Meu CEO de estimação

16 O presente do CEO


Notas iniciais
Foca na rapidez dessa autora, gente! Peguei vocês de surpresa, pode falar kkkkk. Enfim, mesmo que os meus últimos dias tenham sido um pouco corridos, eu tive um surto de inspiração e resolvi voltar logo aqui. Enfim, é isso. Boa leitura!

— Ocupados? Eu é que agradeço por você me tirar daqui. — oYoon respondeu propositalmente alto, para o Choi ouvisse a sua reclamação. Em resposta, o diretor de marketing enforcado pela gravata vermelha apenas deu de ombros, o que fez com que Jeonghan se voltasse para mim novamente, se aproximando e abaixando o tom de voz. — Além disso, você se esqueceu de quem fez isso com você? Levá-la ao hospital é o mínimo que eu posso fazer.

Engoli em seco, fitando Jeonghan com os olhos arregalados. Sinceramente, naquele momento, eu estava me sentindo uma verdadeira toupeira: quando achei que tinha saído de um buraco, acabei caindo em outro.

— Então... deixe-me ver se entendi direito o que acabou de acontecer. — Jeonghan balbuciou. — Você entra na minha sala feito um furacão porque está morrendo de dor no pulso, eu lhe trago até o hospital para ver um médico e o mesmo diz, ao contrário de todas as expectativas, que você está curada e que não precisa mais do imobilizador. — o diretor coçou o queixo, falsamente pensativo. — Eu não sei porque, mas sinto que estou deixando passar despercebido algum detalhe crucial para conseguir entender essa história.

— Eu nunca disse que estava morrendo de dor no pulso. — rebati, tentando salvar a minha própria pele daquela enrascada na qual eu mesma havia me metido. — Foi mais um desconforto, entende? Quem sabe, o meu pulso estava tentando me dizer que já estava bom.

Dito isso, Jeonghan parou de caminhar exatamente no meio do estacionamento do hospital e me encarou, erguendo uma sobrancelha acusadora na minha direção e me obrigando, automaticamente, a parar também.

— Ele estava lhe dizendo? — insistiu, incrédulo. Em resposta, eu apenas dei de ombros da forma mais descarada possível. — Nossa, esse é o pulso mais inteligente que eu já vi na minha vida.

— Não precisa exagerar... — resmunguei para mim mesma, rezando internamente para que o Yoon não tivesse me escutado.

Bem, a história era basicamente a seguinte: para disfarçar toda a cena que eu tinha feito mais cedo ao simplesmente invadir o escritório de Jeonghan — enquanto jurava ter fortes evidências de que o mesmo e o Diretor Choi estavam fazendo certas coisas proibidas para menores de idade lá dentro — eu aproveitei a deixa do Yoon e fingi uma dor um tanto exagerada e fora do contexto no meu pulso imobilizado. Contudo, eu não esperava que o meu chefe fosse fazer questão de correr comigo para o hospital e muito menos que, chegando lá, o médico ortopedista fosse acabar me dando alta daquele maldito imobilizador. De acordo com o doutor, a minha recuperação tinha sido mais rápida e satisfatória do que o esperado e, por isso, eu já poderia me ver livre daquele incômodo estofado; oque teria sido maravilhoso, se o contexto não fosse trágico. No fim das contas, eu tinha certeza que Jeonghan estava, nesse exato momento, tentando decidir mentalmente se eu era louca de pedra ou apenas uma mentirosa compulsiva.

Sinceramente, eu sequer tinha nada a dizer em minha defesa em relação àquilo. O que quer que ele decidisse, a minha imagem continuaria nada boa e sem previsão de conserto.

— Ah, eu acabei de me lembrar de algo importante! — eu exclamei assim que entramos de volta no carro do Yoon, estando eu obviamente no banco do carona. — Amanhã é aniversário do diretor da equipe financeira da Price, o Sr. No. Eu deveria enviar algo para ele em seu nome?

Jeonghan afivelou o próprio cinto de segurança um tanto pensativo e, em seguida, me encarou.

— Não precisa. — respondeu. — Eu mesmo farei isso.

Franzi o cenho no mesmo instante, estranhando a sua iniciativa.

— Como assim?

— Bem, se eu quero realmente me aproximar dos meus funcionários, eu deveria fazer isso da forma mais sincera possível. — hm, até que aquilo fazia sentido, sendo sincera. — Então eu mesmo vou comprar e entregar um presente para o Sr. No.

Fitei Jeonghan, sendo obrigada a segurar um pequeno sorriso orgulhoso que tinha tentado brotar em meus lábios. Já fazia quase quatro anos que eu trabalhava para ele e, em nenhum daqueles, tinha percebido algum interesse do Yoon em relação aos funcionários ao seu redor, muito menos nos que ocupavam cargos abaixo de si. Não que ele fizesse aquilo de propósito, tratava-se apenas de uma certa falta de toque e de percepção da sua parte como chefe. Contudo, vendo-o fazer aquilo pela primeira vez, isso sabendo que era eu a pessoa o ajudando a mudar as suas atitudes, era um tanto gratificante, eu devo confessar.

— Parece uma boa ideia. — comentei. — Você já tem ideia do que quer comprar?

O Yoon emitiu um longo som pensativo.

— Acho que eu não posso fazer tudo sozinho, no fim das contas. — pronto, estava tudo indo bem demais para ser verdade. — Você me ajuda?

— Claro, oras. — respondi um tanto animada, o que o fez erguer uma sobrancelha surpresa. — Digo, faz parte do meu trabalho, certo?

Em resposta, Jeonghan apenas riu e deu partida no carro, voltando o seu foco para a direção.

— Pois bem, se você não tinha cancelado os meus compromissos pelas próximas duas horas antes, quando Seungcheol lhe pediu, pode fazer isso agora. — afirmou.

— Para onde nós estamos indo? — perguntei assim que notei que ele tomava a rodovia oposta a que nos levaria de volta para a Price.

Vi o Yoon me fitar de escanteio, desviando por um momento os olhos da pista para os pousar em mim. Com o seu típico sorriso travesso nos lábios, ele me respondeu:

— Fazer compras, oras. — brincou, imitando a minha animação de agora há pouco.

Eu acabei me rendendo e rindo da sua infantilidade, em seguida sacando a minha agenda e o meu celular da bolsa, o combo perfeito de todas as secretárias que também fazem papel de assistentes pessoais, como era exatamente o meu caso. Enquanto Jeonghan dirigia, eu fui cancelando as suas reuniões ligação por ligação — felizmente, ele não tinha nada de muito importante marcado para aquele dia, o que diminuiu e muito o estresse que fazer aquilo sempre me causava. Ele permaneceu em silêncio por todo o caminho, nitidamente tentando não atrapalhar o meu trabalho, e eu acabei o agradecendo mentalmente por aquele sutil gesto de compreensão, no fim das contas. Assim, quando terminei as minhas ligações, Jeonghan estava estacionando em um dos shoppings mais famosos daquela região de Seul. Nós descemos do carro e, poucos passos depois, já estávamos caminhando pelos largos corredores que separavam uma loja da outra.

— Então, o que você sugere que eu compre para o Diretor No? — ele me perguntou enquanto andava calmamente ao meu lado.

Fiz uma rápida varredura com os olhos ao nosso redor, me deparando com várias lojas caríssimas de roupas e de alguns outros acessórios.

— Bem, o ideal seria algo relacionado ao trabalho e ao escritório. — respondi. — É o mais seguro.

— Hm... — Jeonghan murmurou, fazendo a mesma busca que eu tinha acabado de fazer. — Que tal uma gravata?

— Muito clichê. — afirmei no mesmo segundo. — Aposto que uns três puxa-sacos lhe darão a mesma coisa, no mínimo.

— Um relógio? — indagou e apontou animadamente para uma relojoaria logo à nossa frente.

Céus, um único ponteiro daqueles relógios deveria custar umas duas semanas do meu trabalho.

— Muito caro. — respondi. — Vai parecer que você quis apenas se exibir.

Dito isso, Jeonghan parou de caminhar e me fitou.

— Estou aceitando sugestões, então. — disse quase que em um resmungo, o que me fez rir.

— Que tal uma caneta? — sugeri. — Não é tão batido e nós podemos escolher alguma que pareça sofisticada, porém sem ser muita cara. Do jeito que o Diretor No é, aposto que ele vai querer se exibir e andar com ela na lapela do terno de um lado para o outro.

O Yoon levou um rápido segundo para pensar consigo mesmo e, então, me fitou com um sorriso de aceitação nos lábios.

Não que eu estivesse prestando atenção nos seus lábios, claro.

— Boa ideia. — concordou, por fim. — Se eu não me engano, tem uma boa loja para comprar essas coisas logo ali na frente. Podemos ir lá e dar uma olhada.

Balancei a cabeça positivamente e logo nós voltamos a caminhar pelo shopping sem muita pressa. Não era a primeira vez que eu entrava naquele lugar com o intuito de presentear alguém, já que, vez ou outra, Jeonghan costumava me mandar comprar algum presente para algum parente aniversariante ou algo do tipo no seu lugar; contudo, era a primeira vez que eu estava vindo acompanhada do próprio. O Yoon parecia realmente animado por estar fazendo aquilo pela primeira vez, o que não deixava de ser uma cena um tanto engraçada diante dos meus olhos. Ele caminhava saltitante, de um modo completamente diferente do seu habitual andar sério e confiante, e a cada cinco passos parava para olhar alguma coisa em alguma vitrine aleatória — sinceramente, a cada dia que passa eu acredito ainda mais que ele e Songyoung dariam ótimos amigos.

Quem diria que nós dois, o chefe exigente e exótico e a secretária faz–tudo, acabaríamos passeando por um shopping qualquer, no meio de uma tarde de trabalho, atrás um simples presente de aniversário para algum diretor da Price. Nós não convivíamos tão pacificamente daquele modo há quanto tempo, três anos? Se bem que, ultimamente, nós vínhamos nos dando bem melhor do que o de costume...

Bem até demais, eu arriscaria dizer.

***

— Como pode um adulto não saber tomar um simples sorvete de casquinha sem se lambuzar todo? — eu perguntei, rindo. — O que você fez durante a sua infância, Jeonghan?

Diante da minha zoação, o Yoon me encarou com a cara amarrada e os cantos da boca completamente sujos de sorvete de baunilha. Céus, eu sentia que o meu estômago poderia explodir de tanto rir da sua lambança a qualquer momento.

— Eu passei a minha infância inteira me preparando para me tornar um diretor importante de uma das maiores companhias de entretenimento do país. — respondeu e empinou o nariz. — E você?

Ri ainda mais.

— Bem, eu estava basicamente correndo com vacas e plantando arroz.

Diante da minha resposta, o Yoon acabou se rendendo e me acompanhou em uma gargalhada. De repente, eu o vi erguer o braço esquerdo e automaticamente já soube quais eram as suas intenções insanas. Num ato rápido e certeiro, eu acertei a sua mão com um tapa de leve, porém carregado de oposição.

— O que diabos significa isso? — perguntou, surpreso.

— Eu é quem lhe pergunto isso. — rebati. — Você não estava pensando em limpar a boca com a manga de um terno que custa o preço de dois meses do meu salário, estava?

Ele me encarou, encolhendo os ombros.

— Na verdade, se nós fôssemos comparar os valores, esse terno seria o equivalente a três meses do seu salário... — murmurou um tanto sem jeito.

E pensar que a ideia de tomar sorvete tinha partido justamente dele...

Sacudi a cabeça em negação e, rapidamente, puxei um guardanapo do bolso lateral da minha bolsa — sim, aos curiosos de plantão, eu carregava literalmente de tudo dentro daquela bolsa por pura prevenção. Ergui o pedaço de papel e automaticamente o levei até os lábios de Jeonghan, começando a limpá-los sem pensar muito naquilo. E eis que aquele foi o meu maior erro. Quando me dei por mim, eu estava quase na ponta dos pés e inclinada na direção do Yoon, que me encarava fixamente devido àquela aproximação repentina. Não era a primeira vez que eu fazia aquilo, contudo, nunca tinha me acontecido de me sentir daquele jeito antes. Senti o meu coração acelerar sem a minha permissão e, de repente, a mão que ainda segurava o guardanapo rente aos lábios de Jeonghan começou a suar de um jeito inexplicável.

O que diabos estava acontecendo comigo?

De repente, paralisada e sem ter mais para onde olhar, eu notei os olhos do Yoon caírem dos meus diretamente para os meus lábios, permanecendo lá por alguns instantes.

Ele não podia estar pensando naquilo, certo?

— Na verdade... — sussurrou de início, ainda com os olhos fixos onde não deveriam. Senti meu coração pular uma batida, como se estivesse esperando ansiosa pelo o que ele tinha a dizer naquele momento. — A sua vida na fazenda me deixa realmente curioso. Será que você poderia me levar até lá, um dia?

Franzi o cenho. Aquilo definitivamente não era o que eu estava esperando.

Não que eu estivesse esperando alguma coisa demais, óbvio.

— O que? — indaguei, completamente confusa. De repente, voltando para a realidade e como se um meteorito tivesse acabado de cair entre o curto espaço que nos separava, eu me afastei de Jeonghan o mais depressa possível. Ajeitei a minha postura do jeito mais esquisito possível e encarei qualquer outro ponto que não fosse o meu chefe. — Claro, sem problemas. A fazenda, eu... Eu posso levar você lá qualquer dia desses, claro.

Para tentar disfarçar aquela maldita vergonha, eu acabei enfiando todo o restante da casquinha do meu sorvete de uma só vez na boca — talvez aquilo ajudasse a me esfriar, também. Assim, para que Jeonghan não conseguisse ver a minha cara de esquilo com dez nozes estocadas na boca e nenhuma vergonha na cara, eu me virei para o lado oposto ao que ele estava, dando praticamente de cara com a vitrine de uma loja.

E então, algo me chamou a atenção e me fez esquecer, pelo menos por um momento, daquela cena em tanto que tinha acabado de acontecer. Em destaque na tal vitrine, estava um manequim que usava um vestido de seda cor de areia no mínimo impressionante. A peça descia elegantemente até a canela do manequim de uma forma bem solta e confortável, tinha mangas compridas leves e um decote em V bem discreto. Era simples, porém extremamente refinada e digna de ser usada pelas mulheres seletamente mais impecáveis.

E eu conhecia uma mulher exatamente assim.

— Você gostou? — ouvi a voz de Jeonghan surgir atrás de mim e quase pulei de assusto.

De repente, ele estava parado ao meu lado e também fitava o vestido.

— Não é isso. — respondi e, só então, percebi que ainda estava de boca cheia. Terminei de mastigar toda aquela casquinha de sorvete com pressa, quase engasgando no meio do caminho, e finalmente pude terminar a minha fala. — É que a minha mãe tinha um desses quando eu era mais nova e era o vestido preferido dela, apesar de eu nunca a ter visto o usando. Quando eu o encontrei nessa vitrine, automaticamente me lembrei dela.

— Se era o preferido dela, por que ela nunca usou? — Jeonghan indagou com o cenho franzido, pendendo a cabeça na minha direção.

— Na verdade, ela tinha essa cisma cômica de que só o usaria no casamento das suas filhas. Primeiro no meu e, depois, no da Songyoung. — eu ri, lembrando-me de como ela explicava aquilo com toda a firmeza do mundo. De repente, lembrei do desfecho daquela história e automaticamente abaixei a cabeça. — É uma pena que ela tenha se desfeito dele antes de conseguir fazer isso...

— Por que? — Jeonghan perguntou e logo se consertou. — Desculpa, eu não quero parecer intrometido.

Como se ele já não fosse normalmente.

— Tudo bem. — eu ri sozinha. — Eu vim para Seul no inverno, que é justamente a pior época do ano para uma fazenda. As plantações não resistem ao frio, os animais não produzem nada direito... Enfim, nós não tínhamos muito dinheiro naquela época, então a minha mãe resolveu vender o vestido às escondidas para comprar a minha passagem. Eu só descobri meses depois, quando Songyoung deu falta do vestido no guarda-roupa dela e me contou o que tinha descoberto.

Eu ainda estava presa em memórias quando Jeonghan me fitou, sério. Ele já tinha terminado o seu sorvete e ainda carregava a pequena e elegante sacola de presente que daria pessoalmente ao Diretor No, onde estava a sua mais nova caneta de escritório dourada.

— Você sabe as medidas da sua mãe? — perguntou de repente, me pegando de surpresa.

— Sei, por que? — eu o questionei e só então entendi aonde ele estava querendo chegar, automaticamente negando a sua ideia. — Não, nem pense nisso.

— É só um presente, oras. — rebateu. — Eu não posso enviar um presente para a mãe da pessoa que mais me ajuda no meu dia a dia? Considere como um presente de aniversário, se preferir.

— O aniversário dela foi há dois meses. — afirmei, séria. — Além disso, é um vestido caríssimo.

— Não para o meu bolso. — insistiu e cruzou os braços, parecendo mais uma criança pirracenta. — Vamos, me deixe fazer isso. E se eu descontar aos poucos do seu salário? Você aceitaria? Prometo que serão parcelas tão pequenas que você mal sentirá saindo do seu bolso.

Normalmente, qualquer menção a cortes no meu salário me faria tremer da cabeça aos pés, já que cada centavo era tão bem contado e tinha o seu destino certo. Contudo, encarando aquele vestido e me lembrando de como a minha mãe costumava passá-lo todo mês com um enorme sorriso no rosto, ainda que não fosse usá-lo nem tão cedo, eu senti o meu coração pão duro ceder aos poucos àquela proposta. Depois de me mudar para Seul, eu muito mal tinha tirado um tempo para voltar à fazenda, muito menos para dar algum presente para a minha mãe. Mesmo depois de tudo que ela tinha feito por mim, eu ainda estava cogitando a ideia de fazer algo por ela.

Não, aquela não era a ShinMinyoung que ela tinha criado.

— Tudo bem, eu aceito. — respondi, por fim, e vi o sorriso de Jeonghan surgir largo em seus lábios. — Mas você tem que descontar do meu salário, está bem?

— Combinado. — ele balançou a cabeça, firme. — Vamos entrar, então.

Dito isso, o Yoon saiu me puxando pela manga do meu cardigã de lã preto e logo nós estávamos sendo atendidos pela primeira vendedora que ele tinha encontrado disponível dentro da tal loja. Eu sabia que a minha mãe tinha a minha altura e um pouco mais de corpo do que eu, então não seria muito difícil de acertar o seu tamanho no olho.

— Você deveria provar. — Jeonghan deu a ideia. — Será mais fácil de ter certeza assim.

No fim das contas, eu não me opus àquilo, já que ele realmente tinha razão. Pedi à vendedora o tamanho que acreditava ser o meu e segui para o provador, felizmente livre daquele imobilizador que tanto me atrapalhava na hora de vestir qualquer coisa. Troquei as minhas habituais roupas de trabalho pelo vestido e me olhei no espelho, me surpreendendo com a visão que tive.

Eu estava simplesmente deslumbrante.

Não que eu não me achasse bonita, contudo, a correria do meu dia a dia conseguia fazer com que eu me esquecesse disso vez ou outra — e, além disso, o vestido em si parecia ter alguma espécie de poder mágico para me deixar parecendo no mínimo três vezes mais elegante e rica do que eu realmente era.

Céus, se eu tivesse dinheiro, levaria uns dois daquele para mim mesma.

— A senhora gostou? — ouviu a atendente da loja perguntar educadamente do lado de fora do provador.

Dito isso, eu abri a porta do pequeno espaço e saí, já que uma segunda opinião feminina seria de ótimo tom naquele momento. Contudo, não foi exatamente a opinião da vendedora que eu acabei encontrando.

Havia um pequeno sofá bege do lado de fora do provador, creio eu destinado aos maridos e outros tipos de parceiros que deveriam passar horas ali esperando pelas suas amadas, e sentado justamente no mesmo eu encontrei Yoon Jeonghan. Ele estava focado em algo na tela do seu celular, porém, ao ouvir o barulho do trinco da porta do provador, ergueu a cabeça no exato instante no qual eu saía do mesmo. Nossos olhares logo se encontraram, mas o dele não sustentou o meu por muito tempo, se distraindo ao longo da cena diante de si — cena, no caso, onde eu era a protagonista. Permaneceu alguns segundos em silêncio, apenas me encarando.

— Você está... — murmurou, parecendo um tanto desnorteado. — ainda mais linda.

Como eu deveria supostamente lidar com aquele tipo de elogio? Porque sinceramente, tudo o que o meu corpo foi capaz de fazer ao ouvir aquilo fora se encolher feito um grão de feijão e ruborizar as minhas bochechas feito um tomate extremamente maduro.

Céus, como Jeonghan poderia causar aquele tipo de efeito em mim? Digo, ele era Yoon Jeonghan... Aquilo simplesmente não era possível ou explicável por qualquer ramo da ciência.

— Eu concordo com o seu esposo, a senhora está deslumbrante. — a vendedora elogiou, quase fazendo com que eu tivesse um ataque cardíaco de vez.

Sem graça, eu estava prestes a explicar o seu equívoco, mas Jeonghan foi mais rápido do que eu. Quando ele se levantou e abotoou um único botão do paletó, eu confiei que ele fosse dar as maiores explicações necessárias naquele momento.

Confiei errado, óbvio.

— Pois bem, nós vamos levar esse. — disse para vendedora. — E um outro igual, porém um número maior.

— Sim, senhor. — a vendedora concordou e logo nos deixou sozinhos.

Eu nem sabia por onde começar, sinceramente.

— Você deveria ter explicado a ela que nós não somos... — pausei, notando algo relativamente mais importante do que aquilo naquele momento. — Espera, por que diabos você disse que nós levaríamos esse e mais um outro maior?

Jeonghan sorriu.

— Um é um presente seu para a sua mãe, como nós já tínhamos combinado. — explicou. — E este, é um presente meu para você.

— O que?! — eu exclamei automaticamente, só depois me dando conta do tom da minha voz e me encolhendo. — Você enlouqueceu, Yoon Jeonghan?

— Sabe, eu acho engraçado quando você me chama assim. Parece que a chefe é você. — disse riu, ignorando completamente o que eu tinha acabado de dizer.

— Eu não estou achando nada engraçado aqui. — rebati. — Não posso aceitar um presente caro como esse.

— Há quanto tempo você trabalha para mim? Quase quatro anos já, não é mesmo? — indagou e eu apenas balancei a cabeça positivamente. — E quantos presentes eu lhe dei durante todo esse tempo?

Bem, exatos nenhum.

— Mesmo assim, eu...

— Então pronto. — me interrompeu, decidido. — Considere o valor do vestido como uma soma dos valores de todos os presentes que eu poderia ter lhe dado durante esse tempo, mas que eu nunca dei.

— E por que raios você me daria presentes? — insisti. — Eu sou só a sua secretária.

Dito isso, Jeonghan apenas fechou o seu semblante e se inclinou na minha direção, antes de mais nada checando à nossa volta como se para ter certeza de que ninguém estava nos observando. Aproximou-se do meu ouvido, automaticamente abaixando o tom de voz.

— Você tem certeza disso, Min Min?

Notas finais
Enfim, estou ansiosa para saber o que acharam do capítulo! Talvez eu não volte tão rápido com o próximo, mas prometo que volto logo kkkkk. Até ♥