O clima pesado começa a ficar sufocante dentro do apartamento de Orihime, com o Ishida que estava encarando ela na frente de sua porta como se quisesse repreende-la pela forma como ela agiu com a Rukia.

— O que você quer comigo, Ishida-kun?

— Posso entrar?

Orihime sabe que não adianta tentar conversar com ele assim e sai da frente da porta deixando ele entrar no apartamento.

Quando o Ishida entra ele apenas fica parado e esperando alguma reação da Orihime, mas ela não diz nada e apenas fica vendo ele e começa a agir normalmente como se ele não estivesse por lá.

Após alguns minutos com a Orihime ignorando o Ishida ele acaba se irritando.

— Quanto tempo você vai insistir que não liga de eu estar aqui?

— Eu não ligo. Mas também não entendo.

— O por que eu voltei? Ou o por que eu não disse nada?

— Não. Eu não entendo o porque você acha mesmo que eu não te conheço o suficiente para entender o porque você veio. Ou acha mesmo que eu não sei que você esta aqui por causa da Rukia?

— Se sabe, por que insiste em ficar calada? Eu só quero conversar sobre a nossa amiga.

— ELA NÃO É MINHA AMIGA. — Orihime acerta um soco contra a parede e da um grito contra o Ishida.

Ishida fica apenas observando enquanto Orihime começa a ruir sobre sua própria imagem de força, pouco tempo depois ela se vira para não precisar encarar o Ishida que começa a se aproximar.

— Inoue, por favor, eu sei que você sentia a falta dela, não precisa...

— Eu sei que não. Eu sei que não preciso agir como se não ligasse pra ela.

— Então por que?

Orihime apenas fica calada esperando que ele ignore a própria pergunta, mas o Ishida tenta faze-la voltar a vê-lo de frente, mas Orihime se segura evitando que ele visse a aparência fraca dela.

— Inoue, eu te conheço bem. Sei muito bem o quanto você se sente próxima da Kuchiki-san.

— Eu não consigo. Por causa dela... Todos nós estamos sofrendo.

— Sabe bem que não foi culpa dela, e que ela tentou evitar de nos colocar nesses problemas.

— Mas ela esteve fora por 1 ano. Nesse tempo, você e o Renji...

— Nossas atitudes foram pra ajudar ela, mas se tem alguém que deve querer culpar, tem que ser eu e o Renji.

Ishida espera alguma reação de Orihime, mas ela apenas fica quieta. Ela apenas consegue ouvir um barulho da porta se abrindo.

— Vou esperar que você possa voltar a me encarar de frente. Até lá, espero que não faça nenhuma besteira. — diz Ishida como uma forma de aviso.

Ishida vai embora e a Orihime finalmente se deixa levar pelas emoções e cai no chão em meios as lágrimas, ela não consegue mais evitar de se sentir mal por tudo o que houve, com a Rukia, com Ishida... Com todos.

Enquanto isso, Ishida apenas ouve o choro de Orihime do lado de fora de seu apartamento tentando arranjar forças para ir embora e não força-la a se mascarar de novo como se nada tivesse acontecido.

Enquanto isso, na casa do Ichigo, a Rukia começa a pensar em uma boa desculpa para poder dizer para o Ichigo, afinal de contas, como ela poderia tentar dizer que ela gostaria que ele hospedasse o Grimmjow na casa dele. Aos poucos ela se perde em seus pensamentos e o Grimmjow pensa que ela precisa se distrair.

Grimmjow encosta nas costas da Rukia e começa a conduzir ela pelo caminho.

— O que você...

— Venha comigo, eu quero te mostrar uma coisa.

— Grimmjow, não pense que eu vou cair nessa. — diz Rukia que se soltando do Grimmjow.

— Confie em mim, eu prometo que não é nada que precise se preocupar.

— Grimmjow, me de um bom motivo pra eu não tentar te derrubar aqui e agora e deixa-lo apodrecer no meio da rua?

— Quer parar de agir como uma pobre coitada e medrosa. — diz Grimmjow praticamente irritado. — Primeiro, eu te conheço o suficiente para saber do que é capaz, sei que pode se proteger sozinha e que tem como me vencer sem problemas se eu baixar a guarda. Segundo, uma pergunta, o que te faz pensar que se eu fosse tentar te sequestrar eu iria te falar pra mudarmos o curso se eu sei que você não confia em mim ainda?

— Grimmjow, eu...

— Eu sei que você não confia em mim, mas eu quero te ajudar.

Grimmjow continua a seguir o caminho e deixa a Rukia parada no meio do caminho, depois de um tempo ela começa a andar e o segue, e apesar de tentar dizer algo pra compensar o que houve agora a pouco, não consegue dizer nada.

Rukia não sabe o que fazer e continua a seguir o Grimmjow até uma antiga casa, aparentemente abandonada.

— O que você quer vindo aqui?

— Era aqui que eu morava, antes de me unir a KageInu.

Grimmjow começa a ir em direção a entrada da velha casa. Apesar de abandonada, a casa em si tinha uma aparência muito conservada e bem intacta, era como se fizesse pouco tempo desde que entraram pela última vez por aquelas portas.

Rukia não sabia o que esperar por ali, afinal, o que poderia esperar vindo de um ex-inimigo que diz querer ajuda-la?

— Por que me trouxe aqui? — questiona Rukia.

— Eu tinha que ver esse lugar, saber como estava.

— Ainda não me respondeu.

— Sabe, eu sinto que assim como essa casa eu tenho que me manter erguido e continuar em frente mesmo se tudo parecer que vai ruir.

— Do que você esta falando?

— Rukia, eu fui encontrado aqui aos 7 anos pelo Aizen-sama, ele me ajudou a continuar em frente, aos 13 anos, ele me falou do grupo KageInu e me recrutou como membro dos soldados mercenários. 1 ano depois pude superar a expectativa dos Três Lordes e me tornei membro dos Espadas.

— Então a sua vida inteira foi baseada em servir o Aizen.

— Exato, mas eu sempre soube que não valia a pena, eu sempre quis me tornar alguém mais forte e dominar a KageInu, por isso, eu queria enfrentar os melhores. O Ichigo foi o meu maior desafio e sei que o Aizen-sama também teve seus problemas para vence-lo.

— Por isso que você ainda quer enfrenta-lo, para superar o Aizen?

— Antes era, mas agora eu sei que se eu ficar me prendendo a coisas fúteis vou apenas desgastar minha força e meu tempo, por isso, eu quero ser mais independente e agir por minha conta. Quero ser como a casa que eu deixei, que mesmo sem ninguém para cuidar dela ela ainda continua firme e forte.

Rukia nota que ele realmente se sente meio fraco e que ele esta sendo sincero e acaba por se aproximar de Grimmjow e o observa enquanto ele continua perdido em suas memorias.

— Sabe, eu entendo o porque você quis vir, mas ainda não entendo o que você queria me mostrar.

— Rukia, você se prendeu tanto aos seus amigos que o mero fato de eles te desprezarem já pareceu que não tinha mais vontade de continuar.

— O que?

— A forma como você agiu quando disse que o Ichigo não se lembrava de você, ou a forma que você tem se importado com aquela garota. Sem falar na reação que teve quando aquela sua amiga te disse que preferia que você tivesse morrido.

— Você... Como você...

— Não interessa o como eu sei e nem porque me importei, você é tão forte quanto esta casa, pode sobreviver sozinha. Assim como eu sei que pode reconquistar seus amigos, apenas lembre-se do que é mais importante para você.

— Mais importante para mim.

— Exato, só quando souber aquilo que você considera mais importante você poderá seguir o caminho que te fara feliz de verdade.

Rukia não consegue acreditar em como ele consegue ser tão inteligente, e como aquilo pode fazer sentido, ele conseguiu faze-la se lembrar de algo que ela estava esquecendo, a sua própria felicidade não dependia dos outros, mas sim de suas atitudes.

Rukia começa a sorrir e segura a mão de Grimmjow e o puxa para fora da casa de volta.

— O que foi? — pergunta Grimmjow curioso.

— Nada, você apenas me fez ver melhor a importância das coisas ao meu redor.

— Já sabe o que vai fazer?

— Sim, agora eu tenho certeza.

Alguns minutos depois, Ichigo ouve batidas em sua porta e quando abre, ele não acredita no que vê, Rukia esta parada na frente de sua casa com uma expressão alegre e com um sorriso lindo e quase hipnotizador para o pobre coitado que não consegue esboçar uma reação além de observar admirado aquele anjo para na frente de sua porta.

— Olá Ichigo, eu tenho uma pergunta que eu queria te fazer?

— O que? — diz Ichigo, voltando ao mundo real.

— Meu irmão viajou e a minha casa esta vazia, eu queria saber, eu posso ficar na sua casa?

Ichigo não sabe o que dizer, ele estava deslumbrado por ela e sabia que poderia arranjar confusão com a Jessica por causa desse pedido, mas como poderia dizer um não para aqueles lindos e profundos olhos, a imagem de seu rosto estava mantendo ele completamente sem reação.

— Bom, eu não sei...

— Por favor, eu me sinto muito sozinha naquela casa. — diz Rukia com uma cara de triste, quase como se quisesse fazer um charme para cima do Ichigo, apesar de achar que com ele não funcionaria muito bem. — Ou então se preferir, podemos passar uma noite por lá, que tal?

O último comentário da Rukia ficou pairando a mente do Ichigo, o que ela poderia planejar com aquilo.

— Tudo bem então, pode ficar aqui.

— Eu sabia que podia confiar em você.

Enquanto a Rukia entrava Ichigo começa a notar que ele vai acabar tendo uma vida bem mais movimentada daqui pra frente. Enfim, ele não teria muito o que pensar no momento, afinal daqui a 2 semanas ele voltaria as aulas o que iria complicar um pouco mais.

Notas finais
Eu sei que ficou umas pontas soltas, mas eu planejo já explicar no próximo capitulo que será o último antes do retorno as aulas.
vlw, até a próxima ^^