Meu Amável Vizinho

8 Festas & Descobertas


No capítulo anterior...

Depois umas 2 horas, nós duas já estávamos prontas. Sim, teria demorado muito mais. Mas, já tínhamos ido ao salão mais cedo. Então mais uma boa exageração (?) de perfume e saímos de casa, rumo a festa do Worthy.

– Oi meu amor, você tá maravilhosa. Tá uma gata hein Ju? – Dei um tapa no seu braço e começamos a rir, entrando no clube em seguida.

Bom, eu estou com um cropped prata cheio de lantejoulas, um short preto desfiado cintura alta, uma meia calça preta, ankle boots pretas com uns detalhes dourados e meu famoso cabelo loiro com as novas mechas vermelhas nas pontas. Sim, TUDO, repetindo TUDO foi ideia da Bianca. Mas eu confesso que estou apaixonada por meu cabelo.

Depois de andar um pouco e ficar de vela, encontro os meninos e vou andando até eles, recebendo vários olhares. Esses idiotas não têm o que fazer não? Assim que vou chegando vejo o Rafael. Uol, quem é esse gato?

Ele estava usando um tênis de cano médio preto, uma calça jeans escura, blusa branca da AC/DC (que por acaso estava colada ao seu corpo, mostrando a gostosura dele), uma jaqueta preta por cima e o cabelo totalmente bagunçado de um jeito sexy. Ok, acho que sequei ele demais.

– Hey seus gostosos! Fora o Rafael, claro. – falei sentando em uma cadeira que tinha sobrado.

– Hey Ju! Você tá gat... PUTA QUE PARIU! VOCÊ TÁ MENSTRUANDO PELA CABEÇA? SEU CABELO TÁ VERMELHO! – Christian grita e eu bato na cara dele

– Tá maluco animal? Não estou menstruando pela cabeça! Eu pintei o cabelo! E mal dá pra perceber.

– Ah sim... Porra você tem a mão pesada hein? – ele fala esfregando a mão onde eu bati.

– Desculpa por isso.

– CHEGAMOS!!!! – Lá vem a Bia berrando com o Rodrigo. Esse povo não tem educação não? – Oi pessoa que eu não conheço. Sou a Bianca, mas pode me chamar de Bia– ela fala pro Christian.

– Christian, ainda falta você conhecer o Lucas e o Peter. Eles estão pegando algumas garotas por aí, depois eles vêm. Então... Você que é famosa namorada do Rodrigo?

– Sim, e...

– Hey Bia, vamos pegar uma bebida comigo? – pergunto

– Claro. Já volto amor. Foi bom te conhecer Christian.

– IGUALMENTE – Ele grita pra ouvirmos.

– Viu a cara do Rafael? Ele ficou caidinho em você – Bia fala

– Não viaja Bia.

– Aquele Christian... Pode dar as informações necessárias para nossa investigação ultra secreta da CIA.

– De onde você tira isso? Não é mais fácil perguntar ao Rodrigo? Ele é seu namorado.

– Não! Ele é meu namorado, e não é tão amigo assim do Rafael.

– Pode me dar alguma bebida qualquer por favor? – pergunto ao barman.

– Alguma de preferência?

– Quando eu descobrir o nome de cada uma, talvez...

– Tudo bem – ele ri – Aqui. E você? – pergunta pra Bia.

– A mesma coisa serve. – pegou a bebida e saímos.

– Bia, vamos parar de falar dele, ok?

Sentamos novamente na mesa (na verdade EU sentei na cadeira. A Bia ficou no colo do Rô). E olha quem aparece! Lucas e Peter!

– Hey Lucas Lucco! Hey Peter Pan! – eu cumprimento ambos.

– Lucas Lucco?

– Peter Pan?

– Yes, baby! Bia, Esse é o Lucas não Lucco, e esse é o Peter não Pan.

– Hã? – todos olham pra mim – Ju minha linda, acho que essa bebida foi um pouco forte pra você. – falou o Matheus, pegando a bebida da minha mão e dando um gole.

– LARGA MINHA BEBIDA SEU DESGRAÇADO!

– É uma delícia, qual o nome? – ele pergunta

– E eu tenho cara de barman para saber?

– Ignorante – ele fala – Hey quem tá afim de pegar umas gatas por aqui?

– Simbóra!! – Lucas fala. Simbóra? Tive que rir com isso

Então eles vão. Nem todos. Restando a Bia que estava se atracando com o Rodrigo, Rafael que até agora não falou um piu e eu.

– Se peguem em outro lugar, vou vomitar em cima de vocês.

Ignoram minha humilde pessoa e continuam se pegando. Olho pro Rafael e o mesmo está me encarando. Seus olhos estão castanhos agora. Isso significa que ele está com raiva, triste, alone ou com vontade de dar.

Ah cansei! Festa chata! Vida chata! Tudo chato! Preciso beber! Vou pegar uma bebida pra mim e me arrependo. Essa não é de morango como a outra. Essa veio rasgando minha garganta. Cuspi o resto na cara do barman e o chamei de filho da puta. Como é que esse desgraçado me dá uma bebida tão ruim assim?

Desisto. Vou embora dessa droga. Começo a andar feliz (fodida) da vida mas, tem uma pedra no meu caminho. Sério. Definitivamente tem uma PEDRA no caminho. Pois é, acabei de tropeçar numa pedra. Como raios veio parar uma pedra nessa porcaria de clube?!

– Você tá linda Ju – alguém fala no meu ouvido, com as mãos na minha cintura. – e nem pense em sair.

CONTROLA O CORAÇÃO! – Obrigada. Você também não está nada mal. – eu disse. AI MEU DEUS DESDE QUANDO EU FALO ASSIM COM ELE?

– Hora de dançar – Rafael me puxa e começamos a dançar ao som de alguma música eletrônica que não sei qual é.

E agora? Bom, agora só sei que estou encostada na parede o beijando. Pois é, não sei como. Acho que a bebida faz isso.

– Por que você estava calado na mesa? – falo durante o beijo

– Sinceramente – mais uma mordida no meu pescoço – não sei.

Voltou a atenção aos meus lábios e continuamos nos beijando.

– Querem ir a um motel? – Peter pergunta e nos separamos.

Agora eu vi que todo mundo [nossos amigos ¬¬(na verdade só conhecidos)] estavam olhando pra gente com uma cara de “QUE PORRA É ESSA?!”. O que eu fiz? Bom, acho que o tomate tá perdendo pra mim. Eu fiquei tão vermelha, mas tão vermelha que achei que tinham cortado minhas lindas mechas e depois jogado em mim pra mostrar que eu as perdi.

– EU SABIA! – Minha vaquinha berrou – VOCÊS ESTÃO NAMORANDO EM SEGREDO!

– Você tá maluca?! – minha vez, licença.

– Jullia por que não me falou?! Espera... Vocês não estão namorando.

– Eles estão namorando? – Matheus pergunta.

– Opa! Jujuba, não sabia desse seu lado. – Rodrigo começa a rir.

– Jujuba? Mas o Rafa não disse que... – Lucas tentou falar.

– Verdade! Ele disse que não pode chamar ela de Juju... – Peter imbecil ¬¬

– Mas a questão é: “estão namorando? – Christian pergunta. E todos nos encaram.

– NÃO! – Rafael grita, e até me assusto um pouco. – Nós não estamos namorando tá legal? E NENHUM de vocês, se atrevam a chama-la de Jujuba! Só quem pode chamar ela assim sou eu! E vão cuidar da vida de vocês. Vem Ju.

Ele pega na minha mão e vamos até o bar. O barman me lança um olhar mortal e eu fico rindo da cara dele. Pois é, quem manda me dar bebida ruim? Ele fala alguma coisa ao barman sobre “cuidar da festa”, sei lá. E agora estamos indo ao aeroporto. Quer dizer, estacionamento. Esse desgraçado (Barman) me paga! Que idiota! Agora estou delirando! Entramos no carro dele e ficamos em silencio.

– Quer ir embora?

– Ainda pergunta? Eu estou com dor de cabeça.

– Preciso cuidar de você de novo?

– Não... – dou uma risada fraca. – Rafael.

– O que?

– Lembra quando nós brigamos?

– Qual das vezes?

– Minha irmã. Katty.

– Ah sim, lembro.

– Você disse que... Eu não sabia o que você tinha passado, não sabia nada sobre você...

– Jullia eu...

– Eu quero que confie em mim. – olho nos olhos dele, que no momento estão verdes. – Eu confio em você.

– Eu também confio em você.

– Então me conta.

– Eu não quero falar disso...

Saio do carro e vou andando pelo estacionamento, e olha! Começou a chover e olha! O Rafael veio atrás de mim e puxou meu braço. E olha! Estamos nos aproximando igual aqueles filmes americanos de romance. E olha! Eu vou falar alguma coisa!

– Eu não quero ficar com alguém que não conheço. Eu não sei nada sobre você. Não sei se tem família, não sei por que alugou o apartamento, não sei se você trabalha, não sei onde você estuda, não sei se você quer alguma coisa com a vida, eu não sei nada! Você é um estranho pra mim!

– Tudo bem... Você quer saber? Ok. Eu passei minha vida toda sendo criado por meu pai. E sabe por que? Porque minha mãe morreu no dia em que eu nasci! Até hoje eu me culpo por isso e meu pai também. Todo ano, no dia do meu aniversário, meu presente era uma surra do meu pai, me amaldiçoando por ter nascido. Com 13 anos eu fui morar com minha tia, pois meu pai tinha morrido se drogando. Ela me colocou em um colégio interno e só ia ver se eu estava vivo uma vez por ano. Aos 16 eu tive que sair de lá. Fiquei na casa dela, mas ela pouco se importava comigo. Viajava sem avisar, levava vários homens pra casa e me deixava trancado no quarto. Eu não tinha amigos, não tinha família, não tinha nada. Mas aí eu encontrei o Matheus. A mãe dele disse que eu podia ficar na casa deles o tempo que eu precisasse, ele me apresentou alguns amigos deles e eu comecei a ver o mundo de uma forma diferente. Larguei a escola por um ano e fiquei trabalhando na loja do pai do Math. E depois descobri que meu pai tinha milhões de euros no banco. Então voltei a estudar. Mas eu não podia ficar na casa do Matheus para sempre, então comprei um apartamento. E agora tenho que dividi-lo com uma loira linda e por ironia do destino, talvez eu esteja gostando dela. E... Espero que ela me entenda, e não fique com raiva de mim agora.

Notas finais
OMG!!!!!! OLHA GENTEEEEEEEEE!!! TADINHO DO RAFA!!!