Meu Amável Vizinho
17 Ready? Go!
Notas iniciais
No capítulo anterior...
– Jullia, eu estou afim de uma garota...
– Quem é ela?
– Bom, nos falamos frequentemente. Mas nunca falamos sobre nós. E sempre que eu tento, ela meia que foge, entende? Ela está na minha cabeça e desde que apareceu eu não consigo tirar.
– Você. Está. Apaixonado. Por. Essa. Garota.
– Como pode saber isso?
– Olha, eu já me apaixonei uma vez.... Sei bem como é. O jeito como fala dela.... Eu simplesmente não entendo por que você não fala de uma vez.
– Por que eu não sei se ela vai corresponder.
– E nunca vai saber até tentar.
– Ela é tão linda.... Sabe, eu adoro mexer no cabelo dela. Ela me lembra um jardim. O cabelo é o sol e os olhos são as flores. Agora tenho que ir.... Até mais, Jujuba.
Ok, ok... QUEM É POISSON GIRL? E por qual motivo está me enviando essas mensagens estranhas? E como sabe quem eu sou ou o que faço?
Meu celular vibra novamente indicando uma mensagem. Abro, não é do (a) “Poisson Girl”, e sim do próprio celular, mostrando um lembrete com a seguinte frase: “MATERIAIS ESCOLARES / LEVAR O WORTHY JUNTO”, brilhando com pequenas letras pretas.
Bom, o Worthy saiu, então só me resta ir sozinha. Como minha querida vovó sempre dizia: “antes sozinha do que mal acompanhada”. E vamos lá!
(...)
Bom, acontece que o Worthy tinha visto o lembrete no meu celular e saiu pra comprar os materiais dele primeiro. E bom, por pura coincidência, ele foi na mesma loja que eu. Bom, não compramos tudo, já que o Sr. Worthy fez o favor de derrubar 3 prateleiras em cima de um balcão de vidro. Sim, o balcão era de vidro e sim, ele quebrou. Se pagamos pelo prejuízo? Sim, pagamos. E ainda fomos expulsos da loja!
Mas, voltando ao presente, minhas mãos estão seguras no volante. Ah qual é?! Apostar corrida com o Rafael não pode ser tão assustador. Mentira é assustador sim. E bom, ao menos não tem ninguém nas ruas a essa hora. Coitado de quem tiver a triste ideia de atravessas as ruas de Nova Iorque ás 4hrs da manhã.
Bom, só nos resta rezar.
E assim demos partida. E a cada vez, acelerávamos mais e mais. Já estava em 150km/h, se alguém aparecesse aqui agora... Mais uma curva... O Worthy estava na minha frente, já que sem queres eu parei de prestar atenção nas pistas e entrei na rua errada. Mas eu só preciso de 1 deslize e... Bow!! Passei! Pobre Worthy. Espera, ele está parando... E buzinando... E saindo do carro... Acho que eu deveria fazer o mesmo, certo? Espera, e essas luzes?
Diminuindo a velocidade aos poucos, dei mais duas voltas no quarteirão até o carro perder velocidade, e estacionei atrás do Worthy. Descendo do carro em seguida.
– Hm... Rafael...? O que aconteceu? – Perguntei ao Worthy, que estava parado, olhando para o horizonte. E ele estava.... Chorando. Ele não piscava e muitas, muitas lágrimas escorriam pela sua face.
– Jullia... – Em um sussurro quase inaudível, ele apontou para algum lugar na escuridão.
– Ai meu Deus!
Um corpo.... Uma garota, cabelos negros, rosto e corpo cheios de sangue. Ela estava a metros de distância de onde ele parou. Seus braços estavam em carne viva e eu juro ter visto o osso. Suas pernas estavam tortas e um de seus pés pretos. Sua boca estava em um tom roxo muito escuro e seus olhos abertos, mostrando a escuridão entre eles. Sua face estava deformada e ainda saia um pouco de sangue pela sua boca.
– Ela está... – Ele tentou dizer
– Eu não sei... – Sussurrei – Eu não sei Rafael... Como... O que aconteceu? – O abracei, tentando transmitir algum tipo de conforto. E as lágrimas.... Começaram a dar sinais de vida.
Eu participei disso. Se ela estiver morta.... Nós.... Não posso.... Eu não posso ser presa, já que não sou maior de idade, mas o Rafael... Ai meu Deus... O que... Vai acontecer? E se formos presos por anos? Ou prisão perpétua, ou pena de morte?
– Rafael... Eu estou com medo...
– Jullia... Preciso que faça uma coisa por mim....
– Claro! O que.... O que eu faço?
– Foge. Precisa sair da cidade.
– E você?!
– Eu vou me livrar do corpo.
– O que?! Ficou maluco?!
– Eu não quero que se envolva nisso, tudo bem? Eu quem tive a ideia, eu quem.... Atropelei a garota.... Eu que tenho que pagar. Fique fora disso. Vá.... Para casa. Não sei, só.... Saia daqui.
Então meu telefone tocou. Número desconhecido.
– Alô?
– Saia daí. E leve o Rafael com você. Não toquem em nada. Vão direto para casa e não parem ou falem com ninguém. Estão sendo filmados agora, então não façam besteiras. Eu vou cuidar de tudo.
– Johnnathan... Onde você está? O que está acontecendo?
– A única coisa que precisa saber é que não foi o Rafael que atropelou a garota. Coloque isso em sua cabeça. Mande-o ir para casa e leve o carro dele até a parte debaixo da ponte. Vou apagar as filmagens das câmeras de segurança. Não se preocupe com nada. Agora faça o que eu disse e esqueça o que aconteceu esta noite.
Fim da ligação.
Ah claro! Meu ex-namorado me liga no meio de um acidente e eu tenho que confiar 101% nele ou posso acabar presa. Bom isso é fácil. Difícil e tirar o Rafael daqui.
– Quem era? – Ele pergunta. Meio espantado.
– Era... Um.... Amigo.
– Jullianna quem era?
– Não importa. Precisamos sair daqui.
– Não. Você precisa sair daqui.
– Rafael me escuta. Eu tenho tudo sob controle. Preciso que confie em mim e faça o que estou pedindo. Não quero acabar presa e nem ver você preso. Não quero pagar por um crime que não cometi...
– EU MATEI A GAROTA! – Dei um tapa na sua cara e segurei seu rosto, de forma que ele olhasse diretamente para mim.
– Escuta! Eu não estou brincando e nunca falei tão sério na minha vida. Ou você faz o que eu estou dizendo agora, ou pode dizer adeus à sua vida. Eu já tenho problema demais na minha vida e não quero que você cause mais um. Então é bom me dar as chaves do seu carro, entrar no meu e ir para casa AGORA.
Sem dizer mais nada ele fez o que eu disse. E agora? Bom, tenho que ir ao tal lugar com o carro do Worthy.
Ele não vai aparecer? Já estou aqui a quase 1 hora e nada dele chegar. E como ele vai “limpar” o que nós sujamos? É quase impossível apagar as gravações de todas as câmeras, e ainda se livrar do corpo.... Será que o Worthy foi mesmo para casa?
– Sim, eu estou em casa Jullia.
– Eu só.... Queria saber...
– Olha.... Eu não sei como ou por quê. Mas, aquela garota apareceu do nada. Como se fosse.... Jogada na frente do carro e..... Como vai resolver isso?
– Eu vou dar um jeito Rafael, confie em mim.
– Onde está agora?
– Eu.... Estou resolvendo tudo. Não sei que horas chego em casa. Sei que está nervoso, preocupado e tudo, mas tente esquecer, tudo bem? Olha, se você me prometer que não vai tocar no assunto e esquecer tudo, eu faço lasanha pelo resto do mês.
– Tudo bem. Não demora, ok?
– Ok. Beijos.
– Beijos.
Fim da ligação
Voltei a minha posição de antes, sentada na beira do lago, olhando as estrelas que sumiam aos poucos. O vento estava gelado e não havia um ruído sequer por perto. Tudo estava calmo, menos eu. Eu não estava calma. O Johnnathan ainda não tinha aparecido e isso me deixava mais aflita. O que vai acontecer agora?
– Ele está bastante tenso, certo?
– Sim, está... O que você fez, Johnnathan?
– O preciso.
– O que. Você. Fez?
– Vamos para o carro.
E então ele pegou minha mão e conduziu-me até o carro do Worthy, pegando as chaves que outrora estavam comigo e destravando o mesmo. Então sentamos, mas ele não ligou o carro. Ficou me encarando, como se pedisse para mim falar algo.
Não conseguia falar. Eu não tinha o que falar. Não precisava falar. Eu só queria que ele me explicasse o que está acontecendo. E quando digo isso, não me refiro a garota morta. E sim a tudo isso. Por que ele voltou? Por quê? Desde quando ele voltou, tudo ficou assim.
– Quer ir embora? – Ele perguntou. – Ou preciso cuidar de você primeiro?
– Quero que confie em mim. Eu confio em você.
– EU também confio.
E de repente tudo voltou. Lembrei do dia da festa. O dia em que eu estava nesse mesmo carro, nessa mesma posição, só que com o Rafael...
Flashback – capítulo 8
– Quer ir embora?
– Ainda pergunta? Eu estou com dor de cabeça.
– Preciso cuidar de você de novo?
– Eu quero que confie em mim. – Olho nos olhos dele, que no momento estão verdes. – Eu confio em você.
– Eu também confio em você.
– Então me conta.
– Eu não quero falar disso...
Flashback off
– Johnnathan, o que você quer? Por que está bagunçando minha vida novamente? Por que voltou?
– Eu não sei...
– Eu quero ir para casa.
– Tudo bem, eu vou....
– Não. EU vou para casa. Você faz o que quiser.
(...)
– Rafael? Está em casa?
– No meu quarto.
– Está melhor? – Perguntei enquanto entrava em seu quarto.
– Você está?
– Sim, eu acho.
– O que você fez? Demorou quase duas horas.
– Nada.
– Você disse que confiava em mim.
– Um amigo resolveu tudo.
– Amigo?
– Sim, um amigo. Esquece isso Rafael. Já comeu alguma coisa?
– Esquentei uma parte do jantar. Se tiver sorte ainda consegue comer uma parte quente. – Deu um sorriso fraco e abaixou a cabeça
– Eu vou me arrepender disso.
– O que? – Me olhou sem entender.
– Você é um idiota.
Então o puxei para um beijo. Começando lento, que foi aprofundado por ele. Que me puxou mais, e cada vez mais procurávamos uma forma de nos juntar mais e mais. Nossas línguas se moviam em sincronia e a cada vez ficava melhor. Eu não queria me separar dele. Nunca mais. Eu amava o Johnnathan, mas o que eu sentia pelo Rafael... Era incompreensível. Ele me fazia esquecer tudo. Quando nos beijávamos não era como o beijo do Johnnathan. O beijo do Johnnathan era apaixonante, mas era um apaixonante sem paixão. Estranho.... Já o do Rafael... Era quente, viciante, e me fazia ocultar o que eu sinto ou sentia pelo Johnnathan.
– Não faz isso... – Ele disse, se separando de mim lentamente e olhando nos meus olhos – Não faz isso comigo Jullia...
– Rafael...
– Eu gosto de você.... E dói saber que você não sente o mesmo. Então fica longe, por favor...
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