Meu Estúpido Anjo
15 Lembranças...
Notas iniciais
Os olhos castanhos se abriram lentamente... Ouvia vozes ao longe, muitas pessoas falando ao mesmo tempo. Também ouvia alguém chorando, mas não conseguia distinguir quem. Via luzes fortes passando rápido, embora tudo parecesse meio embaçado. Além de tudo estava sendo sacudida. Não, não era isso... Era como se estivesse sendo empurrada em algo e esta coisa não parasse de balançar. Que lugar era aquele? O que estava acontecendo? Tudo se encontrava tão confuso em sua mente... Bem, nem tudo, uma coisa estava bem clara: a dor. Uma dor intensa que percorria todo o seu corpo, principalmente na perna esquerda. A dor era tanta que queria gritar, mas não tinha forças para isso, não tinha forças nem para perguntar onde estava.
"...alérgica a algum medicamento?", "...tipo sanguíneo?", "Ela tem...que possam... avisados?"
Ela captava trechos da conversa que se dava à sua volta, mas esses pequenos trechos foram suficientes para começar a entender o que se passava: ela estava em um hospital. Mas por que? Provavelmente tinha algo a ver com a dor intensa que sentia. Mas por que não conseguia falar? Era pela dor? O que caralhos tinha acontecido para ela estar ali?!
Foi então que se lembrou. Os pneus, o clarão, o grito, o impacto... TenTen fora atropelada. Agora sim tudo ganhava nitidez em sua mente.
As breves lembranças voltaram aos poucos, assim como a imagem de Neji desaparecendo diante de seus olhos.
Aquela recordação doeu mais que qualquer dor física que sentisse naquele momento. Aquela dor era profunda e angustiante, como se alguém estivesse dilacerando sua alma, arrancando seu coração...
Sentiu algo quente escorrer pelas laterais de seu rosto. Eram lágrimas. Chorava por ter perdido alguém que amava e nem ao menos ter conseguido fazer algo por ele. Nem sequer havia dito que o amava... Ele se foi sem saber... Se dar conta disso aumentou ainda mais a tristeza que se abatia sobre ela.
Saber que nunca mais o veria, que nunca teria a chance de lhe dizer o quanto o amava a estava matando.
Foi então que tudo escureceu mais uma vez. Mas ela ouviu uma palavra antes de tudo ser consumido pela escuridão: "Afastar."
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― Afastar! ― Gritava Kabuto com o desfibrilador em mãos, enquanto dava um choque em Neji, para que seu coração voltasse a bater ― Nada ainda. Retomar compressões. 150 miligramas de Epinefrina!
― 150 miligramas de Epinefrina! ― Respondia uma enfermeira, aplicando a droga no Hyuuga.
― Carregar 200 joules! ― Disse com o desfibrilador em mãos.
― 200 joules! ― Outra enfermeira gritou ajustando a carga no equipamento.
― Parar compressões! Afastar! ― Após se certificar de que todos se encontravam longe de Neji, ele usou o desfibrilador. Mais uma vez nenhuma reação ― Reiniciar compressões! 200 miligramas de Epinefrina! ― Após ter a droga aplicada, mais uma vez ele deu a ordem para pararem e se afastarem, para então dar um um choque de 270 joules no jovem.
Toda aquela tensão se refletia também fora do quarto, onde Hinata e Hiashi esperavam no corredor. O Hyuuga mais velho estava, como sempre, com sua expressão calma e ilegível. Já a azulada andava de um lado para o outro com as mãos juntas, murmurando uma oração que não cessava. Enquanto fazia suas preces, se perguntava onde estaria TenTen.
Foi então que viu Ino correndo pelos corredores, com roupas casuais, porém completamente encharcadas. Estranhou.
― Ino-san! ― Chamou ― O que houve?
Ao avistar a moça, a loira parou bruscamente, para não se chocar a mesma.
― Hinata! Como está Neji?! ― Ela parecia desesperada.
― Ele... Ele acordou. ― Os olhos perolados já estavam marejados ― Mas o coração dele parou e estão fazendo ressuscitação.
― Graças à Kami. ― Ino pôs a mão no peito deixando evidente seu alívio, mas depois assumiu uma postura séria. Precisava contar o que acontecera com a Mitsashi ― Aconteceu uma coisa horrível, Hinata.
A expressão séria da mulher deixou a Hyuuga alarmada e chamou a atenção do mais velho.
― O-o que houve? ― A pergunta veio acompanhada de uma dor no peito. Algo grave havia acontecido, podia sentir.
― É a TenTen. ― Olhou para ambos e decidiu que a melhor coisa a se fazer era ir direto ao ponto ― Ela foi atropelada, o estado é grave.
― O quê?! Co-como? Onde?!
― Depois de receber a sua ligação ela saiu correndo em meio a chuva para vir até aqui. ― Olhou para Hiashi com certa censura ― Acabou por ser atropelada.
― Meu Kami... ― A moça deu alguns passos até uma cadeira e se sentou, pois sabia que, caso permanecesse em pé, cairia. Aquilo era difícil de acreditar. Mal Neji tinha acordado, TenTen estava entre a vida e a morte? Que droga de destino era aquele?! Será mesmo que Kami tem um senso de humor assim tão cruel?
― Eu estou esperando notícias dela, mas como ela está na sala de cirurgia, eu vim até aqui ver como Neji estava, afinal... ― A Yamanaka não precisava terminar a frase, todos ali foram capazes de compreender.
Aquela situação era realmente inacreditável. Era quase como se algo não quisesse que os dois ficassem juntos, não poderia existir outra explicação.
A porta do quarto se abriu de súbito, atraindo a atenção dos três. Hinata se levantou e os três se aproximaram de Kabuto, que os olhava com uma expressão indecifrável.
― E então, doutor, ― perguntara Hiashi ― como meu sobrinho está?
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Do lado de fora do centro cirúrgico, todos estavam desesperados. Ino havia ido ao encontro de Hinata para saber o que houve de fato com Neji, mas ainda não voltara. Não sabiam se aquilo era um bom ou um mau sinal.
Toda aquela espera deixava a beira da loucura. Ter una amiga naquelas condições e saber que não havia nada que pudessem fazer era mais que doloroso. Enquanto todos ali faziam orações silenciosas, Ino e Hinata se juntaram a eles.
― Ino! ― Sakura — que foi a primeira a vê-las — foi na direção das duas ― Oi, Hinata. E o seu primo?
― Ele está bem, Sakura-san. ― Deu um meio sorriso ― Ele acordou.
Ao ouvir aquilo, todos os presentes ficaram surpresos. Sinceramente, eles estavam esperando por outra notícia.
― Co-como? ― Lee questionou ― Ele saiu do coma?
― Sim. ― A Hyuuga confirmou ― Ele acordou do nada. E a primeira coisa que ele falou foi o nome de TenTen.
Saber disso deixou todos muito felizes, pois significava que todos os seus esforços ― e os esforços de TenTen ― valeram a pena. A morena ficaria tão feliz quando soubesse... Mas naquele momento o foco era torcer para que ela saísse dessa.
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Dois dias depois
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― Ela já não devia ter acordado? ― Uma voz conhecida soava longe.
― Calma, Deidara-san. ― Outra voz — dessa vez feminina — também foi ouvida, assim como un riso baixo ― Ela logo vai acordar.
Abriu os olhos vagarosamente e, depois de se acostumar com a claridade, pôde constatar que se encontrava num quarto de hospital. Viu dois loiros conversando distraídos ao pé de sua cama, aparentemente, não notaram que havia acordado.
― Tem certeza, Ino-san? E se ela não acordar?
― Ela já acordou. ― Disse, forçando um pouco as cordas vocais, para que pudesse ser ouvida por eles.
E funcionou, pois ambos a olharam surpresos e então foram até ela, enchendo-a de perguntas. Depois de responder todas elas, só existia uma pergunta que a Mitsashi poderia fazer aos amigos:
― O que houve com Neji?
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Hanabi estava sentada na cama ao lado de Neji. Os dois nunca se deram muito bem, mas os meses em que ele ficou em coma foram difíceis para a família. Até ela sentira saudades do primo chato.
― É bom finalmente ter você de volta, Neji. ― Hiashi falou, surpreendendo o mais novo, afinal, o homem nunca foi de dizer tais coisas.
― Eu realmente fiquei em coma por tantos meses? ― A dúvida do rapaz era compreensível, afinal tudo ainda lhe parecia surreal.
Já sua prima mais velha, por outro lado, não parava de mexer no celular, o que o fez pensar em seu próprio.
― Onde está meu celular, Hinata?
― Está lá em casa, Neji-niisan. ― Respondeu voltando-se para ele ― Ele ficou intacto depois do acidente.
― Hun... ― Aquilo sim era estranho. O carro ficou destruído — segundo o que lhe contaram — e ele teve sorte por ter saído com vida. Como o celular não sofreu danos?
― Vamos, Neji-niisan. ― Se aproximou do primo ― O médico disse que não via problema em darmos uma volta pelo hospital.
― E por que eu iria querer dar uma volta pelo hospital? ― A cara confusa dele fez a Hyuuga ter vontade de rir.
― Tem uma pessoa que você precisa ver. ― O celular vibrou e então ela sorriu ao ver algo na tela ― E parece que ela está perguntando por você. Vamos logo.
Depois de mais alguns protestos, ela acabou o convencendo a ir seja lá onde queria levá-lo.
Após virarem alguns corredores, se viram diante de uma porta. Sua prima bateu e então ouviram um "entre" de uma voz que parecia familiar aos ouvidos dele.
Ao adentrarem o cômodo, viram três pessoas: uma mulher loira que usava jaleco — uma médica, obviamente -, um homem, também loiro, que os olhava com curiosidade e, deitada numa cama, uma morena de olhos castanhos, olhos esses que brilharam quando se encontraram com os dele.
― Neji... ― A voz dela estava embargada, os olhos marejados evidenciavam sua emoção.
O moreno a olhou por longos segundos, então voltou-se para Hinata com uma expressão ainda mais confusa e perguntou:
― Quem é essa moça, Hinata? De onde ela me conhece?
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