Notas iniciais
Postei e saí correndo!!

Naquela manhã, Severus Snape acordou com uma dor de cabeça descomunal. Doía-lhe tanto, que a tarefa de se sentar parecia exigir todo esforço que possuía. Mas ele fez isso, ele se sentou, esfregou os olhos e bocejou com vontade ao se espreguiçar. Então, ao examinar o ambiente ao seu redor, o homem se sentiu confuso.

Não estava na cama, sequer estava no quarto. Estava no banheiro, dentro de uma luxuosa banheira de cerâmica, seminu.

—Tire esses unicórnios de cima de mim, eles estão cagando... — a frase estranha vinha do chão, ao lado da banheira.

Era Hermione. Snape olhou para o próprio corpo estirado no chão, usando apenas uma samba-canção, e não pode evitar estremecer ante a percepção dos fatos.

—Granger! — chamou, a voz rouca pelas horas de sono.

—É quentinho...

—Granger! — chamou um pouco mais alto, vendo que a mulher não acordava do que parecia ser um sonho bem estranho. —Granger, acorda mulher!

—Eu não comi! Eu não comi! — ela exclamou ao se sentar abruptamente.

—Que tipo de sonhos você estava tendo?

—Oi? — a morena levou as mãos fortes ás têmporas, massageando-as para amenizar a dor que latejava.

—Nada. Pode me dizer o que nós dois estamos fazendo dormindo no banheiro?

—Eu não faço a mínima ideia — ela sussurrou. —Minha cabeça está á ponto de explodir. O que nós bebemos?

—Nós bebemos? — ele bufou. — Que belo exemplo de professores nós somos! Enchendo a cara enquanto deveríamos estar cuidando dos alunos...

—Morgana poderosa! — Hermione levantou-se num salto. Ficou tonta, mas conseguiu cambalear até a pia. — Os alunos, Snape. Anda, levanta! Temos que vê-los!

Lavou o rosto e jogou um pouco de água fria na nuca, depois pôs-se á procurar pelas roupas negras que estavam jogadas pelo amplo cômodo.

—Como fomos capazes de deixa-los sozinhos! Crianças! Crianças não, pior, adolescentes! — ela tagarelava sem parar, culpando Snape por qualquer que fosse os problemas que teriam.

O homem, entretanto, não conseguia parar de pensar em uma coisa: Estavam trancados e quase sem roupas em um banheiro.

—Nós transamos? — ele perguntou, interrompendo o fluxo de palavras de Hermione.

A morena, com as calças na mão, se virou lentamente para ele.

—Não! — riu, sem vontade. —Claro que não! Nós... Quer dizer... Não. Eu me lembraria.

—Eu me lembro de uma coisa ou duas —Snape disse em olhar para ela. —Nossas roupas não se tiraram sozinhas.

—Oh meu Merlin! Nós fizemos?!

—Não sei, tudo sobre a noite passada é uma confusão na minha cabeça.

Por um momento os dois não disseram nada, perdidos em pensamentos conflitantes. Teriam feito sexo? Se sim, o que isso mudava na relação deles? Snape tinha que se lembrar. Ele apenas não podia acreditar que perdera o controle sobre si mesmo, que perdera uma lembrança que deveria ser memorável! Ele se lembraria, daria um jeito de lembrar de cada mínimo detalhe.

—Vamos nos vestir e ver como estão as crianças. Falamos sobre isso mais tarde— decidiu Hermione, desconfortável com a ideia de ter feito sexo com Snape.

Não era o sexo que a incomodava, sim o fato de que estavam bêbados. Ela não queria nada assim, queria ter controle sobre suas atitudes e mente.

Snape se vestiu, por fim, e quando ambos estavam apresentáveis, destrancaram a porta para encarar as consequências de uma noite longa em Vegas.

Adolescentes dormiam pelo quarto. Nas camas de solteiro, alguns no chão, um deles sobre uma poça de vômito. De algum jeito Hagrid e Flitiwick estavam ali também, deitados perto da porta.

Hermione fez as contas, enquanto Snape limpava o garoto que tinha vomitado.

—Estão todos aqui. Muito bom, muito bom —ela suspirou aliviada. —Todos vivos, bem e devidamente vestidos.

—Viu? Somos professores excelentes! — Snape disse com sarcasmo, então começou a acordar os alunos com berros. —Acorda macacada! Temos um dia cheio de coisas maravilhosas programadas. Todo mundo escovando os dentes e se arrumando, vamos descer para tomar café em cinco minutos.

Hermione se encarregou de levar os meninos para o outro quarto e todos se arrumaram para o café. Pelas reclamações de dor de cabeça dos alunos, ela soube que as crianças também haviam bebido, o que aumentou a grande ressaca moral na grifana. Mas ela se consolou com a ideia de que tudo deu certo no fim das contas.

Desceram para o café apressados, já todos pareciam absolutamente famintos, menos Hagrid e Flitwick que estavam estranhamente assustados. Olhavam por sobre o ombro à todo momento, e mal tocaram em sua comida.

Enquanto Hermione comia, tentava se forçar a lembrar dos detalhes da noite passada. Lembrou-se de um beijo na pista de dança, e sorriu por isso, lembrou-se também do calor do olhar de Snape após o beijo. Lembrou-se de comer bolo... Bolo.

Foi então que a ficha caiu. Tinham comido bolo espacial.

—Caramba! — ela se inclinou para o lado, onde Snape estava sentado e sussurrou nervosamente em seu ouvido:—Mas que bolo, Snape! Tinha droga na nossa maconha! — obviamente o homem não entendeu. —Digo, mas que droga, Snape! Tinha maconha no nosso bolo!

—Que bolo?— o sonserina perguntou, bebendo um longo gole de seu chá.

—Ontem a noite, lembra? Nós não bebemos; comemos bolo... Bolo espacial!

E então todo o chá da boca de Snape foi parar no rosto de Hermione.

—Tá me dizendo que nós drogamos os adolescentes? — ele perguntou, segurando o riso enquanto limpava o rosto de Hermione com um guardanapo.

—Eu acho que engoli um pouco — a mulher falou baixinho, enojada. — Eu não quero viver num mundo onde eu engulo cuspe de Snape.

—Grifinórios dramáticos!

—Abre a boca aí que eu vou cuspir então!

—Professora? — uma das alunas chamou. Hermione respondeu por reflexo, mas logo disfarçou e deixou que Snape atendesse a pequena.

—Fala logo criança.

—É que eu não encontro Mary em lugar nenhum, nem Daniel.

—Como assim?

—Eles não estão no hotel. Acho que sequer dormiram aqui.

Claro que uma noite daquelas ia render um grande problema. Como Snape podia achar que estava tudo bem?

—Pensei que você tivesse contado os alunos lá em cima! —ele ralhou com Hermione.

—E-eu contei!... Mas posso ter contado o Hagrid e o Flitwick como alunos sem querer — ela percebeu, empalidecendo com a ideia de ter dois adolescentes perdidos por Las Vegas.

—Vamos atrás deles! —grunhiu um furioso Snape. —Hagrid e Flitwick, vocês vão cuidar das pestes.

—Mas nós temos um compromisso... — começou Hagrid.

—Não tô nem aí! —Snape puxou Hermione da cadeira. —As 10:00h um ônibus vai estar na frente do hotel para leva-los numa excursão pela cidade. Fiquem com eles o tempo todo, não deixe que se distanciem. Estaremos aqui quando vocês voltarem.

Ele entregou á Flitwick uma bolsa com os ingressos da excursão e algum dinheiro e saiu com Hermione.

***

Talvez fosse culpa da maconha que ingerira na noite passada, ou então o fato de ter dois alunos perdidos em Las Vegas, mas Snape estava sentindo uma enorme dor de cabeça. Por duas vezes tiveram que parar para que o mestre pudesse se recuperar.

Era uma pressão forte, podia sentir algo latejando na parte superior do crânio.

—É melhor você voltar pro hotel, eu procuro sozinha — Hermione sugeriu com preocupação.

—Não, tudo bem, já está passando — garantiu Snape piscando os olhos repetidas vezes. — Deve ter sido a maconha.

—Pode ser — aceitou a grifana.

— Vamos nos dividir — ele sugeriu. — Você procura pela Strip, eu vou refazer o nosso caminho de ontem á noite.

— Ok, mas tem certeza de que está bem?

—Tenho Granger. Só vamos encontrar esses fedelhos malditos de uma vez. Merlim sabe que Hagrid e Flitwick não vão conseguir controlar aqueles pestes por muito tempo.

Aquilo fez Hermione se mover. Já tinham problemas suficientes, não podiam deixar que os outros alunos fossem motivo de preocupação.

Enquanto os procurava, Hermione não conseguia entender porquê Minerva mandar os alunos para Vegas. Sério, ali não era lugar para um bando de adolescentes. Tudo bem, eles foram irresponsáveis, mas mesmo assim... Mesmo á luz do dia, a Strip era movimentada. Cheia de pessoas felizes entrando em cassinos, carros luxuosos deslizando pela pavimentação e varias coisas incríveis para ver.

Hermione acabou se distraindo e dando uma turistada pelo lugar. Afinal, que mal faria?

Ela encontrou uma lojinha de lembranças e saiu de lá carregada de presentes para seus amigos. Camisas que diziam: "Meu amigo esteve em Vegas e só me trouxe essa camisa feia!" para Harry e Ron, chaveirosinhos do Elvis Presley para Ginny e Luna, bugigangas coloridas para a Sra. Weasley colocar na estante de casa e até mesmo uma cueca que brilhava no escuro para George.

Estava rindo de si mesma quando foi abordada pelos seres mais estranhos que já vira na vida.

Um era alto e largo o outro baixinho e gorducho, mas estranhamente se pareciam muito. Devia ser o cabelo, ela pensou, ambos possuíam dreads looks. (verificar) Os dois tinham o olhar preocupado e olhavam para ela como se ela estivesse com algum animal perigoso na cabeça.

—Dude!— eles disseram para ela em uníssono. —Seu cabelo está carregado de energia ruim!

—Me-meu cabelo? — questinou ela , confusa. Segurando uma mecha do cabelo negro entre dois dedos.

—Sim, olha só — disse o baixinho, tomando a mecha de sua mão e a balançando de um lado para outro. —Tá todo molinho.

—Molinho de más energias, Brow.

—Pode crê!

—Claro, energias capilares — Hermione murmurou com um risinho de desdém. —Eu vou indo nessa, paz!

Bateu duas vezes no peito e fez o sinal da paz e tentou passar pela dupla, mas eles, com uma expressão muito séria no rosto, bloquearam sua passagem.

—Deixa eu adivinhar — o mais alto começou. —As coisas na sua vida estão confusas. Tudo está uma bagunça, como se nada mais fizesse sentido...

Brow numero 1 e Brow numero 2, como Hermione os estava chamando em sua mente, começaram a olhar para o ar, concentrados a tal ponto que até Hermione virou o pescoço para descobrir o que chamara a atenção daqueles seres estranhos.

Longos segundos se passaram até que ela percebesse que eles não estavam vendo nada.

Chacoalhou os cabelos e forçou uma gargalhada, o som chamou a atenção do dois que pareceram voltar de um transe.

—Tem nada de bagunça! Que bagunça o que? — ela troçou, empurrando de leve o brow numero 1. —Minha vida tá ótima! Primeiro, fiquei doente... Depois descobri... —Ela deixou a voz morrer, percebendo que não deveria falar de um assunto tão intimo com dois estranhos. —Bom, não importa! Tem esse negócio estranho de ter mudado de corpo. È estranho porque, né? Eu tinha uma coisa e agora tenho um coiso. Um coisão! —ela divagou olhando para as próprias calças. —È bem grande. Vou medir uma hora dessas... Enfim... Tá tudo muito bem, tudo muito bom! Ah, tem essa coisa rolando com o Snape. Ele é, tipo, um pé no saco, mas ás vezes ele é tão ... Não sei. Não sei o que sinto por ele, nem o que ele sente por mim, mas já que trocamos de corpos pode ser que tudo isso seja só amor próprio! To certa ou não to? Yow! Ela, rindo sabe-se lá do que, ergueu a mão livre no ar para que eles a cumprimentassem. Mas os dois apenas olharam para ela com expressões confusas.

— Ta uma bagunça mesmo — ela concedeu desanimada. —Nada faz sentido.

—È por causa do cabelo.

—Nós podemos dar um jeito nisso.

—Podem?

Não era uma boa ideia mexer no cabelo que nem dela era, mas no calor do momento, Hermione decidiu confiar naquela estranha dupla de dois.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.