Meu Assassino Favorito
4 Capítulo IV
Nunca em minha vida, eu imaginei que acordaria com um menino seminu no meu quarto. Bem, a não ser que fosse o meu namorado, e com toda a certeza, um marido. Mas somente essas duas opções mesmo. Por isso, assim que vejo Draco jogado ao lado da minha cama, estendido no chão, faço o que considero ser o correto.
Primeiro, levanto da minha cama enquanto ele boceja, espreguiçando-se lentamente, como se o fato de ter acordado no quarto de uma estranha fosse um ato rotineiro. Varro os olhos por todo o quarto, especialmente no chão de madeira, á procura do meu livro de história. Eu o encontro quase que imediatamente no meio dos outros. Me abaixo e o pego, tendo que segurá-lo com ambas as mãos, pois sua capa dura juntamente com as mil e quinhentas páginas, o tornam um tanto pesado.
Ao olhar por cima do ombro, encontro o garoto de pé, com um sorriso irônico estampado no rosto. Não contenho minha expressão de indiganação e caminho lentamente em sua direção, o fitando mortalmente.
– Olá, flor do dia! — Ele não se assusta com a minha aproximação. Na verdade, parece gostar. E pior, aparenta se divertir com toda a situação constrangedora. Como se já não fosse vergonhoso o suficiente.
Sei que tenho que tomar cuidado com o barulho, pois os garotos estão na sala e não tenho vontade de explicar o que está havendo, enquanto nem minha própria mente consegue formular algo racional para achar respostas em relação os acontecimentos atuais. Fico com mais raiva ainda ao pensar que desde o dia anterior, quando Draco entrou na minha vida, tudo começou a dar terrivelmente errado.
Por isso e por diversas outras razões — principalmente por ele acordar no meu quarto-, quando chego perto o suficiente dele, ergo o meu livro e o abaixo logo em seguida, para que ganhe ainda mais força e velocidade ao atingir o braço da presença indesejável no meu quarto.
Não sei por quanto tempo a briga dura, mas é o suficiente para descontar a raiva em Draco. Ele tenta se desvencilhar dos meus ataques por diversas vezes, mas sou muito esperta e consigo acompanhar os movimentos previsíveis dele. Passamos por cima da minha cama, esbarramos em alguns livros pelo chão e até mesmo em algumas peças de roupas. Entretanto, não me importo. Eu o odeio tanto. E mal o conheço. Vez ou outra, ele tenta passar pela porta, mas bloqueio o caminho e o atingo na orelha, que fica vermelha logo em seguida. Bem feito.
Ele grita feito uma garota e dessa forma, tenho a certeza da mulherzinha que habita o seu coração sarcástico e cheio de deboche. Estou frustrada por não saber as respostas, com raiva por Draco aparecer nos momentos mais inesperados e com vontade de chorar por dias porque não creio que ninguém será capaz de acreditar nas coisas que estão acontecendo se eu chegar a ter coragem de desabafar. Mas pra quem? Rony e Harry que não estranharam absolutamente nada? Draco, que parece ter culpa de tudo? Ou para papai, que obviamente vai acabar me obrigando a voltar para casa?
Em um momento de descontração, Draco consegue segurar os meus pulsos e o livro cai no chão de madeira com um baque. Inesperadamente, ele me puxa para muito perto dele e sinto seu abdômen sob o tecido da minha regata. Arfo assim que meu peito colide com o seu. Como ele é mais alto, tem que abaixar a cabeça para fazer contato olho a olho comigo. Empino o nariz e assumo a postura mais rigída possível. Seus polegares brincam com a minha pele, massageando-a lentamente.
– É melhor manter a calma, docinho. — Ele avisa e o seu hálito parece confundir-se com o ar, castigando o meu rosto logo em seguída.
– O que você está fazendo no meu quarto? — Retruco. Meu sangue parece ferver e sinto várias ondas de correntes elétricas percorrendo pelas minhas células.
Não gosto dessa sensação que me pega desprevenida. Não gosto da nossa aproximação.
– Eu não sei – Ele responde.
Tento encontrar qualquer traço de mentira nos seus olhos. Porém, não consigo distuingir absolutamente nada. Você não o conheçe, não pode tentar decifrá-lo, que será em vão. Eu penso mentalmente. E é verdade. Tudo o que sei á respeito dele, consiste no seu trabalho no circo e na habilidade de ser sarcástico e me irritar na maioria do tempo.
Seus olhos estão muito próximos dos meus. Se eu levantar a minha cabeça mais um pouco, tenho certeza que os nossos lábios vão se tocar. O calor de seu corpo emana para o meu e minha pele está toda arrepiada com a massagem que ele faz em meus pulsos. Por um instante, o mundo parece parar e tudo o que resta é aquele momento. Argh.
– Vá embora. — Eu digo e com um puxão inesperado, me afasto dele.
Rapidamente, sigo em direção da janela e a abro com um solavanco. Os raios de sol adentram pelo local, deixando-me um pouco vesga devido ao clarão repentino. Indico com a cabeça em um gesto que Draco deve pular pela janela. Sem damandas, ele se aproxima de mim e me fita por longos segundos. Devolvo o olhar.
– Você não é a unica prejudicada aqui. Também não sei o que está acontecendo. — Ele assume uma expressão séria. — Talvez devesse parar de ser egoista e acreditar nas pessoas. – Os fios do seu cabelo loiro estão espalhados por todos os lados.
Agilmente, ele se apoia no parapeito e pula para fora do quarto. Cheia de raiva, apenas fecho as cortinas, dando-lhe as costas.
***
A todo o momento, pensei a respeito de tudo o que estava acontecendo e tentei juntar as peças do quebra cabeça que a minha vida pareceu se tornar. No entanto, não obtenho êxito em encontrar uma explicação satisfatória. Por isso, ocupo a minha tarde nos estudos para me praparar pra minha entrevista que estava prevista para alguns dias. Essa é a minha chance de entrar em Harvard e eu não posso desperdiçá-la. Tenho tarefas mais importante do que um assassinato em massa, que não é a minha responsabilidade e sim a dos policiais.
Opto por tomar um banho e demoro alguns bons minutos. Parece que minha cabeça está pegando fogo e não sei como apagar o incêndio que insiste em atordoar minha mente. Deixo a água gélida cair pelo o meu corpo, como se pudesse congelar as célular nervosas do meu ser e assim, me acalmar.
Nada faz sentido.
Assim que me seco, trajo um vestido de tecido amarelo bem simples, que me cobre até os tornozelos. É perfeito para o clima quente daquele deserto. Deixo os meus cabelos molhados, sabendo que os cachos irão armar e se transformar em uma bagunça mais tarde. Nem tudo é perfeito.
Quando saio do banheiro, ouço batidas na porta vinda da porta da cozinha e deixo a tolha molhada em cima do sofá. Não encontro os meninos por ali e concluo que eles devem ter saido para qualquer lugar, provavelmente um encontro ou uma caçada de garotas, visto que não me convidaram.
Assim que abro a porta, encontro dois rapazes de estatura alta me fitando. O da esquerda tem a pele mais morena e possui a cabeça raspada, enquanto que o da direita é mais branco e os cabelos castanhos lhe cobrem um pouco da bochecha. Ambos estão trajando fardas e portam armas. Policiais.
– Oficiais. — Digo, estranhando a presença deles.
– Você é a Srta. Hermione Granger? — O careca pergunta.
– Sim — Respondo imediatamente.
– Você precisa vir com a delegacia conosco.
Droga, os meninos fizeram alguma besteira.
– Por que? — Pergunto só para conferir. – Os meninos aprontaram algumas coisa? Eles estão bem?
Penso nas mil possibilidades de encranca que Rony e Harry poderiam ter feito. Meu coração acelera dentro do peito e estou preocupada. Droga. O policial com o cabelo castanho me encara, confusso.
– Porque você está sendo acusada pela morte das pessoas que ocorreram no circo, ontem á noite.
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