Meu Coração Pode Estar por Ai
1 Capítulo 1
Segurava o celular, apreensiva. Como um simples aparelho poderia lhe causar tanta angústia. Ela queria o encontrar...
Estava sentado num Pub, pelo menos as pessoas o denominaram assim, já que é um nome mais sofisticado, bar parecia singelo demais. O relógio já havia marcado 04pm. Era uma tarde triste. Um sol pálido inundava toda a sala e uma brisa apática soprava pelas janelas entreabertas e sacudiam as cortinas cor de caramelo que combinavam perfeitamente com os olhos da garota sentada a três mesas de distância, ao lado do balcão. Ele já estava ali a algum tempo, então tivera a oportunidade de observar detalhes, como por exemplo o andar desengonçado da garçonete e o jeito como ela oferecia café, tão atenciosa, ou então a forma grosseira com que um senhor sentado a mesa em frente virava a folha do seu jornal amarrotado. Então o rapaz percorreu a sala com seu olhar distraído e fixou-o no lado de fora, observando a rua e o trânsito de pessoas apressadas pela calçada, e permaneceu assim por alguns instantes, talvez desejando que algo acontecesse e o salvasse. Ele sempre ouvira quando criança que alguns dias os anjos poderiam estar de bom humor, ou talvez entediados demais e resolvessem se distrair e brincar com algumas pessoas. Parecia que nesse instante ele acreditava nisso, o mais provável é que ele quisesse acreditar. Acreditaria em qualquer coisa que o tirasse dessa situação. Coincidência, ou não, neste momento avistou, observando-o, parada na calçada em meio a uma multidão apressada, uma garota. Quando seus olhares se cruzaram a garota esboçou uma expressão de um misto de surpresa e constrangimento, então ela virou-se e saiu caminhando a passos apertados na direção contrária à multidão. Ele não entendeu o porquê, mas sentiu seu coração apertar. Então, sem pensar novamente, jogou sobre a mesa um valor que pagaria até o triplo do que havia consumido, pois não poderia esperar o troco, e saiu em disparada atrás da garota de cabelos castanhos que o salvou de seus pensamentos...>>>Meu coração pode estar por ai! (Parte I)<<<*Quando anjos caem do céu.*Ouvia as rápidas batidas de seu coração, parecia que um cavalo estava galopando a passos largos dentro de seu peito. Ela andava apressada, como se tivesse cometido algum delito e estivesse fugindo do local. Mas de fato havia cometido um delito grave e havia sido pega. Acompanhando as batidas de seu coração, apertou um pouco mais o passo. Observava as pessoas em volta, parecia que todas as pessoas a olhavam, talvez fosse só a sua própria imaginação a lhe pregar uma peça. Então ouviu uma voz que a chamava ao longe, não gritava seu nome mas ela sabia que era com ela. Olhou pra trás e sentiu um desespero subir-lhe pelo corpo, pôs-se a correr rua abaixo, desesperada. Olhou para trás e procurou seu perseguidor, ele não havia desistido e agora também corria em seu encalço, desviando de algumas pessoas, esbarrando em outras. A garota entrou em uma ruela, procurando despistá-lo, passou por entre algumas barracas que vendiam comida chinesa, algumas com umas comidas até bem exóticas. Correu mais alguns minutos e entrou em um beco que ficava entre dois edifícios de apartamentos, havia alguns latões de lixo por perto. Encostou-se na parede de tijolinhos vermelhos que revestia um dos edifícios. Ainda ofegante por causa da corrida, agachou na tentativa de descansar um pouco, pois havia despistado o seu perseguidor. Passados alguns momentos, ouviu uma voz que vinha em sua direção:- Ora, ora. Mas o que temos aqui? — Ao dirigir seu olhar, deparou-se com um sujeito mal-encarado, com a barba por fazer e o cabelo desgrenhado, vestia uma jaqueta de couro preta reluzente e uma calça jeans encardida, seu sapato estava sujo de lama, o que era relativamente estranho pois as ruas tinham calçamento e fazia alguns dias que não chovia. — A quanto tempo não encontro uma garota tão.... como posso dizer?... Deliciosa assim... — ao falar isso o sujeito enfiou a mão na jaqueta e tirou de lá um canivete que abriu com o apertar de um botão, exibindo uma lâmina prateada e brilhava com o sol.A garota soltou um grito de pavor e ouvir seu agressor mandá-la se calar. Ela não pensou duas vezes e correu pelo beco gritando por socorro. O agressor agora caminhava em sua direção, pois sabia que o beco não tinha saída e se deliciando com o prazer de sua caçada. Ao correr mais alguns metros a garota se deparou com um paredão de concreto, esverdeado por causa de um lodo escuro que cobria a sua parte inferior. Ao olhar para trás encarou seu agressor, que agora trazia um sorriso terrivelmente assustador e balançava a lâmina em suas mãos de um lado para outro...Olhava o celular inconformada. Abria, fechava e abria novamente o celular que nunca tocava. Estava sentada sobre um impecável lençol branco que combinava com o armário a sua frente também impecavelmente branco. No canto esquerdo do quarto existia uma mesinha com um café da manhã ainda por tomar. Evie estava só e seu relógio marcava 04:32pm. Não agüentava mais esperar, tomou o pequeno celular entre os dedos, este tinha um pequeno pingente pendurado. O pingente era uma pequena guitarra azul com um guizo que ressoava acompanhando a guitarra que balançava no ar. Ela abriu o pequeno aparelho, discou uma série de números bem conhecidos, números que ficou repetindo mentalmente por algumas horas decidindo se devia ou não discá-los. Apertou o botão verde, esperou alguns segundos e pronto, agora não tinha mais volta, ouviu o primeiro toque do telefonema. Mais 3 toques depois e ouviu uma voz ofegante do outro lado:
- Alô! — Era uma voz já muito bem conhecida, era macia como algodão. — Alô? — Havia se distraído pensando nas recordações que aquela voz trazia à tona em sua mente, quando finalmente resolveu respondê-la.- Hum... Oi! — uma breve pausa se seguiu – Desculpe ligar, quando eu disse que não ligaria mais. — Mais uma breve pausa.- Mas... Eu sinto sua falta. — um silêncio constrangedor.- Você sabe que continuo pensando em você. — o dono da voz respirou por um momento – mas o melhor para nós dois é ficarmos separados por enquanto.- Mas... Você ainda pensa em mim... então... — a garota é interrompida pela voz do outro lado.- Ainda penso em você, mas sempre que eu penso em você me lembro de tudo que ocorreu nessas últimas semanas. Então, antes que nosso sentimento se torne algo realmente ruim, é melhor nos afastar. — isso soou como uma facada no coração da menina.- Se é assim que o senhor deseja, então assim o farei. — e ela desligou o telefone ao dizer, sem dar ao menos a chance da despedida. — Mas é um idiota mesmo – a menina disse com raiva, enquanto uma pequena lágrima caminhava tristemente pela sua bela face......“Mas é uma idiota mesmo!”, pensou com raiva o rapaz, enquanto esboçava um leve sorriso pálido. Havia se perdido da garota a quem perseguia. Realmente desejava a encontrar. Tinha a impressão de já tê-la visto. Talvez fosse a garota da banca de jornal com quem todos os dias comprava o jornal e seu maço de cigarros matinal, ou uma garçonete de um de tantos bares pelos quais perambulava nos últimos tempos, “essa distração já está se tornando um hábito” ele pensou, mas não se importava realmente com isso, não se importava com muita coisa nos últimos dias. Guardou o celular no bolso do casaco e continuou andando pelas ruas estreitas. “Ela não pode ter ido muito longe” pensou enquanto caminhava olhando atentamente em qualquer lugar onde esta poderia ter se escondido. Ele desceu mais algumas ruas, dobrou algumas esquinas, até entrar em uma ruela onde haviam muitas barracas onde vendiam comida chinesa, em umas das barracas prometiam vender o escorpião frito mais gostoso da região, ele não resolveu comprar para saber ao certo se era verdade. Desceu um pouco mais a rua... “Ah, esquece. Ela não parecia querer ser encontrada mesmo.” o rapaz pensou tristemente enquanto continuava a descer a rua......Nesse momento a garota só desejava que algo a salvasse, que alguém a encontrasse, talvez alguém em especial, alguém que ela tinha deixado para trás. Mas agora era somente ela e o seu agressor, balançando a lâmina em frente a seu rosto. Estava deitada no chão e seu agressor deitado sobre ela. Ele exibia uma língua gigantesca que lambia o seu pescoço enquanto ela gritava por socorro. Dizem que a pior coisa que se pode gritar em um momento como este é “socorro!” por que as pessoas geralmente não atendem a pedidos assim, talvez por medo ou talvez por que não querem se complicar ou sair de sua rotina. Seu agressor a mandava se calar enquanto rasgava com rispidez o tecido da camisa branca que ela escolheu com tanto cuidado antes de sair de casa pela manhã. Após isso começou a abrir o zíper da calça jeans encardida e fedorenta que vestia, parecia que não tomava banho a praticamente um mês, talvez não tomasse mesmo. A garota se debatia e gritava e seu agressor parecia gostar cada vez mais daquilo. Ele enfiou a mão por debaixo da saia da garota e arrancou a calcinha, calcinha aquela que ela colocou pensando especialmente nele, arrancou a calcinha até a altura do joelho e cortou-a com a lâmina que carregava.- Você já pensou em fazer uma tatuagem? — deu o seu sorriso mais sádicos – Não?? — gargalhou – Então vejamos o que podemos fazer por você... — começou a cantarolar uma música antiga, a música era bem alegre mas naquele momento ela parecia ser terrível. O agressor encostou a lâmina no peito, coberto apenas por um soutien preto com rendas bordadas que realçava o volume que continha, e foi traçando um pequeno caminho com a lâmina até chegar ao redor do umbigo, onde desenhou um pequeno círculo, pousou a lâmina ali e cada vez mais infringia maior pressão no local onde agora já se podia notar um filete de sangue a escorrer pela borda da barriga e alcançar o chão manchando-o de vermelho vivo. Neste momento a garota se desesperou e começou a gritar e a se debater ainda mais, o que fez o agressor se descontrolar e golpear o rosto branco da garota com o seu punho. - Vadia!! Dá pra calar a porra dessa boca?? Sua piranha! Ou você prefere que isso seja mais difícil pra você e mais prazeroso pra mim??? — O rosto, no qual antes havia um sorriso sádico, agora comportava uma expressão de ódio profundo – Você quer fazer do jeito mais difícil não é? — Agora o agressor bufava – Pois bem, melhor ainda para mim. — O agressor ergueu a lâmina acima de sua cabeça e deferiu um golpe em direção a barriga de sua vítima, golpe este que não chegou a acertar o seu alvo pois nesse momento o agressor caiu desmaiado sobre a garota, que viu uma sombra cobrir-lhe o rosto e estender-lhe a mão.- Não foi tão difícil assim te encontrar! — Ele sorriu – Que bom que eu cheguei a tempo. — Parecia o sorriso mais desejado a garota tinha visto nos seus últimos vinte anos, e talvez fosse mesmo.- Kouyou? — com um leve suspiro a garota desmaiou.>>>Fim da Parte I<<<
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