Meu Anjo Caído
2 Capítulo 2
Sem mais nenhum pensamento em mente, abri a porta e uma luz fraca invadiu meu campo de vista, o quarto estava claro e havia quatro camas, duas de cada lado do quarto. Andei pelo meio do quarto, tendo uma prévia do estado de cada um, eles ainda dormiam, a primeira cama a direita estava o Leandro, ele parecia bem cansado, mas pelo visto estava bem, a primeira cama a esquerda estava Breno, ele estava com uma faixa enrolada no braço, acho que deve ter se machucado mas não parecia algo muito sério, na segunda cama a direita estava Peter, assim que o vi e percebi que ele estava bem, dei um longo sorriso e me certifiquei de que Jorge, que estava na segunda cama a esquerda também estava bem. Finalmente respirei fundo e me senti aliviada por estarem todos bem. Esperando que estivessem só descansando e que logo acordariam, me sentei na poltrona que se encontrava no final do quarto na parede, entre as camas de Jorge e Peter. Fiquei pensando no acidente e tentei entender o que realmente aconteceu no mesmo. A explosão, a luz, o impacto apareciam em sequência em minha mente e isso fazia com que ela doesse ainda mais.
Fui em direção a porta e sai do quarto procurando um bebedouro ou alguém que me ajudasse e me desse água, andei até o balcão mais próximo e disse onde eu podia beber água, a atendente se abaixou, pegou uma garrafa de água que estava em baixo do balcão e me entregou com um sorriso no rosto. Peguei a garrafa, agradeci e voltei para o quarto logo em seguida. Quando fechei a porta do quarto e me virei na direção do mesmo, percebi que Peter já havia acordado, que estava sentado na maca e que esfregava os olhos. Fui em sua direção com um enorme sorriso e sentei na ponta direita de sua cama, aproximando minha mão de seu rosto e acariciando-lhe a bochecha, ele parou de esfregar os olhos e me encarou com uma cara de sono e leve confusão, quando percebeu que era eu, fechou os olhos e deu o sorriso preguiçoso que eu amo me dizendo bom dia.
Dei uma risada bem baixa para ele e falei:
— Amor, já passou da hora do almoço. — disse e ele me encarou com os olhos arregalados e a boca formando uma linha retilínea.
— Como assim, já passou do meio dia e eles não me trouxeram o almoço??? — rimos depois desse comentário.
Então percebi que ele já tinha a noção de que estávamos no hospital.
— Você acordou só agora depois do acidente? — perguntei.
— Não, já tinha acordado antes, quando minha mãe veio me ver ontem a noite, aliás, ela também avisou sua mãe, as duas vieram nos ver, só que você não tinha acordado depois do acidente, eu fiquei preocupado com você, os médicos disseram que você estava bem e que só estava dormindo, então eu confiei neles né — Peter disse dando uma leve risada. — que bom que você está bem. — ele disse com um olhar profundo e acariciando meu rosto.
— Que bom que não se machucou. — eu falei dando-lhe um abraço, como se deixasse bem claro todas as minhas preocupações e medos nele e Peter me abraçou de volta.
Desfizemos o abraço e nos olhamos sorrindo, ele moveu seu corpo para o lado, me convidando para deitar ao lado dele. Deitei e encostei minha cabeça no peito dele e acabei dormindo (deu para ver que eu durmo muito né ~risadas~).
Sonhei com o acidente, mas desta vez eu estava sozinha no banco de trás do carro e não havia ninguém dirigindo apesar do mesmo estar ligado e em alta velocidade indo em direção a explosão que se formava a frente, eu gritei e tentei ir para o banco do motorista para freiar o carro, mas nada aconteceu e o carro foi engolido pelas chamas comigo dentro. Acordei ofegante e suando frio desse pesadelo, quando me recuperei e percebi que foi somente um sonho, vi que Peter estava de pé dentro do quarto com os outros meninos, eles já haviam acordado e olhavam assustados para mim.
— Mel, você está bem?! — perguntou Leandro.
— Sim, sim ... foi ... foi só um pesadelo. — gaguejei.
— Vamos, pega sua roupa e vamos sair daqui. Já nos liberaram. — disse Jorge.
— Agora vamos todos fazer vaquinha para voltar de ônibus, porque não vai ser tão cedo que vou entrar naquele carro com você dirigindo Breno!! — gritou Leandro fazendo todos rirmos alto até Jorge nos lembrar de que estávamos no hospital ainda.
Fizemos a vaquinha e dividimos igualmente ou quase igualmente e então nos despedimos e cada um tomou seu caminho.
Chegando em casa, minha mãe me invadiu de perguntas, o que aconteceu, como aconteceu, por quê não a deixaram me ver, se eu estava bem, se os outros estavam bem e deixou bem claro que eu estava proibida de andar de carro com o Breno como motorista de novo. Eu, rindo, concordei.
O acidente continuava a passar na minha cabeça continuamente, então decidi investigar, perguntei a minha mãe se ela sabia o que era aquela explosão, ela disse que os policiais que estão investigando o acidente suspeitam de um vazamento de gás ou até um ataque terrorista. Logo em seguida, procurei na internet, mas encontrei poucas notícias em jornais apesar de ter sido um furo a se por em pauta, todas as notícias encontradas sobre o assunto o relacionava ao ataque terrorista, mas no fundo eu sabia que era algo além disso. Decidi ligar para os meninos e marcamos de nos encontrar na lanchonete perto da minha escola e eu com certeza não iria deixar esse assunto passar em branco.
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