Meu Cupido Me Odeia

1 Eu odeio esse Cara!


Notas iniciais
Olá, Willi sei que é meio inesperado, mas espero que goste dessa história! Ps. Tenho mais alguns capítulos para postar, espero que não se importe com o tamanho da história.

Capitulo 1 — Eu odeio esse Cara!

Quando você elimina o impossível, o que restar, não importa o quão improvável, deve ser a verdade.

Sherlock Homes

Dizem que a flecha do amor acerta os mais sortudos e que aqueles acertados por ela nunca deixam de amar a pessoa para quem foram destinados. Eu discordo plenamente. Na verdade, eu sou tão oposto a essa palhaçada que chamam de amor, que ao morrer, alguns milênios atrás, fui destinado a atirar flechas em casais inadequados, por assim dizer. Não sei de quem foi a ideia estapafúrdia de me colocar como cupido, mas funcionou. Deu certo, juntei casais por milênios, os melhores.

A tal Julieta que Shakespeare descreveu e escreveu em seus papeis, era apenas uma garota rebelde. Se apaixonou então pelo inimigo de sua família, não reclamei disso, nem me importei com o fim dos dois. Fui eu também quem juntou Chanel e Stravinsky, mesmo que a união dos dois tenha sido algo passageiro, alegro-me em saber que os dois não passaram a tão sonhada eternidade juntos. Na realidade, existe uma regra no manual dos cupidos, uma regra que nem mesmo eu, com mais de dois mil anos de experiência posso desobedecer: As flechas só fazem efeito em pessoas que se amam.

Acho que é agora que a maioria das pessoas ri do que estou falando e diz que as flechas são justamente para que as pessoas se amem. Quem pensou ou disse isso está enganado. As flechas do Cupido nunca fizeram e nunca farão uma pessoa amar a outra. Elas tem poderes, é claro, mas nenhum deles faz nascer amor no peito de alguém. A única coisa que nós, pobres Cupidos enviados para esse inferno chamado terra, fazemos, é dar um empurrãozinho. Que no caso de Richard Burton e Elizabeth Taylor, teve que ser muito grande. Os dois se amavam, só não sabiam exatamente como expressar isso.

Apesar de já ter passado por muitos imprevistos, por casais que recordo até hoje e que lembro bem gostaria de ter usado as flechas mortais dos humanos, nada se compara a missão que tenho agora em mãos. Existe um código de conduta que deveria ser respeitado por homens e mulheres, mas infelizmente, não é conhecido por James Potter, o problema da vez. O homem que mais odeio na face da terra, nem Cleópatra era tão odiosa quanto ele — E olha que aquela rainha me deu enxaquecas por centenas de anos. Pode parecer exagero, mas o que mais odeio em James Potter é a forma como ele insiste em acabar com meu trabalho.

Tudo bem, eu não tenho nem uma hora com o nome deste animal escrito na minha aljava, mas já sinto como se estivesse perto da morte mais uma vez. Durante os anos em que atuei como cupido encontrei muitas pessoas capazes de transformar a vida de um casal recém-formado em um inferno, mas ninguém foi tão persuasivo e determinado quanto James Potter. Não culpo as garotas, elas eram seduzidas — de forma barata, sejamos sinceros — e, depois de serem largadas por ele eu tinha que tentar transformar a paixão devastada delas no amor que sentiam por seus parceiros antes da chegada do incomodo JP.

Não acredito que depois de ouvir tantos lamentos, tantas conversas entre amigas desesperadas sobre o "cara errado", eu vou acertar uma flecha nele e esquecer todos os problemas que ele causou a todos. Se estão pensando que eu sou bonzinho, não sou. Não suporto a metade das pessoas em quem atirei as flechas, mas daí a atirar na única que eu realmente mataria... Alguém estava brincando comigo no andar de cima. Julieta sabia que tinha um cupido, um cupido muito mau, por sinal, Napoleão Bonaparte também, acredito que eles tinham uma ideia de quem eu era, mas, durante toda a história, nunca, nenhum deles me viu.

Eu não sou invisível, não tenho cabelo cacheado, não sou loiro e não tenho menos de 1,50 m de altura. Por sinal, odeio o estereotipo barato que os humanos fazem dos cupidos, nós lançamos flechas, nós somos, por assim dizer, imortais. Não poderiam nos imortalizar de uma forma menos bizarra ? Quem disse que eu uso apenas uma frauda branca e uma aljava ? Pois bem, não uso e se Deus permitir nunca usarei. Como eu ia dizendo, nenhuma pessoa na face da terra havia visto meu trabalho, afinal, estão sempre tão preocupados com outras coisas que não veem o que está diante de seus narizes.

Humanos só veem o que acreditam e como a maioria me odeia, não me suporta ou resolve colocar a culpa de amarem pessoas que não as ama em mim, minha identidade sempre esteve e sempre estará secreta. Mas por favor, não liguem a "identidade secreta" a alguns panacas que dizem ser heróis e usam cuecas por cima das calças, isso beira ao ridículo e se existe algo que não gosto nessa maldita vida, é beirar ao ridículo. E, como chegamos ao ridículo, deixe-me apresentar James Potter.

Ele tem 25 anos, estuda Gastronomia na Universidade de Londres e ainda mora com os pais. O homem fica pagando de filósofo e poeta por causa de umas poesias sem nexo que escreve, o pior é que ainda recebe elogio de algumas pessoas. Todos, naturalmente, não estão regulando bem. Acredito que, até aqui, é tudo que precisam saber sobre ele.

Ah sim, nesse momento, eu estou em sua cozinha. Ele está sorrindo galantemente para uma mulher de cabelos desgrenhados que está sentada ao lado de seu amigo quase-marginal. Os pais de JP estão no trabalho, esses dois que ele chama de "melhores amigos" dormem quase todas as noites na casa dos Potter.

A mulher é Marlene Mckinnon, 25 anos, estudante de Artes Cênicas, melhor amiga dos outros dois idiotas na cozinha. E o homem é Sirius Black, um imprestável de 26 anos que, por algum milagre da natureza também estuda na Universidade de Londres, o energúmeno faz Direito e acredita que sua lábia é tudo que precisava para vencer nos tribunais, caso um dia chegue a entrar em um — Como advogado, é claro, porque ele já esteve lá, em outras circunstâncias que se eu contar, com toda certeza, todos irão acreditar.

Os três foram um tipo de amizade estranha. Eles tem mais amigos, um casal que raramente se desgruda e a ruiva. Lilian Evans, bem, é por causa dela que estou aqui. Ou melhor dizendo, por causa dela e de JP. Os seis são amigos desde antes do ensino fundamental, entre idas e vindas o amor surgiu para quase todos os ditos "casais" do grupo. Mas aquela garota inteligente, Lilian, não cedeu aos encantos de Potter, com razão, são mais falsos do que o moralismo que James fingiu ter quando a sra. Potter falou a palavra "sexo" no jantar da noite passada. Agora ela passa os dias pensando nela e tanta paixão, mesmo que equivocada, me trouxe para esse exato momento.

—O que vocês vão querer para o café ? — Os dois adoravam quando James ficava bonzinho e resolvia que cozinhar para eles era a melhor solução para parar de pensar em seus problemas.

—O que de mais gorduroso você tiver ai, Jay. — Marlene falou e logo depois bocejou.

—Eu quero comida, qualquer coisa que me dê forças para enfrentar aquela maldita prova de Direito Constitucional.

—Sirius, sua prova não deveria ser tipo... 09:30 da manhã? — Marlene perguntou e James olhou para o relógio. 10:30. Aquele panaca ainda acreditava que conseguiria chegar no horário ?

—Vamos dizer que eu e a professora de Direito temos assuntos inacabados na sala dela...

—Black!

—Eu a vi beijando um certo aluno... — Ele olhou significativamente para James.

—Vocês são idiotas, como é mesmo que eu ando com vocês ? — Eu estava me perguntando a mesma coisa. Mckinnon até tem algumas boas amizades, mas parece que gosta mesmo dos dois piores.

— Não fui eu quem ofereceu isso, Kinnon, foi a professora. E olha que ela nem é professora de James...

Enquanto os dois discutiam sobre como e porque Sirius estava chantageando uma professora, James começou a fazer o café da manhã dos dois. Odeio o panaca do Potter, mas tenho que admitir que sua vida na cozinha era mais agradável que sua vida infernizando a vida das mulheres. E sobre a professora que Black falou, bem, era um inferno astral muito pior do que as outras garotas.

Vou lhes contar uma coisa sobre aquela mulher, o diabo provavelmente está implorando para que ela tenha vida eterna. Ela é o demônio em forma humana, é mais que obcecada por JP. Faz o possível e o impossível para ficar com ele. Devo dizer, dos problemas de James Potter, ela é o pior.

Eu ainda estava atrás dos três, sentado no balcão do fundo. James Potter já havia terminado o prato dos amigos quando se virou exatamente para onde eu estava... Sabe o que falei sobre ninguém nunca ter me visto ... ? Pois bem, acho que acabei de encontrar alguém que acredita em Cupidos.

—Quem é você ? — Potter apontou para mim. E o animal de seu melhor amigo revirou os olhos.

—Seu melhor amigo ? Desde que temos, sei lá, os cinco anos de idade... ?

—Não você, Sirius. Esse cara aí, atrás de vocês. — A reação foi a mesma. Os dois se viraram rapidamente e, como o casal vinte não acredita nem em amor, muito menos em cupidos, eles olharam para o lugar onde eu estava como se houvesse um fantasma ali.

—Cara, você bebeu hoje ?

—Vocês aramaram isso, não foi ? — James começou a rir, imaginou que a minha presença fosse uma brincadeira estúpida dos amigos. — Vamos lá, Lene. Pode dizer, você está vendo o cara também. Qual dos dois armou isso ?

Marlene e Sirius trocaram olhares preocupados. Nenhum dos dois sabia se James estava mesmo vendo algo e os três estavam diante de uma presença de outro mundo, se James havia bebido além da conta ou, pior, se James estava tentando pregar uma peça nos dois. Marlene acreditava na frase de Sherlock Holmes que dizia " Quando você elimina o impossível, o que restar, não importa o quão improvável, deve ser a verdade". Marlene trabalhava em sua mente para saber qual das três hipóteses era mais improvável. Chegou a conclusão de que James deveria ter bebido muito antes de ir dormir, nem havia o visto antes de apagar no "quarto de Sirius".

—James você bebeu exatamente o quê ? — Ela perguntou e Sirius balançou a cabeça.

—Você é mesmo ingênua, Kinnon. Você por acaso pegou um comprimido que estava na cabeceira da minha cama, Jay ? Porque meu caro, aquilo não era aspirina.

—Sirius! — Marlene o repreendeu.

—Eu só peguei um remédio daquela velha maluca. Qual o problema ?

—Você tomou isso James ?

—Porque vocês simplesmente não falam que bolaram isso ? Essa palhaçada toda ?

—Não bolamos. Agora diga, você pegou a minha maconha, então ?

—Fale a verdade, Sirius. — James pediu.

—Vocês voltaram a fumar ? Qual o problema de vocês dois ? — Marlene se irritou com os dois.

—Nós não fumamos. Diz logo que essa palhaçada foi ideia sua, Sirius!

—Cara, você tem que ter usado alguma coisa, não tem ninguém além de nós três nessa cozinha.

Eu já estava cansado da discussão idiota daqueles três perdedores. Estão vendo porque eu não o suporto ? Bem, mas estou falando apenas de um lado da história. Uma história, por sinal, mais complexa do que vocês estão vendo. Eu, por exemplo, quando pego a ficha dos humanos com quem praticarei tiro ao alvo, não sei exatamente de toda a história, como por exemplo "James Potter acredita em Cupidos", isso bem que poderia estar escrito no relatório e eu teria o prazer de não aparecer para ele. Essa falta de informação só estava me causando mais problemas. Seguirei Potter por um bom tempo e ele continuará falando essas loucuras, tentando descobrir quem eu sou.

Confesso que é bom ver o olhar de medo que JP dá toda vez que deixa de olhar para os amigos e olha exatamente para onde estou, com meu sorriso mais presunçoso. Isso o assusta mais do que o esperado. Por isso, me aproximo mais, toco em Marlene e Sirius que não sentem absolutamente nada e os olhos de James se arregalam, como se fossem sair das orbitas. Sirius se levantou, como se já estivesse de saco cheio.

—Vou fazer minha prova que ganho mais.

—E eu... — Marlene poderia não acreditar muito em fantasmas, cupidos, mas ela não estava gostando nem um pouco das caretas de James. — Jay, eu vou para minha aula de História da Arte. — Os dois se levantaram e James pareceu se dar conta de que eles iam mesmo deixá-lo ali sozinho, comigo.

—Não pessoal...Por favor. — Marlene sorriu e acenou e Sirius já havia saído pela porta da cozinha.

James continuou ali, me encarando. Fechou os olhos, abriu novamente. Quase surtou, JP. Fechou mais uma vez e apertou forte, como se aquilo fosse surtir efeito. Mas não surtiu. E então ele correu, subiu as escadas depressa e se trancou no quarto. Ficou de costas para a cama, segurando a porta como se eu fosse irromper por ela a qualquer instante. Inocente. Eu sentei em sua cama calmamente e esperei que ele virasse. O rapaz parecia ainda mais perturbado e seu grito me fez rir, como só o sofrimento de alguém que eu não gostava poderia fazer.

—O que é você ?

—Sou seu pior pesadelo, James Potter!

Notas finais
Bem... Esse é só o começo!