Meu James Bond

1 Uma noite com Bond, James Bond.


Notas iniciais
PRIMEIRO romance, ou melhor, primeiro qualquer coisa. Sou covarde, sou uma pessoa NÃO tuts tuts. MAS... Vou dar o meu melhor aqui, pode sair uma merda, mas o que vale é a intenção.
SEGUE MAIS, JOVENS:

Uma noite com Bond, James Bond.



Para ser sincera, eu era uma péssima filha. Quero dizer, eu não fumava ou tinha me tornado uma terrorista, mas talvez deixar a sua mãe sozinha — não importa o quanto ela insista que está tudo bem em ficar numa terra desconhecida — na Flórida para se mudar justamente do outro lado do país não é algo muito bom.

Eu encarei minha mãe, sua expressão meio atordoada me encarava com um enorme sorriso. Ela era uma mulher de longos cabelos castanhos claros, num tom de mel derretido. Seu rosto, pequeno e infantil, estava cheio de pequenas sardas que eu tinha herdado e fazia jus ao seus olhos castanhos escuros e profundos.

Ela movimentou seu dedos dos pés distraidamente, na sua sandália colorida com enormes flores na estampa que combinava com o seu vestido voador. Ontem à noite ela custou algum tempo para pintar suas unhas de vermelho, mas desistiu da cor rapidamente e misturou com um tom de lilás; que criou pequenos pontos de cores estranhas.

Eu era um pouco egoísta também. Céus, eu e papai revesávamos para cuidar dela. Não que Jamie fosse louca ou débil, duh. Apenas um pouco diferente das outras pessoas.

— Ela vê o mundo de outra forma. — Meu pai sussurrou baixinho enquanto eu chorava impiedosamente na minha cama, o catarro saindo do meu nariz enquanto eu encolhia meu corpo esguio e franzino em uma proteção humana. — Não fique tão brava com ela, Audrey.

E então... o acidente e por fim o caos. Nos últimos anos, eu perdi as contas de quantas vezes esqueci sobre mim para viver unicamente e exclusivamente para a minha chorosa mãe. Isso não era qualquer tipo de reclamação. Cuidar e proteger aquela que fez a mesma coisa por mim não é algo que você deveria lamuriar, é sério.

Mas ultimamente, estava tudo bem. Maggie, que partiu há algumas semanas para a Califórnia com a sua irmã mais velha, também me ajudava e super apoiou a minha decisão quando eu decidi que começar a viver por mim mesma seria um bom início. Eu acho.

Então, abracei a minha louca mãe que cheirava a lar e biscoitos queimados e empurrei minha enorme mochila — com o símbolo do Batman na frente— nas costas e comecei a andar, parando a cada cinco segundos para girar e mandar pequenos beijos para Jamie que já estava se debulhando de lágrimas.

Horas mais tarde e depois de ficar dopada por algumas horas, finalmente chegamos a Portland. Era totalmente diferente da Flórida e da pequena cidade aonde morávamos e eu estava me sentindo um pato fora da banheira com meu vestido e minhas botas de cowboy. Talvez eu fosse uma cowgirl, mas sem estilo.

É sério, nenhum fotógrafo pararia uma caminhada minha para tirar fotos de mim, só porque eu tinha algo do tipo não significava que eles ainda não queriam modelos ossudas com o mesmo visual numa pose comprometedora num estúdio. Coisas naturais não existem, assim como o meu cabelo meio trançado e meio liso e os meus dentes bonitos — modelados depois de sete anos sob o aparelho odontológico.

Eu desci no aeroporto, um pouco ressentida em não estar recebendo um papel bonito e decorado com o meu nome, mas duh. Quem poderia realmente me conhecer ali?

Até que eu vi, um corpo esguio e quase esquelético acenando freneticamente pra mim, feliz. Jimmy segurava uma placa imensa que quase ultrapassava seus braços finos, meu nome estava escrito com batom rosa e decorado com glitter de um dólar.

— Audrey Hetherford! — Ele se jogou nos meus braços como uma gelatina, ou uma boneca de pano. A placa caiu no chão enquanto Jimmy dançava nos seus pés ao meu redor. — Não acredito! Você finalmente tirou aquela coisa?

Aquela coisa, era na verdade o meu aparelho cor de rosa. Jimmy o odiava com todas as suas forças e já até apelidou meu aparelho de tudo e qualquer nome, todos os malditos santos dias.

Eu sorri. Jimmy Corrigan era o meu vizinho desde… sempre. Você sabe, ele dividia a casa com mais seus sete irmãos e um cachorro e eu passei toda a minha infância no quintal da sua casa, ajudando Jimmy a conviver e morrer. Quando Jimmy fez dezoito anos e conseguiu uma bolsa para a universidade, ele disse adeus.

Na época, eu tinha completado quinze bem vividos anos. Foi bem próximo do desastre e eu conheci Maggie na mesma época pós-Jimmy.

Jimmy ainda continua exageradamente gay, seu cabelo pintado de loiro para trás e vestido com uma roupa que deve estar na moda no Marrocos.

— Já fez alguns meses — sorri. — Mas como... você?

Fazendo uma cara de desdém, ele balançou a sua mão enquanto pegava o cartaz e me entregou. Segurei firmemente aquele treco enorme, que agora que eu vim perceber, era feito de papelão.

— A Mamãe Jamie, é claro — revirou os olhos. — E eu estou indignado com você, sua bruxa. Nem mesmo me ligou, pra dizer um oi. Eu viajei quatro horas pra chegar aqui e nem mesmo um ''obrigado, Jimmy''.

— Obrigada, Jim-

Fui interrompida por sua risada. — Isso não é fofo? Quem é você, oferenda? Minha amiga provavelmente chutaria minha bunda se eu começasse com o drama.

Timidamente, peguei uma mecha do meu cabelo castanho e enrolei no dedo mindinho. Rapidamente chegamos lá fora, o clima nublado era desconfortável. Mas parei, boquiaberta. Havia um Ford pequeno, pintado de um tom de rosa tão extravagante queimou meus olhos.

Jimmy apertou o botão e o barulho que fez que eu jurei ser parecido com Material Girl de Madonna tocou.

— Você comprou uma relíquia do carro dos Simpsons? — Perguntei boquiaberta, entrando dentro do carro que cheirava a spray de cabelo.

— Não é lindo? — Ele me ignorou, ligando o seu rádio que imediatamente começou a tocar uma música country, que não demorei a começar a cantar. Minha alma cowboy não estava toda perdida, afinal.

— Isso é realmente louco — eu ri. — Mas eu gostei, bicha.

Ri mais alto do som de foca morta que saiu da boca de Jimmy depois disso.

***

— Oh, queridinha — Jimmy fez um som de pena. — Você foi mandada para os dormitórios, que peninha.

— Cadela. Você dormiu nisso aqui por dois anos... Só agora que você conseguiu um sofázinho de merda, tá bom? — Resmunguei de péssimo humor, puxando minhas quatro malas de rodinhas para fora do porta-malas.

— Cruzes!— Jimmy balançou as mãos pra cima. — Tá virada de lua pra baixo, amor?

Revirei os olhos para Jimmy com força três vezes seguidas e ele falou algo sobre possessão demoníaca antes de finalmente conseguirmos colocar todas as quatro malas para dentro dos dormitórios. Os dormitórios era uma coisa realmente tensa, mas felizmente tudo estava vazio e as portas fechadas. Não tinha nenhuma maldita porta sem alguma coisa colorida, ou só mesmo uma gracinha desenhada.

Obviamente, a porta com o meu nome estava toda pinchada de cores abstratas.

— Ah, pelo menos a sua porta não está escrita ''eis que mora um cocô aqui''. — Jimmy falou casualmente e depois riu da minha cara. — Eu gastei quinze dólares para pintar de novo.

Acima do meu nome, havia escrito Dallas Lattford. Sem dúvidas, deveria ser alguma garota boazuda e se eu desse muita sorte, ela ainda teria uma coleção de espinhas avermelhadas e tranças.

Talvez eu assisti Glee demais. Jimmy deu algumas palmadas na cama de cima, sorridente. — Quem chega primeiro, escolhe. Sortuda. A de cima, é sempre é melhor. Escute com atenção, honey. — Agarrou a gola do meu vestido. — Lute. Pelo. Território. Ou morra tentando.

— Que papo é esse, maluco? — eu ri.

— É simples, meu amor. Existem regras aqui. Regras que devem ser seguidas. Esqueça tudo que você ouviu desde pequena sobre responsabilidades, disciplina e comportamento. Está tudo tão errado, babe. Infelizmente, eu só vim aprender com o tempo… — fez uma careta. — Foram tempos difíceis, digamos assim. Então, seja um animal e lute por a sua vida. Não seja tão legal, vai por mim, ser legal só te fode.

— Entendi — assenti. — Lutar e todas essas coisas. Ou morrer tentando.

— Exatamente, amor. — Então, sorridente, Jimmy bailou até a saída e abriu a porta. Girou pra mim com um sorriso gigante. — Se divirta… Ou não. — E saiu, batendo a porta e ainda por cima soltando uma risada horrenda.

***

Dobrei todas as minhas roupas da forma mais prática possível e então organizei meus horários. Fiz até planejamento de aulas, como se comportar e agir. Claro que achei tudo que Jimmy visse um exagero, duh. Era impossível que uma menina de tranças me desse tanto trabalho.

Cantarolando alguma música sem sentindo, eu deixei minhas roupas ali e decidi tomar banho. Gastei trinta minutos na água quente, cantando maravilhosamente bem e quando terminei, dobrei cuidadosamente minhas roupas antes de abrir a porta. O vapor frio bateu diretamente na minha cara, mas não foi exatamente por isso que eu gritei.

Sentado confortavelmente na minha cama, havia um estranho desconhecido com os braços apoiados em cima da cama, relaxado. Ele parecia realmente quente e quando ele me olhou, sorridente, quase despenquei.

Havia o olhos verdes mais incríveis que eu já vi. Ele estava cheio de tatuagens nos braços, eu acho. Usava um moletom cinza sem estampa e calças jeans comuns e até estava descalço. O seu cabelo castanho claro misturado com um tom estranho de cobre estava arrepiado, mas não exatamente ajeitado.

Ele sorriu.

Gritei de novo.

— Oh, porra, quem é você? — Procurei desesperadamente minhas roupas, ainda segurando a toalha no meu corpo.

Ele fez uma careta. — Sou o seu novo colega de quarto. Dallas Lattford.

Parei. — Hein? Dallas é uma garota, duh — revirei os olhos. — E você está seriamente perturbado, cara.

Ainda sorridente, o desconhecido pulou de cima como se ainda estivesse perfeitamente no chão, seus músculos tensionando. — Não. Eu sou Dallas Lattford. Duh. — Me imitou.

Indignada com a aproximação ameaçadora, dei alguns passos pra trás. — Sim e eu sou o Batman. Você pode ser algum maníaco da tesoura, você sabe. E eu não estou querendo ser rude nem nada, mas meio que posso chamar a polícia e adeus, carinha estranho.

— Polícia? — ele abriu um sorriso. — Nossa, quanto drama, menina. Não precisa disso, relaxa, respira. Vai dizer que não sabia que os dormitórios eram mistos?

Balbuciei. — Mistos?

— Pão quente, mortadela e queijo — sorriu debochado. — Sim, mistos você sabe… Um homem com um pau e uma mulher com uma…

Fiz um barulho horrorizado. — Seu pervertido! Não fica dizendo isso, tá legal? — Fiz um gesto estranho com a mão. — Tá bom, digamos que você seja supostamente Dallas Lattford… Isso não explica o que você está fazendo aqui hoje e na minha cama.

Ele cruzou os braços. — Eu sou Dallas Lattford. Ou melhor, já que você está tão cismada, eu sou Bond. James Bond. Já sobre estar aqui hoje, duh. Eu cheguei adiantado, assim como você, gênio. E por fim, era sua cama. Passado. Bye-bye. Agora é a minha cama.

— Minha uma ova! — Lembrando do que Jimmy falou, estreitei meus olhos para ele. — Sem chance, rapaz. A cama é minha, eu cheguei primeiro, é simples.

— Ah, e por acaso tem o seu nome? — perguntou sarcástico.

Ergui minha sobrancelha, orgulhosa. — Na verdade, sim. Olhe para trás, espertinho.

Atrás de mim, eu tinha rabiscado com um pincel Pilot em letras garrafais ''PROPRIEDADE DE AUDREY HETHERFORD'' e então logo abaixo, ''NÃO PERTURBE, BESTA QUADRADA.''

Ele ficou em silêncio, talvez um pouco chocado. Foi o tempo de eu puxar seus pés e derrubar ele. O barulho ensurdecedor foi alto. Dallas, ou melhor, James Bond gritou de dor com o impacto. — Ai! Que caralho foi esse?

O ignorei e subi na minha cama. Cruzei os braços. — Minha cama. Sem mas.

Bond estreitou seus olhos para mim. — Isso é infantil.

— Infantil é você, cheio de palavras na língua. Não comigo, campeão.

Ficando em silêncio por alguns instantes, mas se virou e apontou o dedo na minha cara. — Ahá! Você sabe que se descer eu vou subir... Agora, me diga, como você vai trocar de roupa se não pode descer e buscá-las?

Eu o olhei, trêmula. Depois, olhei para as minhas roupas. Fiz isso repetidas vezes, até que cruzei os braços e me deitei. — Eu vou dormir de toalha, algum problema?

Seriamente chateado, James Bond se sentou na cama de baixo. — Não. Problema nenhum. — Mas você sabe o que vai acontecer, pode evitar. Isso não vai acontecer.

Mordi o lábio e segurei a vontade de dar a língua pra ele. — Tá bom, quem liga? — retruquei e então virei de costas. — Boa noite, James Bond.

Ele não me respondeu. E foi assim que eu dormi com Bond, James Bond.



Notas finais
OI, OI, OI, OI, OI, OI ~~~~ DANÇA KUDURO~~

É isso ~~chora~~ Eu REALMENTE estou parindo um filho de ansiedade, então não me deixem no vácuo eterno e não flopem mais a minha vida flopada.

ADIOS, MUCHACHOS.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.