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Há semanas, talvez meses, que eu não acordo sorrindo. Parece que a felicidade, contida normalmente em meu coração, o abandonou. Hospedou-se em outro ser, tão frágil quanto eu. Tudo que resta no buraco sem fundo formado, é nostalgia.

Dou “play” em musicas que me fariam pulsar mais sangue, fazer meu coração bater mais rápido. No último volume, parece que vai me engolir. Minha agonia é expressa nesse momento. Não canto com amor, como de costume. O que eu passo agora é um som estridente, arranhando minha garganta e meu peito, e assim saindo palavras cantadas e banhadas em dor.

E todos aqueles desenhos coloridos que eram traçados no céu pela minha alegria, agora estão borrados e com manchas negras feitas enquanto as cores eram queimadas no inferno, sumindo, pra sempre.

Meu sorriso, espontâneo, foi trocado. Há, apenas, olhos úmidos, uma boca rachada e seca de amargura, e um corpo maltrapilho.

Minha janela, a qual deixava entrar “aquela” brisa; contagiante, leve e que me trazia tranquilidade; hoje esta trancafiada. Pois tudo que ela deixa passar é uma ventania que bagunça minha alma.

Não era preciso coisa alguma para que me sentisse completa, satisfeita, porém agora busco por tudo, mesmo sabendo que nada vai poder me salvar.

Antes, eu tinha sentimentos supérfluos, e no momento, o máximo que sinto é a dor que toma conta dos meus dias nublados e das minhas noites sem estrelas.

Tudo aquilo que eu tinha em demasiado e também que me levava aos céus, são apenas sombras agora. Não diria que ficaram para trás, só não são mais capazes de me dar prazer e entusiasmo. Nada mais é capaz de contentar esse sofrimento todo.

E tudo que eu sonhava,

Hoje é meu maior pesadelo.