Meu Melhor Amigo
1 Faça tudo. Menos colocar tinta no cabelo de uma menina.
Notas iniciais
–O que acha que está fazendo?! –grita Lilly e eu corro pelo corredor e entro no meu quarto, trancando a porta.
–Espero que tenha ficado linda. –falo empurrando a porta com as costas só por garantia.
–Viado! Acha que esse cabelo é de quem?!-ela grita e bate na porta com tanta força que me faz lembrar o porquê eu fugia dela.
–Que foi? Toda garota tem o sonho de pintar o cabelo pela primeira vez... Eu só adiantei a realização do seu. –falo mais rindo do que falando.
–Não de verde! Agora, abra essa porta para que eu possa dar um chute que vai fazer você chorar pela mamãe!-ela bate de novo e eu tenho a impressão que a porta vai quebrar. Onde uma garota desse tamanho pode arranjar tanta força?
–Chute? Onde? Por que com o seu tamanho o máximo que pode alcançar é a metade da minha perna. –falo e a batida vem mais forte dessa vez, a porta vai quebrar...
–Abra essa porta, seu viado de merda. Aí você verá onde vai ser o chute... –ela fala e sinto o ar diabólico na sua voz. Sei que esse demônio ia me matar se eu abrisse a porta.
–Se eu abrir a porta, vai deixar eu ver antes de me matar? –pergunto sorrindo.
–É claro. –ela responde e para de bater na porta, incrível como ela pode mudar de demônio para garotinha de doze anos.
Eu me afasto da porta e deixo o silêncio perdurar por mais alguns segundos e finalmente destranco a porta, mas não ouso abri-la. Me afasto da porta com uma certa relutância. Será que ela finalmente desistiu?
–Idiota! –ela dá um chute e faz a porta abrir em um instante. Ela corre e eu não tenho reação alguma. –Toma essa!
–Aaaaaaaaaaaaaaaaah. –grito caído no chão. Aquela maldita atingiu aquele pé no meio das minhas pernas.
–Espero que tenha doído mais do que aparenta. –ela fala e uma lágrima de dor escorre pelo meu olho.
–Sua... Vadia... –falo e finalmente abro os olhos e não tenho como não rir de ver ela de toalha com o cabelo verde.
–O que você disse? –ela fala abaixando a cabeça para mais perto de mim, fazendo seu cabelo castanho (agora, verde) cair no meu rosto.
–Nada. –respondo sorrindo.
–O que está acontecendo aqui? –pergunta e vejo que minha mãe chegou ao quarto. –Meu Deus! O que você fez com o seu cabelo?
–Foi ele! –fala Lilly. Ela fez de novo! De novo! A mesma voz de criança inocente.
–Ontem, ela quebrou um dos controles do vídeo game. A culpa é toda dela. –respondo sentando no chão.
–Vocês dois estão de castigo. Uma semana. –decide minha mãe e sai do quarto.
–Isso é tudo culpa sua. –fala Lilly. –Você vai pagar por me fazer ficar de castigo nas férias. Você vai pagar, Luke.
–Vá sonhando, Lilly. –eu falo e ela sai do quarto batendo o pé.
Bem, meu nome é Luke Collins. Sou um garoto de 14 anos e vou para o primeiro ano do ensino médio. Lilly é minha irmã mais nova com 12 anos. Apesar de nossas brigas e desentendimentos, quando é necessário ajudamos uns aos outros, como quaisquer irmãos normais.
Estou no período das férias, por isso temos brigado mais do que o normal. Nossos pais já estão um pouco chateados com isso e pensam toda hora em nos mandar para a casa dos nossos avós até o final das férias. Eu realmente espero que eles desistam dessa ideia, se aqui já está chato, imagino na casa dos meus avós.
Minha mãe, Sara, é bem paciente, mas dura quando necessário. Seus cabelos são ruivos e seus olhos castanhos claros, ela é muito bonita e aparenta ser mais nova do que seus trinta e cinco anos. Já meu pai, David, é engraçado; ás vezes, até abestalhado, mas também é responsável e trabalhador. Os cabelos do meu pai são castanhos e seus olhos azuis são cobertos por um óculos comum.
Levanto e acho que o castigo não foi tão ruim dessa vez. Mesmo que tenha sido a minha mãe quem o tenha dado. Ás vezes, os castigos dela eram bem ruins. Uma vez, ela me fez limpar o banheiro, foi horrível.
–Você não pode sair. –fala meu pai entrando no quarto.
–O quê? Mas achava que podia pelo menos ir pra casa do Eduardo. –falo aborrecido e sento na cama.
–Não. Você sabe muito bem como são os castigos da sua mãe. –ele fala sorrindo e senta do meu lado. Tinha trinta e seis anos, mas também era muito bonito para a idade.
–É, eu sei. –comento e ele levanta.
–Depois eu te chamo para o jantar. –ele diz e sai do quarto.
Deito na cama e espero o tempo passar. Férias podem até ser boas para descansar, mas que depois de um tempo ficavam entediantes, muito entediantes. A única coisa que me livrava do tédio total era o Eduardo e as horas que passávamos juntos. Só se passaram duas semanas e ainda faltavam dois meses para o fim, eu não sei se aguentarei todo esse tempo em casa.
Ouço um barulho estranho como se alguém batesse no vidro. Levanto da cama e olho para lado. Lá está Eduardo, só com a cabeça aparecendo. Ando até a janela e não consigo deixar de sorrir. Ver meu melhor amigo na janela do meu quarto que fica no segundo andar, era realmente engraçado.
–O que você está fazendo aqui? –pergunto e dou a mão para ajudá-lo a subir.
–Sua mãe disse que estava de castigo e eu tinha que saber o que você aprontou com a Lilly e como ela retribuiu. –ele fala sorrindo e se joga na cama.
–Eu coloquei tinta verde no xampu dela e ela deu um chute naquele lugar. –eu falo deitando do lado dele.
–Verde? Você se superou. –ele diz sorrindo e ajeita seus cabelos loiros tirando alguns fios da testa.
Eduardo tinha cabelos loiros e olhos verdes. Essa combinação juntamente com sua pele branca o faziam ser o garoto mais bonito que conheço. Ele tem 15 anos e estuda na mesma escola que eu, só que está um ano na minha frente.
–O que acha de amanhã irmos para a festa do Ian?-ele pergunta.
–Você sabe que estou de castigo. –eu respondo e ele sorri olhando para mim.
–Eu sei. –ele fala e seus olhos me fitam com certo mistério, o que ele estava olhando?
–Não pense que porque é mais velho pode me influenciar tão facilmente. –eu falo e ele se joga em cima de mim.
–Eu posso. –ele diz e segura meus ombros com força.
–Você, com certeza, não presta. –falo e ele sorri. –Eu vou.
–Eu sabia que ia ceder. –ele responde e mesmo assim não me solta. Seus olhos mantém aquela expressão, não sei o que ele está pensando.
–Você... Acho que já pode sair de cima de mim. –eu falo meio intimidado.
–Ah. Claro. –ele diz e sai de cima, levantando da cama. –Eu já estou indo.
–Tudo bem. Então? Amanhã nos vemos? –pergunto, enquanto ele coloca uma das pernas para fora da janela.
–Sim. –ele responde e sem olhar para mim, desce rapidamente.
O que será que aconteceu? Ele estava agindo estranhamente. Será que a Victoria tinha feito alguma coisa? Ou ele tinha feito alguma coisa...
Tinha esquecido de comentar, mas Eduardo tem uma namorada que estuda na mesma série que ele. Seu nome era Victoria e ela tem 15 anos também. Ela é bem legal e bonita.
–Filho? –fala meu pai do lado de fora.
–Estou indo. –respondo e levanto da cama.
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