Meu Irmão De Outra Mãe
19 Apenas sonhos, todos temos.
Notas iniciais
Joe Pov
Nick estava muito estranho no almoço, ele parecia estar voando na maioria das vezes, quando não, me olhava de um jeito estranho, fiquei tentando imaginar o motivo daquilo, ele parecia estar com algum problema, eu tinha que ajuda-lo.
-Nick, posso falar com você? – Disse quando acabamos de almoçar e deixamos nossos pratos na pia.
-Tudo bem – Disse ele.
-Vem – Disse subindo indo em direção as escadas, subimos e paramos no corredor, em frente ao meu quarto.
-O que foi? – Disse Nick.
-Está tudo bem com você? Você esta estranho desde o almoço – Disse e me encostei na parede – Não tem nada haver com o que rolou no seu quarto, né?
-Não, eu só estou um pouco sonolento – Disse Nick, mas alguma coisa me dizia que não era verdade, ele estava muito estranho.
-Tudo bem – Disse fingindo acreditar – Então eu vou cochilar um pouco, a noite nos falamos.
-Ah Joe! Quando é o tal cinema? – Nick me chamou quando ia entrando no quarto.
-Amanhã – Disse.
-Tudo bem – Disse Nick.
Ele já ia em direção ao seu quarto, então não pude resistir, o puxei pelo braço e o beijei, mas foi um beijo rápido, apenas pra matar a vontade.
-Durma bem – Disse ele quando o larguei. Ele parecia querer que eu o largasse como se estivesse me evitando.
-Tudo bem – Disse observando Nick ir até o seu quarto.
Entrei em meu quarto, fechei a porta e me joguei na cama. Eu queria muito saber o que estava acontecendo com Nick, por que ele me evitava? Não era como se ele não me quisesse, era como se estivesse resistindo a mim, e eu não sabia o porquê, mas teria que descobrir a qualquer custo. Enquanto pensava em maneiras de arrancar isso de Nick, acabei adormecendo, sonhei com Nick, apenas com seu rosto, imóvel, apenas seu rosto, sem expressão alguma, apenas me olhando fixamente, como se estivesse congelado, mas de repente comecei a voltar à realidade, então despertei, estava frio, me sentei na cama e olhei para o relógio em cima da mesinha de cabeceira, marcava quatro e meia da tarde, eu realmente havia dormido muito, mas não era isso que ocupava minha mente, oque a ocupava era como Nick agia, me evitando, mas ao mesmo tempo me olhando como se não tivesse comido há meses e de repente se deparasse com um prato de comida. Então uma ideia me veio a cabeça, me levantei e fui até o quarto de Nick e bati na porta.
-Pode entrar! – Pude ouvir Nick dizer.
-Nick, posso te pedir uma coisa? – Disse adentrando o quarto e vendo Nick sentado na cama com o livro de historia nas mãos.
-Pode – Nick então largou o livro e olhou pra mim.
-Na verdade é mais como um convite – Eu fitava o chão – Você quer ir dar uma volta no parque comigo?
-Agora?
-É, mas se eu tiver atrapalhando seus estudos, não tem problema, eu intendo – Disse fazendo uns gestos estranhos com as mãos.
-Não, tudo bem, só perguntei por perguntar, deixa só eu trocar de roupa – Disse Nick se levantando.
-Não precisa, você esta lindo assim.
-Então tá – Nick pareceu meio constrangido.
-Quer dizer, essa roupa esta boa – Tentei me consertar, só que não deu muito certo.
-Então vamos? – Disse ele.
-Vamos – Disse.
Descemos as escadas em silencio, fomos até a porta da frente e saímos, enquanto andávamos em direção ao parque, eu tentava achar algum assunto.
-Então, Kevin não quis te dar aula hoje?
-É que quando ele chegou disse que estava cansado – Nick não me olhava – Ele disse que amanhã estudamos os dois capítulos.
-Hum, legal – Não achei nada melhor pra dizer.
Chegamos no parque, mas o silencio continuou, demos algumas voltas no parque, e eu não sabia como começar a falar, não poderia exigir que ele me contasse a verdade, então queria achar um jeito que ele não se sentisse pressionado, muito menos obrigado a falar, mas temos que concordar que ser levado pra um parque pra falar por que você esta agindo estranho, não é uma coisa que não te faça sentir pressionado, pelo contrario, isso não tinha sido boa ideia.
-Nick, eu te trouxe aqui pra te perguntar uma ultima vez – Nick fitava o chão – Está tudo bem? Por que você está agindo muito estranho, e eu quero que saiba que pode me dizer qualquer coisa.
-Joe, eu estou bem – Nick disse com uma voz calma.
-Eu sei que não esta tudo bem, posso te conhecer a poucos dias, mas sei que tem alguma coisa errada – Falava com calma – Mas não quero que se sinta pressionado dizer.
-Não tem nada errado – Nick ainda mantinha os olhos fixos no chão.
-Tudo bem, se você diz, eu acredito – Agora eu olhava para o chão.
-Na verdade, é que não tem importância – Nick foi até um banco e se sentou.
-Mas conte, somos amigos, não somos – Disse sentando ao seu lado.
-É que eu tive um sonho – Nick parecia nervoso.
-Que sonho?
-Um sonho com você.
-E por que isso fez com que você agisse estranho?
-É que no sonho nós... – Ele não conseguia terminar, como se não achasse a palavra certa.
-Nós o que? – Eu tentava não pressiona-lo, mas a curiosidade era muito grande.
-Nós fazíamos uma coisa – Ele realmente não conseguia achar um jeito de falar aquilo.
-Que coisa?
-Aquilo.
-Aquilo o que?
-Joe, não se faça de desentendido, sexo! – Nick logo olhou em volta pra ver se ninguém tinha ouvido – Por isso fiquei estranho, toda vez que olhava pra você, eu me lembrava do sonho.
-Nossa! Eu não sei o que dizer – Eu realmente não sabia o que dizer.
-Viu! É por isso que eu não queria contar, você vai achar que eu sou um tarado que fica tendo sonhos eróticos com meus amigos – Ele parecia nervoso, pois falava muito rápido.
-Não é isso Nick, eu estou lisonjeado, nunca imaginei que alguém pudesse me ver assim – Eu me sentia meio envergonhado.
-Assim como? – Nick parecia realmente confuso.
-Como alguém excitante – Esse foi o único adjetivo que achei.
-Mas você é muito excitante — Nick disse como se nem tivesse pensado antes de falar – Por que você é bonito, legal e... Desculpa.
-Tudo bem – Eu ri, Nick parecia envergonhado com o que tinha dito.
-Mas você não vai ficar estranho comigo, achando que eu estou querendo te comer – Eu me impressionei com o jeito que Nick falou.
-Não, afinal, são apenas sonhos, todos temos e não controlamos o que sonhamos.
-Ufa! Que alivio, tinha medo de contar e você achar que eu sou tarado – Ele sorriu no final.
-Não, somos amigos, e devemos contar tudo um para o outro.
-Então você não me acha estranho?
-Não.
-Que bom! – Depois que ele terminou de falar nós rimos juntos.
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