Meu Bad Boy
41 Estrelas Alinhadas
Notas iniciais
MARCO – Quer saber?! Acho melhor eu ir dançar mesmo... mas SOZINHO! – se levantou e virou as costas pra mim.
Como você é sentimental garoto! Qualquer outra pessoa nem ia ter ligado! Mas ele não é qualquer pessoa, é o Marco, meu mexicano de cabelo bagunçado fofo!

#Francesca
Marco seguiu para o meio dos casais onde parou olhando para o topo da escada, local em que Ludmila e Federico cantavam apaixonadamente. Direcionei minha visão para os dois assim como Marco, sentindo algo muito bom, aquela sena de meu companheiro italiano com sua amada num ato de romantismo era demais pra mim, ele a segurou em seus braços enquanto pronunciava as palavras de amor, “Ti Credo” foi o tema escolhido, a versão em italiano da primeira música de amor composta por minha melhor amiga. Sempre tive a impressão de que essa canção resumia grande parte dos meus sentimentos amorosos, seja por Tomás ou Marco, era algo que falava comigo, e ouvir as palavras em italiano era mais do que motivador, era como uma ordem:
“Não o deixe ir!”
Isso era o que minha mente gritava, isso era o que eu precisava, é o que preciso! Não posso deixar que mais um desentendimento nos afaste. “Mais um?“, é a pergunta que roda minha cabeça, pois não é a primeira vez que discutimos, e creio que não será a última, de fato é impossível que essa seja a última. Portanto, será que algum dia teremos paz? Será que sendo tão diferentes como somos podemos ficar juntos? Isso eu não sei, e algo me diz que talvez eu nunca tenha plena certeza, mas se eu sei de algo, é que quero ficar com ele, nem que seja por mais um segundo, quero tê-lo ao meu lado!
Determinada, mudei meu campo de visão alcançando meu objetivo, mas ao encontrá-lo tive uma surpresa nada agradável. Com roupas curtas e atitude vulgar, a tal morena que escutava as piadas do MEU mexicano estava se esfregando nele, e o pior é que o garoto não fazia nada. Minha vontade era de esganar os dois, ela por ser tão abusada e ele por deixar a garota o agarrar.
Me levantei e acho que todos perceberam, pois as batidas de meu pequenino salto pareciam enormes pedras se chocando contra o piso. “Isso que da deixar a senhorita Cauviglia irritada”. Foi o que pensei durante o percurso que parecia não ter fim. Ao perceber minha proximidade Marco me olhou, mas milésimos depois passou a ignorar minha presença, como se isso fosse me fazer mudar de ideia. Desista querido, eu não saiu daqui até essa vaca te largar.
FRAN – Olá meu amor! – me pronunciei em tom debochado olhando para a garota com um ar de inocência falso. – Vejo que está bem acompanhado, mas é claro que já chega de dançar com sua amiginha, pois eu cheguei! – dei ênfase nas últimas palavras querendo dizer a ela “Saia daqui que ele já tem dona!”.
Ela me ignorou por total, mas que pessoa insolente! Passou suas mãos pelo pescoço dele e o puxou para um... beijo? Só pode estar querendo morrer né!
Já estava quase atacando a morena quando Marco a parou e deu um leve sorriso, um sorriso de divertimento.
MARCO – Bom, acho que é melhor eu dar atenção a Francesca, obrigado por me fazer companhia enquanto ela terminava de comer. – por fim a dispensou.
A menina de estatura media cabelos castanhos escuros de cumprimento até os ombros e olhos verdes quase cinzas passou por mim com um olhar de completa antipatia. Aquele olhar, eu me lembro de algo assim, já a devo ter visto antes, mas onde? Não seria a ex dele?
MARCO – Sabe o que é mais estranho? – perguntou se aproximando.
FRAN – Você estar grudado na sua ex logo depois de dizer o quanto estava feliz em me ter de volta?! – respondi irônica com um fundo de irritação.
MARCO – Não é isso... – falou em reprovação. – Quando eu quero, você não quer, e quando não quero, você vem correndo cheia de ciúmes. – querer? Do que ele esta falando?
FRAN – Pra começar
não estou com ciúmes, eu só não gosto dessa menina.... – olhei em volta a procura da criatura. – E segundo, o que nós queremos, ou não queremos? – perguntei completamente confusa.
MARCO — Estar juntos. – abaixou a cabeça e colocou suas mãos dentro dos bolsos da calça. – Não conseguimos nos entender, eu não sei mais o que fazer Fran... – me olhou temeroso.
Aquilo era uma enorme facada, um golpe baixo. Como assim não sabe mais o que fazer? Você sempre sabe o que fazer, é quem me acalma, quem me mostra o lado bom da vida quando estou irritada. Não pode dizer que não sabe o que fazer e desistir de tudo!
FRAN – Como pode dizer que eu não quero estar com você? – tirei uma de suas mãos do bolso e a segurei. – Eu só não sei como lidar com esse seu excesso de fofura, esse seu sorriso que descompassa meu coração. – nesse momento ele tirou sua outra mão do bolso e a colocou sobre a minha. – Desde a primeira vez que te vi, não pude deixar de querer estar junto a ti. Me desculpe se as vezes não expresso todo o amor que sinto com palavras, acontece que não sou igual a você, eu não tenho tanta facilidade em dizer o quanto eu te amo, assim como você faz. Eu.... é-eu... – algumas lágrimas escorreram pelo meu rosto, não estava mais conseguindo me controlar.
Ele juntou nossas testar e nos movemos de acordo com o ritmo da música, talvez até mais lentos.
MARCO – Tudo bem, eu te entendo, pela primeira vez te entendo. – sorriu enquanto envolvia meu corpo em seus braços.
FRAN – Nunca duvide do meu amor. – sussurrei e ele sorriu, mais um de seus sorrisos de anjo. Mas assim como nem sempre precisamos de palavras essa foi minha resposta, esse sorriso foi a confirmação de que estávamos juntos novamente, e agora nada, mas nada poderá nos separa.
Isso é uma promessa!
#Violetta
Leon direcionou seu campo de visão para o céu, pois acho que ele reparou meu constrangimento com aquela encarada que me deu. Eu fiz o mesmo e encontrei o inicio de uma bela noite estrelada, o céu estava com uma coloração um tanto quanto distinta em relação aos outros dias, ou talvez, eu é que estivesse com o olhar diferente, era uma mistura de cores, começando com um amarelo terra que clareava até se encontrar com um azul quase branco, se transformando em azul bebe e na medida em que levantava meu olhar os tons de azul iam se intensificando até chegar ao mais escuro possível, dando destaque para as estrelas que emitiam uma tímida luz, mas mesmo assim eram deslumbrantes.
Não sei se passei segundos analisando aquela bela paisagem, ou se foram minutos, havia perdido total noção de tempo, e quando voltei a olhar para a pessoa que se encontrava ao meu lado notei que me observava, atento e concentrado. Como pode ser tão adorável e tão odiável ao mesmo tempo? Pois me sinto um tanto quanto especial em manter a atenção dele totalmente em mim, mas também me sinto incomoda por não saber como reagir. Eu devo sorrir? Devo desviar o olhar? Ficar séria? Dizer alguma coisa? Ou simplesmente ignorar isso? Ai, como gostaria de saber o que fazer.
Para minha sorte ou desespero, não precisei fazer nada, pois ele iniciou um movimento com sua mão que se direcionou ao meu rosto, com a parte detrás acariciou minha pele com tanta delicadeza e carinho que fiquei completamente arrepiada, um toque tão suave, mas ao mesmo tempo tão profundo.
LEON – Não sei se já te disse, mas você é maravilhosa. – sua voz suave entrou em meus tímpanos fazendo algum tipo de eco, pois se repetia varias vezes em minha mente. Seus olhos transbordavam carinho, com a respiração lenta e próxima, eu realmente não sabia o que fazer, acho que vou entrar em desespero.
TINI – É... o-obrigada! – soou mais tenso do que imaginei. Ele somente soltou um leve riso.
LEON – Não precisa ficar nervosa, está gelada. – desceu sua mão de meu rosto para meu braço, a movimentando para tentar me aquecer.
TINI – Eu não estou nervosa. – disse em tom de razão, mesmo tendo consciência de que ele sabia a verdade.
LEON – Tudo bem... – respirou fundo. – Me sinto mais calmo aqui fora, sem tanta gente ao redor, sem música, somente o som do vento e de nossas vozes, parece até que o ar daqui é melhor. – afirmou sorrindo e me soltando.
TINI – Leon Vargas, procurando tranquilidade?! – comecei a rir debochadamente, eu pensei que tudo o que ele quisesse fosse uma boa festa com muito álcool e musica eletrônica. – Por essa não esperava. – voltei a mirá-lo e o encontrei me encarando sério.
LEON – Não estou brincando, não é porque eu gosto de festas que não vou querer tranquilidade, na verdade, eu não gosto de tumulto e barulho, eu prefiro ter minha paz.... – reforçou o argumento anterior dando voz a seus pensamentos.
TINI – Eu, é, acho que entendo.... – disse tentando conter minha risada, ele estava falando sério, então não posso ficar rindo, até porque, eu cheguei a conhecer um Leon que era fofo, romântico e gostava de música clássica, também conhecido como senhor perfeição, era assim que as garotas chamavam ele no Stúdio, mas disso ele não sabe. – E como é essa “sua paz”?
LEON – Ultimamente minha vida anda meio barulhenta, e até um pouco solitária eu diria, pois apesar de ter meus amigos, existe um vazio... – seus olhos se cerraram e ele pegou minha mão e colocou sobre seu tórax na direção do coração. Suas batidas se aceleravam a cada milésimo de segundo. – Pode sentir?! – perguntou ainda com as pálpebras fechadas.
Agora era meu coração que voltava a acelerar, você quer me matar garoto? Como faz isso comigo, não pode simplesmente dizer que está sozinho, colocar a minha mão no seu “coração” e perguntar se eu sinto. Isso é tortura, está me destruindo.
TINI – Eu sinto batidas rápidas... não sabia que também estava mal. – falei baixo olhando seu semblante pacifico.
LEON – Você não é a única que ficou mal por causa daquilo.... – mantinha seus olhos cerrados. – Mas se algo me faz bem, é estar aqui com você. – por fim abriu suas pálpebras me olhando fixamente nos olhos.
TINI – Fico feliz, pois você me faz tão bem ou mais. Gostaria que essa noite não acabasse, que os problemas não voltassem a aparecer... que você não estivesse se sentindo solitário. — Ao terminar a frase ele sorriu.
LEON – Que bom que mencionou isso. – soltou minha mão e sorriu, um sorriso tão encantador quanto a luz das estrelas.
Me aproximei do mesmo me apoiando sobre seu tórax para ter uma melhor visão de seu rosto.
LEON – Sabe qual é a única pessoa capaz de preencher esse vazio?! – eu balancei a cabeça em sinal negativo. Uma parte de mim torcia para que ele dissesse que sou eu, mas outra parte, uma mais racional, sabia que seria tolice minha pensar uma coisa dessas. – A garota que me fez correr atrás dela durante meses, que ficou com os dois caras que eu mais odiava no mundo e ainda chegou a namorar um deles, que terminou comigo depois de tantos “eu te amo”, e chorou por eu tentar esquecê-la. – fez uma breve pausa colocando suas mãos sobre meus ombros. – Sabe quem é essa garota? – eu sorri, não me atreveria a dizer meu nome. – Não tenha medo, é a senhorita Violetta Saramego Castillo, também conhecida como a dona do meu coração.
Abri um sorriso tão grande que acho que o assustei.
TINI – Então você não tem motivos para sentir esse vazio, pois estou aqui e sempre vou estar. – me aproximei. – Posso ter feito você correr atrás de mim, ter ficado com Tomás e namorado Diego, mas sabe que eu os deixei por você, e o faria quantas vezes fossem necessárias. – aproximei nossos lábios os roçando, Leon rio levemente, colocou uma das mãos em minha cintura e a outra na lateral do meu rosto o puxando para selar nosso beijo.
Eu não me importava com a festa que ocorria dentro da casa, nem com as pessoas embriagadas zanzando dentro dela, já nem escutava mais a música, os únicos sons que invadiam meus ouvidos eram as batidas do coração do Leon e as minhas.
Fim...
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