Notas iniciais
E aê galera! Eu era um leitor fantasma, mas dps q escrevi essa história decidir deixar essa vida... kkkk Minha primeira fic, nunca fui de escrever nd, então se tiver algum erro e tals, desculpa! Espero q gostem, eu achei massa o enredo e creio q ficou um bom resultado. Boa leitura, deixa um comentário aê (y)

*****

— Terminei professora!

— Muito bem Maria Joaquina – a professora disse docemente, o que fez a linda garotinha ganhar uma expressão de superioridade para com os colegas de classe – Como foi a primeira a terminar a lição, assim que seus colegas terminarem, será a primeira a ler a sua história.

— Professora Helena, – Margarida falou e estendeu o braço para chamar a atenção – é que na verdade quem terminou primeiro foi o Daniel!

— Verdade, Daniel? – perguntou a mulher

— Sim, só não falei nada para não atrapalhar a concentração dos outros

— Bom, neste caso Daniel será o primeiro a ler. Maria Joaquina em seguida – o menino assentiu sorrindo pra professora que sorriu de volta.

— Exibido! E tinha que ser a intrometida da Margarida! – Maria Joaquina disse baixinho para si mesma claramente irritada.

[...]

— Pessoal, a gente não deveria fazer isso! Matar aula é completamente antiético e pode nos colocar em sérios problemas! – Daniel tentava advertir os amigos

— Ai Daniel, menos... – Valéria dizia já impaciente

— Daniel, meu caro amigo... – Paulo ia falando enquanto se colocava ao lado do amigo e passava o braço pro cima do ombro do colega – Pensa comigo: a gente vai no Rei Burgão, come, brinca até dar o horário da saída, depois volta pra cá e pronto! Ninguém vai ver a gente e a gorda da diretora é muito lesada pra sentir a nossa falta!

— Não sei não... – respondeu o menino

— E olha só, quem disse que a gente não veio pra escola?

— É, nós viemos... e paramos em frente!

— Cala boca Marcelina, ninguém te chamou na conversa – disse Paulo rudemente para a irmã mais nova

— É Daniel, vamo lá cara. Vai ter o novo Super-mega-locoburger, batata-frita, sorvete e muuuuuito refrigerante! – Jaime falou já imaginando toda aquela comida – Sem falar que sem todo mundo não tem graça, aliáis: “Da força se faz a união forte!”

— É “A união faz a força”, Jaime. E não adianta, eu não vou e vocês deveriam fazer o mesmo!

— Ai Daniel, para de ser medroso e tão almofadinha! Se não quer ir não vai e pronto! Para de encher o nosso saco... – Maria Joaquina disse irritada com o menino

— Não é medroso, Maria Joaquina. É realismo... Eu também não vou! –afirmou Marcelina

— Eu também... – Margarida e Adriano disseram juntos

— Bom, nesse caso eu acho que eu também... – Davi ia falando quando sua namorada Valéria o interrompeu já gritando

— DAVI!!! Não se atreva a me deixar ir sozinha! Vem, você vai sim!

— Resolvido? Ótimo! – a meninas esnobe disse batendo palmas – Agora vamos antes que o chato do Daniel nos atrase mais ainda!

[...]

— Resposta válida! Quem gira agora? – Valéria perguntou para a rodinha de pessoas que se concentrava na garrafa que estava no centro

— EU! – Alícia respondeu e girou

— Caiu em Daniel. Vai Alícia, pergunta

— Deixa eu ver... Ahh, você ainda é BV? – perguntou a morena fazendo o garoto ficar vermelho

— BV é boca virgem, só pra constar! – Valéria interrompeu

— Hummmmm, eu... err...

— Pelo jeito, não precisa nem responder! – Paulo gargalhou e disse fazendo todos rirem

— Ooooownt, que gay. O Daniel ainda não é homenzinho! – Maria Joaquina completou. O que fez o resto rir mais ainda

— Não é nada demais, eu acho isso tão romântico... – falou Laura

— Para com isso gente... Aposto como muitos aqui também são e ficam se fingindo – Alícia ia falando e lançou um olhar desconfiado para Paulo

— Por que tá olhando pra mim? – perguntou ele

— Nada querido – ela disse irônica

— Mas não deixa de ser gay... – falou Maria Joaquina

[...]

— Então, pronto?

— Ahhhh, eu andei vendo e eu tinha que passar na biblioteca pra pegar uns livros emprestados...

— Para de enrolar Daniel! – Paulo bufou

— Mas e se a gente deixasse isso pra lá? É preciso perdoar às vezes, não é? – o garoto tentou convencer o outro

— Claro... QUE NÃO!!! Para de ser medroso! Ela te zoa, te irrita, tem inveja de você e ainda fala mal. Você tem que se vingar dela...

— É! No ano passado ele te chamou de gay... Ela feriu a sua honra! –completou o Kokimoto. Um silêncio ficou entre os três até que Daniel se manifestou:

— Tá, tá bom, eu vou! – Daniel concordou suspirando

— Isso aê garoto!!! – comemorou Paulo

— Toma, eu peguei sabor uva porque dizem que mancha bastante! 幸運 – o japa ia dizendo – significa boa sorte!

— Tá, chega. Vai lá e atrai a chatonilda... – disse o peralta para japonês ruivo que saiu em disparada na direção da garota – Ok, ela ta vindo. Agora é com você moleque, vai lá e manda ver!

Paulo empurrou Daniel que saiu meio cambaleando e andando nervoso na direção da garota. O copo de suco tremia na sua mão que suava cada vez mais. Maria Joaquina se aproximava e ficava mais perto a cada segundo, até que com toda coragem que tinha, Daniel esbarrou de proposito da garota derramando todo o conteúdo do copo na garota. Ela soltou um grito agudo – mais por histerismo, do que pela situação – assim que sentiu o liquido gelado em choque com sua pele.

— OLHA LÁ! A MARIA CHATONILDA VIROU UM SMURF ROXO!!! — Paulo gritou apontando para a enorme mancha rocha na blusa dela, que escorria e pingava suco de uva.

Maria Joaquina estava incrédula, mas logo ficou foi roxa de vergonha quando todos do pátio apontavam e riam da sua cara.

[...]

— Dá pra as duas retardadas andarem mais rápido e calarem essa boca! – Alícia dizia na frente das duas amigas

— Calma Alí, já falei. Pra que estresse? – Valéria falou com tom de ironia – Desse jeito ta parecendo que você é a responsável pela zoação!

— Oh gênia, se você não reparou, também somos responsáveis se nos descobrirem! – retrucou

— Mas é só como cumplices! A culpada mesmo vai ser a Majo aqui...

— Noooossa, ótima observação essa sua, Valéria! Pena que isso NÃO IMPORTA...

— Ai chega vocês duas! – disse Maria Joaquina – Vamos logo antes que toque o sinal! Toma Valéria, var cortando a fita adesiva que eu e Alícia vamos colando os cartazes.

Depois de uns minutos – meio tensos para as três garotas – alguns cartazes e fotos estavam espalhados pela enorme parede do pátio. Elas se afastaram um pouco e do canto de suas bocas brotou um pequeno sorriso, mas grande em maldade, e admiraram o “trabalho” feito.

— Nossa, eu tenho que admitir que “Daniel Zapata, saia do REDTUBE.COM e trate de estudar! #menos #putaria” foi a ideia mais top ever de todas! – afirmou Maria Joaquina

— Obrigada gata, eu sei que sou demais! – respondeu Valéria fingindo um reverencia.

— Agora é só esperar e ver o mico que o Zapata vai pagar na frente da escola inteirinha... – Maria Joaquina disse entre risos

[...]

Daniel já tinha colado o enorme cartaz bem no meio do refeitório, e esperava impaciente por Paulo.

— E ai, conseguiu trazer? – Daniel perguntou assim que avistou o amigo

— Cala essa boca, otário! Assim o colégio todo vai ouvir... – Paulo disse fazendo o outro revirar os olhos – Mas eu disse que ia trazer, não disse? Então tá aqui.

— Valeu cara!

— Só espero que a Marcelina não sinta falta, senão eu tou fudido!

— Relaxa. Se ela reclamar eu converso com ela...

— Run! Só espero que seja só uma conversa mesmo! – Paulo ia falando fazendo Daniel rir – Agora sério, nunca achei que você tivesse tanta coragem assim pra fazer isso tudo sozinho! Ganhou meu respeito!

Daniel pendurou a peça e voltou para o lado de Paulo. Assim que terminou de falar, o sinal do intervalo tocou e os dois trataram de se apressar para saírem dali. Depois de uns minutos, como se nada tivesse acontecido, eles voltaram e se sentaram a espera do alvo, que não tardou e vinha andando passando a mão nos cabelos.

— AMIGAAAAA... – Valéria barrou a garota – Não pira, mas eles aprontaram de novo!

— “Apresento-lhes o novo sutiã de enchimento da Maria Joaquina Medsen. Nova forma de fazer o seu peito crescer...” – a garota lia

— “Oferecimento: Ortobom espumas”. Ortobom espumas? Isso nem faz sentido, porque Ortobom só faz colchões! Mas olha pelo lado bom: o sutiã é bonitinho, além de ser de renda...

— Valéria pelo amor de Deus, CALA-ESSA-BOCA! – Maria Joaquina respondeu irritada enquanto olhava para Daniel, que ria debochadamente em algum canto com Paulo.

[...]

Alguns dispostos, outros nem tanto. Uns riam, outros liam e alguns estavam eufóricos. Dois ou três roíam as unhas ao passo que outra lixavam-nas. Muitas pessoas (especialmente algumas desta classe) acham educação física um saco e totalmente desnecessária, mas eram obrigadas a praticar, ou pelo ao menos estar presente nela, e era justamente isso que aquela turma faziam na quadra.

— Ohhh professor, vai demorar muito pra começar? Se não eu vou ali e sento... – Laura falou já cansada pela espera

— Por mim pode demorar mais, o tempo está passando e logo a “aula” acaba! – Maria Joaquina respondeu sem levantar os olhos do seu incessante movimento vai-e-vem com a lixa de unhas

— Não, não Laura, vamos começar agora mesmo, para infelicidade de ALGUMAS PESSOAS... – respondeu o professor diretamente para a garota

— E ai, vai ser o que hoje? Basquete, handebol, ou um babinha de leve? – Mário perguntou ganhando o apoio dos amigos

— Não sendo polichinelo, corridinha sem sair do lugar e andar em círculos pela quadra tá bom! – disse Bibi

— Lamento informar Bibi, mas teremos isso não só hoje, como em todas as nossas aulas!

— Professor, por que sempre os meninos que escolhem o que a gente vai fazer? – Valéria resmungou

— Isso ai! Nós também temos voz nisso aqui!! – Alícia completou

— Ok, já que estamos sem roteiro hoje, o que sugere Srta. Valéria Ferreira? – perguntou o professor

— Deixa eu ver... Ahhhhh não sei! – respondeu a garota fazendo todos rirem

— Palmas pra Valéria, que com sua resposta ajudou bastante na aula! – brincou Paulo

— Há-há-há muuuuuito engraçado Guerra!

— Professor... – sugeriu Margarida – Que tal baleado?

— Hummm, tá pode ser. Jogamos umas partidas...

— Ahhhhh não! O senhor não tá falando sério? – suplicou Paulo com a escolha do professor

— Seríssimo! – respondeu para indignação do aluno

— Qual a necessidade disso? Se eu quisesse brincar eu ficava em casa!!! – reclamou Maria Joaquina

— Muita Maria Joaquina! Você se movimenta, coisa que aparentemente você não faz, ativa seus reflexos e atenção, melhora a agilidade e também interage com os colegas, coisa que você também não parece fazer! – disse o professor

— É, para de reclamar e anda logo... – Alícia falou empolgada

— Bom, precisamos de duas pessoas para balear. Quem se...

— EU!!! – Daniel e Paulo responderam ao mesmo tempo sem nem mesmo o professor terminar a frase

— Ok, Paulo e Daniel!

Os dois pegaram uma bola cada e se posicionaram no fundo da quadra enquanto o restante ficava entre os dois e tentariam desviar das jogadas. Passadas as regras pelo professor, o mesmo soprou o apito para o inicio do jogo. Os dois amigos se olharam mais uma vez e assentiram com a “comunicação”. Miraram num dos alvos mais fáceis, aquela que estava quase na linha lateral da quadra e totalmente desatenta para o jogo enquanto ainda olhava para as unhas.

Quase ao mesmo tempo, a garota percebeu a pancada que recebia. Uma a atingiu primeiro e passou raspando (mas nem por isso deixou de doer) o lado esquerdo da sua barriga. Não teve nem tempo de tocar o local e já recebia a outra bolada vinda de trás da cabeça, fazendo-a quase descolar do pescoço e seus longos cabelos castanhos ficarem esvoaçados. Então, ouviram o som do apito.

— EI! EU DEIXEI BEM CLARO AS REGRAS NÃO FOI? – disse o professor repreendendo os dois garotos – Bolada na cabeça não! E forte, pior ainda!

— Ahhh foi mal professor, é que ela é o alvo mais fácil de toda a sala, então fica meio difícil segurar a emoção... – Paulo respondeu sorrindo, porém desfez ao ver a expressão do mais velho

— Desculpa professor, joguei muito alto! – Daniel disse se aproximando – E não sabia que Paulo iria escolher a mesma pessoa...

— Tudo bem Maria Joaquina?

— Está! – respondeu a garota retirando o cabelo do rosto e alisando o local da dor. Ela olhava diretamente para Daniel e provavelmente sua raiva estava consumindo 99,9% do seu corpo – Estou BEM!!!

— Pode se sentar na arquibancada se quiser... Vou pedir para alguém conseguir uma compressa de gelo pra você colocar na sua cabeça. – recomendou o homem. Daniel e Paulo se seguravam para não gargalharem naquele momento – Daniel!!! Já que foi o autor de tal, por que não faz esse favor para sua colega?

— Eu? – repetiu o garoto

— Sim, você mesmo! Valéria, a feminista, pode ficar no seu lugar...

— Mas... Ahhhh Ta bom! – suspirou. Agora Maria Joaquina que sorria vitoriosa, enquanto o colega saia da quadra e para, de certo modo, fazer uma das vontades dela.

A garota sentou no fundo da arquibancada e se pôs a assistir os colegas continuarem a jogar. Não demorou, e Daniel já estava vindo em sua direção e parou na sua frente, tapando a visão que ela tinha da quadra. Maria Joaquina levantou um olhar desprezível para Daniel que mantinha o braço estendido segurando a compressa, mas ela continuou parada do jeito que estava.

— Toma! – Daniel falou rude, sacudindo o que tinha em mãos e ela apenas rolou os olhos – Se não quer, eu devolvo!

— Me dá log... – a garota ia dizendo antes de o garoto puxar a compressa e rir. Ela lançou um olhar mortal para ele, mas isso não impediu Daniel de repetir o ato – PARA!

Ele estendeu o braço de novo, mas novamente puxou-o antes dela conseguir pegar a compressa de gelo. Irritada, a garota se levantou e olhou diretamente para Daniel, que ainda ria vitorioso.

— Por favor, você pode me entregar logo isso? – falou suspirando e estendendo a mão para que ele lhe entregasse. Ele a olhou um pouco desconfiado com tanta gentileza, mas acabou lhe entregando de vez.

— Pronto, com educa... – nem terminou de falar e Maria Joaquina já tinha tacado o objeto cheio de cubos de gelo em Daniel fazendo um paf assim que atingiu o seu rosto

— Obrigada, mas não quero mais! – respondeu a garota saindo do lugar e deixando o garoto tonto e com o rosto avermelhado pela pancada – E eu te odeio!

— Sério? – Daniel falou rindo – Eu te adoro!!

M. Joaquina

Eu não sabia onde ficar passando a mão, porque tipo: PORRA, tá doendo demais! Tanto a minha cabeça como o lado esquerdo do meu abdome doía e eu tenho a plena certeza de que vai ficar roxo amanhã, e dessa vez não é exagero meu.

— Ai que dó da minha amiga, tão solitária hoje... – Valéria ia dizendo assim que entrou na sala com as meninas

— Também, pudera né. Aquilo estava mais pra um soco do que pra uma bolada! – Margarida completou

— Menos gente... Eu só quero saber da Majo uma coisa: quem é a bola da vez? – falou Alícia sorrindo com a ironia, que aparentemente só ela achou graça. Eu simplesmente suspirei e revirei os olhos com tal besteira – Ahhh, qual é? Não entendeu? “Bola da vez...” “Bolada vez...”

Estendi o braço mostrando o dedo do meio bem próximo do seu rosto.

— Chupe! – falou empurrando a minha mão pra longe

— Meu Deus, quando foi que caímos tanto de nível assim? – disse Valéria levantando as mãos pra cima

— Já que é assim, eu quero saber de você uma coisa! – me inclinei na direção dela

— Pode falar, gata! – Alícia sorriu irônica como sempre fez, faz e vai continuar fazendo até se tornar uma velhinha moderna e sem noção, que ainda pensa que é novinha...

— Como é que você aguenta aquele energúmeno do seu namorado? – perguntei

— Seja mais clara, gata! Eu não sei de quem você está falando...

— Ai, para de se fingir de burra! Quem mais seria se não o ridículo do Paulo?

— E quem disse que eu e ele namoramos? – indagou-me não antes de uma gargalhada desnecessária

— Tá! Ficante, enrolado, amante, teu nego, qualquer coisa... Ele e o retardado do Daniel são dois ridículos e babacas! – cuspi aquelas palavras tão rápido que até mesmo eu quase não entendia o que falava – E pode dizer aos dois que vai ter volta...

— Ei, fala você, não sou mulher de recados!

— O sinal já tocou, eles devem estar vindo pra cá.

— Bando de porcos... – sussurrei

Mal Margarida tinha terminado de fechar a boca, o som que vinha do corredor anunciava que a porteira do curral estava aberta e lá vinham eles. Davi entrou primeiro (e assim que chegou já foi se chamegar com Valéria), e então ele entrou, sorrindo e se achando o rei do mundo – mas só se achando mesmo – e pior: ele ria de MIM!

A professora entrou logo em seguida ao pessoal, e devido aos acontecimento, eu acho que eu nunca fiquei tão contente com o inicio de uma aula como agora. Era de matemática, a aula que a turma menos faz gracinhas, a que tem o maior número de pessoas (realmente) prestando atenção e na qual eu sou uma das melhores da sala – se bem que em todas as matérias eu sou uma das melhores, dois beijos.

Fiquei em silêncio a pensar e a reparar como a sala estava disposta. Todos pareciam tão contentes com a rotina que estavam levando, mesmo que ela fosse chata e muitas vezes regulada – e coloca regulada nessa merda – meus amigos estavam se adaptando ao que estavam levando. Eles deixavam transparecer estar tão seguros do rumo que iriam levar depois que o ano acabasse e tivéssemos que concluir o ensino médio. Todos, exatamente TODOS. Do mais, digamos... tonto... iludido... NÃO. Desprovidos de raciocínio e realidade! Isso, até estas pessoas, até o Daniel estava. E ai eu percebi que eu não tinha nada planejado, nem um sonho pra correr atrás.

Minha vida sempre foi baseada no que meus pais queriam de mim. Sempre tive tudo que desejei, tudo que queria eles providenciavam fazer para que eu o alcançasse, até o meu futuro era algo planejado por eles. Mas agora, sinto que não fiz nada por conta própria – uma coisa relevante pelo ao menos – e não tenho certeza se quero ser o que planejaram para mim. Tipo, eu não me vejo sendo médica! Contudo, justamente agora, restando uns 3 meses pra acabar o caralho dessa escola, eu venho me dar conta disto, sendo que não faço a mínima do que eu realmente quero pra mim! Que MA.RA.VI.LHA Maria Joaquina!

Levantei e sai da sala sem nem dar satisfações à professora. Precisava tirar aquilo da cabeça ou iria me causar um Anador goela a baixo. Peguei o final do corredor em direção ao bebedouro e tomei um pouco de água. Fiquei um tempo parada naquele local e ficaria mais se não avistasse alguém saindo do banheiro masculino. Daniel caminhava em minha direção sustentando aquele sorriso de lado com o ar de vitorioso que ele sempre tinha e eu odiava. Perguntei-me como não o vi saindo quando ainda estava na sala – mas não tinha importância –, além do mais não estava suportando a sua presença e quando ele ia abrir a boca pra falar, ou cacarejar, eu imediatamente disse:

— Vai se fuder!

Ele riu e eu dei as costas voltando para a sala que infelizmente eu dividia com o próprio. Sentei de volta no meu lugar depois do questionamento da professora sobre aonde eu tinha ido, blá blá blá. A aula seguiu e já no finalzinho a professora começou a entregar as provas e as notas finais.

— ...Camila Alves, nota 9,1, Parabéns! Daniel Zapata – ela ia dizendo em voz alta – um dos meus melhores alunos, se não o melhor aluno, 10...

Quanta puxação de saco... DES-NE-CES-SÁ-RIO. Olhei para onde ele estava sentado justamente só esperando eu me virar para sorrir se sentindo o Einstein – e ainda me manda um piscada de olho!

— ...Lucas Pires, 7,5; Luana Azevedo, 6,9; Matheus Ferreira, 8,4; Maria Joaquina, também ótima e uma das melhores alunas – virei-me na direção de Daniel com a minha maior convicção e lancei meu melhor sorriso de desprezo – nota 9,9...

Eu ainda sorria para Daniel quando ouvi aquela barbaridade! 9,9!!! Voltei a olhar para frente e minha boca formava um completo “O”. INDGNADA refletia como eu estava naquela hora. Poxa professora, um décimo, UM DÉCIMO, o que é que custa! Enquanto isso Daniel gargalhava da minha cara e eu nunca me senti tão humilhada...

— Eu definitivamente odeio aquele garoto com todas as minhas forças! – digo assim que saio da sala junto com Valéria

— Hummmm... – ela respondeu com desdém

— Valéria, dá pra pelo ao menos me ouvir? Eu ouço você quando vem se lamentar sobre o Davi! – falei e jogando na cara dela

— Mas eu já ouvi isso de você o que, umas 150 vezes?

— Tá, mas o culp...

— E não me vem falando que não é culpa sua, porque é sim! Aliás tudo isso é culpa sua querendo ser sempre a melhor em tudo! E eu te disse que já era pra vocês terem parado com isso e que você não iria aguentar contra ele, não disse? Mas você ouviu? Não! Pra variar. Porque você é A FODA e pagou pra ver... – Valéria terminou e minha cara era de espantada misturada com raiva. Só não sei se é raiva do que ela falou, ou de saber que no fundo isso era verdade – Pronto falei!

— Hummm... Que seja! Já fiz, e não vai mudar a raiva que tenho por ele – eu ia dizendo enquanto voltava a andar na direção da saída

— Ai meu Deus, o que é que a Maria Joaquina tá resmungando? – falou Alícia assim que nos aproximamos. O que foi meio irônico, pois ela também estava resmungando

— Resmungando de novo, né! – Marcelina completou

— Adivinhem? – Valéria respondeu – É sobre a pessoa que ela mais ama...

— Hummm!!! Daniel pra variar, não é! – disse Laura

— Senhor, repreende! – falo

— Sim, e ai meninas, vão hoje pra social lá em casa?

— Social? – riu Carmem – Vou fingir que acredito em você Marce.

— Finja, mas vá gata! Hoje é sexta, o fim de semana já começou!

Party all the time!!! Estou colada... – falou Bibi

— Eu também – Valéria e Margarida disseram

— É né, se não tiver nada mais interessante pra fazer eu dou uma passadinha lá... – afirmei

— Eu não sei se vai dá pra mim – Carmem respondeu

— Ahhhh gente! Por quê? – Marcelina ia dizendo – Esse é o nosso ultimo ano no colégio, e depois não vamos mais nos ver todos os dias! Vamos fazer com que ele seja diferente, algo legal, curtir... – todas nós ficamos em silêncio pensando realmente no que Marce tinha dito.

— Bom, como eu falei, talvez eu dê uma passadinha! Agora eu já vou, porque meu motorista chegou! Beijos... – deixei-as lá enquanto murmuravam um “tchau” bem tosco.

Assim que cheguei em casa subi para o meu quarto e fiquei um tempinho vendo as novidades na net, mas logo tomei um banho e desci para o almoço. Meu pai hoje não pode vir – só hoje não, porque isso já ta virando quase uma rotina – por causa de algumas coisas que rolam lá no hospital, por isso fiquei conversando um pouco com minha mãe.

A tarde foi um tanto monótona, mas nada fora do comum. Adiantei as atividades do colégio, pintei as unhas com o esmalte DIVO que eu tinha comprado na semana passada e se resumiu a isto. Só que ainda tinha a tal festa na casa do Paulo. Não estava muito no clima pra este tipo de coisas, mas pensei bem e até que seria divertido já que minha programação pra hoje à noite era TV, internet, TV e cama, não esquecendo o whatsapp! Porém estava cedo e, de onde veio ninguém sabe, senti uma vontade gritante de sorvete Kibon sabor Diamante Negro! Mais do que depressa, troquei a blusinha por uma camiseta, arrumei o cabelo num coque alto e segui para o mercado que fica “perto” daqui de casa.

Praticamente corri em direção aos freezers e ao abri-lo foi como num filme daqueles bem retardados: o pote me esperava como se sorrisse enquanto aquela fumaça gelada saia lindamente da geladeira. Fechei a porta já com o pote nas mãos e o momento perfeito foi estragado quando um carrinho, daqueles de supermercado, bloqueou o meu caminho.

— Olha só que resolveu sair da dieta e se acabar em sorvete!

Paulo sorria com o carrinho lotado de bebidas – nem preciso dizer que eram alcoólicas – provavelmente para a tal festa de hoje à noite. Revirei os olhos e desviei dele, que infelizmente me seguiu.

— Olha Majo, desculpa por hoje. – eu o olhei desconfiada – É sério! Só fiz aquilo porque o Daniel me pediu... Você sabe o quanto eu gosto de você, não sabe?

— Hunrun... sei... – ironizei

— Mas e ai, vai aparecer hoje? – perguntou me bloqueando novamente

— Não! – respondi rude

— Ahhh qual é Majo? Todo mundo vai, faz uma forcinha aê...

— Pra que? Pra você e o seu comparsa ficarem me enchendo o saco a noite inteira? – quase gritei nessa hora, mas me recompus – Não, obrigada!

— Se isso te ajudar, tu vai ser minha convidada especial e eu prometo que não vou fazer nada contra você – disse cruzando os dedos e beijando-os

— Infelizmente... eu não prometo nada!

Daniel apareceu atrás de mim junto com Mário e mais umas bebidas. Eu simplesmente levante os braços suspirando e soltei um “cansei” bem cansado enquanto ia andando.

— Não liga não Majo! – Mário disse sorrido

— É, não liga não docinho! – Daniel completou. Mas neste momento eu me virei P da vida e falei alto o suficiente para que quem estava por perto ouvisse e deixasse ele com cara de trouxa.

— CALA A BOCA SEU BROXA!

Voltei para casa saboreando meu sorvete e quando eu subi para o meu quarto ainda tinha uma quantidade considerável no pote. Agora, meu Deus, com tantos supermercados nessa porra, eles tinham que ir naquele? Eu joguei pedra na cruz, só pode! Rolei na cama o restinho de tarde que me sobrava, e o tic-tac do relógio da mesinha acompanhou meu tédio nessa jornada.