Meu Anjo
2 Café
— Eren, argh – Armin bufou enquanto eu olhava para o Levi – Pela amor de Deus, para de olhar pra ele, eu estou te estranhando.
— Eu não posso olhar pra ele não? – pergunto enquanto o Levi passa na nossa frente quando estávamos afastados de todos no intervalo – Parece que eu o conheço a muito tempo, mas eu não sei de onde.
— Eu não acredito... – Jean olha para mim com os olhos praticamente brilhando – Você tá apaixonado por ele? Meu Deus!
— O quê? Não! – eu olho para o Jean e ele não para de rir, dou um soco no ombro dele e para de rir na hora.
— Ai! – ele começa a acariciar aonde eu bati – Eu só estava brincando, eu sei que você gosta de mulheres, aliás, você até falou pra gente que estava apaixonado pela Annie.
— Desde quando eu falei isso? – perguntei confuso.
— Desde o primeiro dia de aula, idiota...
— Nossa, pela primeira vez na vida você me chama de idiota, você só me chamava de anjinho, por quê isso agora? – perguntei um pouco confuso.
— S-sei lá... – ele ficou cabisbaixo e corou de leve.
— Ai, vamos terminar o lanche logo – Armin fala enfiando o lanche dele tudo na boca.
“Não me lembrava que as escolas eram tão grandes assim” – pensei enquanto eu andava pela escola em busca de alguma coisa interessante. É claro, eu precisava achar pistas do suposto serial killer que estuda ou estudava nessa escola.
Andava pelos corredores em busca de uma vitrine que mostrava todas as fotos dos alunos que estudaram nessa escola, ou as fotos dos times de futebol.
Quando achei uma vitrine com várias fotos, olhava cada uma delas atentamente. Peguei a foto do adolescente “serial killer” que Irvin me deu e comparei a foto com um adolescente do time de futebol. “Seria ele? Bom, não tenho dúvidas” – pensei.
De repente ouço um barulho de alguém caindo. O barulho seria da porta dos “funcionários”. Me aproximo lentamente da porta e eu saco minha pistola, que aliás eu precisava andar armado. Chuto a porta com total força e quase vomito com a cena que eu via. Havia um corpo de um homem enforcado, mas sua pele estava totalmente carne viva, suas vísceras estavam completamente expostas, larvas estavam espalhadas pelo seu corpo, e o pior de tudo: havia três gatos comendo a carne do homem.
“Mas que porra é essa?” – me perguntava.
— Diziam que o dono desses gatos nunca dava comida a eles – o diretor fala olhando atentamente o corpo – Mas o intrigante é que o dono deles é esse daí que tá pendurado.
— Alguém deve ter feito isso com ele – falo olhando para o diretor – Eu já vi coisas piores.
— Ora garoto, você só tem o que? Dezesseis anos? Você não sabe de nada! – o diretor começa a rir – Vou chamar a polícia.
— Finalmente! A aula acabou! – Armin começa a se espreguiçar e olha para mim enquanto eu saia da escola – Oh Eren, você não quer ir no bar pra beber alguma coisa comigo e com o Jean?
– Sei lá, eu... – iria falar mas percebo que alguns policias entram na escola – O que aconteceu?
— Também queria saber – Jean sussurra se aproximando da gente – Eren, mesmo que você não queira ir, você vai ter que ir; cara, você anda ultimamente muito pra baixo, vamos nos animar!
— Tá bom, tá bom – falo me juntando a eles – Vamos logo pro bar!
Chegando aonde queríamos, Hannes, o dono do bar e vamos dizer “meu-companheiro-nos-momentos-mais-difíceis-da-minha-vida” já nos ofereceu um suco de uva, clássico.
— Faz tempo que você não vem aqui, Eren – ele fala enquanto eu me sento no banquinho do balcão aonde ele nos oferecia o suco, e percebo que ele realmente está muito bêbado – Aconteceu alguma coisa?
— Não, não aconteceu nada – falo olhando para os lados e percebo que o bar estava bem lotado – Nossa, que milagre ficar tão lotado assim.
— Também acho um milagre, agradeço a Deus por isso – Hannes dá um sorriso de satisfeito para mim, e eu retribuo – Bom, vieram só para beber um suco?
— É, só isso mesmo, a gente já tá indo embora – Armin fala se levantando da cadeira – Obrigada.
— Ah, espera ai, Armin, Hannes, me dá um café por favor? – pergunto antes de nós saímos.
— É pra já, por conta da casa – Hannes fala entregando um café em um pote – Até mais!
Quando estávamos saindo do bar, eu sem querer derrubo alguém no chão e eu acabo caindo em cima dessa pessoa, e eu derrubo meu café na roupa do garoto.
— Argh, desculpa, eu... – começo a me desculpar e me levanto, estendo a mão para a pessoa que eu derrubei e era ele, ah, mas tinha que ser ele – Levi?
— Pirralho insolente – ele fala se levantando sem minha ajuda – E o pior que eu tinha uma reunião importante, cacete!
— D-desculpa, olha eu... – eu ia falar mas fui interrompido por Jean.
— Vamos logo Eren, não aconteceu nada! – ele fala pegando na minha mão e me puxando bruscamente.
— Por quê isso agora? – pergunto conseguindo me libertar da mão dele.
— Vamos logo, caralho! – Armin grita já andando apressadamente na nossa frente.
— Primeiro eu preciso resolver o problema aqui – falo me aproximando do Levi e o olho atentamente: aqueles olhos cinzas penetrando nos meus, por um momento comecei a pensar coisas desnecessárias fazendo com ele.
— O que você quer? Me sujar mais ainda? Vai buscar mais café nesse bar! – ele fala andando a pressas para a outra direção.
— Desculpa, olha, eu tenho uma ideia, você disse que tinha uma reunião importante, né? Bom, você não quer ir na minha casa para que eu te empreste uma camisa? Daí, sei lá, eu lavo a sua camisa e eu te devolvo? – falo meio envergonhado.
— Vamos logo então – ele fala começando a me seguir, e Armin e Jean ficam com uma cara de idiotas sem entender merda nenhuma.
Tecnicamente eu e Levi corríamos que nem uns doidos. Levi é claro, por ser baixinho, corria bem rápido.
Quando chegamos em minha casa eu logo abri a porta. Minha mãe já apareceu querendo me dar um abraço, mas recusei educadamente e precisava ir para o meu quarto. Abro rápido a porta e acendo a luz. Aparentemente Levi se surpreendeu por meu quarto ser bem arrumado, já que sou um “pirralho”.
"Realmente, me surpreendi com o quarto dele. Bem arrumado no caso. Hum, e eu que tenho TOC por limpeza” – pensei.
— Bom, pode ser essa camisa azul? – Eren fala erguendo uma camisa azul, que no caso eu me lembro que eu tinha vários tipos dessa camisa.
— Pode, contando que não esteja suja – falo pegando a camisa e checando atentamente, e percebo que o “pirralho” não para de olhar para mim, deixo-me levar e olho para ele, ele desvia o contato e começa a corar muito – Ah, aqui tá o meu número de telefone, você lava minha camisa e me entrega na minha casa e eu entrego sua camisa, ou você entrega na escola mesmo, pronto, tudo acabado.
— Ótimo – ele fala pegando o papel da minha mão onde estaria meu telefone, e por um momento, nossos dedos se tocam novamente, todo o meu corpo se arrepia com o toque, e percebo que o pirralho fica mais corado do que já estava – B-bom, pode ir, se quiser...
— Pirralho – falo me aproximando um pouco dele – Por quê quer ser tão simpático comigo se eu sou tão rude com você?
— Sabe, eu sinto que eu conheço você a muito tempo – ele fala olhado diretamente nos meus olhos, e só agora que eu percebo que ele tinha olhos verdes – Sei lá, sinto que eu quero ficar perto de você.
— Aham, sei – suspiro e ando até a porta para eu ir embora – Dá próxima vez, presta atenção pra não derrubar mais café em alguma pessoa.
— Hum ok – ele bufa e olha pra mim – Até mais!
“Por quê aquele garoto mexe tanto comigo?” – pensei. Aquele pirralho era estranho. Será que estou apaixonado? Não, não pode ser isso.
— Finalmente, estava te esperando – Irvin fala enquanto eu abro a porta do escritório dele para dar notícias que eu tinha descobrido — Descobriu alguma coisa?
— Descobri um corpo de um homem todo eviscerado, havia três gatos comendo a carne dele, o diretor disse que o homem não alimentava esses gatos, e pelo que eu penso, quem fez isso com esse homem, foi um tipo de castigo para alimentar os gatos dele – falo entregando uma foto que tinha tirado do homem enforcado.
— Minha nossa – ele fala colocando a mão na boca – E pensar que você já viu coisas piores.
— Eu me acostumo – falo abrindo a porta novamente para sair do escritório – Bom até...
— Espera – ele fala se levantando da cadeira e vindo em minha direção – Você vai ficar bem?
— Por quê tá me perguntando isso? – pergunto um pouco confuso e ele me empurra para uma cadeira que tinha ali perto – O que você...
Eu o olhei confuso, eu não sabia o que ele queria, mas ele se sentou-se com as pernas abertas no meu colo e me beijou. Tentei empurrá-lo, mas nossos lábios não se desgrudavam.
Por um momento, fechei os olhos e tentei me esquecer dos problemas, das investigações que tinha que fazer, eu ver todos aqueles corpos mortos, e me esquecer que eu ouvia vozes abafadas dos mortos me atormentando. Ele deslizou a mão pelo meu abdômen, e fiz o mesmo com ele. Minhas mãos foram para suas costas, deixando nossos corpos mais próximos. Aproveitei o máximo do beijo para depois recuperar o fôlego, mas quando ia continuar, eu percebo o que estava fazendo. Empurro ele para longe e faço ele quase cair no chão, me levanto da cadeira com muita raiva e vou em direção a porta, e fecho ela com total arrogância.
“Será que devo entregar isso para o Levi na escola ou devo entregar na casa dele? Afh, acho que vou entregar na casa dele” – pensei enquanto admirava a camisa verde do Levi que tinha sujado. “Bom, acho que vou entregar para ele na casa dele, amanhã” – coloquei a camisa em uma sacola e deixei em um canto. Já estava de noite então eu me troquei e fui dormir.
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