Meu Irmão De Outra Mãe
15 Jamais magoa-lo
Notas iniciais
Joe Pov
-Vamos a uma festa – Ao dizer isso Nick me fuzilou com os olhos.
-Como assim, vamos? Eu não vou – Nick se virou de costas e cruzou os braços.
-Se você não for eu não vou – Sussurrei no seu ouvido, e vi que isso surtiu algum efeito.
-Mas como que eu vou se eu nem conheço ninguém aqui, as únicas pessoas que eu conheço, moram no Brooklyn e passam os dias nos corredores da casa do Luigi.
-Mas é por isso mesmo que eu quero te levar, pra você se enturmar – Então comecei a beijar a bochecha dele, sabia ser bem convincente quando queria – Além do mais, o que eu vou fazer la sem você?
-Ficar com o cara que te convidou – Ele se levantou, talvez tentando evitar meus carinhos.
-Ah não, você ta com ciúmes?
-Não! Além do mais somos so amigos, não tenho motivos pra ter ciúmes – Ele disse se esforçando pra não gaguejar – Eu apenas não quero ir.
Levantei-me e fiquei na sua frente.
-A festa e só na sexta, tem a semana toda pra decidir.
-Eu já decidi, eu não vou além do mais eu tenho prova no sábado.
-Mas você tem que se divertir, é assim que assimilamos a matéria.
-Boa tentativa, mais não vai me convencer.
-Por favor, apenas pense – Segurei suas mãos e logo aquele conhecido arrepio me surgiu.
-Tudo bem, eu vou pensar.
-Promete?
-Prometo.
-Obrigado.
Naquele momento não resisti em ter a boca de Nick tão perto da minha, foi automático, quando vi já estávamos nos beijando, nunca havia me drogado mais sabia que a sensação de beijar Nick era bem parecida, só que aquele beijo já estava ficando quente demais, eu sem perceber tinha levado Nick até o balcão ao lado da pia onde ele já estava sentado, eu explorava cada centímetro de seu corpo com as minhas mãos e ele fazia o mesmo, nosso beijo já estava em um ritmo bem acelerado assim como meu coração. Aquele momento foi interrompido com o barulho da porta da frente se abrindo, o que nos fez pular de susto e nos separar em uma velocidade sub humana, quando minha mãe entrou na cozinha Nick já estava sentado na mesa, e eu continuava perto da pia, eu sou lerdo demais.
-Olá meninos – Disse minha mãe ao entrar na cozinha cheia de sacolas – Estão com fome?
-Um pouco – Respondi.
-Eu vi que não ia dar tempo de fazer nada então trouxe comida chinesa – Minha mãe largou as sacolas em cima da mesa – No jantar espero ouvir aquela historia sobre o sumiço de hoje de manhã.
-Tudo bem – Disse Nick e deu pra sentir o nervosismo em sua voz, também não era nada fácil falar pra pessoa que esta te acolhendo, “Desculpa hoje de manhã, é que eu sair pra cheirar um pó”.
-Vão la pra cima que eu vou esquentar a comida e arrumar a mesa – Nick obedeceu minha mãe e saiu mas eu antes de sair perguntei:
-Onde esta o papai?
-O chefe dele ligou, disse que hoje tinha um jantar importante da empresa.
-Hum. Quando estiver pronto chama – Sai da cozinha e subi as escadas.
Caminhei ate meu quarto, mas quando ia entrar me lembrei de Kevin, eu acho que essa seria a hora certa de conversar com ele, então bati na porta do seu quarto.
-Quem é? – Gritou ele de la de dentro.
-Sou eu, Joe – Respondi.
-Vai embora, ou você tem mais alguma coisa que ta me escondendo quer me contar antes que eu descubra? – Eu odiava quando Kevin usava aquele tom de deboche.
-Por favor, eu posso explicar meus motivos – Estava implorando, não queria que meu irmão ficasse chateado comigo, aquilo me deixava mal.
-Você já não deixou bem claro? Você achou que eu fosse um monstro que ia te julgar e apontar o dedo na sua cara.
-Não Kevin! Você pode deixar eu explicar?
Ouve um momento de silencio, aquilo já estava me deixando aflito.
-Entra – Finalmente Kevin se rendeu.
Eu entrei no quarto e ele estava deitado na cama assistindo Tv.
-Então explica – Disse ele apontando para que eu sentasse na poltrona no canto do quarto, e foi o que eu fiz.
-Kevin, você tem que intender que não é tão fácil assim eu chegar pra você e falar uma coisa dessas.
-O que? Que você é gay ou que você ta pegando o Nick?
-Os dois, isso é difícil, foi difícil admitir ate pra mim mesmo, que é uma coisa que na verdade eu ainda não fiz, tudo ainda é muito confuso – Kevin me fitava sem expressão, não tinha raiva, nem tristeza, ele apenas me olhava – Quando eu tivesse a plena certeza do que eu sou, e do que eu sinto pelo Nick, eu com certeza te contaria.
-Depois de hoje eu não tenho tanta certeza assim – Kevin continuava inexpressível.
-É que Kevin, você sempre sentiu tanto orgulho de mim, depois da opinião do papai, a sua é que a que mais conta, e eu fiquei com medo de que depois que você soubesse, você perdesse esse orgulho que eu acho que você sente por mim.
-Sim Joe, eu sinto muito orgulho de você, você é decidido, focado, você tem um jeito tão puro, você tem um coração de criança, e quando você quer alguma coisa você não desiste, eu só não intendo por que você achou que seria diferente depois que eu soubesse.
-É que pra mim é muito complicado, com a criação que os nossos pais nos deram, dizendo que ser gay era uma das piores coisas do mundo, eu me sinto acanhado em sair por ai dizendo que sou gay.
-Mas eu não pedi pra você sair por ai dizendo que você é gay, eu só queria que você fosse sincero comigo, e confiasse em mim – Kevin estava sentado na beira da cama olhando pra mim.
-Mas eu confio em você.
-Não é o que parece.
-Tudo bem, eu sei que eu to errado em não te contar tudo desde o inicio – Eu estava admitindo a derrota – Mas se ponha no meu lugar, você teria segurança suficiente pra admitir isso a alguém?
-Sinceramente eu não sei, mas você teve segurança o suficiente pra admitir isso pra Taylor – Kevin também era amigo da Taylor, mas não tanto quanto eu.
-Mas como já disse, sua opinião é a que conta pra mim, não que a dela não conte, mas se ela me repreendesse, pra mim não faria diferença, mas se você me repreendesse, eu tentaria ao máximo não ser o que eu sou.
-Minh opinião conta tanto assim?
-Como pode duvidar disso.
-Eu não duvido – Kevin se levantou e me abraçou – Só espero que da próxima vez eu seja o primeiro a saber da tudo.
-Daqui pra frente vou te contar tudo que eu sentir e pensar – Disse já lagrimando nos seus ombros – Você é muito precioso pra mim para que eu o perca.
-Você nunca vai me perder, isso eu te garanto, vou estar sempre por perto pra te apoiar – Kevin também já estava chorando.
-Desculpa Kevin, por não ter te contado.
-Já está desculpado, quero apenas curtir mais um pouco disso aqui – Ainda estávamos abraçados. Naquele momento eu vi que Kevin era muito importante pra mim, eu jamais poderia magoa-lo, jamais.
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