como se uma retrospectiva de todos os acontecimentos com Wayne passasse pela minha cabeça. Sua raiva, como ele reagiu, a minha tendência de culpá-lo de tudo... Ele tinha que ter uma razão, e ela estava ali.

–Não consegue falar nada, não é?-ele fala e sinto ele se apertar contra mim mais forte ainda, até sentir um toque estranho na base das minhas costas. –Você gostaria, Luke? Gostaria que eu lhe comesse?

–Do que você está falando?-digo e começo a me desesperar. Ele me empurra fortemente contra a pia e encosta a faca no meu pescoço. Eu engulo em seco.

–Fique quieto, ou lhe matarei agora. –ele fala serenamente e eu fico parado. –É só ficar quieto, você só vai sentir como se eu tivesse lhe rasgando por dentro.

Eu fico nervoso, mas tento permanecer parado, tinha que pensar em algo. Ele tira a mão minha barriga e aperta ainda mais forte por trás, faz menção de que vai baixar a calça. Eu só teria uma chance. Ele teria que se afastar um pouco para baixar a calça, seria um único momento e eu teria que escapar pela esquerda, que agora estava livre. Ele se afasta o mínimo e vejo que tira por um segundo sua atenção da faca, é o momento que eu puxo todo o meu peso para a esquerda. Meu pé prende entre os dele e caio de lado no chão, todo o lado esquerdo do meu corpo dói, mas acho que não fraturei nada.

Eu preciso agir muito rápido, então já tento me levantar e tento chegar dentro de uma das cabines do banheiro. Wayne consegue segurar meu braço e vejo sua faca vindo em minha direção. Eu puxo meu braço com a maior força possível e consigo me soltar, porém nesse meio tempo sinto um corte percorrer meu braço esquerdo. Eu entro na cabine e tranco a porta. O corte vai desde o início do braço até o cotovelo e sangra bastante.

–Saia, Luke!-Wayne grita do lado de fora e bate fortemente na porta. Era uma porta com a fechadura fraca, não ia aguentar nem um minuto. Então a única coisa que me resta é gritar. Eu grito por socorro o mais alto que consigo e Wayne dá um último empurrão na porta para ela abrir. Ele está na minha frente agora, com a faca na mão e levantada na minha direção. E quando ele dá o primeiro passo para perto, eu só consigo fechar os olhos e falar:

–Eduardo e Dale, eu amo vocês mais do que tudo.

***

Uma eternidade havia se passado desde que Wayne me matara, ou eu achava que me matara. Eu continuava consciente, mas estava tudo escuro. Era possível que eu estivesse em coma? O que ele teria feito? Ou a morte é assim? Não, não pode ser. Sinto um toque na minha mão e tenho certeza que não estava morto.

–Luke?Já pode me ouvir?-consigo saber que é Dale. –Não abra os olhos agora.

Eu obedeço e começo a recobrar os sentidos. Mexo meus dedos dos pés lentamente e minha mão aperta a de Dale. Sinto seu peso sendo colocado onde quer que eu estivesse deitado e sei que ele está sentado ao meu lado agora.

–Pode abrir. –ele diz e eu abro. Ele está onde imaginei que estivesse, porém está sem camisa e a única coisa que consigo olhar é para o seu corpo magnífico.

–O que aconteceu?- eu pergunto automaticamente e tento sentar, mas Dale me empurra para permanecer deitado. Estou no meu quarto, mais precisamente, na minha cama.

–Bom, você estava lá no banheiro enfrentando o Wayne e tudo. Mas quando ele estava preste a atacar para matar, eu e o seu pai chegamos e conseguimos segurá-lo e imobilizá-lo. Você desmaiou. –ele fala e sorri torto para mim.

–O que aconteceu com ele?-pergunto.

–Ele vai ficar preso, é claro. E por um bom tempo. –ele diz e consigo sorrir um pouco, apesar de sentir um pouco de pena dele. No fim, ele só queria o bem dos filhos, mas foi pelo caminho errado.

–Você precisa descansar. –ele diz para mim.

–Não acho que eu possa conseguir qualquer coisa vendo você assim. -ele ri de mim e se aproxima. Seus lábios tocam os meus e me envolvo em um beijo feroz. Ele vem com intensidade pra cima de mim. Uma das minhas mãos toca sua nunca e a outra aperta fortemente suas costas.

–Você precisa descansar. –ele diz se afastando apenas o suficiente para que eu possa respirar e sentir seu cheiro doce e suave. –Devemos tratar dos seus problemas de atenção depois.

Ele se levanta e eu sinto um bico se formando em mim. Eu não queria que ele fosse embora, eu queria continuar aquilo. Mas teria que esperar, quem sabe não muito. E nesse momento, eu consigo responder a pergunta há muito na minha mente.

Dale era meu novo amor, eu nunca tinha o amado antes do Eduardo, só achava que sim. Mas agora era certo, e eu estava viciado. Ele havia se tornado a minha droga e eu estava viciado. Sua boca, seu cheiro, seu corpo, tudo nele eu queria para mim. Mas não era isso que fazia com que eu o amasse. O amor não é uma droga, é um livro, que quanto mais você vai adentrando na história e conseguindo os detalhes mais você se entrega. E eu estava começando a entender que a história do amor de Dale fora construída para que eu me entregasse totalmente.

Notas finais
O que acharam? Algumas revelações e tudo. Espero que tenham realmente gostado e espero que comentem também. Até o próximo. Lembrando: Eduardo vai voltar. :)