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Cheguei cansada do trabalho. Ja era de noite. E que noite! Estava abafado, eu estava saindo do banho, uma toalha enrolada no corpo e outra na cabeça. Fui até a janela do meu quarto, daquele jeito mesmo, abri a janela para ventilar o quarto. Ao sentir a brisa fresca vinda de fora e que me refrecou do calor que fazia, me paralisei na janela.

Olhei para o céu, estava estrelado, muito, brilhava, espalhava uma luminosidade espetacular.

Finalmente, saindo do transe, me afastei da janela, me vesti e penteei as madeixas molhadas que se espalhavam pelas minhas costas.

Desci as escadas, eram de madeira e faziam um ruido tremendo. Mas nem me importei, apenas sai pela porta da sala, fui até o jardim e deitei na grama. "O que eu estou fazendo?" Pensei, mas não tinha uma resposta, e nem ao menos eu queria que existisse uma.

Apenas fiquei observando a dança das estrelas ao redor da lua, elas tinham o mesmo ritmo que a cantoria das cigarras que se escondiam por ali.

Ali mesmo eu comecei a fantasiar sobre nós dois, imaginando diversas cenas, diversos dias, diversos começos, mas enhum término... E nisso foi até que eu dormi naquela grama.

Acordei chorando, tive um pesadelo horrível.Você tinha me deixado. Mas, então, opa, não foi só um sonho, foi real. E assim eu acordei das minhas invensões bobas, para a realidade, desejando que não existisse realidade alguma.

Você se foi, e para sempre levou o meu sorriso. Tudo que me resta fazer é sonhar. Mas, agora, nem isso posso mais, ou pelo menos não consigo, porque estar nessa grama me faz sentir que fui enterrada viva.

Então 'adeus' é a minha palavra para ti e o resto do mundo.

Me tranco no banheiro, acendo um cigarro, fecho a janela. Acendo outros tantos montes de cigarros, tentando fumar todos de uma vez. Em pouco tempo eu ja nem me via mais no reflexo do espelho, tudo estava tomado pela fumaça que saía dos cigarros.

Até que toda a minha visão se apagou, e respirar que já estava dificil, se tornou impossivel.

Esse foi meu ultimo suspiro, foi o meu fim.