Meu Anjo
14 Capitulo 14 – O Que Acontece no Elevador Fica no Elevador, Certo?
Notas iniciais
Lilian Cooper se olhava no espelho retrocedendo a sua vida. Ela tinha casado aos dezoito anos, depois de dois meses de namoro. Foi eleita a Nova Iorquina mais linda de 2003, 2004 e 2005, e ainda foi eleita a grávida mais linda de Nova Iorque em 2006, tudo isso pela Teen Vogue.
Traduzindo tudo, a vida dela era perfeita. Seu marido era bonito e rico, sua filha era bonita e inteligente, seus sogros a adoravam, ela tinha muitos amigos, fazia eventos de caridades e sabia arrecadar fundos como ninguém... Mas aquilo a matava.
Lilian sempre foi fascinada por mitologia grega, e agora ela se identifica como Hera, a esposa ciumenta de Zeus, que odiava especialmente Hércules, o filho bastardo de seu marido, nesse caso, Hércules seria Marley.
Argh! Marley! Que nome estupido! Pensou Lilian. A mãe dela devia ter uma fixação por filmes de cachorro que morrem no final, segundo ela.
Lilian não se lembra muito de Susana no ensino médio. As duas tinham seis aulas juntas, e Susana já chegou a fazer um trabalho de química com o seu grupo de amigos, mas ela nem lembra direito do trabalho e foi só o que aconteceu, mas ela sempre teve inveja por Susana e suas amigas serem as primeiras da classe, Susana especialmente a primeira. Em segundo vinha a nerd da Mary Elizabeth e em terceiro a prima de Lilian, Alice Wood, que segundo ela, tinha péssimo gosto pra tudo.
Mas Lilian estava interessada em Rob Hudson, o noivo e futuro marido de Susana Pevensie. Ele era jovem, bonito, promissor e fiel, o sonho de toda garota. Rob é louco por Susana, isso Lilian já notou de cara, mas ela sabe que Susana não sente o mesmo, e aquela foto na estátua da liberdade confirma tudo. Afinal, o que tem de romântico numa estátua?
Ela queria derrotar Susana e Caspian, queria fazer Susana se mudar pra bem longe, principalmente onde Susana morava em Connecticut, que tragicamente foi destruída por um atentado terrorista, mas mesmo assim, ela queria que Susana tomasse outro rumo na vida que não fosse Nova Iorque. Susana já deu entrevista para a Vogue numa matéria que dizia “Mulher bem sucedida”, onde contava toda a história de carreira da jovem e promissora jornalista do Brooklyn, onde ela contava como a gravidez deixou-a mais inteligente ainda, o que foi justamente ao contrário de Lilian, ela teve que largar a faculdade por causa dos enjoos.
Mas ela precisava convencer Rob. O casamento dos dois seria daqui a três meses, e ela queria assustar Susana, queria que Susana não hesitasse em dizer ‘sim’ na Igreja, queria pressioná-la ao máximo, queria que ela e Rob fossem felizes bem, bem longe de Nova Iorque, ou pelo menos que Susana e Caspian não se cruzassem nunca mais.
Brooklyn 19:36 da noite.
Susana ainda martelava o que Marley havia escrito em seu diário. Marley havia escrito o que Susana escrevera há sete anos atrás, e foi realmente torturante para ela ver que a filha estava passando pela mesma situação.
Ela não ia deixar aquilo impune, não ia mesmo.
Num impulso enorme, Susana ligou para Caspian.
– Eu preciso falar com seus pais. É sobre a Marley, pode agendar um horário para nós quatro? Num lugar o mais reservado o possível – disse Susana.
– O que foi que houve? Você está bem? Onde está Marley? – disse Caspian.
– Apenas faça o que eu disse e me ligue confirmando – disse Susana e desligou o telefone.
Ela vestiu um casaco de cashmere preto e discreto, e recebeu uma mensagem de Caspian:
No Harry House, reservei uma mesa para nós quatro.
Foi na hora que Marley tinha voltado do banheiro depois de escovar os dentes.
– E aí mamãe? Mensagem do Bob? Vai sair? – perguntou Marley.
– Vou sim meu anjo, mas eu volto logo, é coisa chata do trabalho – disse Susana.
– Certo, vou jogar vídeo game com a tia Lu – disse Marley.
– Já fez seu dever de casa? – perguntou Susana.
– Sim, mamãe – disse Marley revirando os olhos.
Susana sorriu.
– Tchauzinho.
Susana pegou seu carro e dirigiu até o Harry House. Foi onde Caspian terminou com ela pela primeira vez.
O restaurante parecia que havia sido fechado exclusivamente para celebridades, e ele realmente estava. Só que o encontro havia sido no porão do estabelecimento, Susana teve que passar uns cinco minutos no elevador.
– Boa noite – disse Susana friamente, os Cooper não responderam.
– Ryan... Faça o cheque! – disse Kirsten.
Típico, riu Susana ironicamente, ela não poderia esperar mais de Kirsten Cooper.
– Eu não estou aqui por dinheiro Sra. Cooper, estou aqui pra falar sobre minha filha, eu não preciso de dinheiro. Já tenho uma casa, e sou a mulher mais bem sucedida de Nova Iorque – disse Susana.
– Eu não vou dar nenhuma pensão à garota que você diz ser filha do meu filho, você sempre quis entrar para a nossa família, não é dando um golpe que você vai conseguir – disse Ryan Cooper.
Típico do poderoso Cooper, pensou Susana, eles eram gente da mesma laia.
– Eu não estou aqui pra falar sobre dinheiro – disse Susana.
Caspian bufava enquanto os pais diziam aquelas coisas, ele nunca teve coragem o suficiente para enfrenta-los.
– Estou aqui pra falar sobre o comportamento de vocês para com Marley – disse Susana rispidamente.
– Com licença? – pigarreou a Sra. Cooper.
– É isso mesmo, no natal, eu me preocupei em gastar o meu dinheiro porque Marley pediu, comprei um par de sapatos para ela dar a senhora e uma camisa ao senhor – disse Susana. – Tudo isso porque Marley me pediu, eu faço tudo que ela me pede, porque ela quer fazer parte da família do pai, assim como eu queria há muito tempo atrás, e você estão maltratando-a – disse Susana.
Os olhos de Caspian se encheram de lágrimas de puro ódio. Ele olhou para seus pais, e pela primeira vez na vida, Susana viu o Sr. e Sra. Cooper constrangidos, mas pelo que ela os conhecia eles não iam ficar assim.
– Você sempre foi uma rata de esgoto! – disse a Sra. Cooper levantando a voz.
– Mãe!
– Eu dei meu aviso, agora é com vocês, se alguém como sobrenome Cooper fizer minha filha inferior, vai se arrepender do dia em que nasceu!
Com lágrimas de ódio no rosto Susana entrou quase correndo no elevador, e quando ele ia fechando, Caspian pulou dentro dele.
– Sai daqui Caspian! Eu preciso ficar sozinha!
– Susana...
Na hora que Caspian devia falar o elevador parou, e ele a puxou para junto dele e a beijou ardorosamente. Só as sensações boas vieram à mente de Susana, como a noite de concepção de Marley, os dias que eles passaram juntos... O conforto daquilo deixava a nuca de Caspian totalmente arrepiada enquanto os dois mergulhavam num amor proibido.
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