Meu Destino
5 Algo realmente estranho acontece comigo.
Notas iniciais
Quando chegamos ao refeitório todos os chalés já estavam em suas mesas. Cada campista olhou para Colin e eu –cansados, esbaforidos e vermelhos. Quíron pigarreou e disse:
–-Bem, eu gostaria de pedir que aos retardatários que sentassem em suas mesas. –ele olhou para gente.
–-Ah, sim –disse Colin –Nós já íamos nos sentar. –ele me ofereceu o braço –Rebecca, deixe-me levá-la até a sua mesa.
Eu aceitei, corada –as risadinhas das pessoas não ajudavam em nada. Ele me levou até a mesa do chalé 11, que, apesar de a sessão de verão ter acabado, ainda tinha muita gente, enquanto as outras mesas tinham poucas ou nenhuma pessoa. Meus novos companheiros de chalé me cumprimentaram com acenos de cabeça. Eu me sentei no canto da mesa.
Colin saiu dizendo que nos veríamos mais tarde. Ele se sentou na mesa de seus irmãos. Quíron chamou a atenção de todos e disse:
–-Como todos podem ver, nosso diretor, o Sr.D, não se encontra presente nessa noite. Porém, todas as atividades seguirão normalmente, exceto nossa captura à bandeira, que será adiantada para hoje!–todos os campistas deram vivas, e eu fiquei curiosa para descobrir como é esse jogo.
Todos nós prosseguimos com o jantar, todos muito entusiasmados. Antes de começarmos a jantar, todos se levantaram. Alguém do chalé 11 me explicou o que estavam fazendo: dando oferendas aos deuses. Quando chegou a minha vez de dar uma porção da minha comida para ser queimada, eu desejei silenciosamente que tivessem se enganado com o fato de eu estar aqui ou que, pelo menos, meu pai ou mãe falasse comigo, explicasse o que e como aconteceu –só pra deixar claro, eu sei como os bebês nascem, mas não foi isso que eu quis dizer.
Nada aconteceu.
Jenn, filha de Hermes, explicou-me como se jogava captura à bandeira, é mais ou menos assim: duas equipes escondem suas bandeiras na floresta, ganha quem encontrar a do adversário primeiro e cruzar o regato com ela. Nesse jogo, o chalé de Hermes está com uma bandeira e é aliado dos chalés de Atena, Demeter e Hefesto. A outra bandeira estava com o chalé de Ares, aliado de Apolo, Afrodite e Dionísio.
Foi então que Jenn me mostrou uma armadura para eu vestir. Eu devo ter feito uma cara muito engraçada, porque ela riu.
–-Você com certeza vai querer usar isso. –disse, parando de rir –E uma espada, e um escudo, e é claro, seu elmo.
Eu concordei. Nós duas nos preparamos para a batalha. E quando eu terminava de atacar a minha armadura, Colin passou por mim e, sorrindo maliciosamente, sussurrou no meu ouvido:
–-Boa sorte, você vai precisar...
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–-Conhecem as regras! –disse Quíron, chamando a atenção de todos. –O riacho é o limite. Sem mortes. Sem mutilações. –devo confessar que me assustei sobre a parte de mortes... –o chalé 11 e o chalé de Ares estão com as bandeiras. Vocês têm meia hora para escondê-las. Agora vão, bons jogos e que a sorte esteja sempre com vocês!
Eu segui a Jenn e minha equipe até onde esconderíamos a bandeira. Era uma clareira, e a bandeira ficou bem no centro. Então, os líderes dos chalés se reuniram para repassar a estratégia, enquanto nós esperávamos as ordens.
–-Atenção! –falou uma garota loira, do chalé de Atena –O chalé 11 ficará responsável pela defesa da bandeira. Travis e Connor –os líderes do meu chalé –ficaram responsáveis de lhes explicar melhor. O chalé 9 cuidará da patrulha da fronteira. O de Démeter, da distração. E o de Atena, de capturar a bandeira. Garanto que não irão se decepcionar.
Todos começaram a falar entre si, discutindo os planos. Travis e Connor chamou todo o chalé 11 para nos explicar melhor a tarefa. Eu já ia até eles quando colocaram uma mão em meu ombro. Eu me virei e me dei de cara com a garota loira que acabara de falar.
–-Bem, você deve ser a novata. –ela sorriu. –Meu nome é Annabeth Chase, sou filha de Atena. –tirou a mão do meu ombro.
–-Rebeca, indeterminada. –falei.
–-Não se preocupe –seu sorriso sumiu um pouco. –Você deve ser reclamada em breve. Mas, agora, eu tenho uma função um pouco mais específica para você...
E lá estava eu, uma novata, que nunca empunhara uma espada na vida –nãopor falta de vontade– guardando a bandeira. Annabeth me explicara que a bandeira só poderia ter poucos guardas, mas que o meu chalé estaria escondido, nas proximidades, pronto para defendê-la, e que ela, Annabeth, ficaria por aqui, enquanto seu chalé avançaria.
Em algum momento Quíron dera o sinal de inicio. Isso deve ter sido há, mais ou menos quinze minutos. A floresta tinha uma aura misteriosa. Não era legal ficar ali sozinha, mas fazer o quê.
Foi então que tudo mudou de repente.
Eles vieram do nada. Três ou quatro guerreiros. Um deles, armado com um arco, disparou uma flecha em minha direção. Eu já tinha visto os filhos de Apolo atirando, então achei que hoje eu passaria a noite na enfermaria.
Eu podia ver a flecha me atingindo no braço direito. Fechei os olhos esperando sentir logo a dor. Mas não senti nada.
Abri os olhos e vi os guerreiros, todos boquiabertos, espantados. Olhei para o meu braço, esperando ver uma flecha alojada nele, mas não havia nada, nem mesmo um arranhão. Olhei para trás e vi a flecha presa numa árvore, logo atrás de mim.
O garoto que atirara estava tão espantado como eu. O que houve? Será que ele errou? Mas os outros garotos se recuperaram do susto –pelo menos o suficiente para me atacar –e vieram com tudo para cima de mim.
Eu teria sido fatiada, completamente, se não fosse duas coisas:
1- Annabeth Chase. Jenn tinha me contado que Annabeth tinha um boné de invisibilidade, então concluí que era ela que estava fazendo os guerreiros se contorcerem de dor, como se tivessem levado socos e facadas do ar.
2- Nenhum golpe me atingiu. Toda vez que um guerreiro tentava me acertar com a espada ela simplesmente passava direto. E eu, que não sou besta, não questionei a minha sorte. Revidei, da melhor forma que pude, os golpes. Logo todos os guerreiros estavam no chão.
Annabeth tirou o boné de invisibilidade e me olhou espantada, sem palavras.
–-Olha, --falei cautelosamente–Não que eu esteja reclamando, mas por que nenhum golpe me atingiu?
–-Eu... –ela tentava encontrar palavras. –Eu nunca vi isso antes... Por...
Fomos interrompidas pelos gritos de animação do chalé de Atena, que trazia a bandeira inimiga até a clareira. Com nossos aliados e nossos adversários –estes bastante decepcionados –logo atrás. Pude ver o chalé de Hermes também, acho que não estavam onde deveriam estar. Quíron também vinha com eles.
Mas, aos poucos, a comemoração foi cessando. Todos olhavam para mim, Annabeth e para os guerreiros no chão.
–-O que houve? –perguntou sombriamente Quíron, enquanto os guerreiros que estavam no chão começavam a se levantar.
–-Quíron... –disse Annabeth, distraída, como se tivesse perdida em seus pensamentos, tentando entender o que aconteceu. –Veja isso. –ela caminhou até mim, puxou sua faca e pegou o meu braço, olhando-me nos olhos. E aí ela me cortou.
Quer dizer, deveria ter me cortado. A lâmina, como as outras, passou direto pelo meu corpo. Eu podia perceber todos os campistas prendendo a respiração.
–-O bronze passa direto por ela. –disse Annabeth se virando para Quíron. –Isso não é possível, ao menos que ela seja cem por cento mortal.
–-Eu não sei. –disse Quíron, preocupado –Nunca vi isso antes. Gostaria de saber quem...
Ele se calou. Todos ainda me encaravam. Então Colin apontou para mim –não, para mim não, para algum ponto acima da minha cabeça. Ergui os olhos e vi o que todos encaravam.
Então eu soube na hora quem era minha mãe. Ali estava, reluzindo em luz verde, a imagem de uma coruja.
Eu, Rebeca Waters, sou filha de Atena.
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