Meu Cupido Me Odeia
7 Lírios Para Você
Notas iniciais

Capitulo 7 —Lírios para Você
James não sabia como conquistar Lily. Ele nunca saberia. Mas esperava e queria que ela soubesse de tudo. Não havia planejado algo enorme, nem saberia como fazer. Só tinha uma chance, uma chance de conquistar Lilian Evans. Sabia que se falhasse, se acaso sua única tentativa desse errado, Lily não deixaria mais que ele se aproximasse dela. Potter se vestiu como ia para o trabalho, com um impecavelmente branco Dólmã, um avental e o Toque Blanche¹. Não acreditei quando o vi, mas eu acenei quando ele deixou todas as sacolas do mercado no chão e bateu na porta de Lily.
Lilian estava terminando de se arrumar para encontrar severo. Usava um vestido verde claro que ia até a altura dos seus joelhos e realçava a cor de seus olhos e os cabelos ruivos estavam presos em um penteado bem elaborado cheio de pontinhos brilhantes. Os dois ficaram parados por algum tempo, como se não soubessem exatamente o que dizer. James estava assim porque estava extasiado com a beleza de Lily e ela pela surpresa de vê-lo, vestido como chef, em sua porta. A surpresa durou apenas alguns segundos e Lilian ficou subitamente séria.
—James ? O que faz aqui ?
James não disse nada, pegou as compras no chão e as colocou para dentro. Juro que quando acessei seus pensamentos pude ouvir "Situação critica, medidas desesperadas" e logo depois ele havia puxado Lily para dentro e trancado a porta da casa. Ok, talvez o rapaz tenha enlouquecido de vez, isso parece mais como cárcere privado do que qualquer declaração de amor que eu possa ter visto e olha que vi muitas declarações. Lilian não protestou como eu achei que protestaria, ela apenas olhou para James, era como se a chama da esperança não houvesse se apagado do seu peito, bem no fundo, ela queria aquilo.
—Eu vim cozinhar para você.
Aquilo fez Lily rir. Parecia uma daquelas piadas que te contam e você não sabe exatamente o que fazer, porque é engraçada ao mesmo tempo em que é estranha e ilógica. Lilian sentiu que precisava parar James, mesmo querendo muito que ele estivesse ali. Ela olhou para a chave que ele havia roubado — descaradamente, diga-se de passagem — da porta e suspirou. James não parou de levar as comprar para a cozinha de Lily, nem ao menos deu atenção ao suspiro dela.
—James eu tenho um encontro, quero dizer, um jantar e...
—Severo desmarcou.
—Ele te disse isso ? Não, ele nunca diria, mas ele não me ligou para desmarcar...
—Ah, Sirius e Marlene estão com ele, fazendo companhia. Você sabe.
—Isso é um complô ? —Lilian perguntou, com as sobrancelhas arqueadas, mas James deu de ombros e voltou a se concentrar na comida.
Ele mexeu nas sacolas, tirou muitas coisas de lá, frutas, legumes, camarão fresco, tirou leite condensado, chantilly e a cada momento Lily se perguntava o que ele iria fazer. Se existia algo no mundo que ela adorava, era a comida de James, mesmo que não admitisse isso para ninguém. James sempre teve o dom. Sempre foi bom. Lilian sempre foi uma negação na cozinha e quando os amigos marcavam juntos de sair ela adorava comer na casa de James, ele nunca deixou ninguém comer mal em sua casa.
Antes mesmo de fazer Gastronomia James já cozinhava, algo que aprendeu com seu pai, Charlus. A primeira coisa que James fez para os amigos foi a tal sopa de camarão da família Potter. Dorcas dizia a Marlene que a partir daquele dia James havia agarrado Lily pelo estomago. Marlene concordava, Lily tinha uma queda não só pelas comidas de James como por ele também. Por isso ela estava sorrindo inocentemente enquanto o observava mexer em tudo. A chave reserva estava em cima da mesa, mas ela não ousou pegá-la, ela não queria sair dali.
—Vai ao menos me dizer o que está fazendo ?
—Sopa de camarão, sua preferida. E uma mousse, mas essa você só vai comer amanhã, no almoço — Lily reprimiu um sorriso, mas não conseguiu reprimir o gemido baixo, James a olhou e sorriu. — Eu sei como te pegar pelo estomago, Lily.
Não só pelo estomago, Lily pensou. Mas nada disse. Sentou-se na frente da bancada de sua cozinha quase intocada. Ela nunca havia cozinhado de verdade ali. James já. Ele adorava a cozinha da casa de Marlene, a mais espaçosa de todas. Amava cozinhar com Dorcas, mesmo a cozinha da casa da loira sendo pequena. Mas a cozinha em que mais se sentia confortável era a de Lily. Talvez pelo fato de ser sua Lily. A pessoa por quem ele cozinharia todos os dias de sua vida.
—Isso é golpe baixo, sabia ? Quero dizer, você acaba com meu jantar com Severo... — James resmungou baixinho e ela suspirou. — Invade minha casa e ainda quer mesmo me pegar pelo estomago.
—Me agradeça depois, Lil's. Eu sei que você está louca por essa sopa. E amanhã se acabará com minha mousse.
—Deixe de ser pretensioso, Potter. — James, que estava lavando alguns vegetais, a olhou.
—Eu te conheço melhor que ninguém, Lily. E sei que você poderia ter ligado para a policia, para os bombeiros, para o porteiro ou qualquer outra pessoa, mas está aqui, me admirando enquanto eu cozinho.
Ela riu. Havia sido pega no flagra. Lily não sabia o que fazer, admirar James cozinhando não era opção, não sabia se ele queria ajuda, James raramente pedia ajuda, talvez por esse motivo que ela resolveu colocar o único avental que tinha e ir ajudar James. Ele havia lhe dado alguns anos antes, o avental tinha a estampa dos amigos de Friends, uma das séries favoritas de Lily, ela quase havia surtado quando ganhou, mas era tão péssima na cozinha que usá-lo seria quase uma afronta.
—Ajuda ?
—Pode cortar os temperos ? — Lily assentiu. Antes, porém, foi até a sala, caçou entre as prateleiras da sua estante um CD que James adorava. —Adele ? — James perguntou assim que ela se colocou ao seu lado e começou a picar todos os temperos.
—Você gosta, eu gosto...
Os dois trabalharam, riram e brincaram juntos ao som de Adele. Quando tudo está quase pronto Lily deixou James por algum tempo e perguntou se ele se importaria se ela desmanchasse o look "encontro", ele não se importou com aquilo, estava com sua roupa de trabalho, aquilo talvez até fosse mais interessante. Quando Lilian voltou a sopa já estava pronta e James já havia tirado a roupa de trabalho, usava uma camiseta cinza e já havia tirado o Toque Blanche. Lilian estava com um vestido preto solto e curto que usava quando as meninas resolviam fazer maratonas de estudo.
—Você está linda.
—James eu sei que não estou.
—Você pode acreditar que não, mas está mais linda do que nunca. — Lily desviou o olhar. — Acho que podemos conversar sério agora...
—Não vai esperar a sopa ? — Lily perguntou temendo pela conversa e pelo que sentiria depois que acabassem ela.
—A sopa é uma forma de dizer que se você me mandar embora, vai ter algo para te consolar. — Ela conseguiu sorrir e foi para um dos sofás da sala.
—Porquê você veio aqui, James ?
—Para te contar a história da minha vida.
—Não lembro exatamente quando me apaixonei por você, mas lembro exatamente o que aconteceu quando eu notei que estava sentindo algo por você. Eu me tornei o grande babaca que você começou a odiar. Era a minha forma de tentar dizer que gostava de você, ao invés de agir como uma pessoa normal eu achei que se fingisse não gostar de você, se mentisse, se me tornasse ausente, você sentiria que não poderia ficar longe mim. Foi um pensamento idiota e infantil, um pensamento que me fez perder nossa amizade, o que de mais forte tínhamos. Foi nesse momento que eu senti e soube que não significava mais nada para você. Enquanto Remus e Dorcas estavam começando um relacionamento, Sirius e Marlene estavam descobrindo o quão bom poderia ser uma amizade colorida, nós estávamos nos afastando tanto que caberia um continente inteiro entre nós dois. E ainda assim eu sentia que daquela forma, agindo feito um babaca como nos filmes hollywoodianos eu poderia conseguir sua atenção e talvez algo mais. O que eu consegui com isso foi que Severo Snape visse o quão especial você era e que fizesse tudo que eu não tinha coragem de fazer. O cumulo de tudo para mim foi o baile, eu havia ensaiado como pedir para você ir comigo, mas quando você veio falar... Bem, saiu toda a asneira. Eu tinha esperanças, esperanças que enxergasse em mim tudo que eu sentia, era como se eu quisesse que você tivesse uma bola de cristal, que pudesse saber de todos os meus sentimentos. E no baile, quando eu beijei você... Era como se o animal feroz que vivia dentro de mim finalmente houvesse se acalmado, como se ele tivesse encontrado a paz que tanto havia almejado. Quando você foi embora com Snape eu achei que tudo estava acabado. Quando você parou definitivamente de falar comigo e só conversava quando estávamos no grupo, eu soube que você me odiava. Eu queria Lily, do fundo do meu coração, voltar no tempo, mas não da para chorar sobre o leite derramado. E eu engoli tudo, tudo que eu sentia, eu sabia que não poderia mais me dirigir a você de forma alguma, então fingi que não havia acontecido.
—James...
—Eu cresci, nós crescemos. E o sentimento, o meu sentimento, continuou lá, sufocado, querendo se libertar. O cumulo, quando eu finalmente transbordei... Foi quando fizemos amor em Nova York, o sentimento transbordou. Ele se tornou maior que eu e tomou conta de tudo, eu estava perdido quando te encontrei e ali, no lugar mais improvável do mundo, em apenas 24 horas, mais de dez anos de tensão sexual, sentimentos sendo jogados e atirados em cima de nós dois, eu finalmente soube que jamais poderia te esquecer. Quando você disse que se casaria com Snape, eu não podia... Eu não podia aceitar Lily. Mas ainda assim, não é por isso que estou aqui. O que eu sinto por você não pode ser comparado, não pode ser medido, nem ao menos pode ser pintado ou colocado em uma música. O que eu sinto por você consome todo meu peito, me faz sentir vontade de fazê-la feliz. É o que eu sinto quando lembro do gosto dos seus beijos. É mais do que posso contar, escrever ou cantar. É algo que nunca conseguirei explicar e ser fiel, porque é algo a mais do que posso imaginar Lily... O que eu sinto por você... A forma como se sinto quando estou com você...
—É a mesma que sinto quando estou com você. — James chegou mais perto de Lily, encostou sua testa na dela e antes que pudesse beijá-la, ela se separou e o deixou sem entender absolutamente nada.
—Lilian...
—Eu te amo.
—Lily, eu sei que existe um mas.
—Sem mas, James. Eu te amo, ponto final. —Aquilo o pegou desprevenido.
—Mas...
—James eu te amo. Só não posso te beijar, nem dizer o quão feliz eu me senti quando disse tudo isso. Não vou dizer também que desde os treze eu o amo e que todo esforço que fiz para me afastar de você foi em vão, porque quanto mais eu tentava te repelir e te odiar, mais te amava e mais profundamente você estava em meu coração. Não, eu não direi isso, porque antes preciso terminar como Severo. Eu estava indo fazer isso quando você me interceptou.
—Mas você disse que ia se casar com ele. — Lily se aproximou dele e tocou seu rosto com as mãos.
—Como eu poderia me casar com alguém que não faz minha barriga formigar quando chega perto de mim ? Ou me deixa nervosa quando me beija ? Como eu poderia me casar com alguém que quando me beija não parece que estamos apenas nós dois no mundo, James ? Eu não sinto nem metade disso, sou boa em analisar sinais, e isso não é amor.
—Lil's.... — As mãos dela ainda seguravam o rosto dele.
—Não foi um erro, o que aconteceu há alguns meses. Eu estava chateada quando disse aquilo. — Lily beijou a testa de James. — Mas, sim, agora existe um mas, enquanto eu não terminar com Severo não posso ter nada com você.
—Eu sei.
—Você vai me esperar ?
—Eu esperei minha vida toda, posso esperar mais.... Quanto tempo mais você vai demorar para terminar com ele mesmo ?
—Vou falar com ele amanhã.
—Então eu vou poder ser seu par oficial para o casamento ? — Lily sorriu.
—Vai, se você continuar me comprando com palavras bonitas vindas do coração e comida tão boa quanto aquela sopa que eu estou louca para experimentar.
—Feito, Evans. — Eles apertaram a mão e sorriram um para o outro.
—Agora podemos comer ? Porque eu juro que estou morrendo de fome...
—Vamos lá, Lily. Eu sei que você está maluca para comer minha sopa. Pode avançar.
E ela foi. Os dois comeram rindo, trocando olhares e alguns toques de mãos. Quando acabaram de comer Lily fez James prometer que sempre faria aquela sopa para ela quando precisasse pedir desculpas por algo e James assentiu prontamente. Os dois se despediram e alguns minutos depois Lily usou sua chave reserva para abrir a porta, James havia levado sua chave sem querer. Na porta um entregador com um buque de lírios pediu que ela assinasse e, assim que ele foi embora, Lily pegou o cartão que dizia assim:
"Não estou dando um buquê de lírios para você, estou dando você a este buquê de lírios. Talvez esse seja mesmo o cumulo da breguice, mas no jardim da minha vida a única flor que sempre reinou e sempre reinará é você, Lírio".
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