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É tudo minha culpa, não é? Eu me enforco e acabo por entristecer quem esta a minha volta. Sinto-me fraca e sem vontade de levantar da cama. Cada dia eu como menos, tenho menos energia e fico mais pálida. Meus cabelos estão caindo, minhas olheiras aumentando. E eu já nem sei mais o que é auto-estima.

Faz um bom tempo desde a última vez que eu sorri. É, isso, você me fez tão mal, que aquela pessoa tão alegre como eu era, se transformou em uma aura de solidão que caminha levando lágrimas ao em vez de empolgação, o que era de meu costume.

Acho que você foi minha maior decepção e, talvez, eu nunca sofra uma maior. Não estou querendo ser uma dramática, mas o que eu sentia por você... Ninguém nunca me fez sentir de tal forma.

Só de saber que eu ia ver você, acabava acordando muito mais cedo do que o necessário. Ansiedade. E quando a gente se despedia, eu sempre ficava esperando qualquer uma daquelas mensagens que você me mandava perguntando se eu tinha voltado bem, mas você nunca mais fez isso. Talvez, na verdade, nunca tenha se importado. E quando você ia me buscar em casa pra gente se encontrar com os amigos em algum lugar, meu estomago se enchia, não de borboletas, mas de fogos de artifício. É, o coração palpitava o suficiente para que meus pais pensassem que eu teria um treco a qualquer momento.

Só um momento. Estão batendo na minha porta.

Mãe? Não, não vou pra aula de novo. Não, não estou com fome, não quero café. Não, não vou levantar.

Mãe, me deixa. Então, voltando.

Desde que você começou a mostrar sua verdadeira face, não ta fácil respirar. Larguei mão de tudo e todos. Parei de ir à escola, e sempre que posso minto pra minha mãe, digo que já comi quando, na realidade, eu estou com o estomago embrulhado de borboletas, mortas pelos fogos, e não passei nem perto de comida alguma.

Mas agora vou cessar meus pensamentos. Meu psicólogo já esta chegando, e eu não quero ouvir mais nada sobre o meu dever de me amar. Afinal, acho que te amei muito mais do que qualquer outro. Muito mais do que a mim mesma. Muito mais do que qualquer adolescente chulo poderia sentir.

Depois disso só pensei em mais uma coisa, antes de baterem na porta.

Sabe o que é pior? Tenho medo de como eu vou terminar, e nem posso te pedir um abraço pra me consolar.