Meu Anjo Caído
1 Capítulo 1
Estávamos conversando (lê-se: gritando) dentro do carro quase anoitecendo em direção à festa. Eu estava no banco de trás perto da janela direita do veículo segurando a mão do Peter, que estava ao meu lado, juntamente com o Leandro, irmão de Peter, do lado esquerdo do mesmo e perto da janela, Breno que estava dirigindo e Jorge que estava no banco do passageiro.
Eu contava uma situação engraçada que tive em um trabalho escolar em grupo, quando houve uma explosão alguns metros a nossa frente.
Apesar da explosão não ter sido tão perto, pareceu acontecer bem em nossa frente pelo impacto que o carro sofreu.
Consegui ver somente um clarão de luz muito forte vindo em nossa direção que cegava meus olhos e senti meu corpo sendo pressionado e logo em seguida desmaiei.
Acordei em um leito de hospital vestindo aqueles aventais de paciente, tentei me levantar mesmo estando um pouco tonta mas a médica que estava entrando no quarto naquele momento conseguiu me impedir.
— Calma garota, já vi que acordou, isso é bom! — disse a médica assim que me deitou novamente.
— Onde eu estou? — perguntei.
— Você está no Hospital Santa Fé — ela respondeu.
— O que aconteceu? E o Peter? Ele está bem? Onde ele está? E os outros? — falei um pouco desesperada.
— Se acalme. Primeiro eu preciso que diga o seu nome — ela disse sorrindo para mim.
— É Melissa ... Melissa Lopez.
— Preciso que você anote neste bloco suas informações pessoais, como nome, idade, endereço, número de telefone e o que mais a ficha pedir.
Fiz o que ela havia pedido e escrevi as informações com uma letra irregular e torta por ainda estar um pouco tonta.
— Onde está o Peter? Ele já acordou? — perguntei novamente, mas séria agora.
— Os garotos que estavam com você no acidente estão em outros quartos, eles estão sob supervisão de outros funcionários então não sei se já acordaram. — ela respondeu.
— Eu preciso vê-los, por favor. Eles estão bem, não estão? — disse ansiosa e nervosa.
— Não se preocupe, poderá vê-los assim que terminar de comer e vou já te dar alta. — ela falou sorrindo.
— Tudo bem. — disse mais aliviada por poder ver se eles estão bem.
Ela chamou uma enfermeira que me trouxe uma bandeja com a comida e se retirou.
Pela refeição da bandeja, já sabia que se passava da hora do almoço. Havia uma bolacha maisena, um suco de melancia e uma banana, comi rapidamente com a enfermeira me olhando torto. Assim que terminei de comer, a olhei esperançosa e perguntei se podia ver meus amigos agora, ela respondeu que sim, mas não poderia me levar lá porque tinha outros pacientes para atender. E me informou o número do quarto deles e disse para pedir informação aos funcionários que eles saberiam aonde fica o quarto. Agradeci e sai do quarto murmurando a localização do quarto para não esquecer:
— Ala 3, quarto 23. Ala 3, quarto 24. Ala 3, quarto 23.
Assim que sai do quarto avistei a escadaria e desci até o andar térreo, vi a recepção e me direcionei diretamente para lá.
— Oi, com licença, vocês podem me informar onde fica o quarto número 23, ala 3?
— Olá, por acaso você é paciente daqui?! — a atendente me perguntou me olhando de cima a baixo. Olhei para o avental que estava usando e fui obrigada a responder que era uma paciente.
— Me desculpa, mas os pacientes não podem sair de seus quartos, senhorita. — continuou a atendente.
— Mas preciso ver meus amigos, preciso ver se estão bem. — disse começando a ficar desesperada novamente.
— Me desculpa senhorita, mas essas são as regras. — ela retrucou.
— Mas eu já fui liberada, a médica foi até cadastrar que já estou com alta. Eu só quero ver se eles estão bem antes de tudo ... — disse sem já nem saber o que falar para convencê-la.
— Bem, vamos ver se sua liberação já foi cadastrada no sistema do hospital — ela disse olhando para a tela do computador — Hum ... qual o seu nome senhorita?
— Melissa Lopez — respondi já tentando me teletransportar para o quarto dos garotos.
— Hum ... ahhh, achei. É ... realmente, você já foi liberada. Para a ala 3 é o segundo prédio à direita, é só você sair por essa porta principal daqui, virar a direita e é o segundo edifício. Ai é só perguntar pelo quarto lá que eles saberão te informar melhor. — ela me orientou.
— Tudo bem, muito obrigada moça, tchau. — disse já olhando para trás e avistando a porta principal.
Passei correndo pelo grande hall do hospital em direção a porta principal, assim que passei pela porta automática, senti a luz do Sol direto nos meus olhos e muito calor, virei a direita pela calçada e já avistei os dois prédios próximos um ao outro. Corri tentando desviar dos idosos que estavam indo em direção ao pequeno jardim florido à minha esquerda. Quando cheguei ao prédio dito pela atendente, corri até a recepção já pedindo informações sobre o quarto e tentando esconder o avental de paciente.
— É no segundo andar, senhorita. — a recepcionista respondeu.
— Obrigada, moça. — disse já saindo correndo em direção as escadas (nem me pergunte o por quê de eu não usar o elevador nessas horas), sendo observada com certa curiosidade e espanto por alguns pacientes e funcionários que estavam por perto.
Eu subia as escadas descalça e com muita pressa até avistar a placa que indicava que a próxima porta era o segundo andar. Ainda correndo, puxei fortemente a porta das escadas e parei no corredor pensando se iria para o lado direito ou esquerdo. Virei para o direito e fui andando devagar, à espera de uma placa que me indicasse que lado era o certo. Fui andando e avistei o quarto número 25 e em seguida o quarto número 24 e continuei eufórica até o quarto número 23. Parei novamente e fiquei olhando para a porta fechada daquele quarto e só naquele momento percebi que haviam mais pessoas além de mim naquele corredor, médicos e enfermeiros passavam lentamente as minhas costas; eu olhei para a frente de novo e encarando a porta, girei a maçaneta, nervosa, imaginando o que deveria esperar em ver.
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