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Estou escondida, embrulhada nas cobertas da cama. Não quero olhar pra esse mundo, não quero enxergar essa realidade. Quero tudo diferente.

A chuva bate na minha janela, escorre no meu rosto. Lagrimas que talvez nem sejam minhas. E minha única vontade? Usar meu resto de cordas vocais pra latejar minhas musicas depressivas que mais mexem comigo.

A cada gota de chuva, um trovão que estoura, após o raio que me fere. A dor me corrói por dentro. Sinto minha garganta arder em fúria.

Não entendo. Por que tudo tem que ser assim?

Minha vontade é voltar ao inicio, fazer tudo diferente. É sorrir sempre que puder, é não me arrepender. Não quero ter culpa. Mas não, não vai ser possível voltar atrás agora. Terei de me acostumar com toda essa tempestade em mim.

Uma pontada no peito. Um suspiro de desespero. Puxo ainda mais as cobertas, me enrolo, tento sufocar minha respiração para tentar deixá-la uniforme depois. Mas não é possível. A chuva não para, meu rosto já esta vermelho.

Sei que agora já é tarde, mas meu coração ainda lateja. É uma dor que consome e parece que nunca vai sumir.

Quero levantar da depressão, mas a chuva não deixa. Ela me prende a esse quarto escuro, com apenas algumas frestas de uma luz opaca entrado pelos cantos de minha janela trancafiada. Minhas ultimas palavras são apenas arranhadas de voz num fundo de violão. Talvez seja meu fim.