Meu Glee Brasileiro
3 Audições - Parte 2 - Final
Notas iniciais
O diretor encarava Yago com uma cara de poucos amigos.
–Explique-se agora mocinho. — ele exigiu do garoto em um tom não muito amigável.
–Diretor, você tem que entender. Eu faço parte da equipe do Jornal da escola. E minha área é a fofoca. O jornal foi um sucesso com essa história dos seus brinquedinhos sexuais. — ele explicou, como se aquilo não fosse nada demais.
–Isso é muito grave Yago. Eu posso perder toda a autoridade que eu tenho nessa escola. Os alunos não me respeitam mais. E eu levei uma carcada daquelas por causa disso do meu superior. — o diretor não estava muito feliz. — Eu deveria te expulsar da escola por isso, sabia?
Yago arregalou os olhos. Não podia crer.
–Diretor... — ele começou, mas foi cortado pelo diretor, que lhe apontou o dedo indicador.
–Quieto. Que eu não terminei. Mas, como o senhorzinho ainda não tinha me dado nenhum trabalho, vou lhe quebrar o galho e lhe dar apenas uma semana de suspensão por isso. Mas na próxima... — ele deixou a frase no ar, mas Yago entendeu que ele não teria mais nenhuma chance na escola se aprontasse mais uma.
Mas ele estava mais preocupado com as palavras Uma Semana de Suspensão. Isso não podia acontecer com ele.
–Não diretor. Por favor. Você não pode fazer isso comigo. — ele implorou ao diretor, que lhe olhou feio.
–Claro que posso. Ainda estou sendo muito bonzinho. Deveria ter pensado nisso antes de publicar essa matéria infame sobre minha pessoa.
–Por favor diretor. Eu faço qualquer coisa. Limpo a escola...
–Qualquer coisa? — o diretor sorriu para ele, de modo sombrio, já tendo uma ideia para castigar o garoto, e durante o ano inteiro.
–Sim. — mesmo relutante com o sorriso do diretor, Yago respondeu.
–Então, para não ser suspenso, você terá que entrar no clube do Coral, e, apesar de sua presença lá já ser garantida, você ainda terá que fazer as audições.
Yago arregalou os olhos. Sabia o que estavam falando do clube do coral, que seria aberto na escola, nos corredores da mesma. Seria uma vergonha para ele estar lá. Não podia acreditar que o diretor o estivesse obrigando a isso. Mas sabia que, ou era isso, ou a suspensão. Ergueu o queixo e olhou nos olhos do diretor.
–Tudo bem. Aceito fazer a audição do Coral e participar do mesmo.
–-x--
Enquanto isso, no lustre do castelo. Brincadeira, é só no corredor da escola mesmo.
Raphael corria pelos corredores da escola em direção ao auditório, com Roberto em seu encalço. Estavam atrasados para a audição do clube do Coral.
–Calma Raphael. A professora não vai nos impedir de entrar na sala por que nos atrasamos. — Roberto disse, ofegante, atrás do amigo.
–Eu sei. Mas eu queria ver as audições dos outros. — ele disse, apressado.
Roberto revirou os olhos e continuou correndo atrás do outro.
Finalmente eles chegaram ao auditório, onde um dos seus colegas que iriam fazer as audições tinha acabado de subir ao palco. Eles pararam na porta para recuperar o fôlego antes de irem sentar e passaram a prestar atenção no colega que iria se apresentar.
–Boa tarde. Me chamo João Flávio Zaparolli e cantarei Teto de Vidro, da cantora Pitty.
Ao ele dizer isso a música começou a tocar:
"Quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra (4x)
Andei por tantas ruas e lugares
Passei, observando quase tudo
Mudei, o mundo gira num segundo
Busquei, dentro de mim os meus lares
E aí, tantas pessoas querendo sentir
Sangue correndo na veia é bom assim
Se movimenta, tá vivo ouvir milhões de vozes gritando
Eu quero ver quem é capaz
De fechar os olhos e descansar em paz!"
Assim que ele terminou a música, todos aplaudiram, inclusive Roberto e Raphael. Ele era muito talentoso. Roberto sentiu algo diferente, mas não sabia o que era. O garoto chamou a atenção dele, mas devia ser só pelo talento. Ele achava. Raphael olhava o amigo um pouco estranho, e tentava chamá-lo para ir sentar. Mas Roberto não prestou muita atenção a isso. Ele só voltou a si mesmo quando seu nome foi chamado. Raphael foi então se sentar enquanto Roberto subiu ao palco. Disse a música a banda e foi a frente do microfone se apresentar:
–Boa tarde. Sou Roberto e cantarei Onde Estiver, do NX Zero. — e a música começou a tocar.
"Aonde estiver, espero que esteja feliz,
Encontre o seu caminho
Guarde o que foi bom e jogue fora o que restou
Tem horas que não dá pra esconder no olhar
Como as coisas mudam e ficam pra trás
O que era bom hoje não faz mais sentido, é
Uma hora isso ia acontecer,
A vida cobra e a gente tem que crescer
Me pergunto se você pensa em mim
Como eu penso em você
Aonde estiver, espero que esteja feliz,
Encontre o seu caminho
Guarde o que foi bom e jogue fora o que restou"
Quando ele terminou todos aplaudiram, inclusive João Flávio, mas não sabia por que prestou atenção nele. Pelo jeito ele não foi muito mal. Foi se sentar ao lado de Raphael que sorria para ele.
–Falei que você ia se sair bem? — Raphael disse para ele assim que ele se sentou.
–Mas eu ainda fiquei nervoso.
–Mas foi bem. — Roberto ia falar algo, mas Raphael foi chamado e ele foi ao palco. Roberto de ajustou para assistir ao amigo.
Raphael também conversou com a banda e foi se apresentar. Ele cantaria a música Ainda Bem, da cantora Marisa Monte. A música começou a tocar.
"Ainda bem
Que agora encontrei você
Eu realmente não sei
O que eu fiz pra merecer
Você
Porque ninguém
Dava nada por mim
Quem dava eu não tava a fim
Até desacreditei
De mim
O meu coração
Já estava acostumado
Com a solidão quem diria
Que ao meu lado você iria ficar
Você veio pra ficar
Você que me faz feliz
Você que me faz cantar
Assim"
É. Raphael realmente foi bem. Roberto aplaudiu o amigo assim como todos do auditório. O garoto foi se sentar em seu lugar enquanto outro aluno foi chamado. Otávio Mello, um de seus colegas do futebol. Roberto se surpreendeu. Olhou para Raphael que lhe retribuiu o olhar, erguendo a sobrancelha. Eles nem sabiam que Otávio gostava de cantar. Talvez estivesse ali apenas para zoar mesmo. Eles voltaram a olhar para o palco e Otávio estava no microfone para se apresentar.
–Boa tarde. Sou Otávio e irei cantar a música Pode Ser, da Banda do Mar. — a música começou a tocar e ele soltou a voz, que era muito bonita na opinião dos colegas de clube.
"Pode ser o seu cabelo
Ou o jeito que você anda
Pode ser o seu apelo
Pelos burros de miranda
Pode ser o sol da tarde
E essas coisas que ele traz
Dada sua intensidade
Ou a calma do meu mundo
Um dia eu vou ficar bem
Só pra te querer mais
Onde quer que eu ande bem
Domingo é pra te dar paz"
Todos o aplaudiram, inclusive o diretor e Yago, que tinham acabado de chegar ao auditório. Otávio desceu do palco e o diretor se dirigiu a professora e lhe disse que Yago queria fazer as audições, mas estava com vergonha de pedir. Claro que ele não iria falar a verdadeira razão de ter mandado o aluno ali. Rafaela era uma ótima pessoa, e não queria que ela se chateasse. Ela concordou e anotou o nome de Yago na lista para que ele fizesse as audições. Yago se sentou na primeira fileira do auditório, sério. E o diretor se retirou.
A próxima a ser chamada foi Liana. A garota subiu os degraus do palco confiante e foi falar com a banda. Ela foi até o microfone e se apresentou:
–Olá. Sou Liana Bonatti Alves e vou cantar Perdas, do CPM 22.
"Temos que absorver as perdas que a vida nos impõe
As perdas que às vezes nos derrubam
E não há tempo pra depois
Fico sempre de cabeça erguida
Encontro forças dentro de mim
E agora restam aquelas velhas fotos do tempo que passou
Já sei, não é a primeira vez
Cansei de perguntar por que
Só o que me deixa puto
É não ter tido tempo pra dizer tudo pra você
Melhor deixar rolar
Nada como um dia após o outro, continuar viver
Tenho que me levantar de novo, e acreditar
Dias melhores virão"
Todos a aplaudiram. Ela também tinha sido ótima. Mas quem não tinha sido, até agora, na presença de Roberto e Raphael? Roberto pensou, mas logo se arrependeu, pois o próximo a subir no palco foi péssimo. Depois que o carinha desceu, outro ser surpreendente subiu ao palco. Esse era Daniel Albuquerque, outro dos jogadores de Futebol, mas Roberto não gostava muito dele. Ele andava mais com o grupinho popular da escola, pessoas essas que Roberto não ia muito com a cara. Mas o aturava. Ele ainda era melhor que Douglas. Daniel se apresentou. Ele cantaria Diz para mim, da Banda Malta.
"Você está na sombra do olhar
Pensei em te guardar
Mas foi melhor assim
Na sombra do olhar
Tentei te encontrar
Mas nada além de mim
De onde estou posso ver
O caminho que me leva a você
Diz pra mim
O que eu já sei
Tenho tanta coisa nova pra contar de mim
Diz pra mim
Sobre você
Você está na sombra do olhar
Pensei em te guardar
Pra nunca mais ter fim
Na sombra do olhar
Tentei te encontrar
Mas nada além de mim"
Roberto ergueu a sobrancelha. Ele até que cantava bem. Mas não bateu palma e apenas observou o colega agradecer e descer do palco. A próxima chamada foi Darby GB Fernandez, que se apresentou e disse que cantaria Zen, da Anitta. Roberto se afundou no banco e jogou a cabeça para trás e a música começou a tocar. Raphael, ao seu lado, só fazia rir.
"Ooh ooh ooh ooh
Olha 'cê' me faz tão bem
Só de olhar teus olhos, baby eu fico zen
Coração acelerado a mais de cem
Juro que eu não quero mais ninguém
Você me faz tão bem (2x)
Olha
Baby eu não tô mais na idade
Se quiser ir embora fique a vontade
Esperava um pouco de maturidade em você
Olha
Tenta me levar a sério
Esse nosso lance já não tem mistério
Eu já te falei que tudo o que eu mais quero é você"
Todos aplaudiram novamente, menos Roberto, que só não ia embora por causa de Raphael, que estava ao seu lado e parecia estar interessado nas audições. Como ele era um bom amigo, ele ficaria ali. A outra chamada foi Beatrice Ferreira. Ela falou com a banda, assim como todos fizeram e se apresentou para os colegas.
–Olá. Sou Beatrice e vou cantar Quando A Chuva Passar, na versão da Paula Fernandes. — ela parecia ser mais tímida, notou Roberto, mas ele poderia estar equivocado. A música começou.
"Pra quê falar
Se você não quer me ouvir?
Fugir agora não resolve nada
Mas não vou chorar
Se você quiser partir
Às vezes a distância ajuda
E essa tempestade um dia vai acabar
Só quero te lembrar
De quando a gente andava nas estrelas
Nas horas lindas que passamos juntos
A gente só queria amar e amar e hoje eu tenho certeza
A nossa história não termina agora
Pois essa tempestade um dia vai acabar"
Todos a aplaudiram e a garota desceu do palco, um pouco corada. Ela realmente era tímida. Roberto, dessa vez, acompanhou as palmas, a garota tinha ido bem e merecia. E então o último da lista foi chamado. Yago Valentine´s, o garoto que o diretor tinha levado ali para fazer as audições. Ele não parecia ser tímido. E, pelo jeito do garoto, Roberto já não foi muito com a cara dele. Ele foi até a banda e depois se apresentou para a turma. Ele cantaria Sonho Real, do Rebeldes. Roberto cruzou os braços, erguendo a sobrancelha. Essa ele queria ver. A música começou.
"Eu não sei, como você faz
Só sei que, está dando certo
Aos poucos, foi se aproximando
Chegando, cada vez mais perto
Assumo, que mexeu comigo
Despertou algo que não conhecia
Conquistou o meu lado mais difícil
Se tornou bem mais que um amigo
Como um raio de sol
Em dia de chuva, você apareceu
E agora oque quero é te levar pra longe
E não olhar pra trás
Você me faz sentir em um sonho tão real
Dançando a noite inteira numa festa sem final
Foi como na primeira vez que gostei de alguém
Preciso de você
Você me faz tão bem..."
Roberto não podia negar que o garoto fora bem. Bateu palma, só que forçado. Yago estava olhando para ele e ele não gostou do olhar do garoto. Sorriu forçado para ele e o mesmo retribuiu. A professora subiu ao palco.
–Bom meus queridos. Estou muito feliz pelo interesse e participação de todos vocês. Não esperava tantas inscrições. Vocês foram ótimos. A lista de admissão estará no mural da escola amanhã de manhã. Estão dispensados. Até mais. — ela sorriu e todos se levantaram e saíram. A expectativa para saber se foi admitido ou não estava na cabeça de cada um. Até na daqueles que não queriam ir, como Yago, mesmo que ele soubesse que estaria dentro. Aliás, o único que tinha certeza que estava dentro. E, assim, eles foram para suas atividades.
–-x--
No outro dia....
A expectativa era grande. Quem tinha sido aceito. Os alunos iam e vinham do mural da escola e olhava a lista de aceitos dos clubes para os quais tinham se inscrito. Alguns comemoravam, outros ficavam chateados. Outros normais. Juliana, junto de Nicole, Bryan e Vitoria estavam na frente da lista do Coral, que tinha os seguintes nomes escritos:
Os quatro amigos comemoraram. Eles tinham passado.
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