Meu Amor

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Olá, a música precisa ser tocada duas vezes, então seria mais fácil se vocês deixassem a opção de repetir a música ativada. Vou deixar o link do youtube aqui ( https://www.youtube.com/watch?v=LRP8d7hhpoQ ) caso vocês não tenham conta no Spotify para ouvir. É preciso que vocês escutem primeiro a música lendo a tradução, e depois leiam a fic, assim entenderão melhor como cada parágrafo e cada estrofe estão conectados.
Obrigada, espero que tenha uma boa leitura :)

Ela levantou o violino e posicionou no seu ombro, inspirou profundamente e preparou o corpo, a mente e o coração para música que lhe invadiria. Quando a crina tocou as cordas do violino tudo se foi, ou veio, qual era o real sentido de tocar? Esquecer ou lembrar? Enterrar tudo dentro de si ou colocar para fora? Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah, Hallelujah, Hallelujah

A música ecoou no salão e as memórias do seu dia vieram a sua mente. Ele a acordou com um doce beijo de bom dia, quando ela abriu os olhos, seu lindo rosto lhe sorria, era uma dia bom, ela esperava.

—Vamos tomar café da manhã — ele sussurrou em seu ouvido.

Os dois levantaram da cama, ela se dirigiu ao banheiro, quando Penélope saiu, Cole tinha feito o café e a mesa estava pronta.

—Sente — ele afastou a cadeira e esperou ela se sentar.

Penélope estava feliz, fazia tempo que não tinham um dia bom como aquele, mas também estava apreensiva, não queria fazer nada que arruinasse o bom humor de Cole. Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah, Hallelujah, Hallelujah

Juntos tomaram o café da manhã em clima de romance e numa conversa leve e impessoal. Ao terminarem Cole pigarreou, Penélope ficou tensa, era assim que começava.

—Meu amor — quando ele proferiu essas palavras Penélope estremeceu, isso significava coisas ruins — me disseram no trabalho que você foi chamada para uma apresentação hoje.

—Sim — Penélope sussurrou, quando Cole a chamava de meu amor, era necessário ter cautela e cuidado com as palavras.

—E você planejava ir? — Cole perguntou

—Imaginei que como você ficou com as duas últimas apresentações, eu poderia ficar com esta — Penélope sussurrou e foi erguendo seus olhos aos dele aos poucos, assim que os alcançou, viu que tinha cometido um erro. Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah, Hallelujah, Hallelujah

Cole pulou de sua cadeira e com um braço jogou a mesa do outro lado do cômodo, arrancou Penélope de sua cadeira enquanto ela se encolhia e pedia desculpa por seu mau comportamento, o primeiro soco foi desferido com força contra seu rosto, em seguida ele a ergueu pelo pescoço e sussurrou em seu ouvido:

—Sua pequena vadiazinha, só porque nasceu de família rica acha que tem mais talento que eu e pode ficar com todas as apresentações que aparecem?

Cole apertou ainda mais a mão em seu pescoço, a empurrou com força contra a parede fazendo sua cabeça girar e a levantou pelo pescoço, as mãos de Penélope se dirigiram às mãos de Cole tentando soltar seu pescoço. Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah, Hallelujah, Hallelujah

—Você vai aprender agora o que seus pais não te ensinaram quando era pequena, a ficar no seu lugar, no chão, que é onde você pertence.

Penélope engasgou e sentia que ia apagar, ela quase desejava isto, assim não sentiria imediatamente as dores, mas ela precisava saber o que ele ia fazer com seu corpo, não saber era pior, ela já passara por isso antes..

Após vários minutos de socos, chutes, enforcamentos e torções Cole se levantou e foi até o banheiro, Penélope permaneceu deitada, não tinha forças para se levantar e se limpar, ela ouviu o barulho do chuveiro, isto significava que ele tinha acabado, não voltaria para mais. Penélope apagou e acordou com Cole agachado ao seu lado, ele segurou o seu rosto e virou para olhar para ele, estava calmo, quase relaxado.

—Estarei fora da cidade esta noite para uma apresentação, pode ficar com aquela, tenha cuidado na rua e não fique fora até tarde, existem caras ruins lá fora — ele se abaixou e deu-lhe um selinho nos lábios, causando dor a Penélope — Amo você.

Ele se levantou e saiu do apartamento. Penélope esperou quinze minutos para ter certeza que ele não ia voltar, em seguida se levantou e foi ao banheiro, tomou banho e chorou, foi estúpida demais, devia ter falado com ele antes, é claro que ele tem preferência, é um violinista bem melhor que ela.

Depois do bom e demorado banho para tirar todas as manchas de sangue, ela pegou sua toalha, se secou, sentou-se em frente a sua penteadeira e começou a sua rotina de cobrir todos os hematomas com as melhores e mais caras maquiagens que sua mãe lhe dá, como sua mãe diz, é preciso ficar bonita para um homem como Cole, ele não precisa ficar olhando para seus hematomas, ela não vai arranjar melhor que isto, e seu pai gosta de Cole, disse que ela precisa se comportar mais, um homem como Cole precisa de uma mulher obediente, que atenda suas necessidades, e seus pais já aprovaram e autorizaram o casamento. Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah, Hallelujah, Hallelujah

Ao terminar de se arrumar Penélope foi para a sala e limpou a bagunça, os vidros e porcelana quebrados, os talheres espalhados pelo chão e o sangue, o sangue é sempre mais difícil de tirar da parede.

Penélope voltou ao palco, seu concerto acabou, a plateia os aplaudiu e ela ficou feliz, por pouco tempo, mas era uma pequena luz de esperança que tinha de que a vida poderia ser boa com ela.

Após a apresentação ela e os outros músicos seguiram para a sala onde as pessoas poderiam conhecê-los, mas Penelope não pode ficar muito tempo, precisava voltar pra casa, Cole poderia voltar cedo para dormir com ela. Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah, Hallelujah, Hallelujah

Ela saiu do teatro e resolveu ir andando para casa, estava uma noite fria, mas não congelante, o vento frio nas suas bochechas aqueceu seu coração. Era um pequeno prazer para Penélope andar sozinha pelas ruas, sentindo apenas o vento no seu rosto e cabelo, quase podia sentir o gosto de liberdade, era o único gosto que poderia provar. Às vezes se perguntava se tinha tomado a decisão certa, se aquele era o único tipo de amor que podia receber ou merecer, gelado como o vento e quebrado como seu coração. Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah, Hallelujah, Hallelujah

Penélope não viu, apenas sentiu quando o carro subiu pela calçada e acertou seu corpo, a frente do carro colidiu com a sua própria, o carro a arrastou até bater seu corpo, já danificado por Cole e pelo próprio carro, contra uma parede, ela estava presa, entre o carro e o prédio, podia sentir ali que era seu fim, gelado e quebrado fim. Hallelujah. Penélope sorriu. Hallelujah. Sangue escorreu de sua boca. Hallelujah. Pelo menos tinha uma última satisfação. Hallelujah. Não iria morrer pelas mãos de Cole. Hallelujah

Hallelujah

Hallelujah

Hallelujah

Hallelujah

Hallelujah .

Notas finais
Obrigada por ter lido, gostaria muito de saber sua opinião, seja ela boa ou ruim, deixe um comentário construtivo, quem sabe ele poderá me ajudar a melhorar e você possa gostar da minha próxima estória.
:)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!