Meu Mais Doce Vício
1 Tu es ma came
Notas iniciais
Último aviso: essa fic contem relacionamente homoafetivo, não gosta, não leia. Pode criticar tudo menos a escolha do casal.
Milo’s POV
Será que existe alguém mais previsível no mundo que o Camus? Eu acho que não.
Todo dia é a mesma coisa, depois dos treinos se eu quiser encontrá-lo basta subir até o templo de Aquário e procurar naquela maldita biblioteca, para encontrá-lo com um maldito livro na mão, um maldito cigarro na boca e ouvindo alguma maldita música francesa.
E ele está cada vez mais previsível, já que nos últimos meses é quase sempre A mesma música. Cara, quem tem saco para ouvir a mesma música tantas vezes?
É lógico que eu já perguntei para ele porque não troca de música e a resposta dele é sempre a mesma: "Essa música é perfeita."
Ah, e como se não bastasse, ainda tem o maldito cigarro. Eu já falei mais de mil vezes para ele parar, mas ele sempre diz que vícios são difíceis de serem largados.
Por que eu tinha que me apaixonar por um francês tão cabeça-dura? Tudo bem, não é como se eu fosse a pessoa mais fácil de lidar, mas pelo menos eu estou aberto a mudanças. Afinal de contas eu mudei – e muito – só para agradar aquele ruivo irritante.
Entro no templo de Aquário e tenta adivinhar, lá esta ele:
Na biblioteca.
Naquele sofá.
Com um livro em uma mão.
E, sim, com o cigarro na outra.
E aquela música que ele não se cansa de ouvir.
No mesmo instante ele para a leitura e olha detidamente na minha direção, o mesmo rosto impassível, mas que os anos de convivência me ensinaram a decifrar. São pequenos gestos, imperceptíveis para os outros, mas que me dizem muito.
Se ele estivesse bravo comigo, mas muito bravo mesmo, nem se dignaria a levantar os olhos daquelas páginas velhas e amareladas.
Se estivesse muito ocupado, ele diria um Bonjour e não falaria mais nada até terminar o que estivesse lendo.
Mas quando ele está de bom humor, como era o caso hoje, ele não dizia uma palavra, apenas levantava os olhos na minha direção e se concentrava em mim por alguns segundos, olhando por cima dos óculos, não através, mas por cima dos óculos. E isso era um charme, só esse francês conseguia ser assim: tão... irritantemente lindo!
Já que ele estava de bom humor resolvo me aproximar, sento no braço do sofá – ele odeia quando faço isso – e antes que ele reclame dou-lhe um beijo estalado nos lábios ao mesmo tempo em que tento pegar o cigarro que estava entre seus dedos. Mas ele já havia esticado o braço para longe do meu alcance.
Acho que eu estou começando a ficar previsível também.
– Vai, Camy, apaga esse cigarro. Isso vai te fazer mal.
Ele não me responde nada, apenas se levanta, dá mais uma tragada no cigarro para depois apoiá-lo no cinzeiro em cima da mesa, ao lado coloca o livro ainda aberto enquanto termina de ler mais algumas linhas.
– Você está completamente viciado nesse troço. Isso é um tipo de droga sabia?
Digo, já com uma expressão de desacordo, ele sabe que eu não gosto que ele fume e ele vive dizendo que eu estou sempre exagerando.
– Esse nem é o maior dos meus vícios mon chéri(1). E vícios sempre são difíceis de largar.
– Se seu maior vício não é o cigarro, só pode ser os livros. Ou então esse CD. E por falar nisso, você não se cansa dele não?
– Eu já disse, essa música é perfeita.
Ficamos alguns instantes em silêncio, ele terminou a página que estava lendo e apenas apoiava a mão sobre o livro, impedindo, assim, que o vento desmarcasse-o, mas ao invés de procurar algum marcador, como sempre fazia, ele ficou parado naquela posição com o olhar fixo em mim. Eu podia passar horas assim, parecia que ele me enfeitiçava com aquele olhar, eu simplesmente perdia o foco.
– E então, qual é o seu maior vício? – digo ainda perdido em seu olhar, ele parecia divagar enquanto olhava para mim e ouvia aquela música. – E nem pense em fazer isso! – Acrescento assim que o vejo esticar a mão na intenção de pegar o cigarro que repousava sobre o cinzeiro de cristal.
– Tu es ma came.(2)
– O quê?
– Je ne suis pas accro au tabaque, mais a toi. Tu es vraiment ma came, je suis totalement accro a toi.(3)
– Camy, dá para falar em grego, eu sei que convivo com você há tempos, mas meu vocabulário em francês ainda é pequeno, restrito só ao estritamente necessário.
– Pas de problème, je vais traduire pour toi.(4)
Ele foi até o aparelho de som e voltou ao começo a música que tocava, o som do violão até que era agradável, ao contrário de outras músicas que ele ouvia que pareciam saídas dos anos 20. Assim que pude ouvir a voz da cantora, ele olhou nos meus olhos e começou a recitar em grego os versos enquanto caminhava lentamente de volta ao sofá em que eu estava.
Você é meu vício
Meu produto tóxico, minha volúpia suprema
Meu encontro preferido e meu abismo
Você faz florescer o mais doce da minha alma
– Por que você sabe que só você foi capaz de ultrapassar essa barreira que eu ergui em volta do meu coração, só o seu veneno foi suficientemente tóxico para me afetar.
Você é meu vício
Você é meu tipo de delícia, de programa
Eu te inspiro, eu te expiro e eu desmaio
Mas nessa hora quem quase desmaia sou eu, ao senti-lo tão perto, a respiração arrepiando meu pescoço a voz grave e baixa direta no meu ouvido, e ele continua...
Eu te espero como se espera o maná
Você é meu vício
Eu amo seus olhos, seus cabelos, seu cheiro
Sinto suas mãos envolverem meus cabelos. A força com que ele segura dói, mas é agradável também, afinal, ele sabe o que eu gosto.
Venha então aqui que eu provo seu gosto e seu cheiro
E quando acho que já estou totalmente perdido em seus braços, ele me puxa para seu colo e passa a língua pelo meu pescoço, sinto-me arrepiar por inteiro. Ah, como é bom o meu francês!
Você é meu belo amor, meu anagrama
Você é meu vício
Mais mortal que a heroina afegã
Mais perigosa que a cocaína colombiana
Você é minha solução, meu doce problema.
– E às vezes, você me arranja grandes problemas, mas eu amo seus problemas – ele sussurra em meu ouvido enquanto eu sinto suas mãos invadirem minha camisa e explorarem meu corpo.
Você é meu vício
Para você todos meus suspiros, meus poemas
– Porque só você já me viu suspirar com aquela cara de bobo apaixonado, só você já fez isso comigo. Eu, que sempre controlei meus sentimentos, na sua frente me sinto como um simples adolescente que ainda está se afogando em novas sensações, em novos sentimentos.
Enquanto estou perdido em suas palavras ele puxa minha camisa deixando-me o torso nu. Suas mãos, sempre tão geladas, esquentam ao contato com minha pele.
Por você todas minhas preces sob a lua
A você minha desgraça e minha fortuna
Suas mãos descem de encontro ao cós da minha calça, já abrindo esse tecido tão inoportuno em momentos como esse. Sua boca colada à minha, retirando o fôlego que ainda tenho, estou completamente perdido em seus toques e, mais do que isso, estou impressionado, logo ele que quase não é dado a confissões amorosas me deixou completamente extasiado com essas palavras, que ainda que não fossem suas, suas se tornaram a partir do momento que as recitou.
Você é meu vício
Quando vai embora é o inferno e suas chamas
Toda minha vida, toda minha pele te reclama
Diria que você circula em minhas veias
– Você não faz ideia do inferno que é toda vez que você precisa partir em alguma missão, ainda que seja um dia. Meu corpo pede seu corpo, minha pele pede por sua pele, minha boca pede por sua boca...
Ele passa os lábios rentes aos meus e quando tento capturá-los em um beijo, novamente se afasta e continua recitando os versos dessa música que de repente, já não me parece mais tão insuportável.
Você é meu vício
Eu me sinto renascer sob teu charme
Eu te quero ao ponto de vender minha alma
Aos teus pés eu deponho minhas armas
–Você destruiu todas as minhas barreiras, ultrapassou todas as barricadas que protegiam o meu coração, me fez renascer outro homem, um que te merecesse. E por você eu fiz tudo, até vender minha alma.
– Não exagera.
– Milo, com você eu posso ser sincero, quando Hades ofereceu que voltássemos como espectros para matar Athena, aceitei não só por ajudar no plano de Shion, mas principalmente porque assim poderia te ver mais uma vez. Nem que fosse a última vez, e eu desejava isso mais que tudo.
Você é meu vício
Você é meu vício
Ainda extasiado com a última frase, ouço-o dizer os últimos versos da música, enquanto sou jogado sobre o sofá onde ele termina finalmente de retirar minha calça e todo o resto das minhas roupas. Sinto-o deitar-se sobre meu corpo, é tão bom sentir o seu peso sobre mim.
– É viciante o cheiro da sua pele, dos seus cabelos.
Ouço-o dizer enquanto afunda o rosto entre meus cabelos. Uma corrente elétrica percorre meu corpo quando posso sentir sua ereção roçando na minha perna a cada movimento.
Quando foi mesmo que ele tirou a roupa?
Não sei. Só sei que agora posso sentir nossas peles se encostando e isso é capaz de esquentar ainda mais o meu sangue. Ele sempre faz eu me perder em seus movimentos, em sua força e em seu charme.
Eu sei que todos acham que eu sou o conquistador e muitos veem meu Camus quase como “uma mocinha inexperiente e recatada”.
Ledo engano.
Eu sei. Eu sou o falastrão, gosto de me pavanear, de contar vantagens e de mostrar que estou no controle. Mas, a verdade é que quando se fecham as portas e estamos a sós, o meu Camus, meu verdadeiro Camus, se mostra. Ele é viril, é másculo e tem uma presença forte, principalmente na cama. Na verdade ele adora dominar, mesmo quando é o passivo, muitas vezes é ele quem dita as regras. Ele é conquistador, sabe como me fazer perder a razão – não que eu tenha muita, devo admitir – e me faz deseja-lo mais a cada dia. Ele é MEU homem, e eu sou dele, inteiramente dele.
Ele sabe como me tomar. Agora mesmo ele segura uma das minhas pernas no alto e se encaixa em mim lentamente, em uma deliciosa tortura, sentindo meu corpo se relaxar mais a cada investida. Fecho meus olhos me concentrando apenas nas sensações e nesse momento percebo que o CD continua tocando.
A mesma música.
Ele programou o aparelho para reproduzir a música continuamente.
Sabe, acho que agora eu concordo com ele. Essa música é perfeita!
– Ah...Mon chèri! Tu es très chaud... trop bon...(5)
Correção: agora começou a música perfeita. Porque para mim não há nada melhor do que ouvir meu homem se perdendo no mar do prazer. Nesses momentos ele sempre esquece o grego e fala em sua língua materna, isso só me deixa ainda mais excitado.
Assim que termina de encaixar nossos corpos completamente, ele aumenta o ritmo das estocadas, seu quadril rebate sobre o meu em um intenso movimento de vai e vem. Isso é bom, mas meu corpo clama por mais contato e, mesmo contra sua vontade, abaixo novamente minha perna para trazê-lo para perto de mim, quero sentir nossos corpos colados, sua respiração descompassada resvalando no meu pescoço.
Ele sabe do que eu gosto, não preciso nem dizer uma palavra e ele já compreende minha necessidade de tê-lo tão perto. Ele passa os braços em torno dos meus ombros, mantendo o contato o mais próximo possível enquanto continua a investir com força contra meu corpo.
– Tu... aime ainsi... mon amour? Tu aime sentir ton mâle?(6)
– Sim, eu adoro...
Sua voz rouca de prazer me causa arrepios e ainda posso sentir o pouco da sua barba que já começa a crescer arranhando a pele do meu pescoço, uma nova corrente elétrica perpassa meu corpo e sinto meu baixo ventre responder ainda mais aquele estímulo, ele também percebe e aumenta a pressão entre nossos corpos aumentando a fricção que nossos abdomens fazem sobre meu membro.
As sensações são tão fortes, o desejo me consome tão profundamente que tenho que agarrá-lo com mais força, minhas unhas cravam fundo na pele das suas costas, sinto-o reagir a dor e afundar mais o rosto entre meus cabelos ao mesmo tempo em que aumenta a força das estocadas. Afinal eu também sei o que meu homem gosta.
– Mon amour, je ne... peux pas... attender. Je vais... je vais...(7)
Ele aumenta a pressão dos braços em torno do meu corpo e fazendo um rápido movimento de vai e vem derrama-se dentro de mim. Eu? Bem, não tinha aguentado me segurar e poucos segundos antes dele também cheguei ao ápice molhando nossos corpos.
Enquanto ele continua com o rosto no meio dos meus cabelos e nossas respirações se normalizam, dou uma olhada ao redor:
O CD continua tocando a mesma música.O cigarro, esquecido sobre o cinzeiro, já ia quase todo consumido pelo vento que entrava pela janela aberta. O mesmo vento que passava as folhas do livro ainda aberto sobre a mesa.
Pensando bem, acho que talvez ele seja mesmo mais viciado em mim que em qualquer outra coisa. E talvez, meu francês não seja assim tão previsível, quem diria que ele iria se declarar para mim logo hoje?
É, ele ainda consegue me surpreender e muito.
Notas finais
2.Você é meu vício
3.Eu não sou viciado em cigarro, mas em você. Você é verdadeiramente minha droga, eu sou totalmente dependente de você.
4.Sem problema, eu vou traduzir para você.
5.Meu querido! Você é tão quente... tão bom...
6.Você... gosta assim... meu amor? Você gosta de sentir seu macho?
7.Meu amor, eu não... posso,... esperar. Eu vou... Eu vou...
mais uma one-shot com esse casal que eu adoro. Espero que gostem, e avisem possiveis erros, tentei revisar ao máximo, mas sempre algo fica para trás.
P.S. Fumar faz mal a saúde, ouçam o Milo, isso é uma droga. Cigarros só são bonitos em historias ficcionais, na vida real é um vício perigoso, deixa um cheiro ruim no fumante, deixa os dentes amarelos, causa mal-hálito e mata.
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