Notas iniciais
SIM! eu não morri, incrível não?
eu já tinha boa parte disto escrito, só não me sentia pronta para solta-lo
muitas coisas aconteceram e a parte deprimente do Percy saiu quase biográfica, o que me prendeu e me travou
Tenho o prazer de informar que as postagens continuam, só não me abandonem e quem sabe eu não abandono vocês xD
Sem mais delongas eu lhes apresento "Meu Diário, Seu Diário"
PS:espero que a formatação tenha ficado boa

Bem no sul da Louisiana, perto de Nova Orleans

Em meio a uma floresta entre árvores sempre verdes

Uma guitarra animada acompanhava a melodiosa voz de Nico di Ângelo, os dedos rápidos e ágeis de Grover Underwood na guitarra secundaria acompanhando Percy em um ritmo frenético.

Ficava uma velha cabana feita de terra e madeira

Onde vivia um caipira chamado Johnny B. Goode

O baixo suave de Luke Castellan acaricia os ouvidos de quem quer que passe perto daquela revirada garagem, não havia problema, afinal, ele era o único a morar naquela casa mesmo.

Que nunca havia aprendido muito bem a ler ou escrever

Mas ele conseguia tocar uma guitarra como a campainha


Dono de cabelos cor de trigo dourados e olhos incrivelmente azuis Luke sempre fora e seria sempre o mais “responsável” da banda. Com uma mãe viciada em álcool e um pai que nunca tivera participação real em sua vida o pequeno garoto apreendeu desde cedo a se virar e, por consequência, indo por maus caminhos.

A única vez que Luke viu seu pai, Hermes, foi no tribunal aos 16 anos quando o homem de olhos como os seus ganhara sua guarda sem ao menos lhe dirigir a palavra.

Ele era casado, tinha dinheiro e influência e era exatamente por isso que o garoto o odiava. Por que May beberia tanto se não para afogar as mágoas de um amor que não dera certo? Um amor que lhe concebera um filho com os mesmo olhos daquele que a abandonara.

Sua mãe nunca o encarava – ao menos não sóbria – era doloroso demais olhar em seus olhos, eram muitas lembranças para a pobre May suportar e Luke não a culpava, ele mesmo odiava seus olhos cor de céu. “Você tem os olhos dele, Luke querido” ela o contara uma vez em uma de suas primeiras crises alcoólicas quando o loiro tinha apenas 8 anos “Mas nunca seja como ele Luke me prometa isso”.

E ele prometeu, odiando quem quer seja que a tivesse deixado assim: destruída e humilhada.

Porém mesmo bêbada a voz de May era sempre suave com Luke, menos quando ela a confundia com ele.

Vamos, vamos, vamos Johnny vamos


“Por que você me deixou?! Por que você se foi?!!” ela gritava “Você disse que me amava!”.

“Eu amo você, mamãe, sempre vou amar!” o pequeno menino de 11 anos estava desesperado “acredite em mim, mamãe” ele repetia “não chore, por favor”.

E eram poucas às vezes – entretanto sempre dolorosas – em que os olhos nebulosos de May brilhavam em compreensão.

“Por que você tinha que de ter os olhos dele, Luke?” ela chorava “eu odeio os seus olhos, são olhos de um mentiroso”.

Vamos, vamos Johnny vamos

O teclado ligeiro de Nico o despertara de seus pensamentos.

As coisas não estavam tão mal agora que recebia um bom dinheiro semanal do pai. Dinheiro este que vinha pelo correio.

Nunca havia contato direto e Luke não reclamava. Ele até preferia.

Já era humilhação demais viver numa casa e estudar numa escola que era completamente paga por ele.

Vamos, vamos Johnny vamos

Na bateria estava Charles Beckendorf, um negro de olhos chocolate e braços extremamente fortes devido a horas e horas tocando bateria.

O garoto com hiperatividade tocava desde cedo como uma terapia própria além dos remédios normais e a pratica de esportes. Charles não era só o baterista como também o capitão do time de basquete.

Musculoso como era Beckendorf sempre fora confundido com os outros brutamontes da equipe da escola, os típicos bullys.

Grosseiros e valentões, eles sempre “reinaram” no colégio e ninguém nunca era capaz de contradizê-los ou julga-los, ao menos até a chegada do garoto de pele escura.

Charles era efetivamente calmo e odiava o modo rude como todos eram tratados pelos esportistas, porém odiava ainda mais o medo nos olhos de qualquer um quando o viam com a jaqueta do time.

Já era difícil conseguir criar laços afetivos com um perfil tão... grosseiramente másculo? Nem ele saberia se definir, mas com aquela jaqueta juntar amigos ou até algo mais que isso parecia impossível.

Isso é claro se não contarmos as lideres de torcida.

Garotas que mais parecem cachorras no cio quando se tratava de atletas.

Vamos, vamos Johnny vamos

Mas Beckendorf era romântico e clichê, um coração mole coberto de músculos muito bem trabalhados. Para ele “namorar” queria dizer “amar” e não apenas pegar e largar como os outros esportistas assim o consideravam.

Ele teve de se tornar bravo, firme e rude para se quer ser ouvido pelos outros jogadores, e, enfim, se tornar capitão conseguindo acabar com 70% das constantes agressões a nerds, novatos e até veteranos.

Era incrível a quantidade de preconceitos que a escola possuía.

“Somos todos iguais”, era o que Charles pensava “não importa a cor, o que vestimos, pensamos ou sentimos, somos todos iguais, só algumas pessoas que são cegas demais para não verem isso.”.

Charles era calmo, mas tocar aquela musica pela, agora, vigésima sétima vez já o estava irritando.

Vamos Johnny B. Goode

Distraído, os dedos de Percy esbarraram nas cordas erradas da guitarra ocasionando um em um som extremamente agudo e ensurdecedor.

As baquetas de Beckendorf voaram pela garagem, com o negro desistindo de tocar qualquer ritmo por mais um segundo que seja.

– Droga, Percy! – exclamou Charles – é milésima vez hoje! Grover eu entendo, mas você?

Nico suspirou.

– Certo pessoal – seus dedos pálidos desconectando os fios de seu velho teclado, ele cruzou os braços assumindo sua típica imagem de líder da banda – é tudo por hoje.

Os meninos sopraram ar, levemente cansados.

Já não poderiam mais suportar aquela maldita musica, não que Johnny B. Goode de Chuck Berry não fosse legal, era um clássico! Mas errar sempre na mesma parte ainda nem na metade da musica sem nunca termina-la irrita qualquer um.

Beckendorf já estava acostumado aos pequenos erros e deslizes na guitarra de Grover, mas Percy? O Jackson sempre fora extremamente centrado nas musicas, quase como se ela libertasse sua mente raramente errando qualquer nota por mais difícil que pudesse ser.

A música o libertava, mas nem ela poderia cura-lo de sua dor.

Os garotos sabiam que ele estava sofrendo, era bem visível em seus olhos sua enorme tristeza, mas o que fazer quando o de olhos verdes simplesmente não se abre?

Como tratar de um assunto ao qual você nem tem ideia do que seja?

Nenhum deles sabia e nunca teria o conhecimento do peso que Percy carregava em suas costas, não se dependesse dele.

Mas não dependia, ele só não sabia disso.

O moreno mal percebeu quando o de olhos orion o tomou pelo braço, confuso, o mais velho rodou os olhos pela quase acabada garagem de Castellan. Não havia ninguém lá.

– Onde estão os outros? – perguntou ele, agora mais atento.

Nico cruzou seus braços.

– Se prestasse atenção talvez você soubesse. – Percy nem ao menos se deu o trabalho de reclamar ou resmungar, arrumava suas coisas como se a resposta a sua pergunta não tivesse o mínimo prestigio para si e realmente não tinha, esse era o pior.

Desde que Tyson dera entrada no hospital internado quase nada parecia ter sentido real ou importância para Percy, a vida perdera seu brilho e seu charme, como assistir os acontecimentos através de uma janela quebrada no meio de uma tempestade.

Ele sabe que do outro lado da janela é quente, que se atravessar a porta ao seu lado os abraços e o calor de seus familiares poderiam esquentá-lo a noite toda, mas prefere a chuva com seu frio congelante que o impede de chorar e sentir.

É estranho e quase triste, quase.

Porque ele não sente.

Alegria, felicidade ou tristeza, ele não sente e... Sinceramente? O moreno preferia assim. Seu raciocínio diz que é mais fácil e seu coração sussurra que não dói.

Não há dor, e para ele é tudo o que importa.

– Guarde a palheta no bolso. – as sobrancelhas arqueadas de Percy são um claro sinal de sua confusão – Mantenha-as prontas para tocar a qualquer momento.

...

– Eu soube que ele engravidou uma ex e que ela está internada com risco de perder o bebê – cochichou uma loira, a saia de seu uniforme das lideres de torcida descendo levemente ao inclinar-se para frente proporcionando uma pequena visão de sua minúscula calcinha – Por isso as idas dele ao hospital.

– Eu soube que ele esta traficando remédios – disse outra, esta de cabelos castanhos com leves luzes em loiro – Não duvido de que esteja tomando alguns também.

Rachel Elizabeth Dare já estava cansada das inúmeras fofocas a respeito de seu suposto “namorado”, ela suspirou.

Para escola toda era assim.

Eles eram a garota e o garoto mais populares do colégio e se davam muito bem, para qualquer a quem se perguntasse dentro da escola eles eram o casal perfeito, mas fora dela eles eram apenas os melhores amigos de sempre, o que Rachel poderia fazer se ela se acostumara a beija-lo por pura amizade – um selinho carinhoso, nada demais – fora com ele seu primeiro beijo, mas eles eram melhores amigos, só.

Ela não tinha culpa se no minuto seguinte fora espalhado à fofoca sobre um namoro que nunca aconteceu.

A pobre Dare era pura demais.

Era.

Naquela época.

Por quê?

Porque naquele tempo não havia pressões, naquele tempo as perguntas ainda não vinham.

O que você quer fazer? Vai assumir a empresa, não vai? Como vai a escola? Namorados? E as notas?

Pobre Rachel...

Sendo filha única e herdeira do enorme império dos Dare o tema casamento era o mais tocado por sua mãe e o tema notas e estudo o mais tocado por seu pai.

Dos estudos e das notas ela até dava conta, mas casar? Isso não deveria ser por amor?

Na época ela acreditava em príncipes encantos, que alguém –além dos demais – olharia em seus olhos e tudo seria diferente, que ela poderia ver sua alma e ele a dela.

Até agora não acontecera e provavelmente não aconteceria nunca.

Porque Rachel Elizabeth Dare já não acreditava no amor, ao menos não para ela.

Ela amava seus pais, claro, e amava Percy – como a um irmão – e só.

Mesmo agora andando com as lideres de torcida ou sendo a própria chefe delas. Aquelas garotas jamais poderiam ser consideradas suas amigas, a grande maioria delas andavam juntas apenas por compromisso.

Sendo uma líder de torcida, desejada por muitos e ainda com o boato do namoro as perguntas por parte da mãe eram menos frequentes, seu uniforme era seu escudo.

Seu uniforme e Percy.

Mas onde estava ele agora? Por que ele não vinha à escola? Ele estava bem?

Rachel estava tão preocupada que sinceramente, bancar a líder de torcida fútil e ignorante já a estava irritando.

O celular no bolso de sua jaqueta vibrou.

Show, hoje, às 17h –N

As sobrancelhas ruivas subiram levemente.

Traga as lideres –N

Você deve estar brincando comigo.

Nico sempre soube e seria lembrado constantemente de seu enorme ódio perante aquelas garotas. As lideres há algum tempo já haviam sido consideradas alguma coisa, elas tinham sido um símbolo.

As garotas mais animadas, divertidas e simpáticas de todo o colégio.

Como ela sentia a falta de Silena e Clarisse...

Tudo bem, Clarisse não se encaixava muito no sentido animado e simpático dado as lideres no 8º ano, a de olhos escuros sempre fora muito seria e fechada, principalmente com aqueles os quais não conhecia.

Seus olhos profundamente negros poderiam ser assustadores a primeira vista – disso ela sabia muito bem.

Um esbarrão com as líderes de torcida em seu primeiro dia de aula quando a inocente Rachel era apenas mais uma novata sob os temíveis olhos escuros de Clarisse La Rue e suas respostas duras e curtas diante qualquer tentativa de desculpas por parte da ruiva foi o suficiente para quase faze-la chorar.

Mas quando ouviu as risadas sinceras e não debochadas de Silena Beauregard a pequena Rachel suspirou de alivio.

Os olhos de Silena eram sempre gentis e Rachel nunca poderia chegar a um numero aproximado de vezes em que já se perdera naquela confusão de azul, verde, marrom e, especialmente, bondade.

Tão delicada e bonita quanto uma escultura de vidro.

Parecera até difícil para Rachel acreditar que Silena era nada mais, nada menos, que a capitã das lideres de torcida, porém a ruiva tardara ainda mais em se acostumar a mais estranha e verdadeira amizade que já vira na vida.

Era incrível como a benevolência e suavidade de Silena completavam e amaciavam as duras e frias atitudes de Clarisse.

Rachel vira com os próprios olhos e sentira na própria pele as mudanças de Clarisse no decorrer de seu tempo nas lideres.

Ela se tornara mais compreensiva, com palavras mais suaves e no decorrer dos anos havia inúmeros sorrisos, risos, palavras sinceras, reconfortantes e calorosas por parte das três.

Se todas as lideres andavam juntas naqueles dias era por prazer e não obrigação.

Quando a capitã e a vice-capitã saíram por seus próprios motivos cada uma Rachel presenciara as terríveis mudanças em cada uma das outras lideres, garotas que algum dia foram alegres e cheias de vida.

O resto das lideres se sentira desolada, jogadas a um lado por motivos nem ao menos revelados ou explicados.

Passando a chamar a atenção dos outros com saias curtas ao invés da notável sensação de jovialidade a qual as lideres de torcida deveriam passar.

Escondendo em futilidades todo seu rancor.

Mas mesmo que a ruiva não tenha se deixado levar por isso – mesmo que em seu interior sua amizade e imensa admiração para com Silena e Clarisse continuassem firmes e fortes – nestes três anos ser uma líder significa ser pateticamente frívola e estupidamente imbecil, e Deus! Rachel adorava ser uma líder de torcida.

Aquele uniforme lhe dera os melhores anos de sua vida e ela se recusava a desistir dele. E Rachel sentia tanta a falta daqueles dias felizes...

Era como se de algum modo ela tivesse esperanças de que os bons tempos voltariam.

Afinal, tudo é possível.

... Não é?

Rachel esperava que fosse.

Para a desgraça da ruiva agora elas eram apenas as garotas fáceis.

É incrível como as coisas mudaram em apenas três anos.

O celular em sua mão vibrou.

Ela ainda o estava segurava?

Por favor –N

As sobrancelhas ruivas subiram, em seguida, franziram com Rachel sacudindo a cabeça em busca de ordenar seus pensamentos.

Desde quando Nico pede “por favor”?

Sua surpresa foi tamanha que de olhos verdes só percebeu o olhar preocupado de Tânia quando a mesma lhe apertou levemente o ombro em busca de sua atenção.

– Está tudo bem, Rach? – os cabelos negros e repicados chicotearam de forma ligeira ao vento, atrapalhando em poucos momentos a visão de seus olhos caramelo.

Tânia fez uma pequena careta, Rachel sorriu.

– Nunca estive melhor – respondeu a ruiva, seu cotovelo direito apoiado em sua perna, sua mão sustentando seu rosto. Um sorriso ingênuo passou por seus lábios. – E então... Têm planos para esta tarde?

Nenhuma das outras lideres de torcida percebeu quando Rachel digitara uma frase em seu celular, apenas a de olhos caramelo pudera ler a breve pergunta.

De quantas irá precisar? –R

Ela só não havia lido a resposta.

Deixo isto a sua escolha –N


Notas finais
lembrem-se, sem reviews eu demoro mais
UAHUSHUAHSUASHUASH
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.