Meu Glee Brasileiro
8 Semana de Entrosamento – Final
Notas iniciais
No vestiário feminino…
Nicole arrumava a saia do uniforme das líderes, ajeitando-a para que não ficasse muito curta. Seu celular vibrou no banco atrás dela, e ela tentou ignorar o mesmo. Era outra mensagem de seu padrasto, ela tinha certeza, mas não queria ver. Ela nunca respondia, e sempre escondia essas mensagens e seus sentimentos quanto a elas de todos, inclusive dos amigos e da mãe. Tinha medo do que poderia acontecer com ela.
Victoria, que tinha acabado de voltar do banheiro, olhou para ela.
—Seu celular está apitando que chegou mensagem. Não vai ver?
—Depois. Deve ser operadora. — Nicole respondeu, seriamente, logo mudando de assunto. — Já resolveu que musica você vai cantar com sua dupla no coral?
—Bom, eu e a Malu temos uma ideia, mas vamos nos resolver hoje e você?
—Bom, eu tenho que encontrar com o Otávio agora. — Nicole olhou o relógio do celular. — Caramba, estou atrasada. Tenho que ir. Até mais, Tori.
—Até mais. — Victoria disse, mas Nicole já estava fora do vestiário.
——x——
Victoria e Malu…
Maria Luísa tomava seu suco, perdida em pensamentos, quando Nathalie se juntou a ela, segurando uma latinha de refrigerante.
—E ai, Malu, beleza? Me diz uma coisa. Você sabe o que aconteceu com o Rafael? Se ele foi suspenso ou algo do tipo? — Ela perguntou para Malu, parecendo ansiosa.
—Tudo sim e com você? Eu não sei de nada, por quê? — Malu respondeu, voltando a tomar seu suco.
—Eu estava procurando ele. Precisamos resolver a música que vamos cantar no coral. Mas obrigada mesmo assim. Vou continuar procurando ele. — Ela fez uma careta entediada, e saiu da mesa, mas a calma de Malu não durou muito. Logo Victoria se juntou a ela.
—Oi Malu. — Victoria sorriu, enquanto abria o seu lanche natural. — Aceita?
—Não, obrigada. — Malu recusou, educadamente.
—Então, temos que resolver que musica iremos cantar na nossa apresentação. — Começou Victoria. — Eu estava pensando em algumas, sabe. Eu estou adorando o clube e quero fazer uma apresentação tão boa quanto as outras duplas fizeram.
—Também quero. Vamos ir bem. — Disse Malu. — Mas diz aí quais foram as suas ideias.
Victoria sorriu e elas passaram a discutir suas ideias, não demorando muito para chegarem a uma conclusão.
——x——
Nos corredores...
Nathalie andava, com as mão nos bolsos, atenta as pessoas no corredor, atrás de Rafael, que ainda não tinha dado o ar das graças por ali. Não estudava na sala do garoto e não achava ninguém que estudasse também. E não aparecia um jogador para a ajudar também.
O quão difícil era encontrar alguém dentro de uma escola do tamanho daquela?
Na pressa para encontrar o garoto, quando virou a esquina de um corredor a outro na escola, acabou batendo em alguém, indo os dois para o chão. Ou melhor, as duas. Olhou para a garota abaixo de si, que a olhava feio, o cabelo, antes arrumado, agora uma bagunça. Annabelle. Mas tanta gente para tropeçar, tinha que tropeçar na Cleópatra?
—Quer sair de cima de mim, sua tonta? Por que não olha por onde anda? — Annabelle berrou, irritada, atraindo atenção de todos para si.
—Você que entrou no meu caminho. — Nathalie disse, não querendo dar o braço a torcer, levantando-se do chão e alisando sua blusa.
—Peraí. O que? E ainda age como se eu estivesse errada? — Annabelle fez uma cara de incrédula enquanto se levantava. Ela também arrumou sua roupa, o uniforme das líderes. — E aonde a senhorita ia com tanta pressa assim?
—E te interessa? — Nathalie perguntou, mas logo já se emendou, afinal, Annabelle era uma líder de torcida, devia saber se Rafael tinha ido à escola. — Aliás, até que você pode ser útil para algo. Você viu o Rafael por aí?
—Está ali conversando com o Daniel e o Leonardo. — Ela disse e apontou para um ponto atrás dela. Nathalie olhou na direção apontada, mas não era o Rafael que ela queria.
—Não aquele Rafael. O outro. Sabe, alto, olhos azuis, pele clara… — Nathalie disse e Annabelle fechou a cara, involuntariamente. Sabia o Rafael que ela queria.
—Por que você quer ele? — Perguntou séria. Sabia que estava sendo meio infantil, não tinha sentido ter ciúmes de alguém que nem era seu. Que nem a notava direito. Mas ela não conseguia evitar. Já não bastava ele ter defendido Juliana no dia anterior, agora tinha Nathalie o procurando. Annabelle sentia que o tinha cada vez mais distante de seu alcance.
—Para dar uns amassos nele atrás da escola. — Nathalie, respondeu, ironicamente, olhando a outra, que pareceu ficar um tanto irritada, por mais que, ao que parecia, não quisesse demonstrar. — Responde logo se sabe ou não, que eu vou embora. Se o problema aqui é o que eu quero com ele, pode ficar sossegada que eu só quero resolver o negócio da música que vamos cantar no coral, ok?
—Ainda acho que não tenho motivos para te ajudar.
—Tudo bem. Você não é tão útil quanto pensei. Vou falar com a Juliana. Como a nova namorada dele, ela deve saber de algo. — Disse Nathalie, sarcasticamente, se virando para o outro lado, só para ver o que a outra ia fazer. Sabia que Juliana e Rafael nada estavam tendo, mas adorava provocar as pessoas, e a Cleópatra era a vítima agora. Aliás, ela parecia caidinha pelo Bad Boy, e Nathalie via aí um prato cheio de provocações. E ela adorava isso.
—O que você disse? — Nathalie sorriu com o tom de calma forçada da frase da outra e voltou a se virar para a egípcia.
—Que a Juliana e o Rafael estão tendo um caso? — A garota de cabelos verdes perguntou, se fazendo de desentendida.
—É. É isso. Que história é essa que eu não estou sabendo? — Annabelle perguntou, soando um tanto incrédula.
—Ah é. Esqueci que não era para te falar nada. Desculpa. Esquece o que eu disse, ok? — Nathalie tapou a boca, fingindo arrependimento com o que disse.
—Mas agora você vai dizer. Como assim eles estão tendo um caso?
—Ué. Eles andam por aí como um casal, sabe, trocam uns beijos daqui, uns amassos dali, e o que mais eles podem fazer entre quatro paredes… — Nathalie sorriu e Anna torceu o nariz.
—Argh. Mas ela acabou de terminar com o Douglas.
—A fila anda. E outra, nada a impedia de ficar com outra pessoa enquanto ainda namorava o idiota do ex dela. Ainda mais quando essa outra pessoa era alguém como o Rafael.
—Eu não acredito em você. — Disse Annabelle e Nathalie ergueu uma sobrancelha para ela, sorrindo cinicamente. — Estou atrasada para o treino das líderes.
E saiu andando, e bateu no ombro de Nathalie com o próprio ombro, de propósito, Nathalie sabia, mas resolveu não provocar mais a líder. Por enquanto. Seguiu para seu primeiro clube do dia, pois estava na hora de começar o mesmo e, além do mais, Rafael, se tivesse ido para a escola, estaria no clube. Sorrindo, adentrou a biblioteca.
——x——
Nicole e Otávio
Nicole se alongava no final do treino da lideres, quando Otávio adentrou o local, o que permitiu uma visão muito boa para o jogador das roupas intimas da líder, já que ela estava alongando as pernas, segurando o pé, tendo a bunda arrebitada. Precisou se concentrar muito em outra coisa para não pensar bobeira. Sabia as preferencias da garota. Teria Nick esquecido que marcara com ele de se encontrarem ali.
Quando chegou mais perto, notou que a garota sussurrava uma música. Uma música dos Raimundos. Não o tinha notado ainda.
—Nicole. — Otávio chamou a garota, que o olhou assustada.
—Ah, oi Otávio. Está a quanto tempo aqui?
—Acabei de chegar. Então, já pensou em uma música? — O garoto perguntou, indo logo para o assunto.
—Aah, bem. Para falar a verdade, não. — Ela pareceu envergonhada.
—E a que você estava cantando antes de eu falar com você? — Ele indagou, sorrindo.
—Mulher de Fases? — Ela perguntou, franzindo o cenho.
—Sim, essa mesma. Ela é legal, não é?
—É. Você acha que devemos cantar essa música? — Ela perguntou, e ele sorriu.
—Tenho certeza.
——x——
Na sala do Coral
Rafaela olhava para todos na sala. Nem todos estavam ali. Mas daria para apresentar algumas duplas. Mas ainda assim estava preocupada. E se os que não estavam ali desistissem? Afinal, todos eram lideres ou jogadores. E se Hellen estivesse fazendo a cabeça deles? Juliana, Roberto, Rafael e Bryan. O que será que acontecera com eles?
—Alguém sabe sobre os integrantes faltantes? — Ela perguntou para a turma. Algum deles tinha que saber.
—O que eu sei é que o treinador Valério chamou o Roberto para ajudar ele com alguns assuntos do clube, e acho que ele não vai conseguir terminar lá a tempo. — Raphael respondeu e olhou diretamente para João Flávio, para saber qual seria sua reação. Ele se manteve, aparentemente, calmo.
—A Juliana e o Rafael foram para a sala da diretora ver o que ela queria com eles e o Bryan não veio hoje para a escola. — Respondeu Mariana, e Annabelle fez uma careta de desgosto, mas logo voltou a uma expressão normal. — Mas não sei o que teve o Bryan para faltar hoje a aula.
—O Rafael veio para a escola, é? — Mariana assentiu para Nathalie, que tinha feito a pergunta. — E onde ele estava esse tempo todo?
—Na aula, depois foi direto para o campo de futebol, se eu não me engano. — Responde Mari, fazendo uma careta pensativa.
—E eu fiquei procurando ele igual uma doida hoje. — Disse Nathalie, séria, e cruzou os braços.
—Pelo que eu vejo, nem todas as duplas pendentes vão poder cantar hoje. Mas tudo bem, vocês cantam amanhã. Alguma dupla que ainda não cantou e que está completa se pronuncia para vir primeiro? — Rafaela perguntou, sorrindo alegremente, como sempre.
Nicole e Otávio se entreolharam. Otávio assentiu para Nicole e a garota sorriu, olhando para a professora e se levantando.
—Nós vamos. — Ela se dirigiu à frente da sala, sendo seguida por Otávio, e já foi dizendo a música para os músicos.
E a música Mulher de Fases, dos Raimundos, começou a tocar.
Otávio: Que mulher ruim
Jogou minhas "coisa" fora
Disse que em sua cama eu não deito mais não
A casa é minha, você que vá embora
Já pra saia da sua mãe e deixa meu colchão
Nicole: Ela é "pró" na arte de pentelhar e aziar
É campeã do mundo
A raiva era tanta que eu nem reparei que a lua diminuia
Otávio: A doida tá me beijando há horas
Disse que se for sem eu não quer viver mais não
Nicole: Me diz, Deus, o que é que eu faço agora?
Se me olhando desse jeito ela me tem na mão
Otávio: "Meu filho, aguenta.
Quem mandou você gostar
Dessa mulher de fases?"
Ambos: Complicada e perfeitinha,
Você me apareceu.
Era tudo que eu queria,
Estrela da sorte.
Quando à noite ela surgia,
Meu bem, você cresceu...
Meu namoro é na folhinha,
Mulher de fases.
Nicole: Põe fermento, põe as "bomba"
Qualquer coisa que aumente e a deixe bem maior que o Sol
Pouca gente sabe que, na noite, o frio é quente e arde e eu acendi
Otávio: Até sem luz dá pra te enxergar o lençol
fazendo "congo-blue"
É pena, eu sei, amanhã já vai miar... Se aguente,
Nicole: Que lá vem chumbo quente!
Ambos: Complicada e perfeitinha,
Você me apareceu.
Otávio: Era tudo que eu queria,
Estrela da sorte.
Quando à noite ela surgia,
Meu bem você cresceu...
Nicole: Meu namoro é na folhinha,
Mulher de fases!
Otavio: Complicada e perfeitinha,
Você me apareceu.
Nicole: Era tudo que eu queria,
Estrela da sorte.
Ambos: Quando à noite ela surgia,
Meu bem você cresceu...
Meu namoro é na folhinha
Todos na sala aplaudiram a dupla, que tinha ido muito bem. A professora sorriu para ambos. Eles agradeceram. Nicole olhou para seus colegas como quem não quer nada e notou Victoria sorrindo para ela. E, pensou Nick, piscando para ela. Será que ela estava vendo coisas ou fora verdade? Nicole sorriu e voltou para seu lugar, logo depois de Otávio, dando lugar a próxima dupla, que era Malu e Victoria. As duas assumiram seus lugares em frente a classe e disseram que música cantariam. Geração Coca Cola, do Legião Urbana.
Malu: Quando nascemos fomos programados
A receber o que vocês
Nos empurraram com os enlatados dos Usa, de 9 às 6
Victoria: Desde pequenos nós comemos lixo
Comercial e industrial
Mas agora chegou nossa vez
Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês
Ambas: Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola
Victoria: Depois de vinte anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser?
Malu: Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então, vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis
Ambas: Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola
Geração Coca-Cola
Geração Coca-Cola
Geração Coca-Cola
Victoria: Depois de vinte anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser?
Malu: Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então, vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis
Ambas: Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola
Geração Coca-Cola
Geração Coca-Cola
Geração
Todos aplaudiram, elas foram muito bem, e era uma música ótima. Como as duas duplas restantes estavam incompletas, a professora explicou algumas coisas sobre técnicas vocais para que os alunos pudessem melhorar mais e mais seus talentos e os liberou mais cedo. Todos foram felizes para suas casas. A semana estava acabando, e, na outra semana, teria um feriado prolongado. O Carnaval. Quer algo melhor na vida de um aluno?
——x——
Enquanto isso, na sala do diretor
—Eu só quero saber se a história que Rafael contou é verdade, Juliana. Se for, é algo muito sério e pode ter certeza que conversarei com Douglas e a mãe dele sobre isso.
Estavam na sala do diretor, ela e Rafael, conversando sobre o dia anterior. O diretor Farias já tinha deixado bem claro que nada aconteceria com eles, já que a briga ocorrera fora das dependências escolares, mas, como era um assunto sério, a violência contra as mulheres, o diretor queria conversar com eles sobre isso. Todos sabiam que o diretor era, absolutamente, contra a violência contra as mulheres. O que ninguém sabia, por que o diretor não conseguia falar, é que presenciou a violência doméstica dentro de sua casa, com seu pai batendo em sua mãe quase todo dia por motivos bobos, como uma calça que ela tinha lavado errado, de acordo com ele. E tudo movido pela bebida.
E depois pode presenciar a mesma coisa com a irmã mais velha.
Então ele não ia tolerar isso com suas alunas. Se não conseguiu fazer nada por sua mãe, por ser muito novo, ou por sua irmã, por que ela o proibia de se intrometer em sua vida, mesmo que fosse para se livrar do marido abusivo, ele faria pelas suas alunas, mas, para isso, precisava que Juliana admitisse que Douglas ameaçara agredi-la. E que o teria feito, se não fosse a intervenção de Rafael.
—Pode falar Juliana, e não tenha medo de Douglas, não vou permitir que ele chegue perto de você. — Prometeu Rafael para a amiga, que o olhou, ainda incerta, mas um pouco mais confiante. Rafael sorriu para ela, a incentivando.
—Tudo bem. É verdade, sim, diretor, o que Rafael disse. Douglas quis me bater por que entrei no clube do Coral e quis terminar com ele. Primeiro, ele me encontrou na frente da escola, quando eu chegava com Nicole, Victoria e Bryan, e me puxou com força para longe da mesma, tenho, ainda, o vermelho no local onde ele apertou meu braço, se quiser uma pequena prova. Mas tudo bem, ele me puxou para um beco não tão longe assim da escola, e gritou comigo antes de erguer o braço para me bater, e seria no rosto, mas não terminou o ato por que Rafael chegou bem a tempo.
—Tudo bem, Juliana. Você disse que Nicole, Victoria e Bryan estavam com você quando Douglas a encontrou na frente da escola, não é? — Juliana assentiu.
—Foram eles que chamaram Rafael e Otávio para me ajudarem. — A garota disse e abaixou a cabeça.
—Tudo bem. Vou conversar com a mãe de Douglas sobre isso. Podem sair agora. — O diretor disse e eles assentiram.
—Obrigada diretor. — Agradeceu, Juliana e se retirou da sala, sendo seguida por Rafael.
—Quer ir para o clube do Coral ou ir embora? — O garoto perguntou e Juliana balançou a cabeça.
—Embora. Não estou com cabeça para clube nenhum. — Ela disse, seriamente. O garoto assentiu. Eles pegaram suas coisas e seguiram para fora da escola. E Rafael, embora não fosse o maior cavaleiro do mundo, e sim, o playboy da escola, como diziam, acompanhou Juliana até sua casa. Não queria deixa-la ir sozinha, não hoje, quando ela ainda estava abalada com os acontecimentos do dia anterior.
Nenhum dos dois notou, mas eles estavam sendo observados.
——x——
No outro dia…
Liana, Beatrice e João Flávio estavam sentados no jardim da escola, no intervalo entre o fim das aulas e do clube, conversando sobre as ultimas noticias da escola. E, a notícia mais comentada do dia era: o possível romance entre Juliana e Rafael, sobre a maneira como ele a defendeu, e sobre a possibilidade de eles já estarem saindo antes do termino de Juliana e Douglas.
—Vocês acreditam nisso? — Liana perguntou, em um tom desconfiado. Essa história não tinha muito sentido para ela e ela, simplesmente, não conseguia por fé. Parecia mais uma conversa de um fofoqueiro que queria ver o circo pegar fogo.
—Não sei se é verdade ou não, mas não quero nem ver a cara do Douglas se ouvir essas conversinhas. — Disse João Flávio, conhecia a fama do jogador, e não era boa.
—É capaz de querer ir tira satisfação com a Juliana e ameaçar querer bater nela de novo. — Beatrice comentou, mais baixinho. Não queria nem pensar nessa possibilidade, mas… — Se for mentira tudo isso, é uma mentira de muito mal gosto, pois pode trazer consequências desastrosas.
—Temos que conversar com os dois e tirar essa história a limpo. — Disse Lianna, num ímpeto. E Beatrice concordou. Eles se levantaram e seguiram para o local de treino das líderes, falariam primeiro com Juliana, que parecia mais amigável. Depois ela se virava com Rafael.
–—x——
No treino dos jogadores…
Rafael e Daniel se encaravam, e Daniel deu um sorrisinho de canto para Rafael, antes de driblar o garoto, indo em direção ao gol, chutando a bola com a maior força que conseguiu, acertando a bola no fundo do gol. Daniel comemorou, enquanto Rafael bufava atrás dele e Roberto ria, no gol, da cara do outro.
—Está rindo do que, Roberto? — Perguntou Rafael, em um tom irritado.
—Da sua cara, oras. — O outro respondeu, como se fosse algo óbvio.
—Ainda bem que não dependemos de você como goleiro, senão levaríamos uma goleada pior que o Brasil na Copa. — Comentou Rafael e Roberto sorriu.
—Por isso que eu não sou o goleiro. — Revirou os olhos, Roberto. Nessa hora Daniel voltou para perto deles, seguido por Otávio, Leonardo e o outro Raphael.
—Tá bom, Roberto, passe o seu lugar para mim, que é a minha vez no gol. — Disse Daniel e Roberto saiu de muito bom grado. Odiava o gol.
Eles tinham ganho um dia de folga no treino devido a falta de Douglas no treino, já que o diretor queria conversar com ele. Então os seis estavam brincando um pouco na quadra. Um ficava no gol e os outros tentavam fazer o gol. Aquele que fizesse o gol, virava o goleiro no local do anterior. Sem timinhos, sem brigas, mal seguindo os fundamentos do jogo.
E eles estavam bem melhores assim.
—Oh, Rafael, agora falando sério. Ouvi falar de umas historinhas aí, sobre você e a Juliana… É verdade? — Perguntou Roberto, e jogou a bola para Daniel, para que ele começasse o jogo. O moreno fez uma careta, devido a pergunta de Roberto. Lembrou-se da conversa que tivera com Darby no dia anterior, e, por mais que não fossem próximos, não queria que a menina ouvisse a história e se decepcionasse.
—Que história? Não estou sabendo de nada não. Eu não tenho nada com a Juliana, só amizade. Estão falando isso por que a defendi daquele canalha do Douglas? — Ele perguntou, se revoltando. Odiava esses fofoqueiros. Sempre criando histórias.
—Bom, você a defendeu aquele dia, e agora, quase sempre são vistos juntos. Até foram embora juntos ontem, pelo que me foi dito. — Roberto disse. — Só queria saber se era verdade.
—Bom, não é. — Ele disse, sério.
—Vocês sabem que o Douglas não vai gostar nadinha se ouvir essa história, né? Ainda mais que tem umas versões dizendo que vocês já estão saindo desde antes ele e a Juliana terminar. — Dessa vez foi Otávio quem se pronunciou. Também ouvira a história.
—Bom, se ele vier tirar satisfação comigo, bato nele novamente. — Disse Rafael, sorrindo de canto.
—E eu vou junto. — Disse Daniel e Roberto concordou.
—Bom, se for para bater no Douglas, estou dentro. — Disse Roberto e trocou soquinhos com Daniel, que sorriu para eles.
—Bom pessoal, a conversa está boa, mas acho que precisamos ir para o vestiário tomar um banho. Já, já está na hora do coral e temos dois aqui que têm que se apresentar ainda. — Disse Raphael, já indo em direção ao vestiário, sendo seguido pela maioria, que tinha concordado com ele.
—Ah, qual é? Agora que eu ia ser o goleiro? — Reclamou Daniel, ainda parado no gol, e Rafael, que tinha ficado para trás, sorriu, batendo no ombro do moreno.
—É a vida, meu amigo. — Ele falou, dramatizando, e Daniel concordou com ele. E ambos seguiram para o vestiário.
——x——
De volta aos corredores…
Annabelle andava soberana com seu uniforme das líderes de torcida, já havia se passado dois dias desde o fim do namoro de Juliana com o Douglas, ele merecia realmente aquilo, a jovem nunca havia gostado dele, porém o fato de Rafael ter defendido a "amiga" dela, e todas as histórias que corriam na escola devido a isso, a deixaram ainda mais irritada. Felizmente, ela já havia decidido a tal música com o Roberto. Mas, ainda assim, a Cleópatra preferiria fazer dupla com um certo jogador de olhos azuis…
Ela então foi ao banheiro, pois ela tinha que mudar totalmente aquele visual de boa menina e futura capitã das líderes de torcida. Ela pegou uma sombra preta e um lápis de olho, passou um batom nude e pegou algumas pulseiras de tachinhas afiadas e colocou em seus pulsos. E se transformou, de rainha da beleza, para uma líder dark. Com as mãos na cintura ela andava por todas a escola, observando as pessoas com um olhar intimidador e sorriso frio. Pegou uma guitarra que estava na sala dos instrumentos musicais e foi direto para a sala do coral, onde todos se impressionaram com a mudança da garota e aquilo justificou o atraso dela:
–O que aconteceu, Anna? — Perguntou Rafael e a mesma deu um sorriso frio para ele. Era justamente ele que ela queria impressionar. Mas não diria isso a ele.
–Não é de sua conta. E como é mesmo seu nome? Ah, lembrei, Rafael. — Respondeu a garota com um sorriso sarcástico e debochado, logo depois se vira para a dupla dela, Roberto, dizendo — Vamos apresentar a música logo. — Ele ergueu uma sobrancelha.
–Claro Cléo. — Ele começou a dizer, sarcasticamente, mas logo se corrigiu, ao ver a cara da professora, que era a única que ele não contestava. – Annabelle. — Depois disso se levantou e era hora do show.
Os primeiros acordes da guitarra que Annabelle dedilhava já dizia qual música seria, "Razões e emoções" da banda NxZero, a dupla inusitada cantava muito bem juntos e Annabelle, mesmo que sem querer, acabava cantando para Rafael, enquanto Roberto cantava dando olhares para João.
Annabelle: Dizer, o que eu posso dizer.
Se estou cantando agora
pra você ouvir com outra pessoa
Roberto: É que às vezes acho
Que não sou o melhor pra você
Mas às vezes acho
Que poderíamos ser
O melhor pra nós dois
Só quero que saiba
Ambos: Entre razões e emoções a saída
É fazer valer a pena
Se não agora depois, não importa
Por você posso esperar
Roberto: Sentir, o que posso sentir
Se em um segundo tudo acabar
Não vou ter como fugir
Annabelle: É que às vezes acho
Que não sou o melhor pra você
Mas às vezes acho que poderíamos ser
O melhor pra nós dois
Só quero que saiba
Annabelle: Entre razões e emoções a saída
É fazer valer a pena
Se não agora depois não importa
Por você posso esperar, posso esperar, posso esperar..
Ambos: Entre razões e emoções a saída
É fazer valer a pena
Se não agora depois não importa
Por você posso esperar
Roberto: Entre razões e emoções a saída
É fazer valer a pena
Se não agora depois não importa
Ambos: Por você posso esperar, posso esperar
Posso esperar, posso esperar...
Assim que a música acabou a professora parabenizou Annabelle por saber tocar tão bem a guitarra, havia sido uma ótima apresentação e, assim que ela sentou, voltou a observar Rafael junto com a dupla dele, Nathalie. Apesar de tudo, Anna não conseguia omitir a raiva que sentia dele. Nathalie e Rafael foram até a frente da sala, seriam a última dupla do dia. Da semana. A garota disse a música para a banda, que começou a tocar a música. Inútil, do Ultraje a Rigor.
Nathalie: A gente não sabemos escolher presidente
A gente não sabemos tomar conta da gente
A gente não sabemos nem escovar os dente
Tem gringo pensando que nóis é indigente
Ambos: Inútil
A gente somos inútil
Inútil
A gente somos inútil
Inútil
A gente somos inútil
Inútil
A gente somos inútil
Rafael: A gente faz carro e não sabe guiar
A gente faz trilho e não tem trem prá botar
A gente faz filho e não consegue criar
A gente pede grana e não consegue pagar
Ambos: Inútil
A gente somos inútil
Inútil
A gente somos inútil
Inútil
A gente somos inútil
Inútil
A gente somos inútil
Nathalie: A gente faz música e não consegue gravar
A gente escreve livro e não consegue publicar
Rafael: A gente escreve peça e não consegue encenar
A gente joga bola e não consegue ganhar
Ambos: Inútil
A gente somos inútil
Inútil
A gente somos inútil
Inútil
A gente somos inútil
Inútil
A gente somos inútil
As pessoas aplaudiram os dois, eles foram ótimos. Eles agradeceram e foram para seus lugares. Rafaela tomou a frente.
—É isso ai gente, essa foi a nossa primeira semana juntos, e eu adorei passar ela com vocês. Vocês foram ótimos. Então, semana que vem é Carnaval, e é sobre isso que se tratará a nossa semana. Pensem em músicas que gostem com esse tema e a tragam para mim, e vamos aproveitar a semana para analisar seus dons para dança. Agora estão liberados. Até mais pessoal
Ela disse, sorrindo, e os alunos se despediram dela. Alguns gostaram do tema da próxima semana, já alguns odiaram o tema. Mas, mesmo assim, foram felizes para casa. Semana que vem teria feriado. Um feriado prolongado. E, quem não gosta de poder acordar mais tarde?
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