Meu Blog Secreto
1 Capítulo 1 - Reviver
Dia 1
Oi blog, bom dia. Esta manhã, como era de se esperar, chegou cedo demais.
Por mim eu dormia pra sempre. Sim, pra sempre... Não acordar nunca mais. Meio exagerado? Pode ser. Mas você também estaria se sentindo assim meu amigo confidente se estivesse no meu lugar. A verdade é que ainda não sei como deixei meus pais me convenceram a entrar na faculdade sem a Bia... Até sei: para que me deixem em paz para eu sofrer meu luto.
Eu me pego pensando nela, naquele lugar, daquele jeito... Não foi correto.
Dia 2
Ei blog, desculpa sumir... Eu estava sem vontade de escrever. Ou falar, ou ouvir ou respirar.
Eu sei que você sempre me ajudou nos momentos mais difíceis, mas não sei como pode me ajudar neste caso, não desta vez.
Fato 1: Beatriz se foi. Fato 2: eu não sei como seguir em frente.
Eu passo os dias em inércia, esquivo pelos corredores de olhares invasivos, adormeço em aula e nem lembro o gosto da comida.
Dia 3
Hoje por um instante pensei tê-la visto, de verdade. Não como quando eu fico forçando minha mente para imaginá-la ali comigo. Será que estou ficando doida? Cheguei ao fundo do poço?
Dia 4
Blog! Eu a vi de novo! OK, não era bem ela, mas era muitíssima e estranhamente parecida com ela.
Não pude evitar... Fiquei hipnotizada olhando para ela, o corpo andando em sua direção sem o cérebro notar até que era tarde d+ e tropeçamos uma na outra.
Ela pediu desculpas sem graça, minha língua travou e eu não falei nada, só balancei com a cabeça um sim meio não (se é que me entende). Ela se afastou e eu percebi que meus dias não seriam + como antes.
Dia 6
Nome dela é Maria Clara. Investi alguns minutos por dia para descobrir seu nome, seu dormitório, suas matérias e seus amigos. Novamente eu aqui exagerando... Mas eu realmente preciso saber quem é essa garota.
Programei-me e amanhã falarei com ela.
Dia 7
Não há um minuto em que não esteja pensando na Bia, exceto quanto estou pensando em Maria Clara – que deve ser o mesmo que pensar na Bia.
Hoje pude colocar meu plano em prática e consegui conversar com elas, digo, com a Clara. Minha impressão é que ela é bem diferente da Bia... Desde o jeito de falar, pensar e agir. Não é um pouco tímida e muito simpática. Ela estava lendo um livro e eu aproveitei para tropeçar em suas pernas esticadas, sob o pretexto de não tê-la visto (a tá!). Colou, e logo começamos a conversar.
Enquanto ela me falava eu a fitava atentamente, fixada em seus olhos e traços faciais. Segui as linhas de expressão e a cada milímetro estava mais próximo dos lábios que se mexiam seco até que saí do transe quando ela salivou e passou a língua rapidamente para molhá-los. Foi com um apito ou alguém tivesse me sacudido! Uow! E eu voltei a fixá-la nos olhos.
Dia 8
Estamos mais próximas, mas não tanto como Bia e eu éramos. Nem sei se poderia. Acho que não estou pronta. Mas será que consigo evitar?
Dia 9
Minhas primeiras provas e eu estou ficando (mais) maluca! Realmente não consegui te falar de tudo o que tem acontecido... Como temos as mesmas matérias (uma coincidência mais para ela do que para mim né), estamos estudando juntas desde o início. Já faz semanas que ficamos no quarto do alojamento estudando todos os dias. E eu me aproveito para aprender mais e mais sobre ela.
Dia 10
Sabia que isso iria acontecer! Puta que pariu! Justo quando estávamos mais próximas surge um empecilho. E este tem nome: Rafael.
Essa coisa de amigos de infância já saiu de moda, alguém avisa, por favor, o nosso galanteador! Mas não tem problema... Eu supero isso. É só um detalhe.
Dia 11
A Maria tá insuportável. Só fala do Rafael. Por vezes eu tenho de interrompê-la para que possamos de fato falar de outra coisa. Mas eu sei como é estar apaixonada, então sorrio e dou todo suporte.
Dia 12.
Foi trágica, a notícia que chegou a ela sobre o acidente do namorado. Eu poderia dizer: eu avise, mas teria me escutado?
Dia 13
Esperei muito por este dia... Finalmente pude me abrir com Maria Clara.
Ela falava sobre Rafael – agora que ela consegue falar dele – e sobre a perda que sentiu. Eu pude compartilhar do sofrimento do luto e falei sobre Beatriz a ela.
Ela me perguntou como eu superei e eu pude dizer que o crédito era todo dela.
Por um momento ela ficou em silêncio mas compreendeu. Eu nem esperava – só desejava – quando ela se aproximou e me beijou suavemente com os lábios secos.
Eu não senti o chão se abrir ou o mundo todo girar. Não ouvi sinos e não deu frio na barriga. Eu senti a mais profunda conexão de tristeza que deve existir. Se a imensa tristeza de nossos lutos era o que nos unia eu me agarraria a ela até que virássemos pedra, pó ou fumaça.
Dia 14
Não nos falamos há um mês, Maria me evita. Eu entendo e dou espaço para ela. Mas sei que ela não irá longe. E se for, eu a buscarei sem pensar. Certo blog?!
Dia 15
Como previsto, MC voltou a se aproximar. Ela só precisava de espaço. Já aceitou nossa amizade. E quanto ao resto irá aceitar. Eu farei com que aceite...
Hoje, por exemplo, marquei com Paula – uma paquera estratégica — às 17h no meu quarto, enquanto minha roommate está em aula extra. Esta hora MC costuma passar por aqui também.
Ruiva como é, Paula não consegue ser discreta. A cada toque meu ela gemia gostoso e eu beijava sua nuca me escondendo por de trás de seus cabelos. A porta entre aberta, propositalmente, foi a isca ideal. E quando já despida, sentada à minha frente de costas para mim, Paula cumpria seu papel em meu plano sem suspeitar dele. O corpo torneado invejável, contraído de tesão, seguia o ritmo que eu queria.
Senti mais alguém no quarto, tinha certeza de que estávamos sendo observadas. Foi quando deitei a ruiva de bruço na cama e deslizei abruptamente para suas coxas e a invadi com uma língua quente e apressada. Não perdi o timming e ambas estavam onde eu queria. Ouvi a saliva percorrer a garganta seca, a língua os lábios e nossos olhos se cruzaram. Foi perfeito, Clara me notou encarando-a enquanto fazia outra gozar diante de seus olhos. Me lembrou Beatriz.
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