Notas iniciais
“Dedicatória a irmã de Thayse: Thayris Brito. Também dedico aos meus grandes leitores, que me dão o maior apoio. Em especial, dedico ao Cleyson, que sempre leu e comentou minhas histórias. Obrigado irmão.
E claro, um agradecimento mais que especial para minha amiga Thayse, que deu a ideia de criar essa fic junto comigo ”

Andando na chuva, nada mais fazia sentido. Tudo em minha vida foi deixado para trás. Nada me resta agora a não ser chegar a meu objetivo. Não olharei outra vez para o passado. Chegou a hora de recomeçar

Colocando cada ponto nos seus respectivos \"is\", eu já sabia por onde começar. O plano estava arquitetado e, dessa vez, eu iria ter força pra realizar.

Aquela ação foi a última gota d\'água.

Não é fácil dedicar sua vida para salvar as pessoas, que depois te retribuem a pedradas. Pedras que ferem os sentimentos. Golpes que machucam a alma. Vir de tão longe para se mostrar um ser salvador. Mas chega de ser bom. As pessoas não merecem ser salvas e sim refeitas. Não se pode mudar o que já nasceu para com um objetivo ruim. Não há mais esperanças para os humanos, disso tinha mais que certeza.

Estremeci quando a chuva finalmente parou. Pelo menos me deu o sinal que já era à hora de agir. Entrei com tudo no meu carro e dirigi até o primeiro local onde deveria começar a executar o primeiro passo...

Pela estrada mal construída, em meio à escuridão da noite, acelerei meu carro ao máximo. A selva de pedra é muito extensa. É fácil se perder nas ruas de Nova Iorque.

Finalmente cheguei a Times Square. Estava bem movimentada, mesmo sendo plena madrugada de terça. Saí de meu carro e andei devagar até o centro. As pessoas me olhavam, deviam achar estranho alguém vestindo um sobretudo negro e encapuzado. Devagar, ergui meus braços. Com a força de minha mente, comecei a liberá-lo através de minha raiva. As pessoas se assustaram e começaram a se afastar. SIM! Seria agora que tudo iria terminar de uma maneira ou de outra. O sangue iria jorrar pelas ruas da cidade que nunca dorme. O mundo iria conhecer o verdadeiro significado do nome Alex.

Passando por entre as pessoas, que rapidamente se afastaram. Não me preocupei, eu sabia que em menos de um segundo elas nem saberiam que um dia tinham me visto. Agora eu estava feliz comigo mesmo, pois tudo o que eu vinha reprimindo há algum tempo, vou poder usar no meu objetivo, Custe o que custar.

Tudo vai acabar bem. No fundo, tenho medo de algo acontecer errado, mas tenho confiança em mim mesmo. Será o caos na humanidade. Sei de minhas capacidades superiores e sei que ainda posso muito mais.

Concentrei minha mente. Todas as pessoas pararam. Eu podia ouvir a força vital de cada um, podia ver que estavam propicias a serem mortas. Nesse momento, alguém se aproximou. Era um senhor de idade. Como pode ele ainda estar se movendo? Olhei para trás com desconfiança.

— Quem é você, garoto? — Ele me perguntou friamente. Dei apenas um pequeno sorriso.

— Meu nome é Alex.

Rapidamente manipulei meu braço. O transformei em uma lâmina e lacei-a contra o homem num veloz golpe. Há quanto tempo não fazia isso. O ataque foi fulminante, porém não o atingiu. Foi então que reconheci a marca no seu braço. Eu sabia que ele era um deles, mas nesse momento, eu não me importava com nada.

Apenas estendi a minha mão na altura do peito e o olhei fixamente. Fui retorcendo os meus dedos, assim logo aconteceu com aquele senhor.

Ele começou a se contorcer e caiu no chão. Havia muitas partes do seu corpo que jorravam sangue. Ao meu redor, as pessoas levavam uma vida tranquila e rotineira. Éramos invisíveis.

Não podia conter o sorriso no rosto. Eu adorei me sentir imponente, superior. Nada poderia me deter naquele momento. As pessoas estavam sob meu controle, não podiam ajudar o velho.

— Mesmo sendo um deles, você não parece grande coisa — falei olhando para ele enquanto se retorcia.

— é mesmo? Nunca subestime a ingenuidade de um pobre senhor — falou ele olhando para mim.

De repente o asfalto todo se levantou diante de meus pés. Fui jogado contra os veículos da cidade. Droga! Mesmo manipulando a mente dos cidadãos é impossível que eles não notassem a destruição. As pessoas entraram em pânico. Maldição! Agora estamos encrencados.

Forcei ao máximo a minha mente. Tinha um jeito de resolver isso e eu ia lembrar. Levantei-me e tratei das mentes. As pessoas que haviam notado alguma coisa retomaram o seu caminho. Em meio minha concentração, a frase de Lia veio em minha mente: “Você ainda não desenvolveu total controle de seus poderes”. É melhor deixar para depois, mas não vou deixar meu objetivo para trás. Se não havia desenvolvido, ia desenvolver agora!

Senti um tremor em baixo dos meus pés. Mais uma vez, o asfalto subiu arremessando-me, desta vez contra um painel elétrico. Faíscas eram lançadas por toda a parte. Cai no chão feito uma pedra. Procurei levantar a cabeça. Seja lá quem é esse cara, ele não pode me deter. Esforcei-me mais uma vez e lancei minha mão no chão, tentando derrubar a torre central.

— Vai pagar por isso, velho maldito!

Os pedaços de concreto foram caindo devagar contra ele, mas foi inútil. Eu não conseguia controlar. Minha cabeça começava a doer muito. Estava latejando. Inferno!

Tentei não perder a compostura. Tinha prometido a mim mesmo que dessa vez iria ser diferente. Um simples velho boboca não ia acabar comigo. \"Pense, pense!\", me ordenava. Então outra ideia me ocorreu. Já que eu não conseguia controlar o físico, iria usar minha mente. Iria usar o que eu sabia fazer. O que na verdade, me orgulhava muito.

Concentrei-me na mente de meu oponente. Ilusionismo. Essa era a minha ideia. Projetei na minha mente o jogo virando: Eu controlando tudo o que ele podia fazer. O que geralmente conhecemos por “o feitiço vira contra o feiticeiro”. Na minha mente, o asfalto agora subia sobre ele. Os ferimentos iam ficando cada vez maiores, a única alternativa era desaparecer. Joguei tudo isso na sua mente e instantaneamente apareceu a expressão de terror. Eu sabia que agora, eu controlava o jogo.

Comecei a dar risadas. Já não precisava mais ficar aqui. A ilusão que criei se encarregaria de matar o velho. Talvez um enfarto. Ele não resistiria muito e... Algo de repente veio em minha direção. Uma estaca gigante saiu do chão e enterrou-se em meu peito, pregando-me contra um dos prédios. Não podia me mexer. Estava preso e a dor era muito intensa. Eu não podia respirar.

Após sofrer com o golpe, abro meus olhos e vejo-me diante do velho, que me segurava pelo pescoço e apontava uma lâmina para mim. Foi uma ilusão? Seus poderes são exatamente iguais aos meus! Como isso pode estar acontecendo? Eu deveria estar no controle.

Depois de alguns segundos, ele me solta no chão e transforma a lâmina novamente em seu braço.

— A luta acabou aqui garoto — disse ele olhando para mim enquanto eu tentava me levantar.

Por mais nervoso que eu estivesse, o sentimento de ódio gritava dentro de mim. Eu não ia deixar isso terminar assim, não ia mesmo. Conciliei o meu ódio com as imagens mais horríveis de destruição e peguei as coisas mais preciosas para ele: a família. Usei novamente a mente: aos poucos e lentamente, dolorosamente, matava um a um em minha cabeça. Mas eu sabia que, dessa vez, tinha que usar algo a mais.

Agora com a mão esquerda, fazia movimentos que o torturava. Senti que o brilho de seus olhos, quando disse que a luta tinha acabado, havia se passado. Era a minha obrigação agora, não deixar com que ele se tornasse, mais uma vez, o dono do jogo.

Em meio a minha raiva descontrolada, escuto algo se aproximar. Paro por um minuto de tentar atacar o velho. O barulho se aproximava. Estava cada vez mais perto. Então, em plena noite na Times Square, dezenas de helicópteros militares se aproximavam.

— ta vendo — Falei ao velho — Seus ataquezinhos de merda chamaram a atenção deles.

O exercito já sabia da existência de nossa raça e providenciava tudo o que podiam para acabar com os mais perigosos como eu. Há muito tempo, eles perseguiram e destruíram minha espécie, mesmo que para isso teriam de levar milhares de vidas humanas junto.

— Parece que o negocio vai esquentar, é melhor sair daqui agora.

— Tá brincando — Dei um sorriso — É agora que a diversão começa

— Você sabe o que pode acontecer se não sair daqui agora — O senhor me alertou novamente.

— Já disse que nada mais importa — falei, ainda com um sorriso. E dizendo isso, o atirei a uns duzentos metros de distância e me voltei para onde vinham os helicópteros. Eu me sentia mais forte, as lembranças, que ainda sondavam a minha mente, alimentavam cada vez mais o ódio, que já corria nas minhas veias e que se espalhava por todo o meu corpo. Olhei para um helicóptero de cada vez, procurei as mentes que ali estavam e suguei os seus piores medos e os retornei com mais intensidade, fazendo com que os momentos fossem revividos mais uma vez. Então, um a um foi caindo, caindo e caindo. Não teve como o meu sorriso não se espalhar pelo meu rosto. É incrível como nada podia me deter.

Senti um zumbido vindo de longe em minha direção. Foi rápido de mais para que pudesse desviar. Senti uma dor aguda em meu corpo e vi o mundo girar. Quando percebi, estava caído no meio da Times Square dentre escombros e carros destruídos. Minha visão estava embaçada, mas podia ver blindados se aproximando aos montes, juntos a mais helicópteros. Eu não conseguia mexer-me.

Achando que tudo estaria perdido, algo me puxou, ajudando-me a se levantar. Logo, fui recuperando minha consciência e pude ver que a pessoa que me ajudou era o velho com quem lutara.

— Chega de bancar o infantil, venha comigo depressa! — Ele gritou levando-me pelo braço.

Tiros vinham de todas as partes, deixei de tentar controlar a mente das pessoas, o caos tomou conta da cidade. Explosões derrubavam pedaços de prédios por todas as partes. Com esforço, o senhor de idade começou a puxar-me mais forte pelo braço e correr a uma velocidade incrível. Ele subira em um prédio apenas usando as pernas e me levara junto enquanto tiros atravessavam as janelas por todos os lados.

Chegando ao topo, me vi sem saída. Não havia para onde escapar. Helicópteros apareciam por todos os lados. Droga! Estamos encurralados.

— Ainda consegue fazer aquilo que fez com eles lá em baixo? — O velho perguntou a mim.

— Vai se fuder! — Respondi com raiva.

— Excelente — Ironizou-o

O velho então transformou seu braço em lâmina e correu em direção a um dos helicópteros, saltou e pendurou-se no esqui de aterragem direito. Pairando no ar, ele arrancou a porta da aeronave e entrou, lançando o piloto lá de cima. Tenho de reconhecer que, apesar de velho, o cara é bom.

Os demais helicópteros começaram a atirar, alguns contra mim, outros contra o veículo aéreo roubado. Tentei me esquivar dos tiros com um pouco de dificuldade.

— Rápido! Agarre o helicóptero! — Gritou o velho vindo com a aeronave em minha direção. Rapidamente corri, saltei e agarrei na porta que ainda se encontrava pendurada na base. Com dificuldades, consegui erguer meu corpo e entrar no helicóptero. Eu já estava ofegando. Em um giro intenso, o velho virou o helicóptero para os demais e começou a atirar com os mísseis.

— Morram! bastardos malditos! — Gritou.

O barulho das explosões fez a aeronave em que estava estremecer. Pareciam fogos de artifício no ar. Pedaços de lataria voavam para todos os lados. As aeronaves caiam em chamas em cima dos prédios, causando uma destruição que enchia os olhos.

— É garoto. Parece que conseguiu o que queria — Resmungou o velho ao meu lado — Arrumou sua confusão.

— Cala a boca e vamos sair logo daqui — Respondi com frieza. Parece que toda a raiva que me movia deu lugar ao alívio de ainda estar vivo.

No instante em que apoiei minha cabeça no assento, o painel começou a apitar junto a uma luz vermelha intensa.

— Mas que porra é...

De repente tudo estremeceu. Uma explosão forte me arremessou para fora do helicóptero. Senti minha cabeça chacoalhar. Tudo parecia ter ficado mudo, não conseguia ouvir nada enquanto caia em grande velocidade. As últimas cenas que vi foram a explosão do helicóptero em que estava e os prédios se aproximando até que atingi o solo. Tudo se apagou de repente em minha cabeça.

Notas finais
Espero que tenham gostado do primeiro capítulo. Em breve sai o segundo. Não deixem de comentar
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.