Meu Marido É ... Meu Professor
18 Capítulo 18 - Refeitório...
Notas iniciais
P.O.V Samantha :
Uma semana havia se passado desde o meu susto com o desmaio do Connor, ultimamente ele deu uma parada com as implicações e tudo mais... o que é muito estranho ao meu ver. Mas eu sinto que á algo diferente na nossa relação... não de marido e mulher, porque eu e ele não temos nada. Porém pressinto algo, algo bom.
Eu me encontrava na sala de aula, era aula de química, o professor Getúlio tagarelava mais para a parede do que para os alunos. A maioria dormia e outros conversavam, faziam de tudo, menos prestar atenção na aula.
Admito que nem eu estava conseguindo me concentrar, toda hora eu ficava olhando pela janela e vendo Connor dar aula de Educação física. Meu coração ultimamente anda acelerando cada vez mais só de ouvir seu nome. É muito confuso e isso me assusta.
Já estava na terceira aula, todo mundo aguardava ansiosamente para o sinal do intervalo tocar pelo colégio, restava somente alguns minutos. Quando o sinal soou, todo mundo levantou com pressa e saiu atropelando quem estava na frente.
Eu obviamente, fui a ultima a sair. Para ser bem sincera, o que eu mais sentia no momento se resumia por desanimo. E o triste de tudo é que eu não sabia o porque de eu estar daquele jeito...
Assim que desci pro intervalo, percebi que a fila da cantina estava enorme e lotada, então pedi para que um colega comprasse um sanduíche vegetariano e ele saiu furando fila. Geralmente a cantina é bem organizada, mas eu não sei o que está acontecendo hoje, está tudo tão estranho.
Logo que sentei em uma mesa vazia, meu olhar foi direto pra mesa dos professores, lá se encontravam todos... menos Connor. Eu o procurei por todo o refeitório, mas nenhum sinal de vida. Quando voltei a olhar pra mesa, percebi que Allan me secava. Senti meu rosto queimar de vergonha, no entanto, acabei desviando a atenção pra fila ainda lotada.
Pra meu azar, advinha quem acabou se sentando do meu lado. Tentei fingir estar mais interessada na cantina.
– Bom dia, Samantha. — ouvi a voz grave do professor de história.
– Hãm... bom dia. — permaneci com o olhar fixo no me colega.
– Porque tão sozinha, moça?
– Estou esperando um amigo... — menti... não totalmente, mas era a melhor desculpa que eu poderia arranjar.
Allan se calou por alguns segundos. E para o meu azar ele já sabia do que se tratava.
–Está esperando o seu namorado? – perguntou com deboche
Congelei ao ouvir a palavra “namorado” e o olhei indignada.
–Namorado?. Está louco?. – meu sangue começou a ferver.
– Ué... estou me referindo ao professor bombado que tanto te defende. – seu sorriso foi tão debochado que por um instante me perguntei se estava sendo zoada.
Quando volto a olhar ao meu redor, encontro Connor nos observando com seus olhos frios, sem expressar nenhuma emoção. Eu queria pedir praticamente socorro a ele, porém, havia muitos alunos no refeitório e provavelmente iriam desconfiar de algo... principalmente Allan.
Eu estava começando a pegar birra do meu professor de História, antes ele parecia ser tão legal , mas com o passar do tempo ele parecia muito idiota...não, ele ERA idiota. Mais idiota que o Connor.
–Hein?- ele me cutucou de novo.
– O que? – revirei os olhos.
– Você não respondeu a minha pergunta, fica toda hora olhando pra ele. – apontou até onde ele estava.
– E desde quando isso é da sua conta?. – sem querer acabei elevando a voz, o que chamou atenção de todos que estavam próximos de mim.
Pelo incrível que pareça, parecia até planejado. Como se Allan tivesse em mente o que iria acontecer caso eu explodisse. Acho que eu havia virado um pimentão com tantos olhos me observando. ” Porque isso só acontece comigo?” Pensei.
Para despistar os maus olhares, voltei a minha intenção pro prato mal tocado, só queria ficar sozinha e não com alguém me enchendo a paciência. Creio eu que o intervalo serve para isso também, se não for, agora será. Fechei os olhos e respirei fundo buscando um certo conforto em mim mesma.
Allan continuou tagarelando no meu ouvido, porém, dei um jeito de bloquear todos os tormentos e concentrei apenas no silêncio da minha mente.
–Samantha. – uma voz de fundo familiar me fez abrir os olhos novamente.
Assim que olhei pra cima me deparei com um par de olhos azuis me olhando preocupado e ao mesmo tempo indignado.
–Venha comigo. – Connor me puxou pelo braço – Anda, levante.
Obedeci aliviada.
–Para onde a vossa senhoria vai leva-la? – perguntou Allan sarcástico com a vista.
–Isso não é da sua conta. – Connor o fuzilou.
–Hum... vão trepar?
O olhei com espanto, não se diz isso pra uma aluna e um...professor. Principalmente vindo de outro professor... assim que ele havia dito a palavra “trepar” acarretou novamente vários olhares curiosos, só que dessa vez todos começaram a cochichar algo um para o outro.
Connor sorriu também sarcástico.
–Agora levar alunos para à Direção é errado? – Direção?. Será se eu havia feito algo de errado? Ou será se é mesmo um método dele me ajudar?. Mas desde quando ele me ajuda em algo?. – Quem parece aqui que está dando em cima de alunas desamparadas aqui “Vossa senhoria” é você. Então, tome mais cuidado, você não está falando com qualquer um.
Os alunos à nossa volta começaram a rir com a cena, admito que até eu deixei escapar um sorriso no canto da boca. Allan havia ficado para trás depois que Connor havia me puxado pra fora do refeitório.
Andamos pelos corredores quietos por um tempo. Minha vontade de perguntar se ele havia feito aquilo por mim aumentava a cada passo, algo me impedia. Não conseguia tirar os olhos dele, até sorri com a ideia de pensar se ele sentia o peso do meu olhar em suas costas.
Algo mudou... eu sinto que sim. Acho que estou... apaixonada.
I know there's something in the wake of your smile
I get a notion from the look in your eyes, yeah (...)
Listen to your heart when he's calling for you
Listen to your heart there's nothing else you can do
I don't know where you're going
And I don't know why
But listen to your heart before you tell him goodbye
Roxette — Listen to Your Heart
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