Meu Anjo Caído

2 Faço O Que Acho Que Seja Um Amigo


Notas iniciais
Estou muito feliz que já tem pessoas acompanhando a história. Muito obrigada as pessoas que estão acompanhando e me apoiando. Obrigada: *gotic princess *JUliaCaRter Boa Leitura!

Eu não sei porque eu havia perguntado aquilo, mas o garoto era estranhamente familiar.

– Acho que não. Cheguei na cidade faz apenas dois dias. — respondeu ele, ainda um pouco pensativo.

Sinto minhas mãos soando frio. Ele era me lembrava alguém, mas não encontrava nenhuma lembrança de que eu já havia me encontrado com ele outra vez.

– Ícaro Amintas, prazer em conhece-la. E você? Qual o seu nome? — Disse ele com um lindo sorriso.

De repente, a imagem do garoto que cuspia sangue do meu sonho passou na minha cabeça. Me arrepiei completamente. Por que ela apareceu na minha cabeça? Por que ele me é tão familiar?

– Hayley Jaconi. — respondi de cabeça baixa. Toda vez que olhava para o Ícaro, as imagens do meu último sonho voltava na minha cabeça.

O sinal tocou. Desviei dele, sem olhar para o garoto, e fui em direção a sala de aula. Não precisava ter mais problemas ou mais medos do que já tinha.

A aula começou, mas perguntas eram as únicas coisas que se formavam na minha cabeça. Por que esses sonhos estão acontecendo? Por que Ícaro me parece tão familiar? Por que eu associo ele aos meus sonhos? Por que tudo está ficando ainda mais confuso?

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Estou na sala de música, o lugar em que me sinto mais tranquila, segura. Estou vendo partituras com melodias que eu escrevi. Escrevo algumas músicas para expressar todos os meus sentimentos e sofrimentos. Pego uma delas e começo a tocar.

Acho que estou tocando a apenas quinze minutos, quando escuto uma voz:

– Você toca divinamente bem!

Paro de tocar, sobressaltada.

–Desculpa, não queria lhe atrapalhar — Disse a voz.

Olho e vejo um garoto. Ele é alto e esguio. Ele é moreno, o cabelo castanho é bem cacheado e o olho dele é azul claro. Ele está segurando uma flauta transversal.

– Tudo bem, estava de saída mesmo — Digo enquanto guardo o violino.

Ele fica meio sem graça. Acho que ele percebeu que não estava de saída, que apenas não queria estar com ele.

Estou em direção a saída, mas, quando passo do lado dele, ele segura meu braço.

– Qual seu nome? — pergunta ele com um olhar curioso.

– Hayley — digo rapidamente, esperando que ele me soltasse.

Ele sorri. Mesmo sem eu não tendo perguntado, ele me diz seu nome.

– Ethan Harvey. Você é muito talentosa!

Sinto minhas bochechas corando. Ele solta meu braço e olho para ele.

– Você acha mesmo? — Pergunto, ninguém nunca havia me elogiado.

– Claro que acho! Qualquer um que escute consegue perceber isso.

Sinto que estou ficando mais vermelha, mas quero continuar falando com ele. Pela primeira vez, estou me sentindo confortável com a presença de uma pessoa.

– Você toca? — Digo, apontando para flauta.

– Sim — diz ele com os olhos brilhando. — E não preciso nem perguntar se você toca. Pelo que vi, sei que você toca e muito bem.

Dou um sorriso e digo:

– Pois eu quero ter certeza que você toca!

Ele pega a flauta e começa a tocar. Eu não sei o que está acontecendo, nunca quis conversar com uma pessoa. Na verdade, eu sempre as evitava.

Escuto atentamente a música. Com facilidade, o garoto manuseia o instrumento e forma as notas.

Quando o Ethan termina de tocar, ele está com os olhos fechados e um sorriso. Ele da um suspiro e abre os olhos.

– O que você achou? — Pergunta ele esperançoso.

– Maravilhoso! — Digo, impressionada com o talento dele.

Ele abre a boca para dizer algo, mas seu celular toca. Ele o pega e vê uma mensagem.

– Meu namorado está dando uma festa na casa dele. Vamos?

Meus olhos se arregalam.

– Seu namorado? — Quando percebo o que eu perguntei, quero sair correndo.

Ele começa a rir. Não foi bem a reação que eu esperava.

– Sim, meu namorado. Você não é a primeira pessoa que se surpreende com isso. Enfim, você vai para festa?

– Não, não posso! — digo rapidamente.

O Ethan pega um caderno que estava em cima de uma das cadeiras. Ele escreve algo, arranca o papel e me entrega.

– Se você mudar de ideia, o endereço é esse. — diz ele me entregando o papel e se dirigindo a saída.

Antes de sair, ele diz:

– Espero que você esteja lá!

Pego meu violino e saio da escola. Percebo que estou sorrindo. Sorrir é algo que não faço muito, mas acho que fiz um amigo.

Paro na porta de casa. Meu sorriso desaparece rapidamente. Marta e Pietro já devem estar em casa.

Entro em casa e logo vejo eles sentados no sofá.

– A fugitiva finalmente apareceu! — Diz Marta com um sorriso sarcástico. — Isso são horas de chegar em casa?

– Não se preocupe! Não estava me drogando ou coisa parecida. Estava no colégio treinando — Digo friamente.

– Você e esse seu violino. Você devia fazer algo mais útil! — Diz Pietro.

Vejo eles se levantarem, mas não quero saber com que objetivo eles fizeram isso. Corro para o meu quarto e tranco a porta.

Ouço eles gritando o meu nome, mas não vou abrir a porta. Não quero ser jogada em um armário mais uma vez.

Eles começam a bater na porta. Cada batida trás uma lembrança do que eles já fizeram comigo.

Pego o pedaço de papel que o Ethan me deu. Vejo o endereço. Não é muito longe daqui de casa e eu não quero mais ficar aqui. Não quero ser vítima novamente das pessoas que me obrigam a chamá-los de pais.

Olho para a janela. Meu quarto fica no primeiro andar, então posso sair facilmente daqui.

Abro a janela e saio do meu quarto. Que Marta e Pietro gritem meu nome o quanto quiser, eu vou para essa festa.

Notas finais
Aqui está o segundo capítulo. Espero postar o próximo mais rapidamente. Digam o que vocês acharam para eu poder ir melhorando. Conto com o apoio de todos.